Mostrar mensagens com a etiqueta Stieg Larsson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Stieg Larsson. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo (Millennium II) de Stieg Larsson


Neste segundo volume da trilogia Millennium, Lisbeth Salander é assumidamente a personagem central da história ao tornar-se a principal suspeita de dois homicídios. A saga desenvolve-se em dois planos que se complementam e só a solução do primeiro mistério trará luz ao segundo: Há que encontrar os responsáveis pelo tráfico de mulheres para exploração sexual para se descobrir por que razão Lisbeth Salander é perseguida não só pela polícia, mas por um gigante loiro de quem pouco se sabe.

A MINHA OPINIÃO:

Alucinante!!! É a palavra que melhor descreve o segundo volume da trilogia Millennium. No entanto, o primeiro terço do livro é uma verdadeira luta de adaptação. As descrições longas e os nomes completamente distintos dos que, habitualmente, encontro aliados ao facto de ter lido o primeiro há alguns meses dificultaram-me a leitura. Após este período conturbado, o vício surgiu e as páginas voaram. Ao contrário do anterior, este livro debruça-se mais sobre o passado misterioso de um dos protagonistas, Lisbeth. E que passado! Uma verdadeira teia de segredos que enreda o leitor e que não oferece nenhuma escapatória. Os acontecimentos sucedem-se vertiginosamente e, como sempre a história é impactante não poupando o leitor a verdades cruéis ou a momentos aterrorizadores. Sente-se o medo em cada página recheada de revelações marcantes que, mesmo inesperadas não são estapafúrdias. Indubitavelmente, Lisbeth é quem granjeia todos os meus elogios. É uma personagem soberba criada Larsson! Nunca li nada que se lhe assemelhasse... É daquelas que são constituídas por imensas camadas, cada uma mais intrincada que a outra. Quando julgamos que a conhecemos, ela reinventa-se e surpreende-nos mais uma vez. Não é fácil de compreender algumas das suas acções e isso também nos leva a continuar a ler fervorosamente na esperança de encontrar uma causa ou um significado. Mikael Blomqvist também me agarrou muito mais aqui do que no primeiro livro. A sua determinação, curiosidade insaciável de jornalista e claro, a sua relação estranha com Lisbeth são provavelmente, das coisas que mais aprecio nele. Mikael é  o perfeito "parceiro" mesmo com as suas imensas falhas nomeadamente, o de não reconhecer sentimentos mesmo em frente as seus olhos. O livro ainda contém inúmeras personagens secundárias expostas detalhadamente pelo autor.  Há muitas de carácter duvidoso e uma é particularmente, horripilante. Stieg Larsson não é apologista de subtileza ou de eufemismo logo, quando apresenta esta personagem fá-lo sem medos e inibições. Cria assim um antagonista credível, repugnante e que inspira pavor tanto no leitor como nos outros interveniente da história. 
A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo é uma leitura excelente porém, não é para todos os palatos devido ao seu conteúdo chocante.

6/7- EXCELENTE

TRAILER DO FILME:



sábado, 10 de novembro de 2012

Os Homens que Odeiam as Mulheres ( Milenium I) de Stieg Larsson


“O jornalista de economia MIKAEL BLOMKVIST precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro HANS-ERIK WENNERSTÖM e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. HENRIK VANGER, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem LISBETH SALANDER. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.”

A MINHA OPINIÃO:

O género policial sempre foi um pouco renegado para segundo plano nas minhas leituras actuais. Quando era adolescente adorava e devorei os livros de Agatha Christie porém, ao longo dos anos e após algumas desilusões, o meu interesse por este tipo de livros foi esmorecendo. Quando parto para uma viagem literária espero que me surpreenda e não há nada mais decepcionante do que solucionar o mistério nas primeiras páginas. Felizmente, Os Homens que Odeiam as Mulheres não cai neste marasmo. É trepidante, chocante e incrivelmente acirrante! A culpada é Lisbeth Salander. É uma personagem bizarra devido à sua aparência física, ao seu figurino e algumas das suas acções inesperadas porém, no seu âmago está uma mulher inteligente, resiliente e uma história brilhante de superação. Mikael Blomkvist é quem abre o livro contudo, falta-lhe o brilho atractivo de Lisbeth. É um início moroso mas, a introdução da protagonista é comparável a um furacão que transforma a leitura num verdadeiro vendaval de emoções e de acontecimentos sucessivos e intrigantes! E a corrida à resolução de um mistério com quase quarenta anos é lançada... Harriet Vanger desapareceu sem deixar rasto de uma pequena localidade onde todos se conhecem num dia fatídico que Mikael é contratado para esmiuçar. Tudo faria prever que Lisbeth e Mikael jamais teriam química juntos e, confesso que cheguei a temer que o prazer de ler esta obra se desvanecesse todavia, esta suposição revelou-se totalmente falsa. A rapariga desconfiada e socialmente inadequada e o jornalista caído em desgraça são uma dupla irresistível não no sentido romântico mas, na sua excentricidade. Não podiam ser mais diferentes um do outro não obstante, complementam-se como duas faces da mesma moeda. Os dois são claramente o foco principal de Stieg Larsson além da grande interrogação que paira sobre todo o livro: " O que aconteceu a Harriet?". O escritor não aprecia eufemismos! É cru e de uma realidade gráfica impactante! O leitor não é poupado a descrições violentas ou a momentos de verdadeiro terror. À medida que a investigação avançou fui avassalada pela mesma sensação de perseguição que Mikael experimentou e cada célula do corpo protestou perante as injustiças e atrocidades que acometeram Lisbeth. No entanto, as personagens secundárias também são, no mínimo fascinantes. O adjectivo fascinante pode ser aqui conotado positivamente ou negativamente quanto o fundimos com o carácter de cada membro da família Vanger. Resumindo, é uma família disfuncionalmente e oficialmente estrambólica! Porém, bons, maus ou simplesmente malucos, eles com a sua dinâmica familiar peculiar agarram-nos ainda mais às páginas do livro. Stieg Larsson é mestre em fazer-nos suspeitar de tudo, de todos e até das nossas próprias sombras! Ele abre um círculo no primeiro capítulo e fecha-o em beleza no último. Não há nada que fique sem resposta relativamente ao desaparecimento de Harriet. Obviamente, alguns aspectos ficam em aberto para o segundo volume mas, são sobretudo relacionados com Lisbeth e Mikael e eu estou desejosa de os ler. Este é um livro que me fez entrar numa cultura nórdica completamente distinta da minha. Os nomes,os lugares e os costumes difíceis de memorizar foram inicialmente desconcertantes todavia, este obstáculo foi rapidamente debelado assim que o mistério me acenou. Os Homens que Odeiam as Mulheres ( continuo a preferir o título em inglês, The Girl with a Dragon Tattoo) é perturbante, compulsivo e uma tentação para quem prefere embrenhar-se num thriller recheado de acção e adrenalina!

6/7-EXCELENTE

PS: Obrigada N. pela prendinha!

TRAILER DO FILME:

Existem duas adaptações ao cinema, uma sueca e uma americana. Coloco aqui a americana por ser a mais recente datando de 2011. Realizada por David Fincher foi nomeada ao Óscar de Melhor Actriz graças à interpretação de Lisbeth por Rooney Mara.