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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Devaneios de Séries... Sense & Sensibility (2008)- Sensibilidade e Bom Senso


A MINHA OPINIÃO:

Sense & Sensibility (2008) é uma mini-série de três episódios produzida pela BBC baseada no livro homónimo de Jane Austen. Andrew Davies, o argumentista, é audacioso marcando o início do primeiro episódio com uma cena de sedução. Choca porque não é definitivamente algo que Jane Austen escreveria. Cria animosidade contra uma personagem que aparecerá de novo mais tarde. Admito que tira o factor surpresa a essa história particular para quem nunca tenha lido o livro. Porém, esta adaptação não deve ser julgada  tão severamente por este acontecimento. Aliás, após este incidente retorna ao bom temperamento "austiano" e cada momento é pautado pela sobriedade mas também pela genuína emoção. Três episódios permitem aprofundar personagens secundárias que num filme não teriam tanto tempo para brilhar como a emproada Mrs Ferrars ( Jean Marsh). Ela e a filha, Fanny (Claire Skinner) são insuportáveis com a sua tendência para o mexerico e para a aparência. O ódio que lhes ganhei rapidamente se transformou em comiseração ou mesmo riso porquanto da sua ridícula figura. As irmãs Steele que tem um papel pequeno mas, vital nesta história também são mais elaboradas e Anne proporciona humor com as suas maneiras desajeitadas. O Coronel Brandon é outra personagem que é bem mais desenvolvida que nas adaptações posteriores o que muito agradou visto ser das minhas favoritas no livro. David Morrisey não corresponde inteiramente a descrição física de Austen mas, encarna Brandon com primor dotando-o daquele sentido de honra inabalável. Por outro lado, Willoughby (Dominic Cooper) é retratado obscuramente e com uma aura quase maquiavélica. Não gostava muito dele no livro e aqui ainda gostei menos. 


Quanto as protagonistas, Marianne e Elinor, elas trocaram-me às voltas. No livro, preferi Marianne (Charity Wakefield), a mais emotiva e romântica todavia, nesta mini-série adorei Elinor. Hattie Morahan criou uma mulher estóica, sensata tal como no livro e acrescentou-lhe um toque de vulnerabilidade que muito apreciei. É impossível não gostar dela e não torcer pela sua felicidade. A Marianne de Wakefield não me apaixonou tanto não obstante é uma interpretação impecável e a química entre as duas irmãs é fabulosa!

Edward Ferrars de Dan Stevens é um total gentleman. A acreditar em reencarnações, diria que Stevens deveria ter sido um lorde na época vitoriana. Quem conhece Downton Abbey, perceberá o que eu quero dizer. Os papéis de época assentam-lhe perfeitamente. É muito expressivo e a ternura e o calor humano que emana destaca-o da restante família e tal como as Dashwood(s) adorei-o.No geral, o elenco é muito competente e aprazível e a mini-série vive muito dele. Sofri, ri, regozijei e vi os episódios todos numa noite de tão viciantes que eram. Os cenários também são magníficos: as grandes mansões, o verde quase irreal do campo e a beleza da casa das Dashwood (s) beira à mar são de tirar o folêgo! 
Uma adaptação de um clássico como esta nunca poderá agradar a todos os espectadores. Haverá sempre alguém que não concordará com certos pormenores porque criou uma imagem completamente oposta quando leu o livro. Eu incluo-me no grupo dos que a apreciaram bastante e atrevo-me a afirmar que a achei mais emotiva e arrebatadora que o livro.

TRAILER:


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sensibilidade e Bom Senso de Jane Austen


"Sensibilidade e Bom Senso", o primeiro livro de Jane Austen, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.
Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.
"Sensibilidade e Bom Senso" - um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

A MINHA OPINIÃO:

Sensibilidade e Bom Senso foi uma leitura que me deixou repartida. Apesar de a apreciar bastante não me apaixonei profundamente como eu esperava. A história não me era estranha.Vi a adaptação cinematográfica de Ang Lee de 1995 há alguns anos pelo que me lembrava dos destinos de algumas personagens. Talvez essa foi uma da razões de eu não amar este clássico como milhares e milhares de leitores. Contudo, há que reconhecer o mérito de Jane Austen. Ela faz um retrato perfeito da sociedade inglesa absorvida pela futilidade e vaidade. Uma sociedade que se alimenta de aparências, se intromete na vida alheia como se fosse natural e julga com base no exterior e não no sentimento. Fanny e Mrs Ferrars são o cúmulo deste síndrome. Elas quase que adquirem contornos de caricatura nas mãos da escritora e, às vezes, não sabia se me exasperava ou se ria da sua figura. A obsessão pela estabilidade económica através do matrimónio é um dos objectos favoritos para a sátira de Jane Austen. Frequentemente, o homem é "medido" pelo rendimento que tem. Um dos meus entraves à minha leitura também foi isso, a  enumeração constante de quantas libras vale um homem. São tantas as menções que chega ao ponto da exaustão. Percebo que faz parte da crítica áspera da autora porém, a análise de Austen é tão severa que não há muita margem para o sarcasmo ou humor que certamente, infundiriam a história de mais vida. Quem brilha no livro e me agarrou às páginas foram as irmãs Elinor e Marianne Dashwood. Foi a originalidade das suas vidas que me surpreendeu. Fazendo jus ao título do livro, a mais velha, Elinor é mais sensata e prudente  e Marianne é a mais emotiva e volátil. O seu crescimento ao longo do livro é tão revelador porque nos apercebemos com elas que face ao amor e aos obstáculos da vida, há que existir um compromisso entre os dois mundos, o da sensibilidade e o do bom senso. As irmãs destoam por completo da sociedade por não valorizarem a superficialidade. A história de Elinor e de Edward é encantadora todavia, a que mais marcou foi a de Marianne. Não é tão linear e senti, genuinamente, cada passo da sua tortuosa caminhada.
Assim, Sensibilidade e Bom Senso foi um livro que ficou aquém das minhas expectativas. Não é definitivamente um mau livro, longe disso mas, é parco em divertimento, restringindo-se quase sempre a pintar o quadro da pequena burguesia. No entanto, há que ressalvar que esse quadro é notável e só por isso, é um livro que merece ser lido (quem se atrever!).

4.5/7- BOM**

TRAILER DO FILME: