terça-feira, 8 de março de 2011

A Filha da Floresta de Juliet Marillier


"Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda. Quanto o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis amados irmãos.
O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. Os invasores de fora da floresta, os salteadores do outro lado do mar, os Bretões e os Viquingues, estão todos decididos a destruir o idílico paraíso. Mas o mais urgente para os guardiães é aniquilar o traidor que se introduziu dentro do domínio: Lady Oonagh, uma feiticeira, bela como o dia, mas com um coração negro como a noite. Oonagh conquista Lorde Colum com os seus sedutores estratagemas; mas não consegue encantar a prudente Sorcha. Frustrada por não conseguir destruir a família, Oonagh aprisiona os irmãos num feitiço que só Sorcha pode quebrar. Se falhar, continuarão encantados e morrerão!
Então os salteadores chegam e Sorcha é capturada, quando está apenas a meio da sua tarefa... Em breve vai ver-se dividida entre o seu dever, que lhe impõe que quebre o encantamento, e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou."

A MINHA OPINIÃO:

A Filha da Floresta é um livro fabuloso!!! Precisava de voltar a ler Juliet Marillier... precisava de saborear mais uma vez a sua magnífica capacidade de fundir a emoção com a escrita fantástica. Depois das Crónicas de Bridei, uma trilogia que terá sempre lugar no meu coração, A Filha da Floresta foi um início muito prometedor para Sevenwaters. Os factos são narrados pela protagonista, Sorcha, uma personagem admirável que confere uma emotividade quase palpável e uma presença marcante ao longo de todo o livro. Colocar a personagem principal como narradora pode ser desastroso (já fui testemunha disso muitas vezes!) contudo, Marillier é hábil nesta arte e, eu não consegui resistir ao pessimismo que me envolvia quando as coisas corriam mal, ou à onda de alegria que surgia sempre, quando Sorcha vencia mais um obstáculo terrível. Ela foi o fio condutor da história que me impeliu a continuar madrugada adentro. Parar de ler era impensável!!! Esta história é uma lenda tirada da fértil imaginação da autora: existe uma feiticeira má; uma heroína que, valentemente, ultrapassa a dor e o sofrimento das provas que lhe são impostas;e um amor tão belo quanto impossível! Lady Oonagh é uma bela mulher que seduz o pai de Sorcha, Lord Collum, viúvo desde a morte da sua primeira esposa e mãe dos seus sete filhos. Logo, Sorcha têm seis irmãos protectores: Liam, Diarmid, Connor e Cormack, os gémeos, Finbar e Padriac. Quando a maldição de madrasta cai sobre os seus irmãos, os papéis invertem-se: ela é que terá de lutar por eles, pela sua liberdade e pela deles. Em silêncio, ela terá de sofrer os maiores horrores enquanto trabalha para quebrar o feitiço que os aprisiona. Todavia, as Criaturas Encantadas que regem Sevenwaters encarregam-se de a aproximar a um bretão, um inimigo aparente. Red é um homem de grande carácter que atravessa o caminho da jovem rapariga. É uma história de amor belíssima e nada convencional que nos obriga a virar página após página em busca do momento da descoberta, daquele instante de claridade que indica a Sorcha que ela o ama. E esse instante tal como o final do livro é brilhante! Tão brilhante e pejado de sentimento que me fez cerrar os dedos e aguardar desesperadamente por uma centelha de esperança. Só não gritei com as personagens porque era tarde (muito tarde!) e ainda acordava alguém!:P Apesar de conservar no meu coração com carinho: Bridei, Tuala e Faolan, Sevenwaters está ganhar o seu merecido espaço e não está a forçar a entrada! O Filho das Sombras, o segundo volume já está na minha cabeceira e adivinham-se mais umas noites em claro! E não é preciso ter a Visão como Finbar para prever isso!

6/7- EXCELENTE

domingo, 6 de março de 2011

Jardim de Alfazema de Jude Deveraux


Jocelyne Minton é uma mulher dividida entre dois mundos. A mãe estudou em colégios particulares e frequentava as melhores salas de chá, mas acabou por casar com o biscateiro local.

Joce tinha apenas cinco anos quando a mãe morreu e, quando o pai volta a casar, a criança sente-se mais só do que nunca - até que conhece Edilean Harcourt que, apesar de já não ser uma jovem, compreende Joce melhor que ninguém.

Quando Miss Edi morre, deixa à amiga todos os seus bens, incluindo uma histórica mansão do século XVIII e uma carta com pistas para a jovem decifrar um mistério que remonta a 1941. Na carta, Miss Edi também revela que encontrou o homem perfeito para Joce, um jovem advogado. Joce fica chocada ao saber que a mansão e o futuro amor da sua vida se encontram em Edilean, de que nunca ouvira falar. Curiosa perante esta reviravolta do destino, Joce muda-se para a pequena cidade , decidida a dar um novo rumo à sua vida.

Em Edilean, todos conhecem a história da jovem e já delinearam o seu futuro, incluindo o homem com quem se deverá casar. Acontece, porém, que Joce tem as suas próprias ideias acerca do homem que terá de conquistar o seu coração e o que fazer aos segredos que ninguém quer ver divulgados. Mas, quando estes lhe revelam parte da sua história, o certo é que a vida parece ganhar uma nova cor…

Em Jardim de Alfazema, Jude Deveraux retrata as paixões, as intrigas e os segredos de uma pequena cidade e dá início a uma extraordinária série centrada em Edilean.

A MINHA OPINIÃO:

Jardim de Alfazema é um livro com histórias simples mas deliciosas... Jude Deveraux plantou umas sementes de mistério, alfazema e um toque de amor e de guerra e voilá uma leitura fresca e agradavelmente cativante! A protagonista, Jocelyn perdeu a mãe muito nova e o seu pai casou novamente. Com duas meias irmãs supérfluas e uma madrasta nada interessada na sua educação, Joce é salva pela misteriosa Miss Edi, uma mulher lindíssima com um coração de ouro porém, marcada pelas feridas terríveis deixadas pela Grande Guerra. Quando Edi morre deixa a Joce uma velha mansão numa cidadezinha onde todos se conhecem. E nesta cidade, segundo o testamento da velha senhora, está o homem dos sonhos de Jocelyn. Os habitantes de Edilean, a cidade, são personagens fantásticas, cada um à sua maneira. Jude Deveraux é uma excelente contadora de histórias e não faltam: o amor, o humor, a tragédia e os segredos para tornar o livro mais apetitoso... Além de Joce, também conheci melhor Miss Edi, em retroespectiva. Edi e David, o seu amor, são um dos casais mais bonitos da obra porque, a sua relação amor-ódio é muito apaixonante. Para mim, o florescer da sua paixão e as constantes picardias foram um dos pontos altos. E claro, os habitantes de Edilean com aquela mania de se meter na vida dos outros. Mas, são uns intrometidos adoráveis e hilariantes! Uma leitura que faz lembrar o Verão pela sua vivacidade, cor e aroma a alfazema!

4/7- BOM

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os Pecados da Rainha Santa Isabel de António Cândido Franco



Um romance em torno da vida de Isabel de Aragão, sexta rainha de Portugal, que dá voz a alguns aspectos relevantes da figura que até aqui têm ficado na sombra.
— Era filha de Pedro III, excomungado pelo papa Martinho IV;
— Era neta do gibelino Manfredo, morto em batalha campal contra a hoste do papa;
— Esteve envolvida em Portugal em lutas acesas com o clero rico e instalado, em primeiro lugar o de Santa Cruz de Coimbra;
— Teve relações estreitas com um herético como Arnaldo de Vilanova;
— Fundou em Alenquer as festas do Espírito Santo (ainda hoje vivas nos Açores), de inspiração joaquimita e heterodoxa.
Daí os pecados de Isabel de Aragão. Estes são hoje um estrato soterrado por muitos esquecimentos e apagamentos voluntários; ainda assim, com o afinco da leitura e a arte da construção, é possível pô-los a descoberto. É essa, a par do seu valor literário, uma das grandes virtudes deste romance...



A MINHA OPINIÃO:

Os Pecados da Rainha Santa Isabel é um livro perfeito para amantes da História real europeia. Em torno de uma princesa de Aragão e uma Rainha de Portugal, várias personagens desfilam entre elas,D.Dinis, de quem gostei particularmente. A história de Isabel começa muito antes de ela ter nascido: António Franco traz ao leitor as vidas dos seus avós, pais, irmãos e, finalmente, a da pequena Isabel. A princesa recebeu o seu nome de sua tia, Isabel da Hungria, famosa pela sua santidade. A Rosa de Aragão, como lhe chamava o avô, foi prometida ao jovem rei português e este acordo selou o seu destino. Aclamada pelo povo e procurada pelos doentes, o carácter dócil da rainha granjeou-lhe popularidade e carinho dos seus súbditos . Mas, Isabel e Dinis nem sempre se entendiam. O célebre momento em que Dinis pergunta à mulher o que ela traz no regaço e esta abre-o, caindo rosas perfumadas em pleno Inverno, é belíssimamente descrito. O linguarejar da época e a poesia das suas páginas apaixonam... lê-se calmamente, saboreando cada momento, revivendo vidas e épocas passadas! Por vezes, o livro arrasta-se um pouco e os detalhes históricos que o tornam tão rico podem enfadar os menos apreciadores... Eu, como confessa, amante de romance histórico, posso dizer que adorei!

5/7- MUITO BOM

PS: Obrigada Segredo dos Livros!

Divulgação-Donzela Sagrada- O Segredo de Thunderland de Diana Tavares



Chegou a hora…


Hana Warren, uma rapariga do nosso mundo, festeja o seu 14º aniversário com a sua família. Depois do aparecimento da Aurora Boreal no céu, Hana é transportada para outro mundo, um mundo onde a mitologia é a realidade.

Neste mundo, Hana descobre que é a Horae Justiceira, uma guerreira dos deuses, destinada a combater as criaturas das trevas e a proteger ambos os mundos.

Juntamente com Prue Geller, a Horae Discípula, Hana inicia uma viagem pelo misterioso reino de Thunderland, procurando uma forma de cumprir o seu destino e voltar para o seu mundo.

Mas Thunderland tem um segredo sombrio que pode destruir todos os mundos…e que mudará a vida de Hana para sempre.



email - horaediana@gmail.com ( este é o email por onde podem pedir um exemplar autografado)
preço - 15 euros.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O John Lennon nunca morreu de Catarina Coelho-Divulgação



"John Lennon Nunca Morreu e outros contos fantásticos" é uma obra da autoria de Catarina Coelho cuja publicação ficou a cargo da Chiado Editora.

Texto da contra-capa do livro:


John Lennon nunca morreu - A história de um fã entusiástico dos Beatles, que não se conforma com a grande perda sofrida pela música com a morte de John Lennon e decide fazer alguma coisa quanto a isso.

A Troca - Stella e Charlotte vivem perto de uma floresta ancestral. Nela, existem forças que reinam soberanas. E desafiá-las pode ter consequências inesperadas…

Pequenos demónios - Após anos de ausência, a protagonista deste conto regressa à casa onde cresceu e descobre como o passado, que julgava completamente morto e enterrado, pode tornar-se assustadoramente vivo e presente.

O Sacrifício - Um monge cristão chega a um território onde a fé é a dos velhos deuses e o choque com a nova crença é inevitável. Quando o amor acontece e ameaça abalar a velha ordem, homens e deuses vêem-se envolvidos numa disputa cujo preço pode ser demasiado alto…

E nada mais importa - Mesmo quando o coração se julga nulo e insignificante, o bem que fazemos pode dar sentido a toda uma vida e um simples gesto de caridade pode fazer toda a diferença...

Espelhos - Elizabeth odeia a hipocrisia que reina entre os convidados para o baile de Whitestone, a forma como escondem entre sorrisos e cortesias os seus maiores defeitos. Mas, um dia, será ela a organizadora desse baile e decidirá preparar para os seus convidados uma surpresa que eles nunca esquecerão…

Espírito da Natureza - Em Green Oaks, celebra-se a festa das colheitas, junto do castelo do senhor daqueles domínios. Mas os festejos são perturbados por um acontecimento misterioso, que abalará a paz daquela terra e fará a comunidade perceber que há forças maiores em jogo…

Podem encontrar mais informação no blog dedicado à obra: AQUI!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A Ilha dos Encantos de Mary Nickson


Feito de histórias de afecto, recordações, esperança no futuro e acertos de contas com o passado, A Ilha dos Encantos tem como protagonistas Victoria, órfã desde os seis anos, e Evanthi, sua avó e dona da casa veneziana onde Victoria passava as suas férias, até casar com Richard.
Com a repentina e inesperada morte do marido, e mergulhada numa profunda depressão, Victoria decide abandonar a localidade onde vive, e refugiar-se na saudosa casa veneziana da avó. Aí, na idílica ilha do mediterrâneo, Victoria parece ter encontrado forças para superar a dor do luto e refazer a sua vida. Mas para enfrentar o futuro é preciso averiguar a verdade sobre o passado…
Ambientado num mediterrâneo intocado, na essência da alma grega e ao estilo das grandes sagas familiares, A Ilha dos Encantos é um romance escrito de forma notável e com desmedida sensibilidade.

A MINHA OPINIÃO:

A Ilha dos Encantos é uma viagem maravilhosa à ilha de Corfu na Grécia! A magnífica casa veneziana de Vrahos é testemunha de um amor que foi e de um amor que será. São duas histórias belíssimas completadas pelas inesquecíves paisagens, tão brilhantemente descritas pela autora. Além do amor, Mary Nickson aborda também a perda, o luto e a verdade. Como lidar com uma verdade devastadora que põe em dúvida anos de relação? Victoria é uma mulher recém-viúva com um filho pequeno que tenta ultrapassar a morte do marido e, enfrentar uma mentira, ou melhor, uma omissão que a leva a pôr em causa tudo o que fez até agora. Corre para o seu refúgio de infância, os braços de sua avó, Evanthi. E na Grécia, em trabalho, também está Patrick Hammond. Pai de três filhos e com um casamento prestes a se despedaçar, Patrick não esperava reencontrar o amor tão cedo. Victoria e Patrick também partilham um passado que ambos desconhecem. É um livro com uma escrita agradável, romântico, sem cair no ridículo e realista, na medida em que foca a família e não só os amantes e a transformação que nela tem de ocorrer face a uma nova situação. Os filhos que ficam divididos pelo divórcio dos pais, um filho que recusa a "substituição" da figura paterna, a obsessão e possessividade que se confunde com amor e o poder da escolha são temáticas abordadas. Apesar das 500 e poucas páginas, é fluido e, quando o abria, regressava sempre aquela ilha idílica que tanto me fascinou. Contudo, o maior defeito ou a maior virtude (depende do ponto de vista) desta obra é a sua previsibilidade. Alguns destinos são fáceis de decifrar; todavia, não tira o encanto ao livro.

4.5/7 -BOM*

PS:Obrigada Segredo dos Livros!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A História mais Bela do mundo de Rudyard Kipling



Por vezes restringida ao Livro da Selva e a contos humorísticos que escrevia para os filhos, a obra de Rudyard Kipling, autor galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1907, é em grande medida desconhecida. Em particular, o considerável corpus de contos e romances nos quais o seu espírito curioso, fazendo jus ao humor inglês, é certeiro.

N’ A História Mais Bela do Mundo, Kipling leva a crer que a inspiração surge dos detalhes mais prosaicos que só o artista pode transcender, que só várias coincidências e contingências dão azo a uma obra de arte e que a arte sublima o real e o maravilhoso ombreia com a ciência.


A MINHA OPINIÃO:

A História mais Bela do mundo é um livro que contêm dois contos:Através das Ondas e um conto homónimo. Contos não são das minhas "peças" literárias favoritas. Ao longo dos anos, tive várias decepções, que fazem com que eu os encare com algum receio. Estes, por Kipling foram uma boa surpresa! Na minha opinião, não são excepcionais todavia, são bem construídos, com personagens minimamente cativantes e com histórias inovadoras. Gostei particularmente de Charlie, do primeiro conto. A sua prodigiosa imaginação, a sua ingenuidade e a sua maneira inocente de ver mundo estabeleceram comigo um laço muito forte!... Se bem que, o final deste primeiro conto me desapontou um bocadinho, esperava um pouco mais. Porém, no geral, são leituras bastante agradáveis com deliciosos pormenores e, que me manteram agarrada a narrativa. Gostei imenso e foram, indubitavelmente, um passo à frente na minha reconciliação com este género literário.

4/7- BOM

PS: Obrigada Segredo dos Livros!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Queda de Albert Camus



«Posso oferecer-lhe os meus serviços, meu caro senhor, sem me tornar importuno? Receio que não saiba fazer-se entender pelo respeitável gorila que reside aos destinos deste estabelecimento». É assim, desta forma quase casual, que se inicia A Queda, porventura a mais fascinante narrativa de Albert Camus, uma espécie de viagem ao fim da noite das infâmias da espécie humana. Um homem, que se assume como juiz-penitente, comenta para um ouvinte que se adivinha simultaneamente perplexo e arrebatado as várias histórias exemplares que para ele representam o cardápio desesperante das pequenas fraquezas e dos grandes crimes. «Quando não se tem carácter, é preciso recorrer a um método.» Esta frase dá o tom do livro…

A MINHA OPINIÃO:

A Queda é um livro enorme na sua pequenez!Apesar das suas poucas páginas, é repleto de grandes frases e de grandes pensamentos... Foi a minha primeira incursão ao mundo de Camus e, não podia ficar mais impressionada! Não foi fácil embrenhar-me numa escrita tão própria, tão única e mais do que isso, ser assaltada pelas interrogações e afirmações polémicas e sinceras do protagonista. Ele questionou meu intelecto, a minha razão e detonou todos os dogmas. É também misterioso e intrigante nas suas ilações. Parece que lhe apraz o desafio de nos fazer pensar sobre o que fizemos, o que fazemos ou o que iremos fazer. Albert Camus cria uma obra pequena mas se lê vagarosamente, como se fosse um livro de muitas páginas. Cada frase, cada parágrafo é uma questão, um momento de reflexão e um deleite! Não é simples, nem linear, nem algo "comestível". É de paladar requintado e soberbo. Repito o que disse... é um livro pequeno porém, monstruosamente bestial! Tomara a muitos livros ditos grandes terem a essência que este tem!

EXCERTO:

"A única defesa está na maldade. As pessoas apressam-se, então, a julgar para elas próprias não serem julgadas. Que quer? A ideia mais natural para homem, que lhe surge ingenuamente, como do fundo da natureza, é a ideia da sua inocência."

7/7- OBRA- PRIMA

PS:Obrigada André pelo empréstimo!:)

De volta aos Devaneios...

Depois de semanas encafuada a estudar e, sem tempo para as minhas leituras ou para as minhas opiniões, estou de volta.:)
Nos próximos dias, os Devaneios serão actualizados. Novas opiniões surgirão neste humilde cantinho!;)
Espero que a época de exames dos meus seguidores estudantes tenha corrido bem e, para aqueles que estão a iniciar um novo semestre, muita sorte!!!
Para os que não são estudantes, muita sorte e muito sucesso também ;).
Bjokas*
Jojo

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Rainha dos Malditos II de Anne Rice



Após ter despertado Akasha, a mãe de todos os vampiros, do seu sono de seis mil anos, Lestat ignora que corre perigo e que, num concerto em São Francisco, há entre os fãs centenas de vampiros dispostos a destruí-lo por ele ter revelado a condição dos seus semelhantes.
Um misterioso sonho é partilhado por um grupo de homens e vampiros. Quando todos se aproximam, o sonho torna-se mais claro e tudo aponta para uma tragédia indescritível.

Este é o segundo volume d’ A Rainha dos Malditos, a continuação de Entrevista com o Vampiro e d’ O Vampiro Lestat.


A MINHA OPINIÃO:

A Rainha dos Malditos reergueu-se mais uma vez! Depois de uma primeira parte algo morna, eis que este volume vem repor a acção que faltou ao primeiro volume dando brilhantismo a esta obra de Anne Rice. Às vezes, repartir uma obra original em dois pode retirar prazer à leitura e, para mim, este foi um destes casos. Neste livro, seguimos Lestat, depois dos acontecimentos da obra anterior. É levado por Akasha, mãe de todos vampiros, como seu rei consorte. Ela ama-o e, vê-o como parte integrante do seu plano ambicioso e diabólico de ascender ao estatuto de divindade única para humanos e vampiros. Contudo, a rainha terá uma forte oposição dos seus próprios descendentes. A verdadeira origem dos vampiros é contada e a lenda das gêmeas, Maharet e Mekare, que tinha sido apenas referenciada no primeiro volume, é-nos contada. Uma história fantástica e soberbamente embalada pela arte de Anne Rice. Aqui nesta obra, desaguam todos os caminhos delineados nas primeiras páginas. A subtileza, a crueldade, a complexidade, a sensualidade das personagens são viciantes. Anne Rice traz uma mística especial a estes vampiros, que não se esquece, pelo contrário, aumenta o nosso desejo por novas aventuras. Um livro delicioso que irá deleitar os amantes do mundo "vampiresco". Aliás, toda a saga é recomendada... simplesmente brilhante!

6/7- EXCELENTE

PS: Obrigada Segredo dos Livros!

sábado, 15 de janeiro de 2011

O Despertar da Magia ( Crónicas de Gelo e Fogo IV) de George R.R Martin


Quarto volume de As Crónicas de Gelo e Fogo, a saga de fantasia mais vendida, elogiada e premiada dos últimos 50 anos, e a única obra de fantasia a conseguir o primeiro lugar do Top do New York Times.
Esta é uma saga de grande fôlego, que vai buscar à realidade medieval a textura e o pormenor que conferem dimensão e crueza a um universo de fantasia tão bem construído que faz empalidecer a Terra Média de Tolkien. Martin é um especialista na manipulação
das expectativas dos leitores e, profundo conhecedor do género, não deixa de estender sucessivas armadilhas com as quais desarma os tropos que o leitor pensa reconhecer a cada página. O épico de fantasia que toda a Fantasia Épica gostava de ser.


A MINHA OPINIÃO:
O Despertar da Magia é a segunda parte do volume original Clash of Kings. Se A Fúria dos Reis, a primeira parte, foi brilhante, esta foi absolutamente e inacreditavelmente melhor! A guerra entre reis continua... e todos são peões e mestres neste jogo de poder. Porém, a magia chegou... Adormecida, ela despertou e irá apanhar os mais incautos de surpresa!Neste volume, houve mais: luta, sangue, premonição, vida, morte, traição, argúcia e sobretudo, mais das fenomenais personagens de GRRM! Foi um folhear de páginas frenético, queria mais e mais e embrenhei-me tanto na história que quase conseguia ouvir os gritos da guerra! Susti a respiração, o meu coração acelerou e fiquei intrigada. Em suma, fiquei à mercê da genialidade de Martin, mas também da sua crueldade e ousadia. Ninguém trata as personagens como George Martin! Nunca sabemos o que esperar ou que encontrar na página seguinte! Existem personagens que amamos e outras que amamos odiar e isto, sem nunca, nunca perder o interesse pois, de um momento para momento, elas mudam e ficamos boquiabertos com as suas atitudes! Continuo a adorar os Stark especialmente, Arya e Bran. Neste livro, Arya vê-se confrontada com decisões difíceis e Bran com a realidade de sonhos que ele julgava impossível. Sansa Stark está também a revelar-se e mal posso esperar, para saber o que o autor lhe reserva no futuro. Tyrion Lannister é bem, Tyrion Lannister! Com seu charme, inteligência, ele cativa o leitor e, apesar de, algumas decisões de moralidade dúbia, não consigo deixar de gostar dele. Sandor Clegane é daqueles personagens que me fascinam e, embora não tenha tido ainda um capítulo dedicado a ele, espero que isso aconteça em breve. E para lá da Muralha está Jon Snow, que cada vez me intriga mais com o seu misterioso nascimento e a sua luta para deixar a sua marca no mundo! Danaerys e a sua estadia na Casa dos Imorredouros foram dos capítulos mais misteriosos mas, ao mesmo tempo, mais reveladores, isto, assumindo que as conclusões que tirei sobre a profecia do princípe prometido são as correctas. Provavelmente, não... conhecendo George R.R Martin como conheço, ele vai tirar alguma da manga e fazer com que o meu queixo caia mais uma vez! Podia escrever um texto interminável com tudo o que adoro nas Crónicas, particularmente, neste livro. Teria só elogios e um rol quase infinito de personagens marcantes cada um à sua maneira! Esta saga está mais que aconselhada para amantes do fantástico ou, simplesmente, para amantes de excelentes histórias imbuídas numa vasta e magistral história!
7/7- OBRA PRIMA
MAIS UM TRAILER DA SÉRIE TELEVISIVA:

PS: A sinopse que encontrei para este livro diz o mundo criado por GRRM faz empalidecer a Terra Média. Não sei se concordo muito com essa afirmação! A Terra Média de Tolkien terá sempre um lugar muito especial no meu coração ;)... mas Westeros também. Não me obriguem a escolher entre eles!:p

Desafios para 2011...


Este post vem com alguns dias de atraso! Infelizmente, não tenho tido tempo para me dedicar devidamente aos Devaneios, pelo que, estes têm sido um pouco negligenciados... Mas, este novo post vem colocar as "contas em dia"! Este ano de 2011, resolvi aceitar o repto da Patrícia e da Elphaba e tentar ler 75 livros! Sim, o número elevado de livros não significa qualidade de leitura porém, se for cuidadosa e minuciosa na escolha, garanto quase de certeza, uma experiência fantástica ou, pelo menos, boa. Além deste desafio, vou tentar cumprir as seguintes resoluções:

1. Ler, pelo menos, 4 clássicos. Entre eles, vai figurar Pinóquio de Carlo Colodi ( edição de luxo) que está na estante.

2. Ler, pelo menos 3 nobéis da literatura.

3. Ler autores lusos, oriundos dos PALOP ou do Brasil

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Fúria de Reis (Crónicas de Gelo e Fogo III) de George R.R. Martin



Esta sinopse contém spoilers para quem ainda não leu os anteriores da saga. Quem não desejar spoilers, deve avançar para a opinião!!!
Quando um cometa vermelho surge nos céus de Westeros encontra os Sete Reinos em plena guerra civil. Os combates estendem-se pelas terras fluviais e os grandes exércitos dos Stark e dos Lannister preparam-se para o derradeiro embate.
No seu domínio insular, Stannis, irmão do falecido Rei Robert, luta por construir um exército que suporte a sua reivindicação ao trono e alia-se a uma misteriosa religião vinda do oriente. Mas não é o único, pois o seu irmão mais novo também se proclama rei, suportado por uma hoste que reúne quase todas as forças do sul. Para pior as coisas, nas Ilhas de Ferro, os Greyjoy planeiam a vingança contra aqueles que os humilharam dez anos atrás.
O Trono de Ferro é ocupado pelo caprichoso filho de Robert, Joffrey, mas quem de facto governa é a sua cruel e maquiavélica mãe. Com a afluência de refugiados e um fornecimento insuficiente de mantimentos, a cidade transformou-se num lugar perigoso, e a Corte aguarda com medo o momento em que os dois irmãos do falecido rei avancem contra ela. Mas quando finalmente o fazem, não é contra a cidade que investem...
O que os Sete Reinos não sabem é que nada disto se compara ao derradeiro perigo que se avizinha: no distante Leste, os dragões crescem em poder, e não faltará muito para que cheguem com fogo e morte!


A MINHA OPINIÃO:


A Fúria dos Reis é mais um livro das Crónicas de Gelo e Fogo de George R.R Martin. É mais uma história fabulosa, que não deixa quem o lê, indiferente! Reis batalham por tronos, justiça, vingança, poder, despeito e pela glória. Westeros está debaixo da espada, do Gelo e do manto da subtileza, da astúcia e da ambição. E do Leste, promete chegar em breve, o Fogo e do Norte, para lá da Muralha, os Outros. Mais uma vez, Martin constrói personagens completas, não há tonalidades brancas ou pretas, há, sim, uma coloração acinzentada, ou seja, todos lutam pelo que acham ser o melhor para si e para as suas pretensões. Uns são fiéis aos seus princípios morais, outros são felizes em encontrar desvios na sua moralidade! É um volume mais brando que os anteriores, com menos acção. Há mais esquemas, estratégias e conversas mas, não me interpretem mal, eu não me estou queixar. Foi a oportunidade perfeita para conhecer melhor alguns dos intervenientes e, procurar pistas para descortinar os segredos de outros. E nisto, George R.R. Martin é mestre! Genialmente, cria capítulos empolgantes dedicados a uma personagem contudo, nunca deixamos de estar a par da história geral. E como se fosse insuficiente ter tudo isto num livro, o autor acrescenta novos elementos: um fino nevoeiro mágico começa a surgir e, no horizonte, brotam novas figuras que só enriquecerão a trama. As minhas preferidas continuam a ser os herdeiros e as herdeiras da Casa Stark: Bran, que luta contra a sua deficiência aspirando ao título de cavaleiro todavia, parece-me a mim, que o futuro lhe reserva outros caminhos completamente distintos do que aqueles que ele imaginava; Arya, pela sua coragem e tenacidade face às adversidades; Sansa, por enfrentar os seus problemas com uma dignidade e bravura diferentes da irmã; Jon Snow, porque engrandece à medida que o tempo passa, buscando a glória e a honra nos lugares mais insólitos; Robb, está muito distante neste volume, esperava um pouco mais e, Rickon é tão pequenino e selvagem que, não sei bem o que pensar. Catelyn Stark também me impressionou embora, continue a não ser das minhas personagens favoritas. Daenerys Targaryen, já não é a menina assustada e temerosa. Assim como os seus dragões, ela cresce e cimenta o seu lugar como uma das personagens favoritas. Na Casa Lannister: Cersei é uma figura intrigante e dá um novo significado à expressão "rainha má"; Joffrey é simplesmente desprezível, mimado e sanguinário; Tyrion é espectacular, só é pequeno em tamanho, as suas artimanhas são uma delícia para o leitor, um personagem fenomenal. Theon Greyjoy e Asha também se revelaram cativantes e aguardo mais picardias e uma maior evolução no futuro. Não posso deixar de referenciar a entrada de Brienne de Tarth, mulher que triunfa no campo dos homens e que põe, acima de tudo, a sua lealdade. George R.R Martin maravilha e não desilude, pelo contrário, aguça o apetite para os volumes seguintes. Mostra o lado mais negro da suas criações e recorre ao inesperado para envolver o leitor na sua trama. O final deste livro é de espantar! Fiquei boquiaberta! Julguei que já estava minimamente preparada para as surpresas e reviravoltas de Martin mas, enganei-me redondamente!A sua imprevisibilidade faz-me gostar ainda mais destas Crónicas... perco-me na sua imensidão e, quando caio em mim, já vou no fim do capítulo ansiando por mais... Mais uma obra brilhante de fantasia que corresponde só à primeira parte do volume original... Excusado será dizer que eu já vou a meio da segunda parte, O Despertar da Magia:)... As Crónicas de Gelo e Fogo são cada vez mais viciantes e irresistíveis!!!
6/7- EXCELENTE
TEASER DA SÉRIE:
A série estreará em Abril e consta que o próprio George R.R Martin escreveu o argumento de alguns episódios. Podem encontrar mais informação nos seguintes blogs:
Game of Thrones Portugal ( blog português dedicado à série que está excelente)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Uma Luz na Escuridão de Catherine Anderson



Poucos autores escrevem histórias comoventes e de inesgotável ternura como Catherine Andersen.As suas personagens partilham com o leitor a esperança de encontrar o amor perfeito de uma vida inteira.No intuito de por a salvo a sua vida e a do seu bebé, das mãos de um padrasto violento Maggie Stanley, arrisca tudo numa fuga desesperada passando de um perigo para outro ainda maior. Desde a trágica morte da mulher e dos filhos, Rafe tornou-se num pobre vagabundo que lentamente afoga as suas mágoas no álcool. Assim que conhece Maggie, Rafe pressente que vão envolver-se em problemas.

E quando Maggie é subitamente atacada por um grupo de vagabundos, Rafe, por compaixão, decide salvar a jovem mãe e o seu filho. Maggie está simultaneamente grata e preocupada com o seu novo protector. Na extrema solidão, na fase mais sombria que jamais viveu, a compaixão de um desconhecido, muito atraente mas pobre como ela, surge como uma luz na escuridão e proporciona-lhe o conforto e o carinho que sempre desejou e nunca teve. Rafe é bem mais do que aquilo que parece. É um homem enigmático e secreto, que poderia dar a Maggie o céu e a terra, não fora a circunstância de ter jurado a si próprio viver sozinho o resto da sua vida.Para sua surpresa, também Rafe descobre que pela primeira vez, desde há muito tempo, alguém necessita da sua ajuda e está determinado em não os desapontar. É que às vezes o amor surge sem aviso prévio e transforma o mundo mais frio e desapiedado num verdadeiro paraíso. E um homem a quem quase tudo foi roubado, uma mulher que perdeu até mesmo a capacidade de sonhar, e a criança desprotegida que de ambos necessita, podem tornar-se a mais improvável e a mais fabulosa das criações: uma família.

A MINHA OPINIÃO:

Às vezes, entre leituras mais pesadas apetece-me desanuviar um pouco e mergulhar num bom romance, daqueles previsíveis e com um final feliz. E para estas leituras, tenho algumas escritoras de eleição e uma delas é, indubitavelmente, Catherine Anderson. Esta autora tem a extraordinária capacidade de tornar as personagens arrebatadoras logo nas primeiras páginas. Apesar da simplicidade da escrita, é fácil constatar a intensidade das emoções de Maggie e Rafe, os protagonistas. Rafe é um homem que faz suspirar qualquer mulher, ou não fosse ele, um Kendrick! Ainda não me esqueci do outro elemento desta família,o Ryan, irmão de Rafe, do Amor à Primeira Vista. Os Kendrick tem algo de fascinante, um cavalheirismo que já não existe e, Rafe não é excepção. Maggie é adorável, inspira compaixão e respeito. Compadeci-me da sua história trágica e respeitei a sua coragem. Jamie é o bébé recém-nascido de Maggie que será o elo entre estas duas almas perdidas. É uma história linear sem espaços para grandes surpresas porém, é belíssima! É a história de um casal que, atormentado pelo passado, procura viver o presente lidando com os obstáculos do futuro. Foi uma leitura perfeita efectuada no melhor momento possível...

5/7- MUITO BOM

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