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segunda-feira, 19 de março de 2012

Lisboa Triunfante de David Soares


Lisboa Triunfante é um romance épico sobre a rivalidade entre duas figuras misteriosas, cuja contenda milenária se cruza com a história da capital portuguesa. Desde as origens pré-históricas de Lisboa até aos anos turbulentos que antecederam a implantação da República, passando pela elevação da cidade a capital do Reino por Afonso III e pela construção enigmática do Mosteiro dos Jerónimos, a galeria de personagens que dão vida a Lisboa Triunfante contém figuras como Frei Gil de Santarém, D. João V e Aquilino Ribeiro. Reunindo elementos de romance histórico e fantástico, este é o livro definitivo sobre uma Lisboa mágica, que possui tanto de reconhecível quanto de maravilhoso. Lisboa Triunfante é um triunfo da imaginação. 


A MINHA OPINIÃO:

Lisboa Triunfante é, provavelmente um dos livros mais memoráveis que já li! E um dos mais difíceis de explicar também! Não há convenções, dogmas ou limites para imaginação prodigiosa de David Soares. Há uma cor indefinida nas suas páginas: não é totalmente histórica contudo, também não é totalmente fantástica . As grandes personagens são uma Raposa e um Lagarto, que travam uma batalha intemporal. São duas forças opostas e complementares pois, se ela é a encarnação da imaginação, ele é o destruidor e o arquitecto. Ela é a Trapaceira, manipuladora de tolos e cujos desígnios desconhecemos. A Raposa é astuta, sagaz e muito matreira e, se pensam que estão a salvo com ela estão muito enganados. Como Loki, o deus nórdico da travessura, ela encantam-nos com o seu sorriso malévolo e sedutor e as suas palavras doces e enigmáticas. O Lagarto é o Tentador, o homem verde que, se veste tanto de diabólico como santo. Ambos jogam com a lealdade dos homens, brincando com os seus receios e alimentando os seus sonhos de grandeza. O livro está dividido em vários capítulos numa estrutura pouco habitual no panorama literário porque, eles albergam várias épocas na mesma cidade, Lisboa. Desde o pré-histórico até ao actual, David Soares cobre vários séculos e desfila personagens tão peculiares quanto célebres: Sá de Miranda, Gil Vicente, Frei Gil Valadares e o inquietante Boytac são apenas algumas. Este é outro grande dom do escritor, o de reescrever a enorme história portuguesa, dando sentimentos, carácter e personalidade a figuras tão distantes no tempo que se tornaram mitos. Ídolos de gerações, tornam-se humanos de novo! O fugaz encontro entre Aquilino Ribeiro e Fernando Pessoa é simplesmente delicioso! Naquele instante, parece que tudo pára e nos tornamos em  espectadores privilegiados por assistir a tanto génio. Estas pequenas preciosidades só engrandecem Lisboa Triunfante que também vive muito da extensa pesquisa e da escrita muito "suis generis" de David Soares. Às vezes, é enternecedora, outras é cruel e grotesca, a única certeza é a de que não causa indiferença. É uma espécie de Raposa provocando a mente do leitor... Não é de satisfação fácil para um consumista alheado à qualidade, é audaz e para saborear cada ideia e cada centelha de imaginação do autor. Alicerçado na história, na fantasia, este livro é uma fábula em que uma Raposa e um Lagarto nos fazem ler madrugada adentro, em que surgem Cavaleiros Verdes do mito arturiano e em que descobrimos, finalmente porque existe uma Salta-Pocinhas!

6.5/7- OBRA-PRIMA

PS: Este livro foi o primeiro protagonista da rubrica Devaneios à Solta.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Devaneios à Solta...

Hoje vou inaugurar uma nova rubrica. Os livros andam sempre comigo e nada melhor que associar o belo ao agradável e usar a máquina fotográfica para captar momentos inspiradores que nos remetem para o século, para época ou para o novo mundo que a leitura nos traz... O protagonista desta primeira publicação é:

S. Pedro de Alcântara, Lisboa (Fotografia da minha autoria)

" Em primeiro lugar visitaria o túmulo de Gil de Santarém. Depois iria conhecer a cidade. Ouvira dizer que o parque que ficava no cimo da Avenida da Liberdade era muito bonito; também queria conhecer o castelo de S. Jorge." pág. 110
" Desde que inspirara o perfume de Lisboa que se sentia enlaçado por ele.". pág.111

 in Lisboa Triunfante de David Soares. 

Esta é uma das minha leituras do momento e, se não fosse o facto de estar em exames na faculdade, já o tinha devorado todo. Um livro que promete ser das melhores leituras deste ano! ;)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Evangelho do Enforcado de David Soares

Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.


A MINHA OPINIÃO:


O Evangelho do Enforcado é a simbiose perfeita do romance histórico com o Fantástico! O início da leitura foi atribulado.Caí na Idade Média portuguesa e fui atingida pela sua brutalidade, pela ignorância das gentes, pela superstição reinante e pela vida paupérrima. As cores e os cheiros do século XV causam estranheza e até repulsa porém, houve algo que me impeliu a continuar. O estilo muito próprio de David Soares. Uma escrita fabulosa que narra a história do provável autor dos chamados Painéis de S. Vicente, Nuno Gonçalves. O pintor é retratado como um psicopata. Maravilha-se com a morte e com tudo o que a rodeia desde da infância. Todavia, um encontro com uma identidade "sobrenatural" enchê-lo-á de terror. Abandona Embraçadura, a aldeia onde nasceu e segue para Lisboa. Além de Nuno Gonçalves, outras figuras históricas da época são abordadas de maneira pouco convencional como por exemplo, a Ínclita Geração composta por Eduarte, Pedro, Henrique, Isabel e Fernando. David Soares destrói a imagem ideal e torna-os mais humanos, cruéis, ávidos, são desnudados de tudo o que é perfeito na realeza. A transformação do infante D. Henrique num homem preverso e manipulador pode chocar e revoltar alguns.Porém, esta dinâmica crua é estranhamente cativante. No centro, continua a estar o famoso painel que influenciará o rumo da História. A arte é a única coisa que é capaz de vencer de morte. Capaz de vencer a morte e de imortalizar o autor, Nuno Gonçalves. A par desta famosa obra, ele dedica-se a outro trabalho que acredita ser o seu melhor. É um livro duro que quebra as linhas outrora, certas da História. Dogmas, previamente estabelecidos, são estilhaçados e tudo o que julgávamos ser verdade, é mentira. Aquela repugnância inicial que senti, desapareceu à medida que avançava e acabei por adorar este registo diferente do Evangelho do Enforcado. Até na última página do romance, foi surpreendida com o surgir de um rapazinho chamado Diogo Boytac que Nuno Gonçalves aconselha.Um encontro entre dois personagens que ficaram imortalizados pela sua arte!


6/7-EXCELENTE