quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As Mulherzinhas de Louisa May Alcott

As irmãs Meg, Jo, Beth e Amy conhecem algumas dificuldades depois da partida do seu pai para a guerra e dos problemas económicos que a família enfrenta. Mas o espírito lutador e de união que reinam naquele lar ajudam-nas a seguir em frente. Quer em casa quer nas relações com os amigos e vizinhos, elas conseguem surpreender e continuar e ser fiéis aos seus sonhos, vivendo cada dia com esperança e boa-disposição. Um história em que o amor e a coragem se revelam mais fortes do que todas as dificuldades que estas quatro raparigas, juntamente com a sua mãe, têm de enfrentar.

A MINHA OPINIÃO:

As Mulherzinhas é um clássico entre os clássicos. Tem inúmeras adaptações televisivas, teatrais e cinematográficas que sempre despertaram a minha curiosidade mas, antes resolvi dar uma oportunidade ao livro. É uma leitura ternurenta e esperançosa apesar de, se passar durante a Guerra Civil Americana. As irmãs March: Meg, Jo, Beth e Amy são adoráveis, cada uma com personalidades e paixões distintas. Jo com o seu amor pela escrita, pelos livros e o seu modo maria-rapaz e, Amy pela transformação de menina mimada em mulher responsável e generosa são as minhas favoritas. Theodore Lawrence, "Laurie", o rapaz solitário que, um dia respira da bondade e da alegria da casa March é uma personagem peculiar porque o seu destino é incerto e quase certo. Laurie define-se por este trocadilho pois, desde do princípio do livro intuí que o seu futuro estaria sempre ligado as irmãs March porém, qual seria o papel? O de eterno consolador, melhor amigo ou marido? Quatro irmãs e um rapaz deslocado da sociedade da época são valiosos e preciosos modelos de resiliência, amizade duradoura e família. A emoção e a leitura deste clássico de Louisa May Alcott são, neste caso, indissociáveis. É impossível não sentir algo por estas personagens! Frequentemente moralizador, As Mulherzinhas é rico em valores há muito tempo obnubilados pelo tempo imperdoável e consumista. As March são confrontadas pela tentação do materialismo contudo, sempre voltam ao que é fundamental: ao amor, à união e aos sentimentos.O tom juvenil que a escritora imprime neste livro é o seu único pecado. É muito atractivo e idílico para a fase da adolescência todavia, aborrecido para as faixas etárias mais velhas.Atinge aquela perfeição tão perfeita que chegar a tocar a incredulidade.Lido na idade adequada, este livro é um tesouro! É afectuoso com quatro irmãs e heroínas da vida lidando com a guerra, a infância e  a adolescência. À medida que crescem, cada uma à sua maneira, o seu quotidiano e suas decisões tornam-se cada vez mais difíceis e complexas e com eles, vem responsabilidade e maturidade. O seu percurso é uma lição já que, face à adversidade, elas resistem, apoiando-se naquilo que lhe é mais querido, a família. Um clássico ideal para ler na juventude não obstante, foi bastante enriquecedor e refrescante. Não há nada melhor que uma boa história despojada de artifícios e de superficialidade para captar a minha atenção!

4/7- BOM ***

PS: Obrigada Segredo dos Livros!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Senhores da Noite de Juliette Benzoni

CASANOVA, CARTOUCHE, CAGLIOSTRO, três personagens lendárias do século XVIII, conheceram destinos paralelos em vários aspectos. Dois deles nasceram em Itália, e o terceiro, Cartouche, viu pela primeira vez a luz do dia em Paris, mas viria a ser conhecido em toda a França. O Sedutor, o Salteador, e o Mago inscreveram os seus nomes na História, com vidas plenas de aventura, aparadoxalmente naquele que viria a ser conhecido como o século das Luzes.
É sobre estas três figuras romanescas que Juliette Benzoni escreve, em narrativas biográficas plenas de mistério e aventuras.

A MINHA OPINIÃO:

Comecei a ler Os Senhores da Noite com muita curiosidade, Juliette Benzoni é um nome bastante célebre e eu nunca tinha lido nada da escritora pelo que, esperava uma leitura prodigiosa. As minhas expectativas foram parcialmente defraudadas. É um livro que se lê facilmente com a escrita de Benzoni a facilitar uma leitura fugaz. Todavia, as personagens não me atraíram muito. Quem conheci primeiro foi Casanova e a sua personalidade leviana e unilateral é um fastio! E pior são as mulheres que ele seduz, umas atrás de outras como se fossem autómatos, sem carácter nenhum.Chamem-me feminista, implicativa ou que quiserem, a verdade que, após umas páginas disto, já sabia o que esperar nos capítulos seguintes. Cartouche ainda avivou o meu interesse contudo, foi Cagliostro e a sua alquimia que funcionaram como um íman. Durante a sua história tive um vislumbre do que Juliette Benzoni é capaz de fazer: descrições fabulosas aliadas a um mistério subtil altamente acirrante! Este livro é bom aperitivo mas, suspeito que o verdadeiro banquete está numa das muitas aclamadas séries da escritora...

3/7- RAZOÁVEL

PS:Obrigada Segredo dos Livros!


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Guerreiro Highlander de Monica McCarty

Caitrina não tenciona trocar o pai e os irmãos por um marido, ainda por cima um dos odiados Campbell, mas a força rude e sensual de Jamie, e um beijo escaldante, ameaçam estilhaçar-lhe a resistência. Quando o seu mundo idílico se desfaz, a única esperança de salvar o seu clã reside nos braços de Jamie Campbell, o inimigo que ela responsabiliza pela sua ruína. Conseguirão as tréguas precárias, nascidas na escuridão aveludada das suas noites de paixão, forjar um amor tão forte quanto a espada que governa as Terras Altas?

A MINHA OPINIÃO:

O Guerreiro Highlander é uma leitura vã. Monica McCarty constrói uma história que não é nada original e muito previsível. Se calhar exigi demasiado do livro e ele não correspondeu às expectativas porém, é caso para dizer: "já devias estar à espera!". Porquê? Porque, apesar de gostar de uma leitura brejeira de vez em quando, a incessante repetição de temas e protagonistas começa a enervar-me seriamente. Primeiro, a protagonista jovem e inocente ( não são todas?!), Caitrina é absurdamente insuportável! Durante o livro todo duvida do amor de Jamie contudo, deseja-o e não pode viver sem ele. Confusa é um adjectivo muito simpático para ela. O próprio Jamie afirma que sem confiança não há amor. O personagem masculino apresenta-se como o machado da justiça,  mas, as suas inseguranças que lhe podiam conferir mais profundidade e complexidade são iguais as de tantos outros protagonistas de outros romances de época. O casal é teimoso e tão desconfiado que é impossível estabelecer alguma conexão com ele. Li as suas páginas todavia, elas não tiveram o poder de me apaixonar e de me agarrar. São cada vez menos as autoras que me surpreendem dentro deste género e Monica McCarty não é uma delas. A verdade é que, após ler o livro fiquei com aquela sensação de vazio. Mais do mesmo! Dito isto, não estou a planear ler um livro deste género tão cedo.

2.5/7- RAZOÁVEL

PS:Obrigada Segredo dos Livros!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Devaneios à Solta...

Hoje vou inaugurar uma nova rubrica. Os livros andam sempre comigo e nada melhor que associar o belo ao agradável e usar a máquina fotográfica para captar momentos inspiradores que nos remetem para o século, para época ou para o novo mundo que a leitura nos traz... O protagonista desta primeira publicação é:

S. Pedro de Alcântara, Lisboa (Fotografia da minha autoria)

" Em primeiro lugar visitaria o túmulo de Gil de Santarém. Depois iria conhecer a cidade. Ouvira dizer que o parque que ficava no cimo da Avenida da Liberdade era muito bonito; também queria conhecer o castelo de S. Jorge." pág. 110
" Desde que inspirara o perfume de Lisboa que se sentia enlaçado por ele.". pág.111

 in Lisboa Triunfante de David Soares. 

Esta é uma das minha leituras do momento e, se não fosse o facto de estar em exames na faculdade, já o tinha devorado todo. Um livro que promete ser das melhores leituras deste ano! ;)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Canção de Tróia de Colleen McCullough

Colleen McCullough atinge o auge da sua carreira de escritora com A Canção de Tróia, uma obra que recria a trágica e terrível saga da Guerra de Tróia, uma história com três mil anos de existência – uma história de amores que ignoram barreiras e de ódios nunca mitigados, de vingança e de traição, de honra e sacrifício.
Tão viva e apaixonante como se fosse contada pela primeira vez, a narrativa é assumida pelas vozes das diversas personagens: Príamo, rei de Tróia, condenado a tomar as decisões erradas pelos motivos certos; a princesa grega Helena, uma beldade que é escrava dos seus desejos e que abandona um marido enfadonho pelo amor de outra beldade, tão escravo dos seus desejos como ela – o príncipe Páris de Tróia; essa máquina de guerra perseguida por uma maldição que é Aquiles; o heroicamente nobre Heitor; o subtil e brilhante Ulisses; Agamémnon, o Rei dos Reis, que consente o horror a fim de lançar ao mar os seus mil navios e que, por isso mesmo, atrai a inimizade da sua sinistra mulher, Clitemenestra.
Porém, onde termina a loucura humana? E onde começa o impiedoso castigo dos Deuses? As personagens fascinam o leitor, levando-o a sentir simpatia ora pela Grécia, ora por Tróia, à medida que cada uma delas avança inexoravelmente para um desfecho que nem mesmo os Deuses podem evitar.
O fascinante e irresistível romance de Colleen McCullough revela-nos o inesquecível poder de uma história que mergulha fundo nas raízes da cultura ocidental e que continua viva três milénios depois.

A MINHA OPINIÃO:

Há livros que nos desiludem. Há livros que nos cativam. Há livros que nos marcam e há aquelas obras que transcendem qualquer elogio porque, é impossível descrever a riqueza de emoções avassaladoras que nos propiciaram. A Canção de Tróia é um daqueles livros raros que surpassam qualquer expectativa ou qualquer limiar de grandeza que criámos! Homero ficaria orgulhoso de Colleen McCullough. Ela tem um dom... Humaniza os personagens e, mais uma vez, demonstrou-me que é uma belíssima contadora de histórias. Como é possível ficar tão viciada numa narrativa de uma guerra cujo final já conhecia? Cativante é uma palavra demasiado pequena para classificar este livro. Mal o fechava já sentia saudades dele... Personagens tão vibrantes quanto lendárias são moldadas como o barro nas mãos do oleiro por Colleen McCullough e surgem tão belas e ofuscantes que deslumbram com a sua imperfeição. Sim, a sua imperfeição porque, as lendas também têm calcanhares de Aquiles. A escritora adoptou o método de cada capítulo, cada personagem. Só assim, ela conseguiu abarcar personalidades tão díspares e com narrativas tão sublimes. Desde os grandes reis, Príamo e Agaménmon até Helena e Briseida, mulheres deslumbrantes que se apaixonaram pelo inimigo, Colleen cria uma verdadeira epopeia, empolgante e singular cheia de paixão, traição, sacrifício, honra e glória. A volatilidade das paixões e dos afectos pode causar uma guerra e pode resolvê-la... Neste turbilhão viciante de personagens quem mais brilha são: Aquiles atormentado pela sua mãe, pela morte e pela imortalidade e Ulisses, sagaz, trapaceiro e astuto rei de Ítaca de princípios éticos duvidosos, mas inegavelmente inteligente ou não fosse ele o filho favorito de Atenas, deusa grega da sabedoria. Uma lenda nasce do pó da guerra e Aquiles, poderoso e feroz soldado é cantado pela sua divindade e sua destreza bélica. Porém, foi a sua debilidade humana que me apaixonou.Os seus medos e os seus defeitos atraem o leitor pois, são estes sentimentos tão pouco heróicos que, os comuns mortais sentem face à batalha da vida.Ulisses, a mente mais arguta e soberba do séquito grego é fabuloso, cheio de ideias e acções um tanto imorais e dúbias. Relativamente,a este homem só há uma certeza, o seu amor pela esposa e pelo filho. O némesis troiano de Ulisses é Eneias, sedento de poder ansiando por um trono que lhe foi profetizado.Ele também é capaz de tudo! Neste duelo de titãs, oráculos profetizam futuros, mortes e vitórias. A Canção de Tróia é uma obra inesquecível, gigantesca e lindíssima que escapa das suas páginas ficando para sempre no nosso imaginário!Colleen McCullough é exímia na arte da manipulação deixando os leitores a ansiar por mais... É uma das minhas escritoras favoritas porque, a cada leitura surpreende-me!Quando penso que não poderia ser melhor, ela volta e presenteia-me com um livro tão magnífico e tão grandioso que me seduz irrepreensivelmente e fatalmente e, que não oferece outra hipótese que não seja a rendição.

7/7-OBRA-PRIMA

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Magia e Sedução de Alice Hoffman


Gillian e Sally Owens são duas órfãs que foram educadas pelas tias numa pequena vila. Criadas como crianças normais, tiveram desde tenra idade de lidar com a fama da família Owens.
Com efeito, há mais de dois séculos que as mulheres da família conhecem os segredos das ervas, das curas, e dos rituais para proteger as colheitas. As pessoas da cidade chamam-lhes bruxas mas recorrem a elas quando há necessidade, embora passem muito tempo a culpá-las de todo o mal à sua volta.
É neste contexto que Sally e Gillian partem, tentando esquecer os fantasmas do passado. Gillian, a irmã rebelde, parte para uma grande cidade para viver diversas relações sem futuro até ao dia em que conhece o violento Jimmy, que a maltrata.
Quanto a Sally, a irmã responsável, casa-se e tem duas filhas mas fica viúva pouco depois, mudando-se para uma nova cidade com o objectivo de poder dar uma nova vida às suas filhas, prestes a entrar na adolescência. Quando menos espera, tem Gillian à sua porta, acabada de chegar com um drama na sua vida e com uma surpresa na bagageira.

A MINHA OPINIÃO:

Magia e Sedução é uma leitura suavemente mágica! As suas páginas fluem vertiginosamente como se o amanhã não chegasse.Sally e Gillian são duas irmãs tão diferentes e tão iguais que é impossível não gostar de pelo menos, uma delas. Esta dinâmica fraternal é tão singular com a casa das Owens porque, a magia está em todo o lado. Ela move as personagens por caminhos obscuros e luminosos, forçando-as a tomar decisões. Ela também é uma personagem.Alice Hoffman cria um livro que não sendo brilhante, é uma leitura deliciosa. Não caí na monotonia dos romances óbvios e aborrecidos. Esta é uma história de duas irmãs, do amor entre elas, das suas escolhas e dos seus fantasmas. Tem um toque de suavidade como se a vida já fosse demasiada séria para suportar tal semblante. O início da leitura foi marcado por uma certa distância entre o leitor e os intervenientes da história, porém esta sensação logo desapareceu desabrochando numa narrativa divertida, doce e mágica. Desde os velhos gatos pretos aos lírios que crescem viçosos fora de estação no quintal da casa de Sally, tudo parece ter uma essência desconcertante. É da magia que Sally e Gillian fogem, contudo ela vive em cada fibra do seu corpo e em cada fio do seu cabelo. Alice Hoffman é uma escritora mediana que me faz lembrar Sarah Addison Allen, o que não é necessário mau, muito pelo contrário.

4/7- BOM

TRAILER DO FILME:

 


PS: Obrigada Segredo dos Livros!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um Conto de Natal de Charles Dickens

Um Conto de Natal ou O Natal do Sr. Scrooge é talvez um dos mais conhecidos contos da literatura universal e, sem dúvida, o mais conhecido conto de Natal. Nele, todo o sortilégio do Natal é tratado na prosa de um dos melhores caricaturistas sociais de todos os tempos, que foi talvez aquele que melhor soube apreender e transmitir o espírito do Natal!
Inúmeras vezes adaptado ao teatro, cinema e televisão, poucos serão aqueles que ainda não ouviram falar do fantasma do Natal Passado, do fantasma do Natal Presente e do Fantasma do Natal Futuro e do velho avarento que é visitado por estes espíritos que lhe transmitirão o verdadeiro sentido do Natal.
Escrito por Charles Dickens em 1843, Um Conto de Natal merece agora uma grande produção cinematográfica da Disney, recorrendo às mais modernas tecnologias.
Salienta-se que esta edição inclui as ilustrações originais, concebidas por John Leech, ilustrador preferido de Dickens.

A MINHA OPINIÃO:

Charles Dickens é um nome estelar da literatura! Ler um livro dele pela primeira vez foi uma grande responsabilidade. Quando leio um clássico há sempre aquela sensação de grandeza e de maravilha por folhear páginas admiradas por multidões! Há livros ditos clássicos que correspondem a essas expectativas e há outros que as destroem... Um Conto de Natal é o clássico "espiritualmente" perfeito e lê-lo na época natalícia é exultar a sua mensagem! O protagonista deste conto é Ebenezer Scrooge, velho avarento,cruel e mesquinho. Foi em Scrooge que encontrei uma perfeita caricatura social. Se essa foi a intenção de Dickens então, aplaudo-a de pé! Esta sátira ao homem que vive para os negócios e a frieza do dinheiro, preterindo as emoções e o calor de uma família é tão importante no século XIX como neste século. A hipocrisia social e o consumismo ditaram o óbito do genuíno Espírito de Natal.O dinheiro jamais poderá ultrapassar a beleza de uma família reunida na Consoada à volta de uma mesa. A mesa poderá não ser muito rica, porém não é a quantidade que importa, porque o verdadeiro manjar está na comunhão e na partilha de histórias e vivências. Scrooge é um veículo para ensinar uma valiosa lição! Os três espíritos, Natal passado, presente e futuro perseguem este velho até ele reencontrar a sua essência há muito empedernida! Um conto tocante e, às vezes, hilariante que fica connosco mesmo depois de fecharmos o livro. Mas, nem de Scrooge vive este livro de Dickens: há um outro conto menos conhecido, Os Sinos de Ano Novo. Toby Veck é a antítese de Scrooge, é um homem miserável mas bondoso e generoso. Toby terá um sonho futuro sobre si e a sua adorada filha. É um conto mais pequeno que, à semelhança do anterior, traz uma grande mensagem de esperança. Charles Dickens tem uma escrita distinta, cheia de sentimento e de ternura que, me convidou a participar da história, na tristeza e na alegria.

6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME:



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Balanço e Top de leituras 2011


2011 está chegar ao fim... 2012 será o ano que se segue!  Parece que o nosso D. Sebastião ainda não encontrou o seu cavalo branco porque ainda não encontrou o seu caminho para casa após Alcácer- Quibir! "O mito é um nada que é tudo..."À espera de um salvador francês ou de uma salvadora alemã, a moeda não sai do poço dos desejos! Enquanto isso, para lá Mancha, vive uma Rainha firmemente sentada no seu trono tal qual Excalibur na rocha aguardando o Rei Artur. Será que que foi em terras de Sua Majestade que o cavalo de D.Sebastião se perdeu? Ou será do outro lado do mundo onde as Três Gargantas engoliram a EDP? Parece que desta vez nem o Tio Sam montado no Hidalgo nos safa...À rasca e em busca de um grito de Ipiranga, D. Afonso Henriques parece que perdeu o freio conquistador! Enquanto não chega um D.Pedro ou um D. Sebastião que continua à procura de um cavalo branco, o fado é património e a moeda continua a imitar o Titanic.Se eu fosse El-Rei deixava-me de esquisites e trazia um corcel preto, castanho ou malhado! Porque D. Afonso está prestes a bradar às armas e não há soldados que o sigam ao não ser o Zé Povinho, que pobre coitado ficou depenado! Até a sua mulher o abandonou, trocou-o pelo senhor Emigração. A nós, restam-nos a Esperança que, conseguiu fugir à nova austeridade, gorda de tanto subsídio...:p

Mas antes que chegue 2012, há que recontar 2011.  A verdade é que, este ano, não consegui cumprir a minha meta de 75 livros. Fiquei-me pelos 55. Acho que os outros 20 ficaram encarcerados algures em S. Bento! Propus-me a ler 4 clássicos este ano. Li As Aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi, Um Conto de Natal de Charles Dickens (ainda não publiquei a crítica), A Queda de Albert Camus, A História Mais Bela de Kipling. Isto se classificarmos as duas últimas leituras como clássicos já que também se inserem na categoria seguinte. Outro desafio era ler pelo menos, 3 nóbeis da literatura. Foi cumprido com Albert Camus, Rudyard Kipling e A Dávida de Toni Morrison.


Outra resolução que não passou de uma intenção foi ler mais autores lusos.:( Não li nenhum o que é um crime pois tenho um Saramago, uma Rosa Lobato de Faria e um David Soares na estante. Também li menos livros que o ano passado. O meu tempo para ler está a diminuir devido a faculdade e a minha paciência também. Livros sem carácter nenhum e cópias baratas de outros escritores perturbam o meu sistema nervoso nomeadamente, leituras enfadonhas que se tornam ainda mais aborrecidas após um dia de estudos e trabalho. Apesar de alguns percalços e desilusões, fiz viagens maravilhosas... Aqui está o meu top:

O melhor livro do ano foi: A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon seguido bem de perto pelo A Glória dos Traidores de George R.R Martin e pelo O Toque de Midas de Colleen McCullough.

As piores desilusões do ano foram Nunca te Esqueci de Michael Baron e As Quatro Últimas Coisas de Paul Hoffman.

Espero que 2012 traga melhores leituras a todos e que o D.Sebastião encontre o seu caminho:p...Feliz Ano Novo a todos!!!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O Pai Natal chegou mais cedo... Novas Aquisições!:)

Foto tirada pelo Ex.mo senhor fotográfo Nataniel:p

Estes livrinhos são as minhas últimas aquisições!:D E a melhor parte é que muitos foram oferecidos:).... O Jogo do Anjo, Kafka à Beira Mar e Terra Abençoada são prendinhas antecipadas ( Obrigada N. e A.!). O Doutor Zhivago, um livro que persigo há muito tempo foi adquirido graças à mãe mais fabulosa do mundo que me cedeu os pontos do cartão FNAC ( Obrigada mãe! Sim, comprei um livro, estavas à espera de quê?:p). Os Anões de Pinter também foram um presente! E como estava a ficar terrivelmente mimada e estava a precisar de mais mimos, ganhei o Acácia e A Mulher do Tigre em passatempos. Os outros livrinhos foram adquiridos em promoções. Alguns custaram cinco euritos e são novinhos! Cinco euros por um livro de Wilbur Smith é o que chamo uma pechincha:)...

Aqui está o meu Natal antecipado! Já leram algum?

A Sombra do teu Sorriso de Mary Higgins Clark

Aos oitenta e dois anos e com uma saúde frágil, Olivia sabe que não lhe resta muito tempo. É a última da sua descendência e enfrenta uma escolha colossal: expor um segredo de família há muito escondido ou levá-lo consigo para o túmulo.
Em sua posse encontram-se cartas que provam que, aos dezassete anos, a sua prima e freira Catherine, agora morta e em vias de ser beatificada, deu à luz um rapaz, que entregou para adoção. Hoje, duas gerações mais tarde, Monica Farrell, uma pediatra de trinta e um anos, neta de Catherine, é a herdeira legítima do que resta da fortuna familiar, mas não o sabe.
Poderá Olivia trair o segredo da prima morta para que se faça justiça? Além da sua consciência, tem mais um forte obstáculo: alguns dos familiares que usufruem da fortuna tudo farão para a silenciar…

A MINHA OPINIÃO:

A Sombra do teu Sorriso foi uma leitura fluída e uma boa surpresa! A autora, Mary Higgins Clark é considerada uma das rainhas dos policiais. Sinceramente, não a considero uma grande escritora neste género. Quero, no entanto, realçar que só li este livro dela e, portanto esta ilação advém única e exclusivamente desta leitura. Agatha Christie e Mo Hayder surpassam-na em talento e suspense... Porém, Clark tem a capacidade de criar uma história que cativa o suficiente para nos prender às suas páginas. As suas personagens são tão humanas e facilmente me conquistaram. Monica é a minha favorita. Pediatra de profissão, Monica refugia-se no trabalho e na satisfação que ele lhe traz, negligenciando a sua vida privada. A lógica da medicina é, para ela, um dogma inquebrável até surgir um milagre que a fará questionar tudo. O seu sangue é afinal, mais precioso do que imaginava. Filha de pai adoptado, Monica nem sonha com o que a sua verdadeira ascendência lhe pode trazer. Uma teia de conspirações e segredos muito bem engendrada rodeia a protagonista e a cada capítulo a nossa curiosidade aumenta. Não é uma leitura extraordinária porque ao fim de algum tempo, já sabia quem era o vilão. Apesar disso, é um livro mediano que satisfaz...

3.5/7- BOM

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

As Quatro Últimas Coisas de Paul Hoffman

Morte, Juízo, Paraíso e Inferno. 
As Quatro Últimas Coisas que nos reserva o Destino. 
Agora há uma Quinta. 
O Seu Nome é Thomas Cale. 

De regresso ao Santuário dos Redentores, Thomas Cale parece aceitar o papel que lhe é atribuído: o destino escolheu-o como o Braço Esquerdo de Deus, o Anjo da Morte. O poder absoluto está agora ao seu alcance; o terrível zelo e domínio militar dos Redentores é uma arma nas suas mãos e ele está pronto para cumprir o objetivo supremo da Única e Verdadeira Fé - a destruição da Humanidade. 

Mas talvez o sombrio poder dos Redentores sobre Cale não seja suficiente - ele vai do amor ao ódio num abrir e fechar de olhos, da bondade à mais brutal violência num segundo. A aniquilação que os Redentores procuram pode estar nas mãos de Cale - mas a sua alma é muito mais estranha do que alguma vez poderão imaginar...

A MINHA OPINIÃO:


Há livros que são difíceis de descrever.  São aqueles que me deixam atordoada pela sua brilhante história e pelas suas personagens fabulosas.  As Quatro Últimas Coisas não pertence a esta categoria. Não consigo escrever ou falar muito sobre ele porque, simplesmente, não me deixou nada ou quase nada. Tornou-se numa leitura penosa, logo não apreciei tanto este livro como o primeiro volume da trilogia. A imaginação de Paul Hoffman desapareceu neste livro. Thomas Cale, outrora tão fascinante pela sua complexidade, tornou-se insípido e não consegui estabelecer uma ligação com ele. É uma máquina de matar e a infelicidade acompanha-o para todo o lado. Esta foi a conclusão do livro anterior. Estas novas páginas só lhe acrescentam uma nova faceta: a de estratega militar brilhante. Nada mais! Foi terrivelmente frustrante ler as suas conversas com o Redentor Bosco. A sua finalidade também é questionável... Páginas e páginas que não contribuem em quase nada para a nova maturidade de Cale que eu tanto desejava. Thomas Cale afundou todas as minhas esperanças de ler o terceiro volume. Kleist e Vago, personagens secundárias são bem mais interessantes e foram eles que me fizeram ler o livro até ao fim. A história atribulada dos ex-acólitos e o facto de eles aprenderem a lidar com sentimentos e emoções que desconheciam após, anos e anos de violência são muito mais fascinantes do que observar Thomas Cale.  O início da trilogia prometia, mas este foi uma decepção...Paul Hoffman criou um mundo bastante apelativo, alternativo ao que vivemos, contudo esta leitura foi o fim da linha para mim. É pena porque gostava bastante dos paralelismos que autor estabelecia entre o seu mundo e o mundo real!

3/7- RAZOÁVEL

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um Homem Imoral de Emma Wildes

Apesar da sua beleza, Lady Amelia Patton viveu uma vida protegida entre os seus livros. Quando, de repente, se apercebe que é considerada a beldade doTon, não fica muito satisfeita. O pai, Lorde Hathaway, deseja casá-la, mas a última pessoa que escolheria para marido dela é o filho do seu pior inimigo...
Alexander St. James é um ladrão de corações, mas não é nenhum assaltante. No entanto, tem de recuperar um objecto que pertence à sua família para evitar um escândalo e, por isso, entra furtivamente em casa de Lorde Hathaway, não estando à espera de deparar com a sedutora Lady Amelia no quarto, usando apenas uma camisa de renda...
Desde o primeiro encontro entre ambos que Alexander deixa Amelia sem fôlego - será de medo ou de excitação? Fascinado com a beleza dela e encantado com a sua inteligência, ignora os mexerico escandalosos, à medida que parte à sedução da mulher dos seus sonhos...

A MINHA OPINIÃO:

Emma Wildes é uma escritora que eu designo como escritora de romances de época. Existem muitas autoras deste género no mundo literário e para se destacar é preciso ter algo especial. A história primordial é sempre a mesma: um amor arrebatador que leva os dois protagonistas a desafiar a sociedade, a família e as regras restritas do século em que vivem. O que eu procuro em livros destes, é o puro entretenimento! Uma leitura fácil sem grandes obstáculos que terá, invariavelmente, o mesmo fim de todos os romances de contos-de -fadas: o "felizes para sempre"! A verdade é que, se dantes apreciava este tipo de leituras, agora, estão a tornar-se aborrecidas devido à sua similitude. Wildes tem a capacidade singular de manter agarrada às suas páginas apesar de, já ter lido inúmeros romances de época. A magia reside na sua escrita requintada e elegante que me faz viajar pelos salões de baile cheios de damas e senhores que pavoneiam as suas paixões, intrigas e preconceitos. Procuram escapar ao escrutínio avaliador dos seus semelhantes, resguardando assim a sua vida privada cheia de segredos destruidores da aparência pomposa que ostentam. Pensando bem, não é uma sociedade assim tão diferente da nossa...o ser humano é mesmo um "bicho" estranho! A autora também é boa em criar histórias paralelas que, por vezes, ficam esquecidas em livros deste género. Em Um Homem Imoral, atormenta o casal protagonista com as cartas de antepassados que são responsáveis pelas quezílias duradouras entre as famílias de ambos. Sob esta aura de Romeu e Julieta, Amelia e Alexander St. James pisam terreno perigoso. Ele mais do que ela...Este livro é um deleite para o público feminino, apreciador do género. O truque é não esperar muito dele! Contudo, fico com a ideia que Emma Wildes não atinge todo o seu potencial como escritora. Se se reinventasse ainda mais o género, os seus livros, para mim, seriam ainda melhores. Apostar cada vez mais em personagens secundárias credíveis é um bom começo!Porque, sinceramente, depois de várias leituras de "época" começa a parecer tudo igual.

4/5-BOM**

domingo, 4 de dezembro de 2011

Nunca te Esqueci de Michael Baron



Hugh Penders viveu num estado de apatia durante quase uma década, desde que o seu irmão Chase morreu num acidente de viação. Transporta no íntimo dois segredos que nunca foi capaz de partilhar com ninguém: acredita que poderia ter sido capaz de evitar o acidente e está profundamente apaixonado por Iris, a namorada de Chase.
Quando o pai de Hugh sofre um grave ataque cardíaco, Hugh tem de regressar à sua casa em Nova Inglaterra, de onde andara a fugir nos últimos dez anos. Um dia, encontra Iris - que se mudara havia muito tempo - na rua. Iniciam uma amizade e Hugh acredita que está a apaixonar-se novamente por ela.
Contudo, o fantasma de Chase paira sobre ambos. E, quando cada um deles revela uma verdade que o outro desconhecia, as suas vidas, a perspectiva que tinham de Chase, e as suas oportunidades de um futuro conjunto mudarão para sempre.
Imbuído da força do desejo e do impacte da perda, Nunca te Esqueci é uma narrativa comovente e romântica que emocionará profundamente o leitor.


A MINHA OPINIÃO:


Nunca te Esqueci é um livro que eu facilmente esquecerei... Correndo o risco de ferir susceptibilidades, foi uma leitura morosa e cujo único deleite foi a relação entre Hugh, o protagonista e o seu pai. Há livros que não correspondem às expectativas que criamos acerca deles e este foi deles. A história não se desenrolava e lê-lo à noite tornou-se quase uma missão impossível. Adormecia antes de chegar ao fim do capítulo! A escrita não é má, já li bem piores, mas o livro não me cativou. É a história de Hugh, o seu caminho  para a serenidade e a paz após ter perdido o irmão, Chase que era o namorado de Iris aquando do acidente. Tinha tudo para captar a minha atenção, mas não o fez. A relação entre Iris e Hugh pareceu-me demasiado repetitiva como se já a tivesse lido em qualquer lado. Fez-me lembrar de alguns livros que li na adolescência de Nicholas Sparks, o que até poderia ter sido bom, porém neste momento não me apetecia de modo nenhum uma leitura dessas. Sim, Sparks é referido na capa e assim que vi o nome podia ter fugido a sete pés, contudo nem tudo o que vem referenciado na capa de um livro é verdade. Nunca te Esqueci é um livro que não conseguiu concorrer com as minhas outras leituras. Fui relegando-o para segundo plano porque simplesmente não via evolução na história. Iris e Hugh não brilhavam e fui perdendo o interesse. Surgia de vez em quando uma centelha de esperança quando Hugh tentava alcançar o pai ou quando se lembrava do brincalhão e divertido Chase. O seu falecido irmão é de longe  minha personagem favorita apesar de só o conhecermos através de Hugh. Este foi um livro que não igualou nem muito menos superou aquilo que eu esperava dele. Uma leitura razoável que não me apaixonou...

3/7- RAZOÁVEL


PS: Obrigada Segredo dos livros!

domingo, 27 de novembro de 2011

Uma Voz na Noite de Sandra Brown

A história apaixonante de uma mulher assombrada pelo passado e presa num pesadelo que ameaça destruir o seu futuro. Uma narrativa brilhante, rápida, cheia de tensão sexual, por uma das autoras mais populares da América. Para Paris Gibson, o seu popular programa de rádio nocturno é ao mesmo tempo uma fuga e o seu contacto real com o mundo exterior. Desde que se mudou para Austin para mitigar a dor dos passados erros trágicos, Paris leva uma vida solitária, ganhando vida apenas quando apresenta o seu programa. Para os ouvintes fiéis, é uma amiga sensata e de confiança, que não só acede aos seus pedidos de música, como ouve também os seus problemas e, ocasionalmente, dá conselhos. O mundo de isolamento de Paris é, porém, gravemente ameaçado quando um ouvinte - um homem que se identifica apenas como «Valentino» - lhe diz que os conselhos que deu à mulher que ele ama a levaram a abandoná-lo e que agora ele próprio pretende vingar-se. Primeiro, planeia matar a rapariga, que já raptou, dali a 72 horas, e a seguir virá atrás de Paris.

A MINHA OPINIÃO:

Uma Voz na Noite já estava na minha estante há algum tempo e nunca me senti tentada a lê-lo. Acho que o li na altura certa. Foi uma leitura voraz!O enredo contribuiu muito para esta velocidade de leitura. Sandra Brown enlaçou-me numa história com um toque de policial e de suspense que se mantém até ao fim. A autora é muito astuta fazendo surgir vários suspeitos, todos com fortes motivos para perpetuarem os crimes do misterioso e sádico Valentino. Comecei a suspeitar de todos e de tudo o que se mexia!!! E quando o segredo é revelado, fiquei atónita! A razão para tanta monstruosidade também é a estupefacção total!  Contudo, este  é um policial algo romanceado pois, Paris, a protagonista tem um passado trágico que pode ou não estar envolvido com Valentino. Dean Malloy é um dos polícias encarregados do caso e também  tem "esqueletos no armário". Valentino aproveita-se das suas fraquezas e ganha terreno. E nesta corrida alucinante,o tempo é uma preciosidade! O prólogo marca logo o ritmo vertiginoso que se seguirá... Arrebatou-me de imediato e as páginas fluíram levemente e sem restrições. A culpa é do telefonema que baralha e aterroriza Paris! Existe algo mais assustador do que alguém estranho entrar nos nossos domínios que julgamos sagrados e invioláveis? A sensação de estar encurralada não é propriamente a mais das saudáveis das sensações. Um bom thriller muito bem orquestrado pela escritora que transmite muito bem o sufoco de Paris, da rapariga desaparecida e a angústia em encontrar o culpado. Não é tão negro como alguns policiais por aí publicados, mas ainda assim uma boa leitura! O livro peca em algumas traduções de expressões americanas que me fizeram confusão como cowboy para cobói e, por trocar o nome de uma das personagens algumas vezes: ora era Miriam, ora era Marian.


4.5/7- MUITO BOM