segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo a todos!:)


Feliz 2013 a todos cheio de saúde, paz e alegria!!!

PS: Amanhã farei o balanço de 2012 e o meu top leituras!

O Rei que foi e Um Dia Será de T.H. White

Esta é a obra-prima da literatura que reconta o mito arturiano e que foi adaptada ao cinema por Walt Disney.
A história decorre no país encantado de Gramary, a Inglaterra feudal de domínio normando, e segue a lenda do rei Artur, dos cavaleiros da Távola Redonda, da demanda do Santo Graal e da mística espada Excalibur.
É considerada pelos especialistas a obra que veio modernizar o mito do rei Artur e renovar o interesse do público por este tema.

A MINHA OPINIÃO:

O rei Artur e a sua Távola Redonda sempre me fascinaram. Fazem parte do meu imaginário de criança: adorava ver desenhos animados, documentários e ler pequenas histórias arturianas. Estranhamente, nunca me aventurei por grandes volumes sobre mito, fiquei sempre à porta. Até que este ano surgiu a oportunidade  de ler este livro. Quando folheio um clássico com este calibre e celebridade sou acometida por um sentido de responsabilidade indescritível. É, provavelmente um reflexo das grandes expectativas que crio sempre que opto por livros que têm uma legião inteira de admiradores.  No entanto, removendo a auréola de "classicidade" não deixam de ser leituras passíveis de serem criticadas e, apesar de doer a alguns vou dar-vos a minha mais sincera opinião: não achei O Rei que foi e Um Dia Será fenomenal e ficou aquém daquilo que esperava.
O livro alberga a vida inteira de Artur desde a sua infância ingenuamente sonhadora até à velhice angustiante buscando soluções para males demasiados grandes. Tenho de reconhecer a mestria de T.H. White que  opta por realçar os ideais arturianos através de um olhar mais moderno, fazendo referências a épocas mais contemporâneas. O perpetuador de tais anomalias nesta é, frequentemente, Merlin. É uma personagem curiosa pois, vive de "trás para frente", ou seja, conhece o futuro. É o meu preferido com os seus diálogos mirabolantes, ensinamentos sábios e genialidade desastrada e  hilariante. Contudo, é com o protagonista, Artur que a escrita cresce. Na primeira parte, " A espada na pedra" é muito infantil o que me preocupou e frustrou imenso. Compreendo a intenção do autor ao promover a maturação do seu discurso ao longo das páginas igualando-o ao crescimento do rei, de menino a homem, mas foi essa mesma escrita que me nauseou e que me impediu de querer voltar a Gramary. Reconheço que me senti defraudada em alguns momentos. Na segunda parte, "A Rainha do ar e das Trevas", surge Morgause, a meia-irmã de Artur e o futuro rei já não é uma criança e consequentemente, a escrita amadurece. Comecei a gostar mais da leitura. É aqui que se começa a desenhar a Távola e onde também se cometem erros que influenciarão o destino. Na terceira parte, " O Cavaleiro Feio", Lancelot ganha relevo. É das personagens que menos me impressionou. Não me pareceu nada carismático e a sua paixão (adulação) pelo rei e pela rainha era pouco emotiva e cativante. Assim não apreciei muito esta parte. Finalmente, chega a minha parte favorita, a quarta e última, " A Candeia ao Vento". Culmina numa reflexão de um Rei velho sobre as suas vitórias e falhanços. Brilhantemente, é um espelho de o mundo em que vivemos. No fim, T.H. White justifica aquilo que me desconcertou mais em todo o livro: a localização histórica. O autor situa o rei Artur no século XIV enquanto que este a existir, viveu no século VI. Esta deslocação desiludiu-me porque jamais esperaria encontraria personagens tipicamente medievais "misturadas" com o mito arturiano. Concluindo, não me arrependo de ter lido este livro pois, adorei as peripécias e aventuras de Artur. Porém, devido às razões enumeradas não me fascinou por completo. Esperava mais...

4/7- BOM

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Pássaro de Caxemira de Linda Holeman



"Inglaterra vitoriana, século XIX, Liverpool.

Linny é a filha ilegítima de uma criada que se deixou enganar pelo senhor da casa. Contra o olhar dos outros e as más-línguas, a mãe ensinou-lhe a dignidade, a força de carácter. Força a que ela sempre recorrerá nos momentos mais difíceis da sua vida. E duro será o seu destino...
Com morte da mãe o padrasto força-a à prostituição até que ela consegue escapar às sombrias e húmidas ruas de Liverpool. Com a ajuda de um jovem estudante consegue partir para a Índia onde sonha encontrar a felicidade. Mas também ali o destino lhe será adverso. O oficial inglês com acaba por se casar, Somers Ingram, sabe do seu passado embora também ele esconde um terrível segredo. O seu casamento é pois um encontro de conveniências que cedo a tornam prisioneira de uma vida de mentiras. Num empolgante e sensível romance histórico, rico em ambientes, fascinante no traço de contrastes entre os nebulosos tons da Inglaterra e o fulgor de cores e vida da Índia, a autora, Linda Holeman, convida-nos a uma inesquecível viagem. Seguindo o percurso de Linny Gow, apaixonamo-nos pela sua força. Sempre ela lutará por uma vida melhor, pela perdida dignidade. «O Pássaro de Caxemira» começa com as palavras da protagonista: A ti tudo direi – parte verdade, parte memória, parte pesadelo... Dirige-se ao seu filho, é a ele que quer deixar, por escrito, a história da sua vida. Uma vida que começou longe, bem longe das terras da Índia."

A MINHA OPINIÃO:

O Pássaro de Caxemira é segundo livro que leio de Linda Holeman. O primeiro, A Rosa do Deserto, marcou-me imenso pela sua protagonista lutadora que nasce numa época opressora e no seio de uma cultura opressiva e martirizante. O Pássaro de Caxemira  é muito similar... A personagem principal, Linny é uma sobrevivente que enfrenta tragédia atrás de tragédia com uma resiliência extraordinária. Se isto aproxima o leitor porque sofre com ela e espera desesperadamente por uma solução, também o afasta. No meu caso, foi uma relação amor-ódio! Houve momentos em que pareceu que eu estava a reler o anterior que li da autora. Não havia nada de grande inovador na sua história. A heroína é repetidamente maltratada pelo destino e quando surge uma réstia de esperança, esta é esmagada!  Cai numa monotonia e apesar de, apreciar os aromas, o conflito de tradições e costumes entre a Índia e a Inglaterra e a capacidade quase única da escritora de transmitir as emoções e sentimentos não fiquei particularmente entusiasmada com a leitura. Linda Holeman surpreende porque não é nada típica a contar a história porém, ao mesmo tempo a similitude entre os dois livros dela é demasiado notória para a ignorar. Poderá parecer que estou a ser contraditória já que é aceitável que a mesma escritora mantenha as mesmas características em todos os seus trabalhos todavia, este soube-me a pouco.  Aprecio o modo como ela escreve pois, nunca sabemos muito bem o que esperar na página seguinte e se O Pássaro de Caxemira fosse a minha estreia teria adorado. Mas, como este foi o segundo, após alguns capítulos a sensação de dejá vu invadiu-me. Ele não é uma má leitura mas também não é excepcional. É quase uma sombra de A Rosa do Deserto... Se tivesse lido O Pássaro primeiro teria afirmado o contrário? Provavelmente, sim. É um livro que, claramente não correspondeu as minhas expectativas não obstante é um bom romance histórico que entretém durante algumas horas.

3**/7 RAZOÁVEL**

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal a todos!!!:)

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal!!! Que o vosso sapatinho se encha de saúde, paz e amor!!! 


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sem Ti de Diana Silva (Divulgação)



“Sem ti”...um conjunto de emoções e sentimentos em trinta poemas!

Amor, desejo, sonhos, o desconhecido...sensações intensas, profundas e eternas! Sem amor, sem desejo, sem sonhos, sem metas ou aquilo que nos faz avançar na procura de algo mais, muitas vezes, aquilo que ainda não conhecemos, mas que provoca em nós uma vontade imparável de procurar mais, de conhecer mais, de sermos mais, de viver mais intensamente...

“Sem ti”...um sentir imparável na busca incessante de sentir tudo aquilo que nos rodeia, com uma intensidade que ultrapassa o nosso próprio controle...uma busca pelo conhecimento na sua grandiosidade, na sua profundidade mais eterna.


Biografia da autora, Diana Andrade Silva:


Nasceu na maternidade de Cascais, viveu com os pais e a irmã até terminar a sua formação em Psicologia, posteriormente foi viver sozinha também na zona de Cascais onde trabalhou.

Durante a adolescência participou em vários clubes escolares (Clube Europeu, Clube de Jardinagem, Jornal de Inglês, entre outros). Realizou um intercâmbio no 10º ano com uma escola Belga de Bruges. Praticou Ballet Clássico (ainda pratica), Dança Jazz e Dança Oriental, entre outros estilos.

Realizou formação em Psicologia Clínica e Psicoterapia, exerceu a sua actividade no Hospital Júlio de Matos (estágio curricular), no Gabinete Médico da Câmara de Cascais e foi Psicóloga e Coordenadora do Centro de Actividades Ocupacionais da Associação Portuguesa de Deficientes (delegação de Cascais) e Psicóloga no CRID (Centro de Integração e Reabilitação de Deficientes).

No ano de 2008 ingressou na Masaryk University (República Checa), onde completou os 3 primeiros anos de Medicina. Atualmente frequenta o 5 º ano do Mestrado Integrado de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Em 2011/ 2012 em paralelo à frequência do curso de Medicina voltou a exercer como Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta em consultório privado.

“Sempre escrevi algo para mim, mas nunca publiquei ou partilhei com os outros.”


O Diplomata de Vasco Ricardo (Divulgação)

Gabriel é um político norte-americano de topo que possui uma família perfeita e uma reputação imaculada. Contudo, por detrás da sua figura exemplar, um outro homem emerge. Violento, frio e calculista, Gabriel parte em busca de algo e não parará enquanto não for bem-sucedido.

"...E quando já ninguém chorava, dei por mim a verter lágrimas que cheiravam e sabiam a sangue..."

Depois do sucesso de "A Trama da Estrela", Vasco Ricardo apresenta-nos mais um thriller, com todos os ingredientes que um bom thriller deve ter!
O tão esperado: "O Diplomata"


domingo, 25 de novembro de 2012

O Hobbit de J.R.R. Tolkien

"O Hobbit" é a história das aventuras de um grupo de anões que vão à procura de um tesouro guardado por um terrível dragão.
São relutantemente acompanhados por Bilbo Baggins, um hobbit apreciador do conforto e vida calma. Encontros com elfos, gnomos e aranhas gigantes, conversas com o dragão, Smaug, o Magnífico, e a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos são algumas das experiências por que Bilbo passará. "O Hobbit" é não só uma história maravilhosa como o prelúdio a "O Senhor dos Anéis".

A MINHA OPINIÃO:

Para mim, os livros de J.R.R.Tolkien são uma preciosidade de valor quase inexplicável! A verdade é que jamais conseguirei fugir da sua magia ou ser completamente imparcial quando os leio ( ou releio).  São livros que me salvaram, literalmente, de uma cama de hospital. Quando estamos doentes procuramos desesperadamente uma escapatória nem que seja, uma simples viagem literária por mundos tão brilhantemente construídos que nos perdemos neles e por um momento, esquecemos o que nos transtorna. Anos volvidos após este pequeno contratempo e perante a iminente adaptação cinematográfica de Peter Jackson resolvi mergulhar de novo nas páginas de O Hobbit. Correndo o risco de ser demasiado sentimentalista afirmo com toda a convicção que estava cheia de saudades da Terra Média: da simplicidade do Shire, da magnificência de Rivendell e da sensação de aventura que nos invade sempre que surgem  Anões, Feiticeiros, Elfos e Hobbits. Tolkien é comparável a um avô a narrar histórias aos netos. É um dom raríssimo e poucos escritores o têm! O Hobbit não é tão majestoso e tão grandioso como a famosa trilogia que precede porém, é igualmente cativante e um belo começo para uma relação que se prevê longa com o mundo do Senhor dos Anéis. Há claramente uma Terra Média em construção e muito menos abrangente de que nos livros seguintes no entanto, o equilíbrio que o autor consegue entre a infantilidade e a força da metáfora é algo de extraordinário. Apesar de existirem seres saídos da profícua imaginação de Tolkien também há os valores, os sentimentos e as emoções que são tão comuns e mundanas que é impossível não nos apegarmos a este pequeno livro. Tudo isto dá uma nova dimensão à obra! Se a lermos sem nos imergirmos totalmente nela corremos o risco de não alcançarmos a plenitude da sua mensagem. Bilbo Baggins encarna o relutante herói que, finalmente compreende que não importa a nossa imagem ou aquilo que erroneamente pensam de nós, o que conta é aquilo que vivemos, sem estarmos presos a falsos julgamentos, tradições ou costumes ridículos. O humor ingénuo de Bilbo é delicioso particularmente, no jogo de adivinhas com Gollum ou a interrogar Smaug, o dragão. O hobbit é o protagonista mas, mesmo gostando dele, não é  o meu favorito. Esse prémio pertence a Gandalf! O feiticeiro é provavelmente, das mentes mais astutas e previdentes do livro pois, é ele que maquina o despoletar de um novo e mais arrojado Bilbo. Claro que os Anões também são uma mais valia a multiplicar por treze! São tantos, tão iguais e tão diferentes e ao mesmo tempo, hilariantes. Thorin é aquele que se destaca porque é o que tem uma jornada maior. Ele tem de percorrer o caminho que o levará a encontrar-se consigo próprio. O Hobbit é indispensável para os admiradores de Tolkien e um belo começo para os que têm medo de iniciar a trilogia. Aqui encontrarão um livro de acção, sem grandes descrições que enamora o leitor e fá-lo piscar o olho aos volumes seguintes!

6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME:

O filme está a chegar e tal como a trilogia do Senhor dos Anéis é realizado por Peter Jackson.



sábado, 10 de novembro de 2012

Os Homens que Odeiam as Mulheres ( Milenium I) de Stieg Larsson


“O jornalista de economia MIKAEL BLOMKVIST precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro HANS-ERIK WENNERSTÖM e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. HENRIK VANGER, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem LISBETH SALANDER. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.”

A MINHA OPINIÃO:

O género policial sempre foi um pouco renegado para segundo plano nas minhas leituras actuais. Quando era adolescente adorava e devorei os livros de Agatha Christie porém, ao longo dos anos e após algumas desilusões, o meu interesse por este tipo de livros foi esmorecendo. Quando parto para uma viagem literária espero que me surpreenda e não há nada mais decepcionante do que solucionar o mistério nas primeiras páginas. Felizmente, Os Homens que Odeiam as Mulheres não cai neste marasmo. É trepidante, chocante e incrivelmente acirrante! A culpada é Lisbeth Salander. É uma personagem bizarra devido à sua aparência física, ao seu figurino e algumas das suas acções inesperadas porém, no seu âmago está uma mulher inteligente, resiliente e uma história brilhante de superação. Mikael Blomkvist é quem abre o livro contudo, falta-lhe o brilho atractivo de Lisbeth. É um início moroso mas, a introdução da protagonista é comparável a um furacão que transforma a leitura num verdadeiro vendaval de emoções e de acontecimentos sucessivos e intrigantes! E a corrida à resolução de um mistério com quase quarenta anos é lançada... Harriet Vanger desapareceu sem deixar rasto de uma pequena localidade onde todos se conhecem num dia fatídico que Mikael é contratado para esmiuçar. Tudo faria prever que Lisbeth e Mikael jamais teriam química juntos e, confesso que cheguei a temer que o prazer de ler esta obra se desvanecesse todavia, esta suposição revelou-se totalmente falsa. A rapariga desconfiada e socialmente inadequada e o jornalista caído em desgraça são uma dupla irresistível não no sentido romântico mas, na sua excentricidade. Não podiam ser mais diferentes um do outro não obstante, complementam-se como duas faces da mesma moeda. Os dois são claramente o foco principal de Stieg Larsson além da grande interrogação que paira sobre todo o livro: " O que aconteceu a Harriet?". O escritor não aprecia eufemismos! É cru e de uma realidade gráfica impactante! O leitor não é poupado a descrições violentas ou a momentos de verdadeiro terror. À medida que a investigação avançou fui avassalada pela mesma sensação de perseguição que Mikael experimentou e cada célula do corpo protestou perante as injustiças e atrocidades que acometeram Lisbeth. No entanto, as personagens secundárias também são, no mínimo fascinantes. O adjectivo fascinante pode ser aqui conotado positivamente ou negativamente quanto o fundimos com o carácter de cada membro da família Vanger. Resumindo, é uma família disfuncionalmente e oficialmente estrambólica! Porém, bons, maus ou simplesmente malucos, eles com a sua dinâmica familiar peculiar agarram-nos ainda mais às páginas do livro. Stieg Larsson é mestre em fazer-nos suspeitar de tudo, de todos e até das nossas próprias sombras! Ele abre um círculo no primeiro capítulo e fecha-o em beleza no último. Não há nada que fique sem resposta relativamente ao desaparecimento de Harriet. Obviamente, alguns aspectos ficam em aberto para o segundo volume mas, são sobretudo relacionados com Lisbeth e Mikael e eu estou desejosa de os ler. Este é um livro que me fez entrar numa cultura nórdica completamente distinta da minha. Os nomes,os lugares e os costumes difíceis de memorizar foram inicialmente desconcertantes todavia, este obstáculo foi rapidamente debelado assim que o mistério me acenou. Os Homens que Odeiam as Mulheres ( continuo a preferir o título em inglês, The Girl with a Dragon Tattoo) é perturbante, compulsivo e uma tentação para quem prefere embrenhar-se num thriller recheado de acção e adrenalina!

6/7-EXCELENTE

PS: Obrigada N. pela prendinha!

TRAILER DO FILME:

Existem duas adaptações ao cinema, uma sueca e uma americana. Coloco aqui a americana por ser a mais recente datando de 2011. Realizada por David Fincher foi nomeada ao Óscar de Melhor Actriz graças à interpretação de Lisbeth por Rooney Mara.


domingo, 21 de outubro de 2012

O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Amor, traição, vingança. O novo livro da romancista histórica mais vendida em Inglaterra. 

A coragem e lealdade de William Marshall como cavaleiro ao serviço da casa real inglesa foram recompensadas com a sua união a Isabelle de Clare, uma rica herdeira de propriedades na Inglaterra, Normandia e Irlanda. Mas a segurança e felicidade do casal são destruídas quando o rei Ricardo morre e é sucedido pelo irmão João, que toma os filhos de Marshal como reféns e apropria-se das suas terras. O conflito entre os que permanecem leais e os que se irão revoltar contra as injustiças ameaça destruir o casamento de William e Isabelle e arruinar as suas vidas. William terá que optar por um caminho desesperado que o poderá levar à governação do reino. E Isabelle, receando pelo homem que é a luz da sua vida, terá que se preparar para enfrentar o que o futuro lhes reserva.

A MINHA OPINIÃO:

O Leão Escarlate é o segundo volume de Elizabeth Chadwick sobre William Marshall, figura histórica de vulto do fim do século XII e início do século XIII. O primeiro volume não está publicado em Portugal com muita pena minha porque a julgar pela grande qualidade de O Leão Escarlate merece ser lido. Marshall conviveu com Ricardo I de Inglaterra, o célebre Coração de Leão e o seu não menos famoso irmão, João sem terra. A escritora é hábil em romancear a vida daquele que foi considerado um dos melhores cavaleiros na história de Inglaterra. A maioria dos grandes acontecimentos são verídicos como o desaparecimento misterioso do príncipe Artur ou a divisão dos barões no apoio à coroação de João porém, Elizabeth Chadwick não é uma historiadora aborrecida. Pelo contrário, tem uma escrita entusiasta apesar das longas descrições que usa para contextualizar o leitor. Estas essenciais para nos orientar! São um mapa de genealogia e uma visão minuciosa da corte e do quotidiano daqueles tempos tão distintos dos nossos. O papel da mulher também é escrutinado e são estabelecidas comparações lisonjeadoras ou pejorativas consoante o casal em questão. Isabelle de Clare, mulher de Marshall é uma mulher forte, determinada e é ouvida pelo marido que não a rebaixa ou a menoriza. A relação dos protagonistas é de grande cumplicidade e de grande compreensão o que não impede que ela discorde dele e vice-versa. Contudo, eles contrastam com a maioria dos casamentos de conveniência da corte em que a mulher era uma mera moeda de troca. A história expande-se por várias décadas e William Marshall é uma personagem apaixonante. É homem de honra, dedicado à família e à nação e um brilhante estratega militar e sagaz conhecedor da corte. Porém, também é marido, pai e responsável pelos inúmeros habitantes das suas terras. A maneira como ele joga politicamente sem macular a sua dignidade é algo de extraordinário! Claro que Isabelle também é uma grande mulher e de grande carácter  o que dá um tom de harmonia à relação mas também ao livro. Se Marshall impressiona pela sua determinação e lealdade aos seus princípios, o que dizer de João, irmão de Ricardo? Sempre foi uma figura controversa e mal-amada na literatura e no imaginário popular como podemos a atestar nas histórias de Robin dos Bosques ou de Ivanhoe todavia, Elizabeth Chadwick dá-lhe uma nova roupagem. Não encaixa na categoria de "bom da fita" contudo, não é tão irracionalmente cruel como o pintam. Sim, é impiedoso e muitas vezes, terrível mas, os seus actos são justificáveis ou pelo menos compreensíveis porque a escritora dá-nos a documentação suficiente para os entender. A sua insanidade e paranóia não têm moral porém, têm causa. Elizabeth Chadwich constrói um livro de ficção histórica verdadeiramente delicioso de se ler e em certa medida, enriquecedor para quem não conhece esta época conturbada.

5/7-MUITO BOM

domingo, 14 de outubro de 2012

Devaneios à Solta... O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Hoje o protagonista desta rubrica é O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick:

 Jardim Júlio Castillo, Miradouro de Santa Luzia, Lisboa 
(foto da minha autoria)

" William enfiou a mão nas pegas do seu escudo.(...)Algo tinha de ser feito e depressa. Se não conquistassem o topo daquelas muralhas, iriam ter de escolher entre sentar-se e esperar que aqueles desgraçados morressem à fome e entreterem-se a curar a sua dignidade ferida... e o Rei Ricardo não tinha paciência nem feitio para nenhuma das duas hipóteses. Não podia dar-se ao luxo de esperar nem podia dar-se ao luxo de perder."  pág. 12

in O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Terminei a leitura deste livro esta semana. A crítica sai em breve.

sábado, 6 de outubro de 2012

A Dama das Camélias de Alexandre Dumas, Filho

Marguerite Gautier, cortesã, é uma amante sustentada por alguns dos homens mais ricos de Paris. O seu hábito de levar sempre uma camélia branca quando vai à ópera ou ao teatro vale-lhe a alcunha de «Dama das Camélias». Vive uma vida de luxo e dissipação, mas no seu coração escondem-se as sombras de uma melancolia discreta e persistente. Até que conhece o jovem idealista Armand Duval, cuja paixão intensa lhe devolve a fé no amor... Mas será possível amar contra todos os preconceitos e convenções? Acima de tudo, será possível amar quando o amor pode custar a própria vida de quem ama? Marguerite Gautier, que Verdi transformou na Violetta Valery de La Traviata, e a quem deram rosto actrizes como Greta Garbo e Sarah Bernhardt, é um dos ícones da feminilidade no século XIX.A Dama das Camélias é, ainda hoje, uma das mais comoventes e originais histórias de amor da literatura universal.

A MINHA OPINIÃO:

A Dama das Camélias é um livro pequeno contudo, tem uma intensidade tão duradoura quanto o amor que é perpetuado para eternidade nas suas páginas. É um amor desmesurado quase obsessivo que inevitavelmente levará a tragédia. Logo, de início somos confrontados com essa realidade pois, o narrador é confidente de Armand Duval, a paixão de Marguerite Guantier, a dama das camélias. Não diminuiu em nada a minha vontade de o ler pelo contrário, adorei esta maneira de contar a história. O narrador é uma miscelânea de personagem com o próprio escritor. Encontra-se uma certa mágoa na sua narrativa e quicá, um senso de justiça social e ironia velados. Como apraz ao período do romantismo, esta obra carrega um exagero de emoções, sentimentos e situações. O amor imensurável de Armand, a doença obscura de Marguerite  e o luxo e a depravação do ambiente circundante compõem A Dama das Camélias. É um retrato satírico da hipocrisia de aparência da sociedade parisiense que apregoava mas, não praticava o lema Igualdade,  Liberdade e Fraternidade. Uma cortesã pode amar por dinheiro e ser amante mas nunca pode ser mulher mesmo que se arrependa dos seus pecados. Dumas é incrível a contar esta história. É tão dilacerador e tão ardente que parece que foi ele que a viveu e a sentiu! Pelo caminho, pinta o quadro de decadência de uma cidade em contradição onde  os ricos vivem de rendas extorquidas aos pobres e as gastam na luxúria e na opulência sendo no entanto, teoricamente fiéis à fé e generosidade cristã. Assim, esta obra é muito mais que um amor trágico! É um testemunho histórico que é surpreendentemente fluido o que contradiz a ideia disseminada por aí de que todos os clássicos são difíceis de ler. Também posso assegurar que as últimas cartas de Marguerite são fortes e chocantes e emocionam muitíssimo porque nos apercebemos contundentemente  da fragilidade humana e do pouco tempo que temos para usufruir da vida. Uma obra que merece ser lida e relida...

7/7-OBRA PRIMA

TRAILER DO FILME:

A Dama das Camélias tem inúmeras adaptações ao cinema, umas mais recentes que outras. A que optei por colocar é das mais antigas, Camille de 1936. Tem como director, o lendário George Cukor e como protagonistas Greta Garbo e Robert Taylor:


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tim de Colleen McCullough

Mary Horton, solteira na casa dos quarenta, rica, solitária, simples, acredita que não precisa de amor nem de amizade, satisfazendo-se com a sua confortável casa, o seu jardim, com o seu Bentley e a casa de praia que comprou com o fruto do seu trabalho e dos investimentos realizados, com os livros que lê e a música que ouve sozinha.
Tim Melville, vinte e cinco anos, operário, é filho de Ron e Esme Melville, que o receberam como uma dádiva para o seu tardio casamento. Tim tem a beleza e a graça de um deus grego, mas é um simples de espírito, uma criança grande.
No entanto, Ron e Esme, modestos operários australianos, pessoas sensatas e sem ambições, gostam dele pelo que é e preparam-no para trabalhar segundo as suas possibilidades. Tim é um trabalhador insignificante de uma empresa de construção civil, infatigável e esforçado. Dias de trabalho pesado e fins-de-semana passados com o pai num pub e noites tranquilas junto da família, a ver televisão, representavam para Tim toda a sua perspectiva de vida.
Quando Mary encontra Tim e o contrata como jardineiro durante os fins-de-semana, uma ligação muito forte vai nascer entre eles. Mary sente por Tim o mesmo tipo de amor que sentiria pelo filho que nunca teve; Tim, em contrapartida, ensina-lhe a ver o mundo de uma maneira mais simples e optimista, trazendo à sua vida solitária o calor e o afecto que lhe faltavam.

A MINHA OPINIÃO:

Tim foi o primeiro livro publicado por Colleen McCullough. Ela é das minhas autoras predilectas e não havia como fugir à sua leitura. A verdade é que Tim me encantou desde o primeiro instante. A simplicidade a ingenuidade ternurenta do protagonista são refrescantes. Com ele aprendemos a ver o mundo com outros olhos. Às vezes,  estamos tão obnubilados pela confusão e pela inutilidade que a beleza do que nos envolve escapa-nos. Que desperdício! Tim ensina-nos a ser diferentes ou pelo menos a acreditar no que de mais singelo existe no mundo. Apesar de ter sido escrito na década de 70, o livro é muito vanguardista abordando a vida de um homem de aparência deslumbrante mas que, aparentemente ficou para sempre com uma mentalidade de criança. Tim é denominado de "mal-acabado" no livro mas, é em torno dele que todos se aglomeram. É uma personagem completa e complexa e agarra-nos com a sua inocência, com a sua forma peculiar de amar e com seus silêncios que guardam as dúvidas e temores. É ele que invoca os sentimentos mais ternos e mais genuínos em todos. À volta de Tim, Colleen McCullough constrói uma história intensa manuseando com delicadeza os contrastes, as dificuldades e o preconceito de ser diferente. Tim é, apesar das suas limitações mentais, verdadeiramente arrebatador! Mary Horton é, pelo contrário, uma mulher capaz e inteligente porém, está emocionalmente debilitada. Esconde os seus sentimentos atrás de barreiras de pragmatismo e rotina. Os dois aprendem um com o outro. Cada vitória é regozijada e cada fracasso é lamentado pelo leitor. Colleen McCullough é extraordinária porque não escolhe um caminho idílico e perfeito mas sim, um trilho de recuos e avanços como seria na vida real. Esta proximidade que se estabelece entre protagonistas e quem os lê é de tal forma afectuosa que compreendemos cada decisão e a apoiamos incondicionalmente. Tim  é maravilhosamente distinto do que tudo o que já tenha lido. Nada se equipara à doçura da escritora ao tocar nas feridas e à delicadeza com que quebra tabus e ideias pré-concebidas socialmente. É um livro que pode não alcançar o auge da escrita de A Canção de Tróia ou de O Toque de Midas todavia, é absolutamente encantador!

6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME: 

Tim foi adaptado ao cinema em 1979. Piper Laurie encarnou Mary e um muito jovem Mel Gibson deu vida a Tim Mellville. Como não encontrei uma trailer decente deixo um vídeo da relação de ambos. Contém spoilers!!!


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Devaneios de Séries... The Pillars of the Earth (Os Pilares da Terra) (2010)


A MINHA OPINIÃO:

The Pillars of the Earth é uma mini-série de oito episódios produzida por Ridley e Tony Scott, exibida pelo canal STARZ nos Estados Unidos da América e baseado na obra homónima de Ken Follet. 
Quando se adapta um livro sobejamente conhecido e amado por tantos leitores há um risco compreensível de não se conseguir agradar a todos. A série também poderá granjear novos fãs literários pelo que tem de ser abordada com cuidado e como uma espécie de auto-promoção. 
The Pillars of the Earth não é completamente fiel à obra de Ken Follet e afirmo isto com a toda convicção de quem viu a aposta televisiva ao mesmo tempo que lia os livros. Todavia, não tive menos prazer a vê-la pelo contrário, surpreendeu-me pela qualidade da produção e pelas narrativas alteradas mas, contagiantes.


O elenco  é perfeito, compondo personagens tão amadas com primor. Tal como a obra literária, é ambientada à crueldade da Idade Média onde os pobres tentam sobreviver à fome e os ricos tentam sobreviver às intrigas e aos assassínios pelo poder. As histórias quotidianas de um pai, de um filho, dum frade e de um amor mesclam-se com a Guerra Civil Inglesa e a luta pela Coroa Inglesa. E a uni-los a todos, directa ou indirectamente, está a construção de uma Catedral. Majestosa e imponente, ela é o sonho de Tom The Builder que é brilhantemente interpretado por Rufus Sewell. Ele empresta à personagem firmeza, bravura e paixão. Outro actor que se destaca é Ian McShane, Waleran Bigod, clérigo de moral e acções dúbias. McShane incorpora o lado da fé corrompida e corrobora a sua missão deturpada com o lema de que os fins justificam os meios. O frade que se lhe opõe é Philip. É impossível não simpatizar com ele! Seja pela fé inabalável, pela destreza política ou pela competência do actor Mathew McFadyen, Philip é dos que mais captaram a minha atenção. Outro desviador de atenções é Eddie Redmayne, Jack The Builder. A sua interpretação cresce ao longo de toda a minisérie assim como a sua personagem. O duo de irmãos fictícios Richard (Sam Caflin) e Aliena (Hayley Atwell) é detentor de cenas poderosas na aflição ou na luta. Richard é das personagens que mais difere do livro. Entendo a opção dos argumentistas de armá-lo de mais coragem e sentido de responsabilidade porque assim se tornou mais agradavelmente heróico. Houve momentos no livro em que me apeteceu sacudi-lo para acordá-lo do marasmo e apatia em que se encontrava. William Hamleigh de David Oakes é desprezível, atormentado e o actor também merece uma palavra de apreço pelo seu trabalho.


No entanto, quem me fascinou irremediavelmente não foram os actores foi Trevor Morris, o compositor da banda sonora. A melodia é épica e vibrante aquele final é simplesmente fenomenal com a imagem portentosa da catedral em perfeita simbiose com o trecho musical. The Pillars of the Earth é uma excelente série mas desengane-se quem espera uma cópia fidelíssima à obra que lhe deu origem pois, não o vai encontrar. As directrizes principais estão lá porém, há pormenores que são distintos. Vale a pena ler o livro e vale a pena ver série! São os dois excelentes!

TRAILER DA MINISÉRIE:




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Selinho Versatile Blogger


Tenho de agradecer todos os que me enviaram selinhos nos últimos meses e que infelizmente, não publiquei devido à falta de tempo. Mas aprecio imenso todos os miminhos que me dão. Quanto a este selo aqui estão as regras:

Regras:
- Postar o selo e dizer quem me presenteou;
- Dizer 7 coisas sobre mim;
- Presentear 15 blogs com o mesmo;

Este selinho foi-me oferecido pelo Vítor das Crónicas Obscuras, pela Rita de A Magia dos Livros, pela Filipa de O Labirinto dos livros,  pela Leitora  da Atmosfera dos livros, pela Sandra de Mil Estrelas ao Colo, pela Sofia do blogue Morrighan, e pelo Luís de Ler y Criticar. Sim me esqueci-me de alguém lembrem-me por favor! Obrigada a todos:)

7 coisas sobre mim:
1- Estou no penúltimo ano de faculdade.
2- Tenho um mini-zoo em casa na ilha e insisto em dar nome a todos os animais o que põe a minha mãe doida.:p
3- O meu quarto está tão cheio de livros que costumo dizer que qualquer dia afogo-me em livros.
4- Adoraria conhecer o Tibete numa viagem que privilegiasse as caminhadas a pé pelas montanhas.  
5- Gosto de ouvir música (bandas sonoras) enquanto escrevo.
6- Sou viciada em séries.

Os 15 blogs que presenteio com este selo são:



Faltam alguns para perfazer os 15 blogues mas esses lugares serão ocupados por aqueles que me deram este selinho a quem retribuo com muito carinho.

As Horas Distantes de Kate Morton



Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.
Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.
No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

A MINHA OPINIÃO:

Kate Morton é das minhas escritoras favoritas! Não escondo que os seus dois primeiros livros me fascinaram tanto que os li até madrugada, freneticamente. Ela tem a habilidade extraordinária de contar uma história entre o passado e o presente que não é confusa ou fatigante. As suas páginas estão carregadas de mil segredos e de mil descobertas. As Horas Distantes não é excepção. Contém  mesmo toque de magia e é abençoado pelos incríveis cenários nomeadamente, o Castelo de Middlehurst em que nos perdemos e nos reencontramos. Porém,  para mim este livro não é tão cintilante como os restantes. Apesar de ser uma leitura deliciosa, não me envolveu tanto. As irmãs Blythe são personagens peculiares e relativamente cativantes especialmente, a enigmática e etérea Juniper contudo, o ritmo desta leitura não atingiu o que eu esperava. A história rica e lindíssima mas, o inicio é marcado pela descrição em detrimento da acção. Não há harmonia ao contrário de nos outros livros de Kate Morton. Sendo uma das minhas autoras predilectas, não poderia deixar referenciar este detalhe. O Jardim dos Segredos e A Casa de Riverton maravilharam-me precisamente por serem equilibrados. Além de apresentarem personagens e lugares fascinantes, a acção e descrição complementavam-se não havendo supremacia de nenhuma. É tão raro encontrar livros assim! As Horas Distantes peca por não imitar os seus predecessores a este nível. Ainda assim, possui os seus encantos e os últimos capítulos não são lidos, são devorados tal é a ansiedade do leitor em deslindar o mistério das irmãs Blythe. E como todo livro desta autora está recheado de surpresas que nos atordoam com as suas revelações! Viajamos no tempo e descortinamos almas apaixonadas, corações atormentados, sorrisos esquecidos, sonhos despedaçados que só encontram paz no futuro. As Horas Distantes pode não ser tão esplendoroso como as outras obras de Morton não obstante, não deixa de arrebatar o leitor.

5/7-MUITO BOM

domingo, 16 de setembro de 2012

Devaneios à Solta... Kafka à Beira Mar de Haruki Murakami

Cais das Colunas, Lisboa (foto da minha autoria)

"-Tu estavas lá. E eu estava lá, a ver-te.À beira-mar, há muito, muito tempo.(...)
Fecho os olhos.É Verão e estou à beira-mar, sentado numa cadeira de praia. Sinto a lona áspera de encontro à minha pele. Aspiro profundamente o cheiro a maresia.Mesmo de olhos fechados a luz Sol penetra através das pálpebras. Oiço o som das ondas que batem na areia. O som afasta-se, depois aproxima-se, ao sabor do tempo." pág. 556 in Kafka à Beira Mar de Haruki Murakami

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

E Tudo o Vento Levou I e II de Margaret Mitchell


Ganhador do prêmio Pulitzer de 1937, traduzido para 51 línguas, nunca a obra de uma iniciante obteve tamanho sucesso . Em 1932 quando foi atropelada e obrigada a passar um longo período hospitalizada, Margareth Marsh não imaginava poder tornar-se uma das escritora mais famosas de seu tempo. O livro conta a história de sua cidade natal Atlanta, a guerra de secessão que dividiu os estados do norte e do sul dos Estados Unidos , numa luta sangrenta. Assim foi criada Tara , uma enorme fazenda que abrigava a família O´Hara. 


A MINHA OPINIÃO:

Há livros que transcendem qualquer elogio que lhes possa atribuir e que se infiltram de tal maneira no nosso pensamento que só encontramos paz nas suas páginas. E Tudo o Vento Levou é sinónimo desta magnificência! Absolutamente soberbo, este livro é revolução, sangue, guerra, fome e paixão. Ultrapassa claramente a classificação de "romance" pois, embora o seu par protagonista seja magnetizante e acirrante, ele nunca poderá ser reduzido a isso. É um relato apaixonante da guerra civil americana, vivenciada pela moribunda aristocracia sulista das grandes plantações que, tanto empenho tinha na Causa contra o Norte industrial. Margaret Mitchell consegue captar na perfeição o idílio antes guerra, a cruzada bélica entre facções do mesmo país com legados diferentes e o período conturbado de adaptação ao pós-guerra.Algumas personagens persistem nos seus ideais incapazes de aceitar a mudança, outras usam qualquer método à sua disposição para subsistir seja ele honrado ou não. Curvo-me perante a mestria da autora que soube doar complexidade e profundidade à história, ensinar-me e arrebatar-me com a dimensão e a grandiosidade da sua obra. No entanto, o aspecto mais peculiar deste livro é o facto de a sua protagonista Scarlett O'Hara não ser a convencional heroína o que não deixa de ser bizarro. Como é que uma mulher caprichosa, egoísta e fútil pode ser tão sedutora e passível de admiração? Ela é tudo isto mas, também é corajosa e disposta a tudo para sobreviver o que nos liga inevitavelmente a ela. Esta mulher poderosa de olhos esmeralda que carrega o fardo da herança de Tara, plantação sulista e em cujo sangue fervilha a fúria e impetuosidade irlandesa sofre uma transformação tremenda ao longo das quase mil páginas que compõe o livro original ( a minha edição está dividida em dois volumes). Ela não quer depender de ninguém para subsistir e sobre ela caem outras responsabilidades árduas e penosas porém, Scarlett combate com ferocidade o que o destino lhe traz.  Obcecada por Ashley Wilkes que não pode ter, por ser marido de Melanie, a protagonista é espicaçada pelo carismático Rhett Butler. Renegado, sem escrúpulos e de moral duvidosa, Rhett é igual a Scarlett. Pela primeira vez na vida, Scarlett tem um adversário à altura. Sarcástico, mordaz e irónico, este cavalheiro (ou não...) é irrevogavelmente uma das melhores personagens do livro! As quezílias entre os dois são flamejantes e incrivelmente deliciosas pois, nenhum está com a mínima inclinação para ceder. Os Wilkes deixaram-me dividida. Melanie com sua docilidade e generosidade cativou-me. Ela é daquelas pessoas que acreditam até ao fim na bondade e no valor de uma segunda oportunidade. Ashley já foi um caso distinto. A sua apatia perante um mundo em mudança deixou-me exasperada. É demasiado honrado e fiel aos seus princípios com receio de tomar decisões em áreas desconhecidas, Mr.Wilkes perde quando comparado com o inesquecível Rhett. Este quarteto de personagens domina as páginas do livro todavia, há outras pérolas a descobrir como a fantástica Babá, ama de Scarlett, a tia Pittypat e os seus fanicos, o previdente Will, a velha Fontaine, os Meade e todos aqueles rapazes que partiram para a guerra defendendo uma causa demasiado fantasiosa. Margaret Mitchell apresenta cada personagem com primor e antes mesmo dela entrar em cena, já a conhecemos devido aos pormenores e ao trabalho meticuloso de criação e construção da escritora. Sublime, E Tudo o Vento Levou é daquelas obras indescritíveis porque os adjectivos que existem são parcos perante tanta beleza! Só podemos abarcar a totalidade da sua glória quando entramos nas suas páginas... Mrs. Mitchell  faço-lhe uma vénia pela incomparável e memorável obra !

7/7- OBRA-PRIMA

TRAILER DO FILME:

Este não é o trailer do filme propriamente dito mas, aparentemente não há nenhum decente por isso, optei por colocar o trailer do blu-ray do filme. Gone with the Wind conquistou 10 Óscares da Academia e está na lista do AFI (American Film Institute) dos cinco melhores filmes de todos os tempos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Mar de Ferro (Crónicas de Gelo e de Fogo VIII) de George R.R Martin


ATENÇÃO A SINOPSE CONTÉM SPOILERS! SE NÃO OS DESEJAR AVANCE PARA OPINIÃO!
Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz?
Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo?
A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?

A MINHA OPINIÃO:

O Mar de Ferro é à semelhança do volume anterior na edição portuguesa, O Festim dos Corvos, um livro de rescaldo contudo, o seu final já sugere novas reviravoltas e surpresas que nos aguardarão no seguinte volume da saga. É mais um livro de grande qualidade e cada página é soberba em despertar a minha preocupação, o meu amor e o meu ódio. Quando parece que guerra está a chegar ao fim, começam a movimentar-se novas peças e a estilhaçar e a forjar novas alianças, algumas periclitantes pois, neste jogo de poder não há bons nem maus. Ao estender a sua enorme história a novas Casas, George R.R. Martin trouxe novas cartas ao baralho e não se pode confiar em nenhuma. Os gémeos Cersei e Jaime são mais uma vez  um dos uns focos. Jaime é aquele personagem que nos confunde com as suas acções inesperadas e nos deixa pasmos com algumas decisões. Cersei, é a rainha com quem eu não me metia e evitava conhecer  pessoalmente todavia, é tão bom lê-la à distância e testemunhar os imbróglios em que se mete. A herança de Tywin Lannister é pesada e estes leões estão senti-la em cada fibra do seu corpo. Mais uma vez, a saudade bateu-me à porta? Onde estás Tyrion? Parece que só te vou reencontrar no próximo volume. Se alguns intervenientes estão em parte incerta, outros estão a amadurecer e a perder a ingenuidade como Sansa Stark. No início da saga, achava-a insuportável com as suas frivolidades e futilidades porém, ela está surpreender-me pela positiva. A sua irmã Arya sempre será das minhas predilectas! Embarcou numa missão tortuosa e espinhosa e é impossível não sofrer ou regozijar-se com ela. Quem também está neste barco é Samwell Tarly. Os seus capítulos são dos meus favoritos e o seu encontro com a Gata dos Canais ( quem leu sabe a quem me refiro!) foi simplesmente delicioso! A qualidade das personagens de Martin é inquestionável: só um escritor brilhante consegue manter a mesma intensidade durante oito volumes, aniquilar e criar novos peões igualmente atractivos como Doran Martell e Euron Greyjoy. Os Martell, os Greyjoys e Brienne são dos responsáveis por mais momentos de "cair o queixo"! Martin por esta é que não esperava! Que acontecerá à Brienne? E porque raio tens de me matar ansiedade sempre que acabo um livro das Crónicas? Despeço-me, por agora, com muita pena minha desta fabulosa saga mas, há algo que me diz que se acabaram os livros "calmos". A próxima  dança é uma valsa de dragões!

6/7-EXCELENTE

Voltei:)


Depois uns dias maravilhosos na ilha de Porto Santo numa das mais belas praias do mundo, voltei. Estou muito mais morena e preparadíssima para o novo ano lectivo que se avizinha... O 5º ano na universidade está mesmo aí e nada melhor que uns dias a descansar para encarar o futuro com outros olhos. Fui de férias mas não deixei as minhas leituras de lado. Em breve sairão opiniões fresquinhas:)... Até já!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os Devaneios estão encerrados para férias...


Meus amores, vou de férias e provavelmente não terei acesso à internet por isso, nas duas próximas semanas não haverá publicações. E como sempre não consigo decidir quais os livros a levar. Na mala estão: E Tudo o Vento Levou de Margaret Mitchell, As Horas Distantes de Kate Morton, Nas Asas do Tempo de Dianna Gabaldon e para uma releitura levo O Hobbit de J.R.R Tolkien. No entanto, posso mudar de ideias mesmo em cima da hora. Até breve xD!

O Festim dos Corvos (Crónicas de Gelo e de Fogo VI) de George R.R Martin


ESTA SINOPSE CONTÉM SPOILERS. QUEM NÃO OS DESEJAR AVANCE PARA A OPINIÃO:
«Continuando a saga mais ambiciosa e imaginativa desde O Senhor dos Anéis, As Crónicas de Gelo e Fogo prosseguem após o violento triunfo dos traidores.Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir como uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real. Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos.
Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado comandante da Muralha mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo...»

A MINHA OPINIÃO:

O Festim dos Corvos tem a tarefa quase impossível de ser o escolhido para seguir o fenomenal A Glória dos Traidores de As Crónicas de Gelo e Fogo. A Glória dos Traidores foi brutal, cruel e radical sendo que, muitos intervenientes mostraram aqui a sua verdadeira face. A escalada de eventos e acontecimentos chocantes marcaram o fim de uma era em Westeros e agora é tempo de reunir hostes e enveredar por novos caminhos. Assim, O Festim dos Corvos é o rescaldo, "o lamber das feridas"... Surgem novos personagens, novos cenários e aqueles que aprendemos a amar ao longo dos volumes anteriores são confrontados com novas decisões e novos desafios. Há capítulos dedicados a personagens que nunca tiveram a sua voz. Só os conhecia através dos outros jogadores. Cersei Lannister é das que mais se destaca. Os seus irmãos Jaime e Tyrion são dos meus favoritos por razões óbvias para quem leu os livros e ansiava que Cersei tivesse capítulos só dela. Será que ela consegue igualar os seus irmãos? Tyrion rouba qualquer cena em que se encontra devido ao seu carisma, inteligência e humor mordaz. Com o Jaime tenho uma relação intrigante de amor/ódio. Ainda não o perdoei por causa de algumas das suas acções nos primeiros volumes mas, a sua jornada inesperada para redenção e o seu sentido de honra muito peculiar cativaram-me. Cersei tem o talento de atrair atenção como os restantes Lannisters porém, é de uma forma distinta. A sua perfídia é lendária e ela até é astuta o suficiente para manobrar os peões e chegar ao poder contudo, falta-lhe o discernimento para o manter. Se eu achava que os Lannisters tinham uma dinâmica familiar que é no mínimo interessante, o que dizer das novas casas que o escritor desenvolve neste volume, os Martell e os Greyjoy? Uma palavra: fujam!!! Entre os homens de ferro das ilhas e as Serpentes de Areia de Dorne recuso-me a escolher qual é o mais letal! George R.R. Martin cria mais uma vez personagens fortes que mexem com os nossos sentimentos e alarga mais uma vez os seus horizontes. Neste livro, são realçadas as mulheres. Cersei, Arianne Martell e as suas primas, Arya Stark, Asha Greyjoy e Brienne de Tarth são um bom exemplo de como um homem consegue escrever mulheres destemidas e credíveis. O Festim dos Corvos pode não atingir a grandeza chocante do anterior todavia, é mais uma beleza de George R.R. Martin. Não tem tantas reviravoltas e acção mas, apresenta uma nova panóplia de personagens fascinantes que irão fincar o pé às restantes casas. Claro que senti saudades de Tyrion, Daenerys e Jon Snow e espero reencontrá-los nos próximos volumes porém, a imaginação do autor é impressionante e  continua a arrebatar-me mesmo sem os velhos protagonistas. Mais uma obra gigante de George R.R. Martin e imperdível para os fãs da saga!  E se me dão licença vou zarpar daqui, o barco para O Mar de Ferro parte daqui a momentos e não quero perdê-lo por nada...

6/7- EXCELENTE

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Cor do Céu de James Runcie


Um pequeno tesouro para se descobrir. 

Veneza no ano de 1295. Aquando das festividades do dia da Ascensão, Teresa Fiolaro, uma mulher que há muito tentava em vão ter um filho, encontra um bebé abandonado num estreito canal. Chama-lhe Paolo. Apesar da resistência do seu marido, a jovem cria a criança em casa, no meio dos vidreiros de Murano. Quando Paolo cresce, os seus novos pais apercebem-se que ele vê mal ao longe, mas que ao perto tem uma estranha e apurada capacidade de distinguir cores e tons. Esse dom é reconhecido por Simone Martini, um pintor de Siena, que envia Paolo numa viagem para encontrar o perfeito azul ultramarino, a cor do céu. Essa viagem vai levá-lo para lá do mundo conhecido, através da Pérsia, Afeganistão e China, onde terá oportunidade para aprender mais sobre as cores, a beleza e o amor, mas também sobre a derradeira diferença entre ver e olhar.

A MINHA OPINIÃO:

A Cor do Céu é uma pequena preciosidade! A busca incessante pelo azul perfeito torna-se numa jornada cheia de cor até ao âmago da alma humana! Paolo é um jovem italiano com quem empatizamos de imediato devido as suas origens misteriosas, a sua generosidade, o seu desejo pela visão e o seu gosto pela aventura e aprendizagem. Adorei conhecer cada povo, cada costume, cada religião com que ele se deparou. O seu grupo de viagem é igualmente heterogéneo: Jacopo, um judeu e Salek, um muçulmano. James Runcie aproveita esta diversidade para criar debate entre os personagens sobre as suas crenças e superstições. O livro também me chamou à atenção por outro motivo, a estranha "doença dos olhos" de Paolo e como ele lidou com essa enfermidade . É estranha porque no século XIII não havia tratamento ou resolução para a miopia. O escritor é sagaz ao delinear o percurso do italiano. Paolo não via bem fisiologicamente mas via perfeitamente a vida. Quando a realidade muda, como irá ele reagir? A adaptação é morosa porém, o encontro com o homem santo oriental é delicioso de se ler. As recomendações do velho homem parecem bizarras todavia, entre as suas palavras está uma filosofia de vida ímpar. A Cor do céu é uma leitura tocante que não atinge o patamar de obra-prima porque não é muito equilibrado. Por um lado, aborda temas complexos e é profundo nas suas conclusões. Por outro lado, é demasiado superficial deixando-nos ávidos por um mistério que nunca é respondido. No entanto, este livro é uma pérola! É uma jornada muito agradável cheia de lições e fascinantes descobertas.

4/7- BOM**

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Fruto Proibido de Sherry Thomas


Famosa em Paris, mal-afamada em Londres. Verity Durant é tão conhecida pelos seus dotes culinários quanto pela sua vida amorosa. Contudo, essa será a menor das surpresas que espera o seu novo empregador quando este chega a Fairleigh Park, a propriedade que acaba de herdar após a inesperada morte do seu irmão. 
Para Stuart Somerset, uma estrela política em ascensão, verity Durant é apenas um nome e a comida é apenas comida, até degistar o primeiro prato confeccionado por ela. Até então, a única vez que experimentara tamanho despertar dos sentidos fora numa perigosa noite de paixão com uma estranha que desaparecera com a madrugada. Dez anos de espera pelo prato principal é muito tempo, mas quando Verity Durant entra na sua vida, apenas uma coisa conseguirá satisfazer Stuart. O apetite dele pela luxúria será vingança ou o mais excepcional dos acepipes - o amor? O passado de Verity alberga um segredo que poderá devorá-los a ambos, ao mesmo tempo que tentam alcançar o mais delicioso dos frutos…


A MINHA OPINIÃO:

O Fruto Proibido de Sherry Thomas é pecaminoso! Este adjectivo assenta na perfeição a este livro porque há uma variedade infindável de sabores, cores e aromas. São luxuriantes, requintados e irresistíveis! Os dotes culinários da protagonista, Verity são um autêntico menu de degustação suculento e inesquecível! As descrições dos seus pratos por Sherry Thomas são tentações e as minhas papilas gustativas compreenderiam muito bem o encantamento dos convidados que se sentavam à mesa recheada com tais delícias. O meu corpo é que não ia gostar muito da ideia pois iria, com certeza, ter um aumento ponderal exponencial!  Sherry Thomas consegue com isto ser das poucas autoras de "romance de época" que ainda me surpreende. As suas personagens femininas tem personalidade, garra e história. Verity tem carisma e responde muito bem a Stuart. Adorei os seus desencontros e como saltavam faíscas mesmo sem se verem.  Bastava uma pequena lembrança ou umas simples palavras numa carta para incendiarem uma sala de raiva, frustração ou paixão intensa! Sempre ouvi dizer que a linha entre o ódio e o amor é ténue e parece que a escritora também  porque ela tirou partido disso. A utilização de duas épocas temporais diferentes também foi uma manobra inteligente da autora pois, ao desvendar os segredos do passado à medida que se conhece o presente é compulsivo. Torna a leitura mais voraz e asfixiante! O Fruto Proibido brindou-me ainda com uma história de amor secundária igualmente  consistente e cativante que, por vezes, não encontramos nestes livros. Thomas triunfa assim apostando no enriquecimento em detrimento de uma história única que, mesmo bela saberia a pouco! É uma iguaria de livro que merece ser apreciado como um manjar fabuloso... 

5/7-MUITO BOM

PS: Aviso à navegação: eu acho que só de imaginar os pratos e sobremesas de Verity engordei... :P

terça-feira, 21 de agosto de 2012

As Memórias de Cleópatra III- O Beijo da Serpente de Margaret George


A conclusão de uma saga maravilhosa: a visita ao Antigo Egipto e à vida de Cleópatra, a rainha do Nilo. 
Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma.Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando história, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.

A MINHA OPINIÃO:


O Beijo da Serpente é o culminar estupendo desta magnífica trilogia sobre Cleópatra! Este terceiro volume é épico e angustiante porque marca a derrota do Egipto, de Cleópatra e de Marco António que sucumbem ao poderio romano de Octávio. Margaret George retrata uma Cleópatra rainha que tenta proteger a todo custo o seu país, uma Cleópatra que é mãe extremosa que resguarda ferozmente os filhos e uma Cleópatra  que é esposa fiel e dedicada que vacila perante o desmoronar de um sonho idílico. Ela e Marco António sonharam com um Império que se estenderia por toda Ásia e Ocidente e que todos os povos seriam irmãos, cada um com a sua cultura, religião e tradição. Porém, Octávio é um oponente de intelecto formidável, frio e calculista. A beleza deste livro e de toda trilogia de Margaret George são as incríveis e detalhadas descrições. Não são entediantes pelo contrário, enchem a história de brilho, cor e aromas. São uma mais-valia para quem adora aquela sensação de desprendimento que nos faz esquecer o que nos rodeia e que nos faz imergir nas páginas de um livro! Neste volume, Cleópatra enfrenta o seu maior medo: o fracasso! Marco António, um dos meus personagens favoritos está em declínio. Outrora grande general romano, louvado e amado e homem de grandes paixões, António só demonstra que é, indelevelmente, humano e começa sofrer tanto quanto ama.  Para ele, é quase uma catástrofe porque vive tudo intensamente e no limite. Do lado oposto da barricada, Octávio é inexorável e, aparentemente, indiferente a outra emoção que não se mova em torno da sua ambição e poder. É um confronto trágico de titãs! Apesar de o final desta história ser mais que conhecido, Margaret George nunca perdeu a minha atenção. É um grande feito pois, se o fim é previsível devido à realidade histórica é necessário encantar os leitores de outra forma e ela consegue-o...O Beijo da Serpente é mais dramático de todos os volumes mas, mantém o mesmo requinte devido as inevitáveis e belíssimas descrições que nos são dadas pelos olhos de Cleópatra e à fabulosa recriação de personagens da escritora. Ela procurou ver além do mito e todos são capazes de nos arrancar algum tipo de sentimento mesmo que este seja o ódio. É uma enorme trilogia que merece todos elogios que lhe são tecidos! É impressionante, e memorável! 


6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME:

Em 1999, foi produzido um filme para a televisão baseado na obra de Margaret George. Diria que foi livremente baseado porque, tive a o oportunidade de o ver e não chega nem aos calcanhares dos livros. E isto já é um eufemismo! É daqueles filmes que vê porém, não acrescenta nada. Aqui fica o trailer para os interessados: 
video

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Os Devaneios já estão livres de vírus...

Depois de receber alguns avisos alarmantes de seguidores que não conseguiam entrar neste cantinho devido a um aviso de vírus, resolvi fazer uma limpeza em alguns posts que estavam associados a outro blogue com problemas de segurança. Agora os Devaneios estão novamente seguros! xD

Os Pilares da Terra I e II de Ken Follet

Na Inglaterra do século XII, Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras, tem um sonho majestoso – construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime, digna de tocar os céus. E é na persecução desse sonho que com ele e a sua família vamos encontrando um colorido mosaico de personagens que se cruzam ao longo de gerações e cujos destinos se entrelaçam de formas misteriosas e surpreendentes, capazes de alterar o curso da história. Recheado de suspense, corrupção, ambição e romance, Os Pilares da Terra é decididamente a obra-prima de um autor que já vendeu 90 milhões de livros em todo o mundo.

A MINHA OPINIÃO:


Os Pilares da Terra é uma obra grandiosa de Ken Follet! A edição portuguesa foi dividida em dois volumes porém, optei por elaborar uma opinião conjunta. É assombroso como o escritor agrega as histórias de vida dos pobres, as intrigas dos nobres e a guerra civil inglesa (anarquia) em torno da construção de uma catedral no século XII. Inicialmente, a catedral é o sonho de um simples pedreiro, Tom. É um homem de fé e de visão e acredita que a beleza da arquitectura alcançará Deus. Contudo, à medida que os anos passam a catedral transforma-se num estandarte de esperança não só para Tom mas também para todos que se abrigam na sombra das suas paredes . É um símbolo de resiliência face à adversidade, um meio de subsistência de um pequeno vilarejo e um farol para aqueles que encontram na fé, a sua tábua de  salvação. O livro apela à nossa compaixão e à nossa curiosidade e induz um estado de fascínio irracional pois, é quase impossível largá-lo. A escrita de Follet não é rebuscada. É simples sem grandes brilhantismos todavia, são as suas personagens e a história gloriosa atravessando gerações que são merecedoras de todos elogios. O autor criou intervenientes credíveis que almejam o poder,o amor, a vingança, a justiça ou simplesmente a sua subsistência e a da família. Cada personagem tem os seus demónios e as suas virtudes  que as colocam na lista das amadas ou na das odiadas. Insinuar que este livro é só sobre a construção de uma catedral é quase pecaminoso! Sim, a construção do edifício predomina em quase todos os capítulos mas, estes também contam as agruras e as vicissitudes da vida de penúria na Idade Média durante uma guerra sangrenta em que as personagens fazem tudo para sobreviver e para satisfazer as suas ambições sejam elas quais forem . No clero, existem bons e maus assim como na nobreza. Porém, bom e mau é relativo porque os seus objectivos até são compreensíveis apesar de os meios para lá chegarem serem, por vezes, moralmente e eticamente questionáveis. No fundo, são pessoas como nós sendo tão genuínas que é impossível não ter empatia com elas . Tom foi aquele que me cativou logo de início. É um homem humilde com um grande sonho mas, que a vida tende a espezinhar. Os seus erros, os seus remorsos e a sua luta pela sobrevivência só me aproximaram ainda mais dele. Phillip, prior de Kingsbridge é outro personagem memorável de mente arguta e sagaz que cresce ao longo de todo o livro. A sua inocência política das primeiras páginas é ofuscada pelas magníficas manobras que ele desencanta para salvar a sua catedral e a sua população. Phillip é um estratega da Fé porém, a contrabalançar a sua bondade e justiça está Waleran, bispo de carácter duvidoso que não hesita em esmagar os inimigos. Alianças são forjadas e desfeitas com a mesma rapidez com que viramos uma página. No meio destas teias de conspirações, está Jack que me maravilhou com a sua estranheza e capacidade de sonhar. Jack ganha grande destaque na segunda parte da história já que, ele é o mais aventureiro de todos partindo em busca de respostas. Aliena, outra personagem marcante é a jovem filha de um conde cuja vida é destroçada pelos Hamleigh sedentos de poder. É uma mulher persistente que se alimenta de uma promessa. Jack e Aliena condimentam o livro com a sua relação amorosa intensa e altamente improvável.No entanto, atrevo-me a dizer que não existem personagens principais. Todas são importantes e todas contribuem para a grandiosidade desta obra. A arquitectura e a invenção também são preponderantes e o escritor dedica grande parte de alguns capítulos a elas. Não as achei maçadoras pelo contrário, achei-as enriquecedoras. É sempre bom expandir os nossos conhecimentos e elas eram necessárias pois, a existir uma protagonista, essa seria a catedral. É uma leitura soberba que me arrebatou de tal maneira que fiquei desejosa de ler outro livro de Ken Follet!

7/7-OBRA PRIMA***

TRAILER DA MINISÉRIE DE OITO EPISÓDIOS:

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