terça-feira, 30 de setembro de 2014

Landline de Rainbow Rowell

Georgie McCool knows her marriage is in trouble. That it’s been in trouble for a long time. She still loves her husband, Neal, and Neal still loves her, deeply — but that almost seems beside the point now.
Maybe that was always beside the point.
Two days before they’re supposed to visit Neal’s family in Omaha for Christmas, Georgie tells Neal that she can’t go. She’s a TV writer, and something’s come up on her show; she has to stay in Los Angeles. She knows that Neal will be upset with her — Neal is always a little upset with Georgie — but she doesn’t expect to him to pack up the kids and go home without her.
When her husband and the kids leave for the airport, Georgie wonders if she’s finally done it. If she’s ruined everything.
That night, Georgie discovers a way to communicate with Neal in the past. It’s not time travel, not exactly, but she feels like she’s been given an opportunity to fix her marriage before it starts . . .
Is that what she’s supposed to do?
Or would Georgie and Neal be better off if their marriage never happened?

 A MINHA OPINIÃO:

Landline é uma história que aborda um tema célebre entre obras literárias, televisivas e cinematográficas: a reconstrução de um casamento. Porém, não é banal ou monótono. Pelo contrário, devido à escrita de Rainbow Rowell é tão encantador como dilacerante! A autora opta por contar a actualidade contudo, faz analepses oportunas e deliciosas. Georgie McCool é uma protagonista muito competente ao atrair o leitor para o livro. Entendemos a sua ebulição de sentimentos e, desesperamos ou regozijamos com ela. Às vezes, achamos que Georgie não merece alguém como Neal no entanto, acabamos sempre por simpatizar com a personagem principal e a sua luta interior. O livro também vive dos seus momentos caricatos e hilariantes que, dão leveza ao drama que se desenrola em primeiro plano. É, indubitavelmente, uma história enternecedora que enche o coração, particularmente, nas suas páginas finais. Talvez pela acção se desenrolar no Natal, o livro lembrou-me desse período e aí desejei tê-lo lido nessa época específica para absorver ainda mais o espírito de redenção, reconciliação e família. Não obstante, Landline beneficiaria de mais equilíbrio na narração. Apesar de caloroso, o final é abrupto e curto para as expectativas que criou. 
Landline tem uma escrita maravilhosa e não fosse a brusquidão do seu término, seria perfeito!

5/7- MUITO BOM

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Rapariga de Papel de Guillaume Musso


Há apenas alguns meses, Tom Boyd era um escritor famoso em Los Angeles, apaixonado por uma célebre pianista. Mas na sequência de uma separação demasiado pública, fechou-se em casa, sofrendo de bloqueio artístico e tendo como única companhia o álcool e as drogas. Certa noite, uma desconhecida aparece em sua casa, uma mulher linda e completamente nua. Diz ser Billie, uma personagem dos romances dele, que veio parar ao mundo real devido a um erro de impressão do seu livro mais recente. A história é uma loucura, mas Tom acaba por acreditar que aquela deve ser de facto a verdadeira Billie. E ela quer fazer um acordo com ele: se ele escrever o seu próximo romance, ela poderá regressar ao mundo da ficção. Em troca, ela ajuda-o a reconquistar a sua amada Aurore. O que tem ele a perder?

A MINHA OPINIÃO:

A Rapariga de Papel é, em certa medida, fiel ao estilo de escrita de Musso. É recheado de acontecimentos surreais tais como a ideia de uma personagem cair de um livro e confrontar o seu escritor. O início deste livro é contagiante e voraz. Tom Boyd não é das pessoas mais agradáveis no início e o seu caminho para a auto-destruição é condenável porém, há algo nele que nos indicia que ele é passível de compaixão e compreensão. Estes sentimentos são, depois fundamentados pela história tocante de Tom e dos seus dois amigos de infância, uma mulher e um homem, num bairro problemático. Os dois ainda se mantêm por perto sendo que, ele  é o seu agente e ela é polícia. Tom Boyd é, na verdade, uma excelente pessoa. Ele foi a âncora e a tábua de salvação para os seus amigos. Todavia, não é imune ao desgosto de amor e depois, ao bloqueio de escritor. Boyd é um protagonista empolgante porque, é incrivelmente realista nos seus desencontros e reencontros da vida. Normalmente, a magia de Musso é aliar um personagem credível com outro que tem os pés assentes no surreal. Billie, criada por Tom Boyd que cai de um livro mal impresso é o toque característico do escritor. O confronto de Billie com Tom é vibrante! O próprio leitor se deixa apanhar na magia que é um personagem ajudar o seu criador. O livro torna-se uma paixão e como tal é irresistível. Tudo seria perfeito se não fosse o fim tão incongruente para as obras de Musso. O escritor opta pelo final mais "normal" e vulgar e ele, próprio, desfaz o sonho. É decepcionante alcançar as últimas linhas e não encontrar uma réstia do esplendor dos capítulos anteriores.  Este é certamente, um livro que merecia muito mais!...

3.5/7- RAZOÀVEL

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

The Invention of Hugo Cabret de Brian Selznick

Caldecott Honor artist Brian Selznick's lavishly illustrated debut novel is a cinematic tour de force not to be missed!

ORPHAN, CLOCK KEEPER, AND THIEF, Hugo lives in the walls of a busy Paris train station, where his survival depends on secrets and anonymity. But when his world suddenly interlocks with an eccentric, bookish girl and a bitter old man who runs a toy booth in the station, Hugo's undercover life, and his most precious secret, are put in jeopardy. A cryptic drawing, a treasured notebook, a stolen key, a mechanical man, and a hidden message from Hugo's dead father form the backbone of this intricate, tender, and spellbinding mystery.

A MINHA OPINIÃO:

The Invention of Hugo Cabret é mais que um livro! É uma experiência mágica e única... Através de ilustrações fenomenais e uma prosa simples mas, rica conhecemos a história encantadora de Hugo Cabret. Este rapaz e a sua amiguinha, Isabelle são os guias de uma aventura que almeja reconstruir um autómato que foi o último trabalho do pai de Hugo. A curiosidade deles torna-se nossa e a mensagem que, este homem mecânico esconde torna-se tão fundamental para o leitor como para os pequenos protagonistas.  Porém, a restauração física de uma peça mecânica é uma metáfora para o que Hugo está a fazer. É como se se estivesse a consertar a si próprio. Hugo amava tremendamente o pai e o seu luto é dedicado a esta máquina partida. Selznick consegue ainda outra proeza ao fazer com que a jornada de Hugo mude também a vida de outras almas "partidas". Esta é uma história que se cimenta sobre aquilo que nos é mais querido enquanto, humanos: um lar. A família, a segurança e amor que nos traz.
Esta preciosidade literária delicia e aquece o coração do mais empedernido dos leitores porque não há nada que ressoe mais num espectador do que a fragilidade física ou psicológica de um humano e da esperança na cura. Às vezes, é só preciso um pequeno gesto para mudar tudo e sarar feridas há muito abertas. 
The Invention of Hugo Cabret distingue-se por ser mais que uma leitura. É uma viagem única!

7/7- OBRA- PRIMA

EM VÍDEO:

 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Devaneio do dia... A crónica do desrespeito pelo leitor


O mundo editorial é porventura, algo muito complicado que nunca compreenderei. Porém, eu sei o que é ser leitora e sei o que é esperar ansiosamente que os livros cheguem às livrarias para os poder adquirir. Também que sei que, actualmente, ler é um luxo e, muitos, só vêem letras nos papéis de jornal sob os quais dormem. Em Portugal, sou uma privilegiada por poder dispensar alguns cêntimos para me dar ao luxo de ler... As editoras trazem-nos o tão desejado fruto proibido. Como convém a um bom vendedor fazem marketing das obras literárias, dos autores e referem, por vezes, a sua repercussão internacionalmente tornando o fruto ainda mais apetecível.  Há quem fique tão fascinado pela refeição que se seguirá que, compra-o imediatamente, desejoso para a devorar. O mais comedido aguarda que o fruto amadureça, subentenda-se que o preço desça, e compra-o mais tarde em promoção ou num alfarrabista. Eu enquadro-me nos avarentos que preferem adquiri-lo quanto já está mais maduro. 


Não obstante, até o mais fuinha dos leitores cai na esparrela de um fruto que é tão delicioso que é impossível de resistir. E eu caí... Paullina Simons era uma das autoras que ansiava e desesperava por ler e, quando, as Edições ASA a publicaram, rejubilei e adquiri O Grande Amor da minha vida. É o primeiro volume da trilogia Tatiana & Alexander. No original chama-se The Bronze Horseman. Parecia um sonho, a leitura foi magnífica e o segundo fruto não tardaria a sair. E ele saiu mas, desta vez, foi manchado pelo pecado de lhe retirarem-lhe três capítulos. Esta deformidade imposta pelos seus criadores, os ASA,  não foi mencionada pelos mesmos. Provavelmente, foi descoberta por um daqueles leitores fascinados que não quis esperar e comprou-o. 





Este Vasco da Gama, dos novos tempos não descobriu o caminho marítimo para a Índia mas, o percurso para o desrespeito pelo leitor. Sendo premeditado ou um erro de percalço, a verdade é que os seus criadores venderam gato por lebre e não especificaram que este fruto proibido tinha contra-indicações. Muitos leitores sofreram de indignação, raiva e ultraje por tamanha falácia. Alguns, crentes, no bom nome dos criadores, na sua competência e valor acreditaram que como, pecador arrependido, a ASA se limparia da imundície no terceiro volume. Afinal, à terceira é de vez! Pois, o terceiro livro não só confirmou a sujeira, como abriu um fosso entre a leitora que sou e os criadores. Alexander tem apenas 224 páginas e corresponde aos 3 capítulos desaparecidos e a um provável epílogo.



Assim, um conjunto de livros de livros que são publicitados como trilogia transformou-se numa duologia descabida e atrofiada. Para os mais ceguetas, está escrito na capa que, isto é, supostamente uma trilogia! Os criadores disseram que era uma "opção editorial". O que fazer perante uma desculpa tão esfarrapada? O fruto proibido não é mais apetecível... Está sujo e contaminado. Seria de esperar que os criadores ao produzirem um produto danificado se responsabilizassem pelas contra-indicações. Não, nenhuma palavra saiu das suas bocas. Concluindo, além de ceguetas, são mudos e moucos. Isso claro não faz o carácter de uma pessoa todavia, as suas acções apalermadas e hipócritas fazem. Ao fim deste tempo todo, quem estava cego era o leitor... Os ASA não querem saber de lealdade ou respeito... Eles espezinham na boa fé daqueles que esperavam um trabalho competente e sobretudo, leal para quem deu de comer a esses senhores ceguetas, mudos, moucos e hipócritas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Fahrenheit 451 de Ray Bradbury


Guy Montag is a fireman. His job is to burn books, which are forbidden, being the source of all discord and unhappiness. Even so, Montag is unhappy; there is discord in his marriage. Are books hidden in his house? The Mechanical Hound of the Fire Department, armed with a lethal hypodermic, escorted by helicopters, is ready to track down those dissidents who defy society to preserve and read books.
The classic dystopian novel of a post-literate future, Fahrenheit 451 stands alongside Orwell’s 1984 and Huxley’s Brave New World as a prophetic account of Western civilization’s enslavement by the media, drugs and conformity.
Bradbury’s powerful and poetic prose combines with uncanny insight into the potential of technology to create a novel which, decades on from first publication, still has the power to dazzle and shock.

A MINHA OPINIÃO:

Fahrenheit 451 é um clássico distópico que, aparentemente, é amado e odiado com igual ferocidade. Contudo, esta leitura não despertou em mim nenhum destes sentimentos. Contém um mundo brilhante que, é desvendado, aos poucos, pelo autor, de modo intuitivo sem o massacre de pormenores desnecessários. A entrada neste ambiente é verdadeiramente subtil, a ideia de que os bombeiros ateam incêndios e queimam livros ao invés de os apagar é tão intrigante quando bizarra. Porém, o aspecto distópico é o mais agradável. As personagens, particularmente, o protagonista Guy Montag não é empático ou inspirador de qualquer emoção. É-me indiferente! Os diálogos têm um défice de vivacidade. São quase uma extensão da narração o que confere monotonia à leitura. Clarisse, outra das intervenientes deste clássico, é uma rapariga de dezassete anos que soa a um prodígio inverossímil.A sua relação com Montag é demasiado instantânea e sem sentimento. Culpo novamente a falta de vida nos diálogos! São demasiados etéreos, com várias ideias dispersas e poucas conclusões. A mulher de Montag, é uma sombra de pessoa e como tal é, impossível relacionarmos com ela. Há um certo sexismo subliminar nas linhas desta obra. À excepção de Clarisse que é , aborrecida de tão maravilhosa que é, as mulheres são retratadas como ser fraco e sem razões para o ser. Além disso, seria de esperar que de entre tantos livros e autores mencionados ao longo do livro, surgisse alguma escritora. Não surge... Algo que me é incompreensível. 
Fahrenheit 451 é um livro que me marcou pelo mundo criado no entanto, o seu conteúdo em personagens não me fascinou.

3/7- RAZOÁVEL

domingo, 24 de agosto de 2014

Luz Éfemera- Trilogia Langani III de Barbara & Stephanie Keating



 A SINOPSE CONTÉM SPOILERS PARA QUEM NÃO LEU OS LIVROS ANTERIORES!!! LEIA SÓ A OPINIÃO (MAIS ABAIXO) SE OS QUISER EVITAR!!! 
 
O último e arrebatador volume da trilogia Langani Em crianças, Hannah, Sarah e Camilla tornaram-se irmãs de sangue. Com o passar dos anos, conseguirá esta aliança manter-se inquebrável? Hannah e o marido são donos da fazenda Langani e do Safari Lodge. Juntos, lutam para preservar a vida selvagem e as suas terras, ameaçadas por caçadores furtivos e funcionários governamentais corruptos. Contudo, vai ser a relação entre a filha de ambos e um rapaz africano a constituir o verdadeiro teste à união familiar. Por seu lado, Sarah é uma reputada fotógrafa e investigadora da vida animal. A morte do seu amor de infância marcou com violência a sua entrada na idade adulta; tantos anos depois, procura ainda recuperar a inocência perdida. Camilla conseguiu vingar no exigente mundo da moda e parece estar prestes a viver plenamente o seu grande amor ao lado do carismático guia de safáris Anthony Chapman. Mas uma triste reviravolta ensombra a vida de ambos e ameaça agora estilhaçar os sonhos que em tempos partilharam. Passado nas regiões selvagens e imprevisíveis do Quénia, Luz Efémera é uma história de coragem, amizade, traição e sacrifício redentor.

A MINHA OPINIÃO:

Luz Éfemera confirma o meu encantamento por Langani! Apesar de, este livro não ser tão magnífico como os anteriores ainda assim, continua a ser belíssimo! As descrições de Barbara & Stephanie Keating trazem-nos a aridez, o exótico e o luxuriante de África, o verde viçoso da Irlanda, a alvura da Noruega, o requinte a elegância de Londres. Chega a ser desconcertante o quão bela é esta trilogia se nos esquecermos do mundo à volta e mergulharmos sem medos na sua imensidão. Neste volume, conhecemos Suniva, filha de Hannah e James, filho de uma história que as nossas protagonistas preferem não recordar. Porém, James desconhece este passado obscuro pois, era ainda um bebé de colo, quando chegou a Langani. Na verdade, ele, Suniva e o seu pequeno irmão, Piet são as personagens mais enternecedoras deste terceiro livro. A sua amizade assemelha-se aos primórdios da relação de Sarah, Camilla, Hannah, Anthony e Piet. Há uma atmosfera saudosista no ar como se a própria Langani, reconhecesse que é hora de um ciclo novo.
As nossas irmãs de sangue, Hannah,Camilla e Sarah mudaram... Hannah é mãe, esposa,  conduz uma das maiores fazendas e um asilo da vida selvagem no Quénia, um país ainda assolado pela mudança brusca de políticas, pela corrupção e pela caça furtiva.
Camilla vive, triunfante, como símbolo de beleza e de sucesso no mundo da moda. Mas, o seu júbilo não é completo. Como esquecer Anthony, o grande amor da sua vida? Anthony, é das personagens mais bem delineadas desta história. A sua paixão por Camilla ultrapassa o comum dos mortais todavia, os revezes que sempre marcaram a sua vida, impedem-no de viver feliz com a mulher que ama. A sua jornada é delicada e cada passo errado, é justificável. Às vezes, erramos para encontrar a verdade.
Sarah, célebre fotógrafa e defensora da vida selvagem está numa encruzilhada da vida. Como explicar ao seu cônjuge que a relação caiu na monotonia e na descrença? A própria Sarah está desmotivada e confusa e, não sabe o que fazer. Os seus dilemas são facilmente compreensíveis.
Rabingrah Singh também ganha protagonismo: a sua determinação, valor e busca pela verdade, é admirável mesmo, sendo dos intervenientes desta história que menos gosto devido, a impressão que me causou no segundo livro. Há algo nele que me antipatiza. Reconheço a sua importância para a história e até o seu carácter integro no entanto, não consigo me apaixonar completamente por ele. Talvez seja, por ter ocupado o "lugar" de uma das minhas personagens favoritas.
Luz Éfemera ainda mantém o brilho dos anteriores porque ainda nos prende à vida destes sobreviventes que amam a terra que os viu nascer. Uma terra cuja miscelânea de culturas, de religiões e políticas é tão fascinante quanto perigosa. Contudo, esta obra peca por se alongar em alguns momentos desnecessários para o desenvolvimento da história, por retroceder em certos aspectos como na intolerância e incompreensão de certos personagens. Seria demais pedir um certo amadurecimento? Hannah e Sarah são, por vezes, demasiado infantis e histéricas em situações de agonia, desespero ou emocionalmente aterrorizadoras. Compreende-se que ambas sobreviveram a uma tragédia de tamanho incalculável mas, às vezes, soa a demasiado dramatismo e é exaustivo de se ler.
Ainda assim, o terceiro e final volume da trilogia Langani continua a ser um relato maravilhoso de uma saga familiar e um testemunho de vitória e fraqueza humana!

6/7- EXCELENTE

sábado, 23 de agosto de 2014

Devaneio do dia... Ode ao blogue Páginas Encadernadas


Ao fim de quase 3 anos, a Catarina decidiu encerrar o seu blogue Páginas Encadernadas.É uma notícia lúgubre para o panorama blogger português. Esta afirmação pode soar a hipérbole ou simplesmente alarmista para os que lêem este pequeno texto. Mas, para mim, é muito tristonho ver um blogue cheio de vida, de ideias e rubricas novas, críticas honestas desaparecer assim. Considero a Catarina, uma grande amiga minha e a minha visão pode estar toldada por esta amizade quando escrevo estas palavras. Porém, a extinção do Páginas Encadernadas não é exclusiva. Infelizmente,é um padrão que se tem repetido ultimamente no mundo bloguesférico português. Alguns blogues deixaram de publicar há vários meses pois, os seus criadores não têm motivação para continuar. Gerir um espaço destes requer incentivo e compromisso. A Catarina deixou de se sentir motivada e não vendo desafio em continuar, encerrou um dos blogues mais sinceros deste meio. É pena todavia, não posso dizer que não a compreendo. Também já estive à beira de encerrar Os Devaneios por razões semelhantes. Às vezes, um simples comentário numa publicação é suficiente para alegrar um blogger. Qualquer blogger pode atestar isso. O feedback bom ou mau é sinal que o nosso trabalho é lido e apreciado. No entanto, continuarão a encontrar a Catarina por aí... Ela vai manter o seu canal do youtube. Por isso, traduções rascas e livros medíocres tenham medo, muito medo...

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Extremely Loud & Incredibly Close de Jonathan Safran Foer

Nine-year-old Oskar Schell is an inventor, amateur entomologist, Francophile, letter writer, pacifist, natural historian, percussionist, romantic, Great Explorer, jeweller, detective, vegan, and collector of butterflies. When his father is killed in the September 11th attacks on the World Trade Centre, Oskar sets out to solve the mystery of a key he discovers in his father's closet. It is a search which leads him into the lives of strangers, through the five boroughs of New York, into history, to the bombings of Dresden and Hiroshima, and on an inward journey which brings him ever closer to some kind of peace.

A MINHA OPINIÃO:

Extremely Loud & Incredibly Close é um livro cuja premissa é fabulosa mas, o seu conteúdo não correspondeu às minhas expectativas. 
Oskar Schell é um menino de nove anos que perdeu o pai nos atentados do 11 de Setembro. Ele encontra um bilhete com a missiva BLACK e uma chave num armário de casa e, assume que é uma mensagem do pai partindo à descoberta do fugidio Black e do seu mistério. O luto ou o "não-luto" de Oskar chega a ser enternecedor. Percebemos que este é um rapazinho afectado por uma morte precoce e trágica de um ente querido: alguém que ele amava muitíssimo e que lhe foi arrebatado com brusquidão. Todavia, Oskar é demasiado inverossímil para uma criança de nove anos. Soa a um adulto de trinta anos encurralado num corpo de um menino. É certo que a tragédia que nos faz crescer contudo, aqui essa transição é demasiada brusca introduzindo o leitor a uma realidade muito pouco realista. A sua suposta inteligência e humor chegam a ser irritantes porque são demasiado utópicas para a personagem sendo que, a sua caça ao tesouro é também beneficiada em muito pela conveniência de estar no lugar certo à hora certa. A escrita do autor também não ajudou a cativar a leitora que há em mim. Não havia leveza e clareza mesmo com o uso da paratextualidade. A leitura tornou-se cansativa e morosa. A abordagem ao atentado do World Trade Center também não é das melhores para quem esperava um maior desenvolvimento do tema. Ficamos com a ideia de que, se o pai de Oskar tivesse morrido num acidente de viação a repercussão na história seria a mesma.
É uma obra que ficou muito aquém daquilo que eu esperava e nem as poucas personagens secundárias me fascinaram...

3/7- RAZOÁVEL

TRAILER DO FILME:

 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Princesa Mecânica - As Origens II de Cassandra Clare

Tessa Gray devia estar contente, como todas as noivas! Mas, enquanto se prepara para o casamento, uma rede de sombras envolve os Caçadores de Sombras do Instituto de Londres. Surge um novo demónio, ligado pelo sangue e secretismo a Mortmain, o homem que tenciona usar um exército de impiedosos autómatos, os Instrumentos Infernais, para destruir os Caçadores de Sombras. Falta apenas um último pormenor para que o plano de Mortmain funcione: Tessa. Charlotte Branwell, directora do Instituto, não consegue encontrar Mortmain antes que ele ataque, ao mesmo tempo que Jem e Will, os dois rapazes que disputam o coração de Tessa, farão tudo para a salvar. As últimas palavras de um Caçador de Sombras moribundo fornecem a pista que pode levar Tessa e os amigos a Mortmain, mas o pequeno grupo não se aguenta sozinho e o poderoso cônsul não acredita no advento do demónio. Sem aliados, os Caçadores de Sombras vêem-se encurralados quando Mortmain consegue o medicamento que mantém Jem vivo. Com o seu melhor amigo às portas da morte, Will tem de arriscar tudo para salvar a jovem amada por ambos. Para dar tempo a Will, o feiticeiro Magnus Bane junta-se a Henry Branwell para criar um instrumento que pode derrotar Mortmain e enquanto todos tentam salvar Tessa e o futuro dos Caçadores de Sombras, a jovem percebe que a única pessoa que a pode salvar é ela própria, porque percebe que pode ter em si um poder que nunca imaginou. Mas poderá uma rapariga, mesmo capaz de conjurar o poder dos anjos, enfrentar um exército?
A MINHA OPINIÃO:

Oh Cassandra Clare! Oh Cassandra Clare! Que livro esplêndido para terminar uma trilogia... A Princesa Mecânica é um fim perfeito para uma série de três livros que supera em muito a sua sequela cronológica. Vibrante, entusiasmante e simplesmente fabuloso! Este livro leva o leitor a se esquecer que está no século XXI e transporta-o para a época vitoriana onde os Caçadores de Sombras, demónios, vampiros, lobisomens e bruxos desaparecem nas sombras de uma Londres sombria e  elegante cheia de mistérios por desvendar. Cassandra Clare soube tratar com respeito as suas personagens e Jem, Tessa e Will formam, sem dúvida, um dos melhores, se não o melhor triângulo amoroso que li até agora. Aliás, deviam inventar o novo termo para estes três porque o conceito de "triângulo amoroso" é ridicularizar a sua relação. É mérito da autora criar três protagonistas igualmente cativantes. Estas pessoas amam-se de tal forma que não há ninguém adulador ou a ser adulado. Também não é monstruoso. É compreensível porque é fácil reconhecer um amor de irmãos parabatai tão poderoso quanto uma história de amor. Se um sofre, todos sofrem. A escritora foi generosa com os personagens e não denegriu a imagem de um para favorecer o outro. É um livro de emoções intensas e reviravoltas inesperadas que põe, constantemente, o nosso coração à prova. Criámos um laço inquebrável com estes Caçadores de Sombras e é triste deixá-los. Porque é tão arrebatador e incrivelmente apaixonante. Há momentos em que exultamos de felicidade e em que ficamos despedaçados. É daquelas leituras que vai revelando segredos pouco a pouco e apesar de, parecer impossível, torna-se ainda mais acirrante! As personagens secundárias são, à semelhança das principais intrigantes e maravilhosas. Oh Magnus Bane! Que criação magnífica de Cassandra Clare... Este bruxo imortal é mais humano do que pensa. Adoro a sua sapiência porém, o que me conquista é a sua mordacidade e astúcia. E Charlotte e Sophie? Mulheres determinadas e corajosas que desafiam os seus próprios medos para encontrar segurança e felicidade.
Este é o fim perfeito! Conjuga sentimentos antagónicos como a tristeza e alegria em igual medida. É um fim de despedidas e reencontros. A imaginação efervescente de Cassandra Clare é verdadeiramente prodigiosa e não conseguiria acrescentar uma letrinha aquele belíssimo epílogo.
Fecha-se o livro, acaba a história todavia, ficaram as emoções e essas perdurarão para sempre!

6/7- EXCELENTE