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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Joana D'Arc de Michel Grèce

Sob a pena inspirada de Michel de Grèce, Joana D'Arc deixa de ser uma pastora analfabeta para se transformar na filha natural de um fidalgo que desde a tenra infância se revelou diferente, voluntariosa, estranhamente determinada. Depressa aprendeu a ler, a domar cavalos, a manejar a espada e a comandar um exército, porque fora escolhida para se tornar a arma secreta da Igreja de França, em luta contra o papado. Mas a fé e as convicções que a animavam eram tão profundas que acabou por se revoltar contra os que a haviam "programado". Surge aos nossos olhos infinitamente mais bela, grandiosa, intrépida e humana. E ao longo das páginas deste romance que revoluciona as normas da História, confrontados com as provas e as divulgações, acabamos por nos interrogar: e se fosse verdade?

A MINHA OPINIÃO:
Este livro estava há algum tempo na pilha para ler. Finalmente, ganhei coragem... Não é que a história não me interessasse... Joana D'Arc é minha heroína favorita, simplesmente não estava familiarizada com o autor,nem tinha recomendações do livro. Foi-me oferecido.
Achei que o princípio do livro era intrigante. Começa pela circulação do boato de que Joana não morrera na fogueira e estava viva. Que alguém trocou de lugar com ela... E pela revelação dos pais verdadeiros de Joana. A entidade do pai é bastante supreendente, aquele que é cognominado de Epífano, um elemento do grupo dos Téologos. Um grupo bastante influente nos destinos do Reino de França. Também é feita uma contextualização histórica. Gostei e fiquei entusiasmada para continuar a leitura. O tempo retrocede e ficamos a conhecer a heroína desde o seu nascimento. Uma rapariga especial e singular que emana uma aura de santidade. Criada por dois camponeses, ela sonha em extravasar as fronteiras da sua aldeia e conhecer o Delfim de França para lhe transmitir a vontade de Deus.
Lê-se bem mas, na minha opinião tem um problema. A maneira como o escritor descreve Joana é distante e impede que o leitor tenha uma empatia significativa por ela. Ela é colocada num pedestal quase inatingível... É corajosa e determinada...Nela quase que só existem virtudes. Perto do fim, vemos uma centelha de orgulho... contudo, ela demasiado fantástica. Não sei se entendem o que eu quero dizer... Sei que Joana D'Arc é canonizada e é a santa protectora de França, todavia todos santos também foram humanos e também tiveram as suas fraquezas. Esta descrição enaltecida da protagonista fez com que o meu entusiasmo refreasse.
A personagem que eu gostei mais foi Jean D'Aulon, um companheiro fiel de Joana. É mais fácil se identificar com ele... Outra coisa que é preciso é ter preserverança para ultrapassar alguns momentos "mortos" ( são poucos...). Momentos que correspondem a cenas em que Joana ou Jean D'Aulon ou algum dos seus amigos não estão e que contêm núcleos pouco atractivos.
Resumindo, foi uma leitura enriquecedora mas não foi um daqueles livros fenomenais, absolutamente irresistíveis.