terça-feira, 12 de junho de 2012

O Beijo Encantado de Eloisa James

Forçada pela madrasta a ir a um baila, Kate conhece um príncipe... e decide que ele é tudo menos encantado. Segue-se um esgrimir de vontades, mas ambos sabem que a atracção irresistível que sentem um pelo outro não os levará a lado nenhum. Gabriel está prometido a outra mulher – uma princesa que o ajudará a alcançar as suas ambições implacáveis.
Gabriel gosta da noiva, o que é uma surpresa agradável, mas não a ama. Obviamente, deve cortejar a sua futura princesa, e não a beldade espirituosa e pobre que se recusa a mostrar-se embevecida.
Apesar das madrinhas e dos sapatinhos de cristal, este é um conto de fadas em que o destino conspira para destruir qualquer oportunidade de Kate e Gabriel poderem ser felizes para sempre.
A menos que um príncipe abdique de tudo o que o torna nobre...
A menos que o dote de um coração indisciplinado triunfe sobre uma fortuna...
A menos que um beijo encantado ao bater da meia-noite mude tudo.

A MINHA OPINIÃO:

Os romances de época não me têm agradado muito ultimamente. Eram leituras que apreciava por serem leves e com um final feliz. É certo que estes livros terão sempre uma grande previsibilidade quer seja no seu término quer seja na direcção da história porém, o desenrolar não é suposto ser igual a todos. Após algumas leituras decepcionantes neste género, O Beijo Encantado foi um alívio. Ele consegue original marcando a diferença por adulter um conto tradicional dando-lhe um ar mais moderno e em que a protagonista não é uma mulher indefesa e deprimente mas sim, inteligente, honesta e habituada a lutar pelo o que quer. Gabriel, o príncipe não é assim tão encantado. É emproado e habituado a ter tudo o que quer. Não é amor à primeira vista, é picardia ao primeiro olhar. As constantes quezílias e discussões dos dois tornam a relação mais credível e a química gradualmente mais intensa e electrizante. Eloisa James cria ainda personagens secundárias hilariantes como Henry, madrinha de Kate e tio maluco de Gabriel. O livro está polvilhado com humor e a inclusão de animais quer sejam cães ou leões é, indubitavelmente surpreendente e muito engraçado. A escritora brinca com as convenções do conto da Cinderela distorcendo-as, fazendo-as perder a infantilidade e e adequando-as à sua realidade mais madura. O Beijo Encantado foi uma leitura deliciosa e refrescante pois, já algum tempo que não li um romance de época tão bom.

4/7-BOM


PS: Obrigada C. pela prendinha!:)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Kafka à beira-mar de Haruki Murakami

Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa- procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima, como a do assassino, permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

A MINHA OPINIÃO:

Kafka à beira mar de Haruki Murakami é dos livros mais excêntricos que alguma vez li. É também um dos melhores! O escritor nipónico é perito em suscitar questões sobre o nosso propósito  de vida. O livro está cheio de enigmas mascarados de metáforas e de limites alquebrados. As definições são inexistentes e tudo o que julgamos verdadeiro é uma ilusão. A linha do tempo e a que separa a vida da morte é ténue. Tudo é uma caminhada para alcançar o seu "eu". De carácter filosófico e simbólico, Kafka à Beira Mar é estranho mas, ao mesmo tempo, familiar porque se compreendemos a jornada, não entendemos o seu alcance ou a sua natureza. E todas as personagens de Murakami têm uma natureza singular. São completamente distintas do que esperávamos. Não existe "vulgar" ou "banal" no vocabulário do autor. São metamorfoses constantes moldando-se às circunstâncias. No meio, desta estranheza surgem novos acontecimentos peculiares: humanos que falam com gatos, chuvas diluvianas de peixe, sombras incompletas e metades perdidas. É um livro que nos questiona  repetidamente e para encontrarmos todas respostas temos que penar bastante. Algumas questões ficam mesmo pela retórica e jamais serão respondidas porém, aí também reside algum encanto da história. Não há nada de trivial nesta obra de quase seiscentas páginas. Os destinos do jovem Kafka e do velho Nakata estão em rota de colisão, ou assim parece. Um resolverá o outro. Pelo caminho encontramos uma biblioteca belíssima, uma floresta labiríntica e pequenos prazeres de cultura geral que Murakami coloca nos diálogos das personagens: vários poetas, livros, valores tradicionais japoneses e grandes pensadores são mencionados. Brilhantemente, eles não estão lá por acaso. São pequenas ajudas ao leitor que procura ansiosamente conhecer o destino de Kafka e Nakata. É um livro com um início inesperado e um final surpreendente! A leitura não é fácil porque, apesar de ser voraz( no meu caso) não é desprovida de significado e cada página indaga quem a lê. É um livro sobre a eterna busca do "ser" ou do "eu" se preferimos.É uma história enigmática onde a fantasia, não racional, é essencial na construção da identidade da pessoa e no delinear do seu propósito de vida. Kafka à beira-mar não é para todos os paladares literários. Arrisco-me a dizer que é daqueles livros que se ama ou que se odeia! Para mim, foi enriquecedor e delicioso e, naqueles momentos após o final fui novamente assaltada por dúvidas e novos raciocínios surgiram como tentativas de explicação de alguns episódios. Um livro estonteante como só Murakami sabe fazer!

7/7-OBRA-PRIMA


PS: Obrigada N. pela magnifica prenda de Natal!:)

sábado, 2 de junho de 2012

Sangue-do-coração de Juliet Marillier

Uma floresta assombrada. Um castelo amaldiçoado. Uma jovem que foge do seu passado e um homem que é mais do que parece ser. Uma história de amor, traição e redenção...
Whistling Tor é um lugar de segredos, uma colina arborizada e misteriosa que alberga a fortaleza deteriorada de um chefe tribal cujo nome se pronuncia no distrito em tons de repulsa e de amargura. Há uma maldição que paira sobre a família de Anluan e o seu povo; os bosques escondem uma força perigosa que pronuncia desgraças a cada sussurro.
E, no entanto, a fortaleza abandonada é um porto seguro para Caitrin, a jovem escriba inquieta que foge dos seus próprios fantasmas. Apesar do temperamento de Anluan e dos misteriosos segredos guardados nos corredores escuros, este lugar há muito temido providencia o refúgio de que ela tanto precisa.
À medida que o tempo passa, Caitrin aprende que há mais por detrás do jovem desfeito e dos estranhos membros do seu lar do que ela pensava. Poderá ser apenas através do amor e da determinação dela que a maldição será desfeita e Anluan e a sua gente libertados.

A MINHA OPINIÃO:

Sangue-do-Coração é um livro enfeitiçante que invoca a nossa infância de contos-de-fadas de encantar, de belas princesas e de bruxas más. É uma versão mais madura da Bela e o Monstro de Marillier. Apesar de ter a essência do clássico, a história é grande por mérito próprio. A autora cria uma atmosfera mágica que lembra Jane Eyre ou mesmo O Monte dos Vendavais devido a Whistling Thor, a colina que sussurra, um lugar místico e tão antigo como tempos imemoriais. O enlevo de Marillier pelas histórias tradicionais é bem vísivel, nas pequenas homenagens que ela planta ao longo dos capítulos.Adorei a introdução dos espelhos, objectos que tantas vezes surgem nos contos como poderosos, visionários ou destruidores. Caitrin é uma protagonista típica da escritora. Ela suplanta os infortúnios do seu passado e atreve-se a mostrar o caminho da esperança a Anluan. Apesar de não ter a força e a atracção de Sorcha de A Filha da Floresta, Caitrin é voluntariosa e bondosa e é impossível não torcer por ela. Anluan, o chefe tribal é, para mim, a personagem mais marcante. É jovem mas, está acabrunhado pela responsabilidade e pela solidão. A sua transformação ao longo do livro, é notável. Juliet Marillier conseguiu mais uma vez que me emocionasse com a jornada das suas personagens e que eu lesse madrugada adentro em busca de respostas. Todavia, Sangue-do-Coração não é fenomenal como Sevenwaters ou As Crónicas de Bridei. Culpo a sua previsibilidade. O ambiente continua a ser mágico, a escrita apaixonante porém, o desenlace não teve nada de inesperado, que me surpreendesse, o que faz deste livro, uma leitura menor entre o panteão das obras de Marillier. Ainda assim, é a melhor reinvenção de A Bela e o Monstro que já li e a autora é suficientemente perspicaz para nos fazer meditar sobre o preconceito e a diferença!

5/7- MUITO BOM

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Devaneios à Solta...O Jogo de Anjo de Carlos Ruiz Záfon

Hommage à Pessoa, Largo de S.Carlos, Lisboa
(foto da minha autoria)


"Já nesse tempo, os meus únicos amigos eram feitos de papel e tinta.(…)Onde os meus colegas viam moscas de tinta em páginas incompreensíveis, via eu luz, ruas e gente. As palavras e o mistério da sua ciência oculta fascinavam-me e pareciam-me uma chave com a qual era possível abrir um mundo infinito e a salvo daquela casa, daquelas ruas e daqueles dias turvos, nos quais até eu conseguia intuir que me estava reservada numa escassa sorte."  página 46 in O Jogo do Anjo de Carlos Ruiz Záfon

O Lugar das Coisas de Miguel Almeida (Divulgação)


"Em O Lugar das Coisas cabemos todos, criados pela voz singular de Miguel Almeida, que nos recria até ao âmago da alma e onde, mais puros, perdemos a inocência. Um livro de poesia e de vida, de humanidade e mundanidade, que nos coloca no lugar e nos acorda dos autómatos em que nos tornámos." Luís Miguel Rocha Espaço de comunicação e comunhão, O Lugar das Coisas alimenta-se da palavra do que somos, como seres vocacionados para a alegria, o amor e a felicidade. Espaço de solução e consolação, O Lugar das Coisas é como um Sol no centro da vida, numa demanda de valor e sentido para existir e ser vivida.

Críticas:

“Em O Lugar das Coisas cabemos todos, criados pela voz singular de Miguel Almeida, que nos recria até ao âmago da alma e onde, mais puros, perdemos a inocência. Um livro de poesia e de vida, de humanidade e mundanidade, que nos coloca no lugar e nos acorda dos autómatos em que nos tornamos.” Luís Miguel Rocha

“Gosto muito da musicalidade — principalmente os cativantes ritmos — dos poemas de O Lugar das Coisas.” Richard Zimler 

Embarcados na barca das palavras


Se embarcamos na barca das palavras
E com isso, viajamos
Como quem navega, só por navegar
Nós podemos ser poetas,
Nós podemos estar a tentar ser poetas.


Se embarcamos na barca das palavras
E com isso, sonhamos
Como quem sonha, só por sonhar
Nós podemos ser poetas,
Nós podemos estar a tentar ser poetas.


Se embarcamos na barca das palavras
E com isso, vivemos
Como quem vive, só por viver
Nós podemos ser poetas,
Nós podemos estar a tentar ser poetas.


Se embarcamos na barca das palavras
E com isso, criamos
Como quem cria, só por criar
Nós podemos ser poetas,
Nós podemos estar a tentar ser poetas.


Miguel Almeida, “O Lugar das Coisas”, Esfera do Caos, 2012.

sábado, 19 de maio de 2012

A Trama da Estrela de Vasco Ricardo (Divulgação)


Enquanto uma negra conspiração se vai expandindo por algumas cidades europeias, três adolescentes divertem-se, navegando pela Internet, tentando decifrar mistérios e crimes até então irresolúveis.
Dana, Mark e Rohan são provenientes de nações distintas mas os seus interesses e suas motivações convergem. À medida que uma onda de crimes vai assolando o território do velho continente, os jovens vão interagindo através das comuns salas de chat, falando sobre um infindável número de temas.
O percurso das suas vidas toma, porém, um rumo diferente, acompanhado de estranhos acontecimentos que podem mudar os seus destinos.
Paralelamente, uma sociedade secreta, cujos elementos parecem tão competentes quanto obstinados, move-se de forma obscura e sanguinária, onde todos os seus passos são criteriosamente preparados, na tentativa de alcançar um marco até então inatingível.


Biografia:

Vasco Ricardo nasceu no ano de 1981, em França mas é em Portugal que gosta de estar. Nem sempre viveu em Famalicão; cresceu em Matosinhos e formou-se em Viana do Castelo. Pratica Aikido, uma arte marcial japonesa. Raramente se sente cansado, se bem que certas particularidades do quotidiano o vão arreliando. Acha piada a moralistas, principalmente os que são imorais. Ainda não descobriu a verdadeira razão pela qual sente vontade de escrever, mas jura que um dia o fará.

PVP: 14,50 €
Páginas: 240

Encontra-se para já à venda no site da editora, wook e bertrand on-line.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Prendinhas/ Novas Aquisições:)

No mês passado fiquei um ano mais velha. Já são 24! E como tenho família e amigos fantásticos recebi muitos livrinhos. Fiquei felicíssima já que, com os tempos que correm , adquirir um livro é muito difícil. O melhor é que como faço anos, perto da Feira do Livro e das inúmeras promoções de livrarias, ganhei muitos amigos para a estante porque pode se comprar dois pelo preço de um. Regalem os vossos olhos com estas fotografias!:)
Aqui também estão os livros que adquiri na Feira do Livro de Lisboa. Foram eles:

O Festim dos Corvos e o Mar de Ferro de George R.R Martin com oferta de O Mago de Feist;
O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler que era livro do dia;
Os Pilares da Terra II de Ken Follet;
Sensibilidade e Bom Senso de Jane Austen num alfarrabista
A Lenda de Sigurd e Gúdrun de J.R.R Tolkine na Hora H

Os da Colleen foram adquiridos: um num alfarrabista e outro em promoção. Também posso dizer que foram oferecidos pois, não fui eu que os paguei.

Os outros livrinhos ( tantos!) foram prendinhas de anos! xD Obrigada a todos que contribuíram para tornar este dia ainda mais especial. Na verdade, houve um dia em que encontrei vários embrulhos espalhados pela casa cheios de livros. Os tempos estão complicados porém, quem tem uma família e amigos fenomenais como estes ultrapassa tudo! Muito muito obrigada!

E vocês? Já leram algum? Contem-me...

O Jogo do Anjo de Carlos Ruiz Záfon


Na Barcelona turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais.
Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.

A MINHA OPINIÃO:

O Jogo do Anjo é o meu regresso às páginas mágicas e inebriantes de Carlos Ruiz Záfon. É uma espécie de prequela de A Sombra do Vento. A Livraria Sempere, o Cemitério dos Livros Esquecidos e o seu fiel guardião Isaac são as pontes para o passado e, mais uma vez, Záfon enaltece os livros, a sua beleza, fantasia e a sua habilidade fulcral de nos fazer viver outras vidas e experimentar novas emoções. A magistralidade do autor é tanta  que ele, Carlos Ruiz Záfon cria um livro absurdamente absorvente e inexplicavelmente maravilhoso. O protagonista, o escritor David Martín vive numa Barcelona mais sinistra e tenebrosa do que a Barcelona de A Sombra do Vento. O livro assimila este tom mais negro e sucedem-se uma série de acontecimentos bizarros que arrasta David para uma espiral de sanidade e de loucura. Magnificamente poético e tocante, O Jogo do Anjo é trepidante, arrepiante e enigmático. Os mistérios acumulam-se muito por culpa de Andreas Corelli, personagem tão indecifrável para David como para o leitor. Com o desenrolar da história, o ritmo do livro torna-se asfixiante e a angústia e a sofreguidão de Martín pela verdade toma proporções gigantescas assim como a nossa ansiedade e emoção ao ler as suas páginas. Záfon presenteia-nos com uma miscelânea de realidade e ficção pois, há episódios que jamais poderão acontecer na nossa  normalidade, que transcende qualquer género literário. Será fantasia ou um simples romance? De simples não tem nada. É enfeitiçante, chocante e electrizante! Um hino aos livros e à escrita, O Jogo do Anjo só peca pelo final muito bom mas, abrupto. A verdade é que tive de o ler várias vezes para o compreender e ainda hoje penso nele. Pergunto-me o que é o autor queria com este término... Todavia, aí também está a genialidade do livro, suscitar e fomentar debates acerca da história. É um livro cheio de ideias, de críticas veladas ao fanatismo da religião ou da política e que, por ser mais aberto a nível de interpretações, nem tudo é o que é, pode levar a que alguns leitores não o apreciem tanto. Sempre ouvi dizer que A Sombra do Vento era melhor que O Jogo do Anjo. Podem chamar-me amotinadora mas, para mim, este livro é tão bom quanto o anterior! E isto é um grande elogio...

7/7- OBRA-PRIMA


PS: Obrigada A. por esta prendinha de Natal!

domingo, 13 de maio de 2012

Os Apanhadores de Conchas de Rosamunde Pilcher


Penelope Keeling, filha de artista, é uma mulher suficientemente independente e activa para aceitar passivamente a velhice. 
Olha para trás e recorda a sua vida: uma infância boémia em Londres e em Cornwall, um casamento desastroso durante a guerra e o homem que ela verdadeiramente amou.
Teve três filhos e aprendeu a aceitar cada um deles com as suas alegrias e desilusões.
Quando descobre que o seu bem mais importante vale uma fortuna - Os Apanhadores de Conchas -, um quadro que o pai lhe deu de presente e pintado por ele próprio, é ela que passa a decidir e determinar se a sua família continuará a ser mesmo uma família ou se se fragmentará definitivamente.
Os Apanhadores de Conchas é o mais importante romance de Rosamunde Pilcher, confirmado pelas inúmeras semanas na lista dos best-sellers da revista americana Publishers Weekly e do The New York Times Book Review.

A MINHA OPINIÃO:

Os Apanhadores de Conchas foi uma leitura deliciosa!À superfície parece uma história simples mas, Rosamunde Pilcher disseca os sentimentos e as emoções subtilmente e quando damos por nós, estamos tão envolvidos nas vidas das personagens que não os queremos largar. O livro alterna entre várias épocas, evocando a nostalgia e a saudade de tempos idos e a esperança de tempos que virão. A autora põe a nu todas as disfunções e quezílias da família protagonista. As suas imperfeições, ambições e sonhos estão a descoberto e o leitor, como juiz e senhor deste tribunal condena e absolve os personagens. É fácil detestar ou simpatizar com as suas acções.Mas, isso não os torna maus. São simplesmente humanos. Através de Penelope, conhecemos Cornwall na altura da Segunda Guerra Mundial em que, os alimentos escasseavam e relações brotavam ou se degradavam. A guerra trazia mudanças: os maridos e os filhos partiam e só ficavam os que não podiam combater. Nada era seguro e, às vezes, o impulsivismo e a vontade sobreponha-se à razão. Na Londres actual, acompanhamos os filhos de Penelope e a jovem Antonia. Nancy e Noel foram os filhos que menos me agradaram com as suas atitudes no entanto, não consegui evitar sentir compaixão por eles. Olivia foi aquela que eu mais apreciei por causa da sua honestidade e frontalidade. Mas, foi Penelope, a mãe que me apaixonou. Ela é a atracção central do livro. A sua história marcada por segredos, amor, erros, desilusões e perdas é tão humana e tão bela!É uma vida cheia de acontecimentos marcantes que sentimos como se fosse nossa. A autora interliga-a com a Antonia e fecha-se um ciclo, um reencontro com o passado.A família são aqueles que amamos. É uma leitura ternurenta, verdadeiramente enriquecedora em valores e morais que faz com que desejemos viver na Inglaterra rural cercados por um jardim maravilhoso...

5/7- MUITO BOM

PS: Obrigada querida Fernanda por esta bela e inesperada surpresa!:)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Belladonna de Anne Bishop

Bem-vindos a Efémera, onde a terra se altera em resposta aos mais profundos desejos e medos dos seus habitantes. 

Há muito tempo, Efémera foi dividida em inúmeras paisagens mágicas ligadas somente por pontes. Pontes que podem levar quem as atravessa para onde realmente pertence e não ao local onde pretende chegar. Uma a uma, as paisagens de Efémera estão a cair na sombra. O Devorador do Mundo está a espalhar a sua influência, manchando as almas das pessoas com dúvida e medo, alimentando-se das suas emoções mais negras. A cada vitória o Devorador aproxima-se da conquista final. Apenas Glorianna Belladonna possui a habilidade de defraudar os planos do Devorador. Mas os seus poderes foram mal interpretados e incompreendidos. Determinada a proteger as terras sob o seu domínio, Glorianna defrontará o Devorador sozinha se assim estiver no seu destino.

A MINHA OPINIÃO:

Belladonna é o segundo volume do Mundo Efémera de Anne Bishop. Este é uma continuação digna de Sebastian! Efémera já não é tão bizarra e incompreensível. Após um encontro brusco com a imaginação de Bishop no primeiro volume, este foi uma leitura muito mais aprazível. Estranha-se mas, entranha-se! E questionar a originalidade da autora é totalmente descabido pois, é inegável o pormenor que ela incute ao mundo que ela criou do "nada". Glorianna já era das minhas personagens favoritas em Sebastian e neste livro, confirma a sua posição. Ela é uma interrogação! É poderosíssima e a única desafiadora do Ente, o Devorador do Mundo todavia, também tem uma faceta inocente que só revela entre a sua família.Michael, o Mágico que ela conhece no seu caminho e que lhe desperta sentimentos avassaladores foi uma personagem que me dividiu. A sua magia tão parecida com a da Paisagista e ao mesmo tempo, tão distinta é fascinante. Todavia, falta a Michael, um lado mais obscuro tão real como em Sebastian, o protagonista anterior.  Sebastian e o Provocador continuam iguais. Este último é hilariante! Fazendo jus ao seu nome, ele gosta de embaraçar os restantes com situações caricatas e diálogos altamente corrosivos e pouco castos! Caitlin, uma nova aquisição deste livro é também uma personagem intrigante semelhante a Glorianna mas, em busca de orientação e do seu lugar. O Ente é uma entidade fabulosa muito bem criada por Anne Bishop. A sua vilania é tão bem sucedida que sentimos a sua presença constante e ameaçadora. Belladonna é mais um testemunho da brilhante imaginação de Anne Bishop porém, ainda não arrebatou profundamente. Terei de apostar na sua obra mais conhecida, a trilogia das Jóias Negras para encontrar a razão para tanto elogio. Este é uma boa leitura fantástica mas, que perde vivacidade quando a autora e alonga em novas explicações sobre Efémera. De certo modo, é uma maneira de relembrar aos leitores o que leram em Sebastian no entanto, eu li os dois volumes quase de seguida e achei aquelas descrições repetitivas. Sebastian e Belladonna são livros para viajantes audazes que não têm medo de explorar e de criar." Viajem com leveza!"

4/7-BOM

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Olhos Brilhantes de Catherine Anderson

Zeke Coulter gostava de viver sozinho - ou pelo menos achava que gostava - até conhecer a sua vizinha, a atraente cantora Nathalie Patterson. Zeke tinha ido a casa de Nathalie para ter uma conversa séria sobre o filho dela, Chad, que tinha vandalizado o jardim e a casa nova de que Zeke tanto se orgulhava.
Na esperança de ensinar ao rapaz o que é a responsabilidade, Zeke insiste em que Chad trabalhe em sua casa para recuperar os danos. Nathalie e a sua filha Rosie querem ajudar igualmente para que Chad não falhe o acampamento de Verão. Nathalie, recentemente divorciada e lutando para sobreviver com os dois filhos, sabe que Chad está a atravessar uma fase difícil, mas não adivinhava que o tempo passado com Zeke era precisamente aquilo de que Chad necessitava.
Quando as obras acabam, Zeke dá por si numa casa imensamente vazia, mas ainda a tempo de tomar a decisão que pode mudar a sua vida.

A MINHA OPINIÃO:

Olhos Brilhantes era um livro que estava na minha estante há algum tempo porque simplesmente não tinha a mais pequena vontade de o ler. Catherine Anderson é uma escritora capaz de criar histórias envolventes e  muito agradáveis. Porém, já não me surpreende.  Ela cria uma história de amor resiliente e fiel que sobrevive a todas as contrariedades tornando-se ainda mais forte. Este livro não é excepção. Nathalie e Zeke são um casal adorável e os irmãos Coulter são sempre um conjunto muito atractivo e bem-humorado. O valor da família é mais uma vez omnipresente e de uma importância extrema. As personagens de Anderson tem sempre algo de vulnerável e Nathalie, Chad e até Zeke demonstram as suas fraquezas ao longo de todo o livro. Contudo, é na família e no amor que eles encontram força para continuar. Nem sempre é o sangue que determina quem nos quer ou nos ama... Chad e Zeke têm uma relação enternecedora apesar de não partilharem a mesma genética. Olhos Brilhantes foi um livro que me deu prazer a ler mesmo sabendo o que esperar. Na verdade, já algum tempo desejava uma leitura leve e despretensiosa sem grandes artifícios e, que se lesse rapidamente. Encontrei-o... todavia, exasperei-me com a personagem Rosie, a filha de quatro anos de Nathalie. É demasiado articulada e clarividente para uma menina daquela idade. Suponho que a autora queria que ela fosse o elemento mais inocente e, ao mesmo tempo, ligeiramente cómico da história. Para mim, não resultou. É demasiado inverossímil! Só se fosse uma criança prodígio... Concluindo, este livro é uma leitura feliz mas, nada de deslumbrante.

3.5/7- RAZOÁVEL**

terça-feira, 24 de abril de 2012

As Memórias de Cleópatra- A Filha de Ísis de Margaret George

A autora do best-seller mundial "A Paixão de Maria Madalena" está de volta com um convite irrecusável: a visita ao Antigo Egipto e à vida de Cleópatra, a rainha do Nilo. 

Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma. Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando História, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.

A MINHA OPINIÃO:

O Egipto é um país riquíssimo em segredos, mistérios e história. Não me recordo quando começou a minha paixão pela civilização egípcia mas, as pirâmides, a esfinge, Luxor e o rio Nilo sempre me intrigaram. A dinastia ptolemaica é, no entanto, a que menos me fascina. A sucessão de Ptolomeus e Cleópatras nunca me atraíram muito. Mas eis chega a Cleópatra das Cleópatras! Como é que uma mulher manteve César longe do Egipto? Foi com esta premissa que me lancei nesta leitura, mesmo sabendo que este livro não é propriamente, um relato fiel e histórico. Deparei-me com uma agradável surpresa! Margaret George tem descrições incrivelmente belas que são tesouros e catapultas para a imaginação do leitor. As ruas de Alexandria, os cheiros, o calor abrasador do deserto e a exuberante paleta de cores dos Triunfos romanos que ela nos presenteia são tão tangíveis que me deixaram extasiada. A perplexidade de César face à Esfinge e às pirâmides foi igual à minha ao constatar o quão detalhada Margaret George consegue ser e, em instante algum me senti exaurida. Muitos dos acontecimentos históricos narrados são sobejamente conhecidos: a morte de Pompeu e o primeiro encontro entre Júlio César e Cleópatra contudo, a escritora impõe ritmo e personalidade a personagens tão famosos quanto Marco António e Octávio. A escritora brinda-nos através do olhar de Cleópatra com Alexandria e Roma revestidas de majestade e esplendor. A mentalidade egípcia contrasta com a romana neste belíssimo livro! Porém, ter Cleópatra como narradora pode também ser tendencioso. Para autora significa que ela tem de estar em todos lugares e momentos, o que torna o final muito romanceado. Ver tudo na perspectiva da rainha egípcia é algo subliminar e quase que desejei a opinião de uma outra personagem. Ainda assim, A Filha de Ísis é uma leitura absorvente e uma viagem ímpar à época em que o império romano se erguia e o egípcio, orgulhoso do passado, definhava! Este livro é o primeiro de três volumes pelo que, ainda há muito a história a contar...

5**/7- MUITO BOM**

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sebastian de Anne Bishop

Anne Bishop está de volta com um novo mundo de fantasia e personagens fascinantes. Bem-vindos a Efémera... 
Bem-vindos a Efémera, onde a terra se altera em resposta aos mais profundos desejos e medos dos seus habitantes. Há muito tempo, Efémera foi dividida em inúmeras paisagens mágicas ligadas somente por pontes. Pontes que podem levar quem as atravessa para onde realmente pertence e não ao local onde pretende chegar. Numa dessas paisagens habitada por demónios e onde a noite impera, o meio-íncubo Sebastian delicia-se em prazeres obscuros. Contudo, aguarda-o um destino devastador. Uma aprendiza descuidada libertou um mal antigo que agora se agita - e o reino de Sebastian poderá ser o primeiro a sucumbir... Mas em sonhos, ela chama por ele: uma mulher que não deseja mais do que ser amada e sentir-se protegida - uma mulher pela qual ele anseia mas que sabe poder vir a destruí-la. Ela é Lynnea, e o seu improvável romance está no centro da batalha que se trava entre a luz e as trevas.

A MINHA OPINIÃO:

Sebastian é a minha estreia em Anne Bishop. É uma autora consagrada e conceituada do género fantástico pelo que, sempre tive alguma curiosidade em ler as suas páginas. A sua imaginação e originalidade é realmente inquestionável. O Mundo Efémera é tão estranho quanto cabal. Este mundo é muito improvável contudo, as descrições e a própria escrita de Bishop são habilidosas e conferem-lhe realismo e verosimilhança. Dentro de Efémera, existem várias Paisagens ligadas por pontes que respondem aos desejos do coração.  As Paisagistas são responsáveis por estes pequenos mundos e nenhuma é tão talentosa como Glorianna Belladona. Sebastian, personagem titular do livro é primo desta misteriosa mulher. Meio-demónio, ele resignou-se com a sua vida até ao dia em que percebe que a sua alma é incompleta. Apesar de Sebastian ser relativamente cativante devido à sua infância problemática e aos duelos que trava entre o que fazer e o que ser, Belladona é muito mais acirrante!  O seu grande dom é também a sua grande maldição! Glorianna é a única capaz de destruir o Ente ou o Devorador do Mundo. Este é mais uma personagem obscura de Bishop. Alimenta-se das fragilidades e dos conflitos e floresce sob o medo e o terror. O Ente poderia fazer ruir a grande história de Anne Bishop. Se não fosse tão bem construído como é, a sua presença seria obsoleta. Todavia, é tão horripilante que mesmo não estando presente, a sua ameaça é convincente. A escritora tem mérito e mestria porém, não me deslumbrou. Algumas personagens como Lynnea são pobres. Com o adjectivo pobres não quero de maneira nenhuma igualá-las a más! Simplesmente, achei-as pequenas comparativamente a Glorianna, ao Sebastian ou mesmo ao hilariante Provocador, amigo do protagonista. Lynnea pareceu-me demasiado idealista, utópica e sem chama. O livro também beneficiaria de um mapa para o leitor se orientar melhor em tantas Paisagens.
Sebastian pode não ser soberbo mas, é uma leitura singular cheia de sensualidade, humor e magia.

4.5/5-MUITO BOM

domingo, 8 de abril de 2012

domingo, 1 de abril de 2012

A Guerra dos Tronos regressa hoje...


Agarrem-se às cadeiras, aos sofás ( ou às cabeças!)! Nada é garantido, ao não ser o vício de domingo à noite. Estreia hoje na HBO.