A existência de F. Scott Fitzgerald coincide literáriamente com os dois
decénios que separam as duas guerras, repartindo-se entre a América onde
nasceu, numa pacata cidade do Middle West, no Minnesota, e a França,
onde viveu durante vários anos com a família. O seu nome evoca-nos uma
geração que associamos à lendária idade do jazz, vertiginosa e fútil.
Fitzgerald pertenceu a essa geração, foi um dos seus arautos. A sua vida
tão precocemente visitada pela fama, e tão cedo destruída, é a carne e o
sangue de que é feita a sua obra. O Grande Gatsby é o seu maior
romance, talvez porque nele se fundem com rara felicidade essa
matéria-prima, a sua própria experiência de vida, e uma linguagem de
grande qualidade poética.
A MINHA OPINIÃO:
O Grande Gatsby é um livro "dito" clássico que marcou a história da literatura de tal modo que, já foi, várias vezes, adaptado ao cinema e motivo de discussões e palestras por todo mundo. Com pouco de 100 páginas, é uma obra que me intrigava bastante.
É realmente um monumento à sociedade americana dos loucos anos 20! Fitzgerald traça um retrato perfeito de uma época marcada pela ostentação, pela especulação financeira, corrupção, consumismo e pela inovação industrial e tecnológica. As descrições do autor apontam para uma sociedade fútil e supérflua que vive para a adulação e o narcisismo. É apologista da liberdade porém, esquece-se que com esta também há deveres. Tudo é levado ao extremo como se a liberdade se pudesse esgotar. O mais fascinante deste quadro pintado por F. Scott Fitzgerald é que, apesar destes excessos todos os personagens procuram a felicidade, obtendo uma imagem muito deturpada dela. Jay Gatsby espelha exactamente, a fabricação de um sonho, a busca de uma ilusão e de uma Daisy que já não existe. Através do olhar de Nick, o narrador, Gatsby é a personificação do oco e do vazio. Estar rodeado de riqueza todavia, não poder ter aquilo que se realmente quer. Ele é uma personagem completa e dissecada pelo autor até à exaustão pelo que, sentimos o seu percurso com emoção e compaixão. Já Daisy, é intragável. É provável que este fosse o objectivo do escritor mas, torna insuperável cada momento que ela surge. Ela é uma personagem de carácter hediondo, um produto da sociedade oca que a rodeia.
A escrita de Fitzgerald é belíssima e o fim do livro é poderoso, cativando o leitor. Todavia, o início é moroso e as vibrantes descrições não compensam o défice de acção. Entende-se a importância do livro que retrata uma época com profundidade e detalhe mas, esperava algo mais.
4/7- BOM
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