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domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler

Em Abril de 1506, durante as celebrações da Páscoa, cerca de dois mil cristãos-novos foram mortos num progrom em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio, O Último Cabalista de Lisboa, best-seller em onze países, incluindo os Estados Unidos da América, Inglaterra, Itália, Brasil e Portugal, é um extraordinário romance histórico tendo como pano de fundo os eventos verídicos desse mês de Abril de 1506.

A MINHA OPINIÃO:

O Último Cabalista de Lisboa é um livro tremendamente chocante! O seu contexto histórico é de uma brutalidade e inumanidade que apavora quem tem o mínimo de consciência e quem reconhece o livre arbítrio como parte incontestável do ser humano. É impressionante o quão grande é a História de Portugal! Há conquistas, vitórias e belas memórias que ainda hoje inspiram os que se predispõem a descobri-las. Porém, também há acontecimentos negros e de uma pobreza de alma verdadeiramente trucidantes. Zimler é de uma precisão fenomenal  ao descrever sem eufemismos a perseguição aos judeus no fatídico mês de Abril de 1506. A amargura, a revolta e a indignação são palpáveis na sua escrita. Uma autêntica viagem no tempo! A religião judaica é esmiuçada e encarada como o cerne da história. E é assim que deve ser! Há autores que tem medo de se imergir numa cultura ou numa religião quando escrevem, o que nos dá aquela sensação de falsidade ou de não realidade, se preferirem. Pelo contrário, Zimler é meticuloso, historicamente e religiosamente perfeito. Usa vocabulário próprio e expressões características que no início me confundiram por serem tão distintas do meio em que vivo. Todavia, não foi nada que me impedisse de apreciar o livro. Foi um privilégio conhecer e aprender sobre o judaísmo. É na ignorância que reside a maioria dos mal-entendidos e a estupidez da guerra. Richard Zimler tece de Lisboa um retrato sombrio e asfixiante. O seu mérito está em conseguir que nos sintamos sufocados ou perseguidos independentemente da religião que professamos. É triste encontrarmos uma mancha tão negra no nosso passado. Berequias Zarco é o protagonista que nos conduz pelas ruas da cidade e pelo meio da destruição de corpos e de almas. A sua amizade com Farid, um muçulmano, é provavelmente o que de mais belo há no livro. É a esperança de que é possível conviver e respeitar outro ser humano com crenças diferentes. Na verdade, eles é que são os seres humanos apesar de serem caçados como animais. O escritor serve-se de Berequias para incutir emoção mas também mistério à história o que aumenta ainda mais a velocidade de leitura. No fim, a sua busca tornou-se um bocadinho cansativa para mim e esse é o único reparo que faço ao livro. Estava a suplicar por uma solução num misto de curiosidade com cansaço porque já não suportava ler mais uma página que fosse sem uma revelação( é preciso dizer que estava em época de exames na faculdade!). No entanto, O Último Cabalista de Lisboa é uma leitura excelente, audaz e crua sobre um período conturbado e ominoso da história da Humanidade e cuja sinceridade aplaudo de pé!

5/7-MUITO BOM