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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Devaneios de Séries... Penny Dreadful (2014-)


A MINHA OPINIÃO:

Penny Dreadful é uma série emitida pela cadeia televisiva norte-americana Showtime. Surgiu de uma ideia de John Logan que a co-produz com Sam Mendes. Na Londres vitoriana, personagens fictícias criadas por Logan misturam-se com personagens tão familiares como Dr. Victor Frankenstein, Drácula, Dorian Gray e Van Helsing. Mas, estes não se limitam a encarnar os seus contra-partes literários. Apesar de manterem algumas parecenças, eles são dotados de motivos, histórias paralelas de arrependimento, de sonhos E de demónios pessoais que se entrelaçam com a grande história que se desenrola em grande plano. O primeiro episódio é introdutório e o tom de mistério e de horror que percorrerá toda a primeira temporada é como que, um anzol que agarra o espectador. De certo modo, cada personagem tem os seus segredos para perpetuar o seu lado negro e isso, é deveras intrigante.


O segundo episódio marca a série com emoções fortes e momentos aterrorizantes mas, memoráveis. É sacudido por revelações que, ligam ainda mais as personagens centrais. Começa a desabrochar a soberba interpretação de Eva Green como Vanessa Ivens. Ela incorpora perfeitamente os sentimentos contraditórios desta personagem extremamente complexa.  Vanessa seria a decepção da série se não fosse bem interpretada.  Ela é uma hipérbole gótica do "normal" ser humano. Procura enveredar sempre pelo bem porém, o seu lado oculto e negro está sob a sua pele prestes a surgir. 


Malcolm Murray de Timothy Dalton é quem reúne esta família bastante disfuncional sobre o mesmo tecto. Todos têm uma missão em comum além da pessoal e, isso, cria um elo estranhamente familiar entre Victor Frankenstein, um jovem médico, obcecado da inevitabilidade da morte e o enigmático Ethan Chandler, pistoleiro infalível mas, tal como Vanessa, tem um lado negro a espreitar sobre o ombro. Todos são exímios a dominar o seus respectivos personagens apesar de, não brilharem tanto como Eva Green. Brona Croft de Billie Piper é aquela personagem que, inicialmente, parece ser facilmente definível todavia, à medida que a temporada avança, é impossível não compreender esta imigrante irlandesa que foge ao seu passado sombrio. No entanto, é Dorian Gray quem menos me cativa. Os seus objectivos enquanto personagem não são muito claros e a aura de mistério e atracção que era, suposto, rodeá-lo não é palpável. Quando se encontra com o restante elenco não se destaca, desaparece na escuridão. Não sei ainda se isto se deve ao actor Reeve Carney ou ao argumento.


Penny Dreadful deve o seu nome a publicações de ficção e terror que eram vendidas em Inglaterra no século XIX. Fiel ao manuscrito que a baptizou, é repleta de momentos assustadores, arrepiantes com direito a saltos na cadeira e a pôr cabelos em pé. A cor gótica da cinematografia também contribui para este ambiente. Não obstante, é uma história bastante humana porque se há algo com que nos podemos relacionar é a possibilidade de remediar os nossos erros. Penny Dreadful é uma série com temporadas curtas pelo que, cada episódio é recheado de reviravoltas que prende o espectador. Já tem uma segunda temporada agendada para 2015.

TRAILER:


domingo, 5 de outubro de 2014

Devaneios de Séries... Once Upon a Time ( 2011- )


A MINHA OPINIÃO:

Once Upon a Time é uma série produzida e emitida pelo canal televisivo ABC nos Estados Unidos da América. Foi concebida a partir de uma ideia de Edward Kitsis e Adam Horowitz, criadores da série Lost e ambos, são, actualmente, escritores e produtores da série.
Na pequena cidade ficcional de Storybrooke no Maine, vivem várias personagens do mundo dos contos de fadas que foram transportadas para o "mundo real" devido a uma maldição. Habitualmente, cada episódio contém duas linhas narrativas: uma no presente e outra no passado. 
A maioria das personagens integrantes desta série são sobejamente conhecidas: a Snow White ( Branca de Neve) e o seu príncipe, a Evil Queen ( Rainha Má) e os anões fazem parte do nosso imaginário infantil. Aqui são fiéis ao seu espírito primordial porém, trazem uma nova roupagem. É investigado o porquê de serem quem são e, em consequência, são mais arrojadas e nada aborrecidas. Rumpelstiltskin é talvez, dos protagonistas menos célebres. Tem origem num conto alemão obscuro contudo, a sua personagem é um dos atractivos da série. Graças ao seu mistério e à brilhante interpretação de Robert Carlyle, é impossível não se fixar na história deste duende. Emma Swan ( Jennifer Morrison) e Henry Mills ( Jared Gilmore ) são as únicas personagens que foram totalmente criadas de raiz para a série televisiva. São eles que farão descarrilar uma sucessão de acontecimentos que transformarão Storybrooke. Emma é, supostamente, a que quebrará a maldição que mantêm os seus habitantes prisioneiros.


Once Upon a Time beneficia da sua originalidade. O modo como reinventa personagens tão familiares e cria ligações, surpreendentemente, lógicas entre eles é louvável. Ao dar-lhe um passado, motivos e objectivos, os escritores da série demonstram que todos procuram o seu final feliz. Às vezes, a forma de o conseguir é que é distinta.  Rapidamente, nos apercebemos que nem todos os vilões são totalmente maus e não todos os bons são totalmente bons.


Actualmente, no seu quarto ano de exibição, Once Upon Time teve uma primeira temporada fulgurante com reviravoltas e momentos de grande impacto para o telespectador incluindo, o seu final estonteante. Na segunda temporada decaiu em ritmo e brilhantismo sendo que, eram frequentes os episódios "filler" que não fazem mover a grande história. Todavia, nesta temporada é-nos apresentado duas novas personagens com grande importância nos episódios e temporadas subsequentes: Neal Cassidy e Killian Jones mais conhecido por Hook ( Capitão Gancho).


Na terceira temporada, os autores apostaram em dividi-la em duas metades distintas cada uma com o seu antagonista. Deu mais dinamismo à série e trouxe novos mundos a este mundo como Neverland ( A Terra do Nunca) e  Oz. 
Os figurinos e os cenários da série são deslumbrantes se bem que, os seus efeitos visuais fiquem , por vezes, a desejar. Não obstante, Once Upon a Time é um entretenimento sólido que derruba todos os preconceitos que possam ter acerca destas personagens! E se pensam que a vossa árvore genealógica é complicada deviam de ver esta série e tentar construir a de Henry Mills...

TRAILER DA 1ª TEMPORADA:  

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Devaneios de Séries... The White Queen (2013)- A Rainha Branca


The White Queen ( A Rainha Branca) é uma mini-série britânica de 10 episódios exibida pela BBC no Reino Unido e pela STARZ nos Estados Unidos da América. É baseada nas obras de Philippa Gregory sobre a Guerra das Rosas ou a Guerra dos Primos. Abrange a história narrada em A Rainha Branca, A Rainha Vermelha e A Filha do Conspirador. A STARZ está a estudar uma sequela que irá narrar os acontecimentos de The White Princess, o próximo livro da saga ainda sem edição portuguesa.
À semelhança dos livros, centra-se nas personagens femininas das casas de Lancaster e York. que influenciaram o rumo da guerra pelo trono. As protagonistas são Elizabeth Woodville, Margaret Beaufort e Anne Neville.
Esta adaptação televisiva é bastante fiel às obras que lhe deram origem por isso, há algumas incongruências históricas. Afinal, não se trata de um retrato de uma época mas, de uma adaptação de um retrato romanceado do período da guerra civil inglesa.


As actrizes que dão vida às personagens principais são competentes porém, Rebecca Ferguson que interpreta Elizabeth só me conquistou após alguns episódios. Culpo em parte o argumento porque ela demonstra uma frieza e uma altivez que não me lembro de ser tão marcada nos livros. A Elizabeth da série é das personagens cujo passado nublado pode causar confusão nos não-leitores. Quem leu os livros sabe que Jacquetta, a sua mãe tem poderes que não são comuns e que instruiu a filha nesses mistérios. Na adaptação televisiva, estes momentos surgem quase sem explicação. Só ao fim de algum tempo é que se começa a perceber o porquê das mulheres da sua casa terem uma ligação tão forte ao rio e à água.
Amanda Hale que dá vida a Margaret Beaufort é que é verdadeiramente surpreendente! Nos livros, Margaret é insuportável com o seu fanatismo religioso e a sua crença de que é enviada por Deus mas, aqui, Amanda sabe torná-la mais empática, enfatizando o seu amor pelo filho e a sua capacidade quase maluca de sacrifício por ele. Mesmo assim, há momentos em que me apetece lhe dar uns estalos por conta da sua homónima literária.
Faye Marsay, a Anne Neville é a minha predilecta das três. A sua transformação de menina a mulher é muito tocante. O seu caminho não é fácil e o modo como a actriz a molda consoante as circunstâncias é notável.


No elenco secundário, os destaques são, sem dúvida, David Oakes com o seu maníaco George, Aneurin Barnard como Richard,  James Frain como Lord Warwick e Janet McTeer como Jacquetta. Todos trazem às personagens carisma e personalidade e concordando ou não com as suas acções, quando estão em cena, são memoráveis. Max Irons,o Edward IV parece, por vezes, deslocado do seu lugar. Primeiro ele devia ser mais velho que George, o que não aparenta e depois à medida que envelhece deixa de ser credível. Mas isto também é culpa da produção. A maquilhagem e as próteses existem para isso. Alguns personagens parecem eternos e nem uma ruga têm com o passar dos anos. Então, o Edward gordo chega a ser hilariante. A barriga falsa parece uma gravidez.
No entanto, a narrativa é atractiva e os episódios consistentes e equilibrados que impelem o espectador a seguir a mini-série até ao fim.
Em suma, esta adaptação televisiva tem algumas falhas todavia, não deixa de ser um bom entretenimento.

TRAILER:



quarta-feira, 27 de março de 2013

Devaneios de Séries...The Bible (2013)- A Bíblia


A MINHA OPINIÃO:


The Bible é uma mini-série de 10 episódios produzida pelo canal americano History Channel e que pretende cobrir a maioria dos grandes acontecimentos bíblicos desde o livro do Génesis  até ao do Apocalipse. O texto que lhe deu origem será sempre alvo de discussão pelo que me debruçar sobre o mesmo e afirmar se ele é fiável ou não é absolutamente inútil e redundante e depende claramente da fé de cada um. Não sou propriamente uma leiga nestas histórias logo, o factor surpresa foi obnubilado pelo meu conhecimento anterior. Os 5 primeiros episódios são inteiramente dedicados ao Antigo Testamento e os restantes ao Novo Testamento. Condensar o Antigo Testamento em tão poucos episódios é uma tarefa dantesca pois, há muito para explorar e muito para explicar. Esta produção televisiva não consegue superar este desafio na totalidade.O primeiro episódio inicia-se com Noé que, estranhamente tem um sotaque escocês, aborda o dilema de Abraão e termina na juventude de Moisés. Muita história que é amontoada sem dó nem piedade! A presença de um narrador não é um bálsamo que cura todas as maleitas! Às vezes, a sequência de acontecimentos não é nada orgânica, perdendo-se a sua lógica e para um telespectador ignorante da Bíblia é potencialmente confuso. Nestes primeiros episódios, também se nota um certo melodramatismo de alguns actores nas suas interpretações, diálogos pobres e uma parca contextualização. No conto de Abraão é várias vezes batalhado o facto de a sua mulher, Sara ser estéril e é ela que o encoraja a ter um filho de outra mulher, Agar. Porém, e quase de momento para outro porque não há muito tempo para explicar, Sara, torna-se rancorosa e ciumenta de um filho que ela incitara a conceber. Ismael e Isaac, os dois filhos de Abraão são só brevemente mencionados o que é uma pena pois, segundo a crença: Isaac é a origem da nação hebraica e Ismael, o início da nação muçulmana.São pequenos pormenores que concederiam à mini-série alguma dualidade.
 

Estes primeiros episódios padecem todos dos mesmos males: os argumentos, às vezes com tiradas quase infantis, a pressa e  algum despropósito. No entanto, eles vão aumentando gradualmente de qualidade sendo que, a vida de David num dos últimos episódios é tratada com uma certa maturidade, dignidade e com um bom desenvolvimento embora o final seja ligeiramente precipitado.


Os últimos 5 episódios, a vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos, são o melhor de toda a produção. O argumento e os diálogos são incrivelmente melhores. Na verdade, parece que os episódios anteriores serviram só para empatar até os produtores atingirem o seu real objectivo: contar o nascimento do Cristianismo. Estes são dominados pela presença espectacular de Diogo Morgado. O Cristo do actor é magnetizante! A sua interpretação é brilhante dotando-o de uma ternura, de uma leveza e de uma sabedoria quase surreal que nos aproxima dele porque, ele tanto adopta um estilo paternal como filial. Ao mesmo tempo consegue incorporar uma certa celestialidade quase etérea que o distingue mas que não o afasta dos olhos do telespectador. 


Os apóstolos também granjeiam os meus elogios particularmente, Pedro de Darwin Shaw e Paulo de Con O'Neil. A sua irreverência  e o seu arrependimento foi tão bravamente e genuinamente interpretado que me tocou profundamente.Shaw consegue ainda fazer a transição de discípulo atormentado a líder inato sem qualquer dificuldade. Ele também se distingue entre a multidão. Também apreciei o protagonismo dado a Maria Madalena de Amber Rose Revah. Ela é quase retratada em pé de igualdade com os restantes apóstolos o que muito me agradou pois, normalmente o seu papel é negligenciado nestas produções.  Todavia, nesta fase a série ainda tem algumas incoerências como não explicação do nome de Paulo e a não referência ao parentesco entre João Baptista e Jesus. São pequenos detalhes que escaparão a quem desconhece a história.
Visualmente, a série também melhora ao longo de todo o seu percurso. Algumas cenas especialmente, no Antigo Testamento são pouco verossímeis como a separação do Mar Vermelho que me remeteu para os filmes antigos de Hollywood. Era de esperar que a tecnologia, hoje em dia fosse melhor, não? Contudo, quando alcançamos o Novo Testamento, o Templo de Jerusalém é uma visão perfeita ou seja, também existem incongruências neste campo. 
Relativamente à música, a banda sonora é fenomenal! Hans Zimmer é um génio musical e não há mais nada a dizer! Vibrante, épica ou de uma quietude inimaginável é, indubitavelmente das mais valias da série.  
Assim,The Bible é uma série que se propõe a muito mas, infelizmente não cumpre todos requisitos que pretendia.Não obstante a sua visualização é agradável e até viciante quando entra na segunda metade graças à graciosa e talentosa presença de Morgado. 

TRAILER:



quarta-feira, 13 de março de 2013

Devaneios de Séries... The Thorn Birds (1983)- Os Pássaros Feridos


A MINHA OPINIÃO:

The Thorn Birds (Os Pássaros Feridos) é uma mini-série de oito episódios da cadeia televisiva ABC  baseada no livro homónimo de Colleen McCullough. Venceu 6 Emmys ( Academy of Televison of Art & Science) e 4 Globos de Ouro ( Hollywood Foreign Press Association). É considerada uma das pioneiras do género no meio televisivo sendo que, é das que detém um dos maiores recordes de audiência de sempre. Tal como a obra literária que lhe deu origem, The Thorn Birds é vastamente dominado por Drogheda, herdade australiana produtora de lã criada por McCullough. É uma produção da década de 80 pelo que, poderá causar alguma impressão a quem espera cenários refinados e brilhantes.Obviamente que a qualidade do fotografia não é igual às das películas actuais mas, existe algo de sensacional na aridez que a série exibe, remetendo o telespectador para o calor abrasador da Austrália.


Assim como a história que lhe deu origem, a série é intensamente dramática e se não fossem as interpretações fantásticas do elenco cairia  certamente num tom novelesco insuportável pois, perante um livro com tão grandes emoções pode incorrer-se nesse erro. Meggie Cleary é uma criação virtuosa de Rachel Ward. Sente-se a paixão, o desespero e a teimosia da personagem como se ela tivesse saltado do livro para o ecrã. Ralph de Bricassart, o outro protagonista, é sem dúvida,  ainda mais marcante ( se possível!) devido a Richard Chamberlain. É impressionante como o actor traz para o ecrã, o conflito interior de Bricassart. É um homem que ama Deus, que tem vocação e muita ambição mas, ama igualmente uma mulher. Poderia se tornar confuso e deprimente porém, não o é.

No elenco secundário brilham Jean Simmons como Fee, a mãe de Meggie, dando-lhe uma estoicidade louvável, a incontornável Barbara Stanwyck como a amargurada Mary Carson que rouba qualquer cena em que esteja e Christopher Plummer como o Arcebispo Vittorio que como sempre tem uma presença imponente.  Os sotaques é que são raramente ou nulamente trabalhados e por isso, a ascendência neo-zeolandesa  e irlandesa de alguns personagens não é logo identificável.


Há um sentimento de inevitabilidade que cresce a cada episódio. Sabemos que não há espaços para grandes felicidades todavia, não conseguimos parar de ver. É saga familiar que lida com o amor, a traição, o escândalo, a morte, o luto e o perdão redentor. A banda sonora é assombrosamente paralela a toda história com um tema principal lindíssimo de Henry Mancini.
Eis uma preciosidade televisiva há muito esquecida que todos os apreciadores deste género deviam ver!

TRAILER:

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Devaneios de Séries... Sense & Sensibility (2008)- Sensibilidade e Bom Senso


A MINHA OPINIÃO:

Sense & Sensibility (2008) é uma mini-série de três episódios produzida pela BBC baseada no livro homónimo de Jane Austen. Andrew Davies, o argumentista, é audacioso marcando o início do primeiro episódio com uma cena de sedução. Choca porque não é definitivamente algo que Jane Austen escreveria. Cria animosidade contra uma personagem que aparecerá de novo mais tarde. Admito que tira o factor surpresa a essa história particular para quem nunca tenha lido o livro. Porém, esta adaptação não deve ser julgada  tão severamente por este acontecimento. Aliás, após este incidente retorna ao bom temperamento "austiano" e cada momento é pautado pela sobriedade mas também pela genuína emoção. Três episódios permitem aprofundar personagens secundárias que num filme não teriam tanto tempo para brilhar como a emproada Mrs Ferrars ( Jean Marsh). Ela e a filha, Fanny (Claire Skinner) são insuportáveis com a sua tendência para o mexerico e para a aparência. O ódio que lhes ganhei rapidamente se transformou em comiseração ou mesmo riso porquanto da sua ridícula figura. As irmãs Steele que tem um papel pequeno mas, vital nesta história também são mais elaboradas e Anne proporciona humor com as suas maneiras desajeitadas. O Coronel Brandon é outra personagem que é bem mais desenvolvida que nas adaptações posteriores o que muito agradou visto ser das minhas favoritas no livro. David Morrisey não corresponde inteiramente a descrição física de Austen mas, encarna Brandon com primor dotando-o daquele sentido de honra inabalável. Por outro lado, Willoughby (Dominic Cooper) é retratado obscuramente e com uma aura quase maquiavélica. Não gostava muito dele no livro e aqui ainda gostei menos. 


Quanto as protagonistas, Marianne e Elinor, elas trocaram-me às voltas. No livro, preferi Marianne (Charity Wakefield), a mais emotiva e romântica todavia, nesta mini-série adorei Elinor. Hattie Morahan criou uma mulher estóica, sensata tal como no livro e acrescentou-lhe um toque de vulnerabilidade que muito apreciei. É impossível não gostar dela e não torcer pela sua felicidade. A Marianne de Wakefield não me apaixonou tanto não obstante é uma interpretação impecável e a química entre as duas irmãs é fabulosa!

Edward Ferrars de Dan Stevens é um total gentleman. A acreditar em reencarnações, diria que Stevens deveria ter sido um lorde na época vitoriana. Quem conhece Downton Abbey, perceberá o que eu quero dizer. Os papéis de época assentam-lhe perfeitamente. É muito expressivo e a ternura e o calor humano que emana destaca-o da restante família e tal como as Dashwood(s) adorei-o.No geral, o elenco é muito competente e aprazível e a mini-série vive muito dele. Sofri, ri, regozijei e vi os episódios todos numa noite de tão viciantes que eram. Os cenários também são magníficos: as grandes mansões, o verde quase irreal do campo e a beleza da casa das Dashwood (s) beira à mar são de tirar o folêgo! 
Uma adaptação de um clássico como esta nunca poderá agradar a todos os espectadores. Haverá sempre alguém que não concordará com certos pormenores porque criou uma imagem completamente oposta quando leu o livro. Eu incluo-me no grupo dos que a apreciaram bastante e atrevo-me a afirmar que a achei mais emotiva e arrebatadora que o livro.

TRAILER:


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Devaneios de Séries... The Pillars of the Earth (Os Pilares da Terra) (2010)


A MINHA OPINIÃO:

The Pillars of the Earth é uma mini-série de oito episódios produzida por Ridley e Tony Scott, exibida pelo canal STARZ nos Estados Unidos da América e baseado na obra homónima de Ken Follet. 
Quando se adapta um livro sobejamente conhecido e amado por tantos leitores há um risco compreensível de não se conseguir agradar a todos. A série também poderá granjear novos fãs literários pelo que tem de ser abordada com cuidado e como uma espécie de auto-promoção. 
The Pillars of the Earth não é completamente fiel à obra de Ken Follet e afirmo isto com a toda convicção de quem viu a aposta televisiva ao mesmo tempo que lia os livros. Todavia, não tive menos prazer a vê-la pelo contrário, surpreendeu-me pela qualidade da produção e pelas narrativas alteradas mas, contagiantes.


O elenco  é perfeito, compondo personagens tão amadas com primor. Tal como a obra literária, é ambientada à crueldade da Idade Média onde os pobres tentam sobreviver à fome e os ricos tentam sobreviver às intrigas e aos assassínios pelo poder. As histórias quotidianas de um pai, de um filho, dum frade e de um amor mesclam-se com a Guerra Civil Inglesa e a luta pela Coroa Inglesa. E a uni-los a todos, directa ou indirectamente, está a construção de uma Catedral. Majestosa e imponente, ela é o sonho de Tom The Builder que é brilhantemente interpretado por Rufus Sewell. Ele empresta à personagem firmeza, bravura e paixão. Outro actor que se destaca é Ian McShane, Waleran Bigod, clérigo de moral e acções dúbias. McShane incorpora o lado da fé corrompida e corrobora a sua missão deturpada com o lema de que os fins justificam os meios. O frade que se lhe opõe é Philip. É impossível não simpatizar com ele! Seja pela fé inabalável, pela destreza política ou pela competência do actor Mathew McFadyen, Philip é dos que mais captaram a minha atenção. Outro desviador de atenções é Eddie Redmayne, Jack The Builder. A sua interpretação cresce ao longo de toda a minisérie assim como a sua personagem. O duo de irmãos fictícios Richard (Sam Caflin) e Aliena (Hayley Atwell) é detentor de cenas poderosas na aflição ou na luta. Richard é das personagens que mais difere do livro. Entendo a opção dos argumentistas de armá-lo de mais coragem e sentido de responsabilidade porque assim se tornou mais agradavelmente heróico. Houve momentos no livro em que me apeteceu sacudi-lo para acordá-lo do marasmo e apatia em que se encontrava. William Hamleigh de David Oakes é desprezível, atormentado e o actor também merece uma palavra de apreço pelo seu trabalho.


No entanto, quem me fascinou irremediavelmente não foram os actores foi Trevor Morris, o compositor da banda sonora. A melodia é épica e vibrante aquele final é simplesmente fenomenal com a imagem portentosa da catedral em perfeita simbiose com o trecho musical. The Pillars of the Earth é uma excelente série mas desengane-se quem espera uma cópia fidelíssima à obra que lhe deu origem pois, não o vai encontrar. As directrizes principais estão lá porém, há pormenores que são distintos. Vale a pena ler o livro e vale a pena ver série! São os dois excelentes!

TRAILER DA MINISÉRIE:




terça-feira, 27 de março de 2012

Devaneios de Séries.... The Borgias (2011- )

The Borgias é uma série exibida nos Estados Unidos da América no canal televisivo Showtime. Neil Jordan, realizador de Entrevista com o Vampiro, criou este drama histórico baseado na família Bórgia, uma dinastia italiana de origem espanhola. Contemporâneos dos Médicis, de Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo, a infame família ganhou poder e destaque durante a época renascentista . A sua sordidez é lendária: seja real ou inventada pelos seus inimigos, a verdade é que não há a mais pequena dúvida que eles não eram nenhuns santos! Eles foram a inspiração de Maquiavel e Mario Puzo em O Príncipe e O Padrinho, respectivamente. Tal como a sua antecessora, The Tudors, The Borgias não pretende de maneira nenhuma ser um documentário histórico. Molda os eventos históricos e torna as personagens conflituosas e mais próximas do espectador. 


Rodrigo Bórgia , a personagem de Jeremy Irons, é um cardeal moralmente questionável que subiu à cadeira de São Pedro devido a sua hábil e conveniente fortuna. Como Papa, Rodrigo teria poderes quase ilimitados sobre Roma e os países católicos tementes ao papado. Os jogos políticos são uma constante e Rodrigo e seu filho Cesare revelam-se mestres na arte do engano, da manipulação e esquivam-se quase como que, miraculosamente, à morte. Os Bórgias são inteligentes,intrigantes,cativantes e ominosos, fruto de uma sociedade selectiva, que premeia o sobrevivente audacioso que não olha a meios para atingir os seus objectivos. Personalidades complexas, capazes do amor e do ódio, a família é por si só, uma pequena cidade já que, os irmãos Juan e Cesare lutam  entre si pela aprovação paternal. Cesare, interpretado por François Arnaud é um personagem que anseia pela espada todavia, segue obedientemente as ordens do pai, escondendo os seus impulsos por detrás da batina de clérigo. Rodrigo e Cesare têm uma relação fascinante e absorvente devido à competência e química dos actores que lhes dão vida. Enciumado, o irmão mais novo, Juan Bórgia de David Oakes caminha, periclitante, na ténue linha entre a razão e a loucura. Lucrezia de Holliday Grainger, é a irmã mais nova e a mais inocente e ingénua. Porém, a menina é rapidamente instruída na arte da sobrevivência quando os seus sonhos de felicidade são destruídos.

The Borgias é uma série opulenta que rompe com todos os parâmetros morais e, que não é propriamente um modelo de rigor histórico. É um guilty-pleasure que tem na presença quase omnipresente de Jeremy Irons, uma âncora de muito boa qualidade. A primeira temporada é constituída por 9 episódios e a segunda estreia nos Estados Unidos em Abril.

TRAILER DA 1ª TEMPORADA:

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Devaneios de Séries.... Smallville

( este post foi re-editado!)
Smallville está a chegar ao fim! Esta semana nos Estados Unidos, na sexta, vai para o ar o último episódio da série que começou em Outubro de 2001. Dez temporadas e mais de 200 episódios depois, Clark Kent vai tornar, finalmente, num dos heróis mais famosos da DC Comics, Superman aka Superhomem.

Há uma década atrás e no rescaldo do 11 de Setembro, a Warner Brothers lançou um episódio-piloto de uma série diferente sobre o Superhomem.

Superman é dos personagens mais amados pelos norte-americanos. Representa a verdade e a justiça in all american way. Mas, neste caso, não havia capas vermelhas nem voos, só um adolescente confuso e desorientado pelos seus poderes emergentes, pela amizade, pelo amor e, pelo facto de ter de esconder o segredo de todos, Clark Kent. O primeiro episódio de Smallville foi um sucesso retumbante. Seguiram-se dez temporadas, algumas mais brilhantes que outras contudo, a série cativou uma audiência fiel e conquistou o seu lugar na televisão americana. Conheci a série através da RTP e embora não a seguisse religiosamente, foi acompanhando o seu percurso ao longo dos anos. Há sempre algo de muito inspirador num herói: alguém que se sacrifica pelo o bem da Humanidade! Já estou a ser sentimentalista!:p A história apresenta alguns twists. Clark ( Tom Welling) não sabe voar e até há bem pouco tempo tinha vertigens! O que não deixa de ser irónico! Lex Luthor ( Michael Rosenbaum), o famoso arqui-inimigo, é amigo de Kent . Os dois amigos que fazem escolhas completamente distintas e essas forjarão o seu destino. Pois não há um grande herói sem um grande vilão!
Além desta nova amizade, Clark conhece o amor, Lana Lang (Kristin Kreux). Uma relação de altos e baixos e bocadinho esticada de mais, na minha opinião. Lana foi das personagens que, a partir de um certo ponto, pareceu-me demasiado forçada e com uma monotonia subjacente terrível. Mas, eis que umas temporadas depois entra em cena, Lois Lane ( Erica Durance). Energética, despachada, determinada, hilariante e teimosa, ela deu uma nova vida à série. A interacção dela com Clark é bastante cómica já que eles, a princípio, não se suportam.:)

O programa ganhou ainda mais vida com entrada de novos personagens da banda-desenhada. Devido a direitos de autor, Bruce Wayne/ Batman e Diana/ Wonderwoman ficaram de fora porém, os produtores encontraram outra solução: Oliver Queen/ Green Arrow ( Justin Hartley). Multi-milionário, órfão e amante de um bom um arco e de uma flecha, Oliver foi dos mais regulares. Surgiram outros como Bart/ Flash, Aquaman e a prima perdida de Clark, Kara/Supergirl.


Ao longo de dez anos, Smallville também teve os seus vilões. Destaco James Marsters como Braniac e Callum Blue como Zod. A série também introduziu uma personagem que não existia na mitologia, Chloe Sullivan ( Allison Mack). O sucesso foi tanto que ela já aparece nas novas bandas-desenhadas. Chloe é a mais velha amiga do protagonista.
Smallville apresentou um novo Clark Kent em Tom Welling todavia, não esqueceu aqueles que durante anos, viveram o herói como por exemplo, Christopher Reeve que participou em alguns episódios.

Prestes a levantar voo pela primeira vez, Smallville terá um episódio duplo na sexta. E após anos de exibição, chegará ao fim. Para os fãs de Superman, restará esperar por 2012 pelo filme: Superman: Man of Steel de Zach Snyder sob o aval de Christopher Nolan.

TRAILER DE SMALLVILLE:

sábado, 4 de dezembro de 2010

Devaneios de Séries... Merlin (2008- )

Merlin é uma série produzida pela BBC. É uma série para toda a família e reconta a história de Merlin e Arthur. Não é de todo igual à lenda. Artur (Bradley James) ainda não é rei, é um príncipe mimado e por vezes, arrogante mas, tudo não passa de uma máscara que esconde o seu bom coração e o seu grande sentido de justiça e de igualdade. Merlin ( Colin Morgan) é um jovem feiticeiro que ajudará Arthur a crescer e amadurecer e a tornar-se no famoso Rei, The Once and Future King. Mas, comecemos pelo princípio... Há muitos anos, o Rei Uther Pendragon ( Anthony Head) desejoso de ter um filho varão fez um pacto com feiticeira Nimueh para a Rainha Igraine conceber. Contudo, Nimueh corrompida pelo poder, esqueceu-se de mencionar a Uther de que, com o nascimento de Arthur, Igraine morreria. Uther, louco de dor pela morte da esposa iniciou uma terrível perseguição a todos os que praticavam magia. Um período que ficaria conhecido como The Great Purge. Todos os que praticavam magia foram condenados à morte e a feitiçaria foi banida de Camelot sob pena de morte. Porém, alguns escaparam, entre eles, os pais de Merlin. Anos depois, Merlin regressa a Camelot e conhece o príncipe mais arrogante, convencido e mimado possível, Arthur. Antipatizam de imediato... até Merlin conhecer uma criatura mágica, o Grande Dragão que profetiza que Arthur será o rei que unirá todos os povos e reconciliará o reino com a magia e, que a função de Merlin é proteger o jovem príncipe. Com a ascensão de Arthur ao trono, Merlin tornará-se-á no maior feiticeiro de todos os tempos. Depois de salvar a vida de Arthur ( a primeira de muitas!), Merlin é escolhido por Uther para ser o servo principal da casa do príncipe. Agora, o jovem feiticeiro terá que ajudar o jovem Pendragon a crescer sem lhe revelar que pratica magia, sob pena de ser descoberto e condenado à morte. A relação senhor-criado adquire contornos de uma grande amizade, uma quase relação de irmãos que fortalece à medida que os episódios vão surgindo. Outras personagens famosas da lenda também estão presentes: Morgana Le Fay ( Katie McGrath), aqui uma protegida do Rei Uther, criada como filha e Gwen, diminutivo de Guinevere ( Angel Coulby), a criada de Morgana, que não tem problemas em dar sermões de boas maneiras a Arthur e que acabará por ser o grande amor do futuro Rei.

A série encontra-se agora na terceira temporada, sendo que o último episódio desta será exibido hoje na BBC. Nesta temporada, Arthur já não é o príncipe mimado da primeira temporada e o próprio Merlin, amadureceu. Surgem novos elementos da lenda, os Cavaleiros da Távola Redonda e Excalibur. É uma série com momentos verdadeiramente hilariantes ( Arthur e Merlin são de partir a rir!) e momentos épicos que redefinem a lenda arturiana. Para quem gosta da lenda do rei Arthur, como eu, esta série, é um verdadeiro deleite! Está mais do que recomendada para quem quiser rir, sorrir, sonhar com tempos idos ou simplesmente desanuviar!


TRAILER FINAL DA 3ª TEMPORADA:




TRAILER DO ÚLTIMO EPISÓDIO DA 3ª TEMPORADA:

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pássaros feridos...a mini-série

Hoje tive um tempinho para descansar dos estudos e aproveitei para ver a mini-série Pássaros Feridos ( Thorn Birds, no original). Adorei tal como tinha adorado o livro. Podem ver a minha opinião sobre o livro aqui. Escolhi um vídeo para introduzir a série a quem não conhece e que passe pelos meus Devaneios. O vídeo retrata uma das histórias presentes no livro, a de Meggie e do padre Ralph de Bricassart. Quem o fez merece uma salva de palmas!
Apreciem também a música de Henry Mancini!