O Senhor das Sombras" é o novo'thriller' épico-fantástico que está a agitar os meios literários em todo o mundo. A carreira desta obra tem tanto de assombroso como de fulgurante: a sua primeiríssima edição foi restrita e paga pelo autor pelos seus próprios meios. Rapidamente, contudo, os seus primeiros leitores passaram entusiasticamente palavra a outros leitores até que a editora Faber o descobriu e o catapultou meteoricamente para uma permanência de 15 semanas consecutivas no lugar cimeiro dos tops britânicos. É já conhecido como o mais sério concorrente de Harry Potter, e foi concebido com o intuito de introduzir «maus» verdadeiramente assustadores na literatura juvenil. O certo é que a adesão dos leitores mais jovens foi imensa e não ficou atrás do entusiasmo que o livro despertou nos adultos. A história passa-se na Inglaterra setecentista, nas minas do Yorkshire, um ambiente soturno e tão agreste como a própria Natureza. Aí dominam os que não têm escrúpulos e, acima de todos, Obadiah Demurral, padre corrupto e cruel que não olha a meios para atingir os seus fins. Iniciado nas artes da magia negra, serve-se da sua capacidade de convocar os mortos e seres das sombras para alcançar o maior poder do Universo, colocando-se no lugar de Deus. Como opositores tem apenas três adolescentes, dois órfãos deserdados pela crueldade do Senhor das Sombras, e Raphah, um jovem africano, guardião de um tesouro sagrado que o mago cobiça. Combatem-no com a força da generosidade, cientes de que além do Mal existe um poder maior…Este romance introduz-nos num mundo onde a superstição e a magia negra são forças avassaladoras, mas em que existe uma forte componente redentora. O colorido do imaginário anglo-saxónico, numa atmosfera de inspiração bíblica, e um certo toque realista, são o contraponto que prende a atenção e confere consistência à narrativa.
A MINHA OPINIÃO:
Às vezes, gosto de mudar radicalmente de género literário. E um género que adoro é a fantasia. Depois de alguns romances, optei por ler este livro. Obadiah Demurral é um padre corrupto que se rege pela sede de poder supremo. Para o conseguir, este amante das artes negras precisa juntar os dois Keruvim. Mas, um dos Keruvim vai parar às mãos de Raphah. Este jovem e dois amigos adolescentes, Thomas e Kate serão os únicos opositores à crueldade e ganância de Demurral. Tem um ritmo empolgante que o torna viciante. Não há tempo para respirar! O que eu mais gostei foram as subtis inspirações biblícas que o escritor introduz. Por exemplo, Pyratheon é um ser que se for libertado, a luz desaparecerá da terra. Ao ler isto, lembrei-me do Apocalipse. Outra personagem igualmente intrigante é Raphael, um guardião da luz. Um anjo, a meu ver. Apreciei bastante porque havia momentos em que o autor com a inclusão de magia negra, superstição e redenção fez com que eu estabelecesse paralelos com uma das minhas séries favoritas, Sobrenatural ( Supernatural, no original).