segunda-feira, 19 de maio de 2014

O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald

A existência de F. Scott Fitzgerald coincide literáriamente com os dois decénios que separam as duas guerras, repartindo-se entre a América onde nasceu, numa pacata cidade do Middle West, no Minnesota, e a França, onde viveu durante vários anos com a família. O seu nome evoca-nos uma geração que associamos à lendária idade do jazz, vertiginosa e fútil. Fitzgerald pertenceu a essa geração, foi um dos seus arautos. A sua vida tão precocemente visitada pela fama, e tão cedo destruída, é a carne e o sangue de que é feita a sua obra. O Grande Gatsby é o seu maior romance, talvez porque nele se fundem com rara felicidade essa matéria-prima, a sua própria experiência de vida, e uma linguagem de grande qualidade poética.

A MINHA OPINIÃO:

O Grande Gatsby  é um livro "dito" clássico que marcou a história da literatura de tal modo que, já foi, várias vezes, adaptado ao cinema e motivo de discussões e palestras por todo mundo. Com pouco de 100 páginas, é uma obra que me intrigava bastante.
É realmente um monumento à sociedade americana dos loucos anos 20! Fitzgerald  traça um retrato perfeito de uma época marcada pela ostentação, pela especulação financeira, corrupção, consumismo e pela inovação industrial e tecnológica.  As descrições do autor apontam para uma sociedade fútil e supérflua que vive para a adulação e o narcisismo. É apologista da liberdade porém, esquece-se que com esta também há deveres. Tudo é levado ao extremo como se a liberdade se pudesse esgotar. O mais fascinante deste quadro pintado por F. Scott Fitzgerald é que, apesar destes excessos todos os personagens procuram a felicidade, obtendo uma imagem muito deturpada dela. Jay Gatsby espelha exactamente, a fabricação de um sonho, a busca de uma ilusão e de uma Daisy que já não existe. Através do olhar de Nick, o narrador, Gatsby é a personificação do oco e do vazio. Estar rodeado de riqueza todavia, não poder ter aquilo que se realmente quer. Ele é uma personagem completa e dissecada pelo autor até à exaustão pelo que, sentimos o seu percurso com emoção e compaixão. Já Daisy, é intragável. É provável que este fosse o objectivo do escritor mas, torna insuperável cada momento que ela surge. Ela é uma personagem de carácter hediondo, um produto da sociedade oca que a rodeia. 
A escrita de Fitzgerald é belíssima e o fim do livro é poderoso, cativando o leitor. Todavia, o início é moroso e as vibrantes descrições não compensam o défice de acção. Entende-se a importância do livro que retrata uma época com profundidade e detalhe mas, esperava algo mais.

4/7- BOM

TRAILER DO FILME:

 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman


Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afecta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral,  regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. Esta belíssima e inquietante fábula revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna. 

 A MINHA OPINIÃO:

Há livros que apesar de terem poucas páginas nos trazem uma imensidão de sentimentos e uma riqueza indescritível! Nesta categoria insere-se O Oceano no Fim do Caminho. Sempre me surpreendeu o modo como Neil Gaiman enlaça o ficcional com o real ao ponto de não haver distinção entre ambos. Aquele é o seu mundo, o nosso mundo e, por mais bizarro que soe um lago ser de facto, um oceano, nós acreditamos. Nunca sabemos o nome do protagonista mas isso, não impede a nossa ligação com ele e reconhecer a sua admiração por Lettie, a amiga que tem 11 anos há vários anos. 
É uma leitura fabulosa no verdadeiro sentido da palavra! A Terra poderia parar de girar e eu nunca o sentiria porque estava imersa nas suas páginas. Traz alegria, acaba com solidão e faz-nos temer pelos personagens como se fossem de carne e osso. E apesar de tudo ser estranho, tudo é belo! Remete-nos para infância onde o impossível era possível de alcançar. Gaiman é mestre a criar histórias raras onde se abrem portas no coração para outro mundo porém, nas suas fundações estão aquilo que nos torna humanos: o medo, o horror, a coragem, a amizade, o sacrifício, o amor e o sonhar além do que temos.
Com somente 200 páginas, O Oceano no Fim do Caminho é uma viagem memorável que me põe na rota de outros livros do autor.
Ele deixa-nos aquela sensação familiar de nostalgia pois, quando o acabamos queremos mais mesmo sabendo que, ele é perfeito assim mesmo! Adoraria reencontrar Lettie ou o pequeno rapazinho de sete anos feito homem todavia, conhecê-los já me trouxe muita felicidade...

6/7- EXCELENTE

domingo, 27 de abril de 2014

Um Estranho em Meus Braços de Lisa Kleypas

Lady Hawksworth, o seu marido não está morto…» Lara não podia acreditar no que estava a ouvir. O seu marido, desaparecido há um ano num naufrágio, com quem tinha vivido um casamento infeliz e desprovido de amor estava vivo e iria voltar para casa. Como era possível? Lara não conseguiu controlar a emoção quando reencontrou Hunter. O homem frio e cruel que lhe atormentou a vida e só lhe deu dor, vergonha e humilhação no leito matrimonial. Agora estava ali. Mais magro, com a pele mais escura, mais velho… mas sem dúvida que era Hunter. Aquele homem conhecia segredos que só o marido podia saber, tinha a sua fotografia guardada numa pequena caixa , a mesma que ela lhe dera há três anos quando Hunter partira para a Índia . Mas, ao mesmo tempo, era um homem assustadoramente diferente. Mais meigo, atencioso aos seus caprichos, decidido a reconquistar o seu amor, a fazê-la sentir-se uma mulher desejada e a esquecer as memórias tristes do passado. Mas será aquele homem realmente o seu marido ou um impostor em cujos braços Lara se entrega em busca da felicidade ? 

A MINHA OPINIÃO: 

Um Estranho em Meus Braços é o primeiro livro que leio de Lisa Kleypas. Considero-o um romance de época ou de cordel mas, mesmo assim esperava muito mais.
Como é que possível que o livro com uma sinopse tão cativante se torna numa das leituras mais aborrecidas deste ano? O livro é demasiado previsível e as personagens são ocas e dominadas pelo sentimento da luxúria o que raramente, faz uma boa história de amor. Sem os pequenos gestos de confiança, os olhares trocados e um diálogo com mais de três frases, no mínimo, soa tudo muito inverossímil. Após um passado terrível com este homem, que Lara julga ser o seu marido, ela apaixona-se por ele num ápice, o que é um absurdo. Hunter, o suposto marido, até estava ser interessante até meio do livro devido à sua aura de mistério porém, tornou-se tão obtuso quando os restantes quando o seu segredo é revelado. Não é nada de especial e já o tinha adivinhado muito antes do grande momento!A escrita de Kleypas é simples sem grandes floreados o que facilitaria uma leitura rápida mas, não tem nada de distinto. Humor? Sensualidade?
É um livro que entretém todavia, não tem profundidade ou a originalidade suficiente para se destacar dentro do manancial destes livros. 

2.5/7- RAZOÁVEL

sexta-feira, 18 de abril de 2014

TAG: Venha o Diabo e Escolha!


Esta TAG bastante original e diabólica foi criada pela Catarina do blogue e canal Little House of Books. Consiste em responder a várias perguntas com opções que são ambas terríveis.  Obrigada Catarina por me tagueares. Respondam em vídeo ou em post mas respondam!



As perguntas são:

1- Preferias só poderes ler um livro por ano e saberes que ias adorá-lo imenso ou leres vários e não gostares muito deles?
2- Preferias nunca poderes conhecer o teu autor(a) favorito/a ou nunca mais poderes ler mais livros do/a mesmo/a a partir deste momento?
3- Preferias ser obrigado a ver sempre os filmes antes de leres os livros ou nunca veres os filmes?
4- Preferias matar uma das tuas personagens favoritas de sempre ou deixar um dos piores vilões escapar impune?
5- Preferias ser um tributo nos Jogos da Fome ou que a pessoa mais importante para ti no mundo o fosse?
6- Preferias que a tua série favorita de sempre nunca tivesse existido ou que o/a autor(a) nunca a conseguisse acabar?
7- Preferias nunca ter conhecido esta comunidade literária na internet ou teres de deixar de fazer parte dela para sempre obrigatoriamente?
8- Preferias que um livro que encomendaste chegasse a tua casa numa edição super feia, mas em ótimas condições ou que chegasse a tua cada na edição que querias, mas toda estragada, sem puderes reclamar?
9- Preferias que os teus livros, por conta de uma tragédia, ardessem ou se afogassem?
10- Preferias rasgar a capa de um livro ou sujá-la com algo que não saia?

Vou taguear:

domingo, 13 de abril de 2014

O Deus do Rio de Wilbur Smith

Durante as celebrações em honra de Osíris, os súbditos leais do actual Faraó reúnem-se para prestar vassalagem ao seu senhor. Somente Taita - um escravo de superior inteligência, que será barbaramente punido nessa altura - o vê como um símbolo da decadência de um reino que já viveu tempos bem mais gloriosos. O perigo espreita todos quantos se opõem à nova elite dirigente. Mas, juntamente com a sua jovem ama Lostris e o seu amigo Tanus, Taita dá início a uma longa e arriscada empresa: a que lhe é traçada pelo sonho de restaurar a majestade do Faraó dos Faraós nas resplandecentes margens do Nilo. 
A MINHA OPINIÃO:

O Deus do Rio é um romance histórico que possui a habilidade fenomenal de nos transportar para uma época tão distante como o Antigo Egipto. Wilbur Smith apresenta descrições sublimes com pormenores tremendos que permitem ao leitor sentir, cheirar e deslumbrar-se com a opulência da corte egípcia ou com a beleza do rio Nilo. É inegável a atmosfera mágica que este livro carrega... O panteão de deuses egípcios, a superstição de um povo e seu quotidiano são tão bem ilustrados que é impossível não se apaixonar por aquela terra. Não há dúvida que Smith consegue envolver o leitor nesta viagem, porém, o seu problema está e não está no seu protagonista, Taita.  Ele é um escravo que presencia tudo mas, se não fosse o narrador seria muito mais apreciado como personagem. Taita soa a demasiado perfeito e, embora fosse submetido a uma terrível provação quando era novo, isso não ofusca o facto de ele saber tudo, fazer tudo lindamente, ser herói e ajudante de herói sem derrotas no seu cartório. Soa a exagero! Ainda mais quando é ele que nos conta a história. É esse o grande paradoxo dos livros narrado na primeira pessoa: ou acertam completamente e há uma harmonia completa entre a evolução do personagem que o narra e das restantes ou então, torna-se demasiado egocêntrica ou ainda demasiado altruísta. Neste  caso, Taita ao contar os seus feitos que, são intermináveis acaba por inconscientemente, centralizar o relato em si e é enfadonho ouvi-lo falar de quão maravilhoso e inteligente, ele é. Inconscientemente, pois não acredito que Wilbur Smith o tenha feito propositadamente. Apenas queria que o seu Taita ganhasse admiração de os leitores. Todavia, as personagens mais cativantes são aquelas que não são totalmente boas, aquelas com uma réstia de maldade. Logo, o livro beneficiaria muito se fosse escrita na terceira pessoa ou narrado de diferentes perspectivas. Seria muito mais abrangente e muito mais viciante! Além de que, há situações muito inverossímeis.
É uma obra que me trouxe o sabor do Antigo Egipto,  a história de Tanus e Lostris que é belíssima e um Taita que tanto me fez amar como odiar o livro. 

4/7- BOM

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Devaneios de Séries... The White Queen (2013)- A Rainha Branca


The White Queen ( A Rainha Branca) é uma mini-série britânica de 10 episódios exibida pela BBC no Reino Unido e pela STARZ nos Estados Unidos da América. É baseada nas obras de Philippa Gregory sobre a Guerra das Rosas ou a Guerra dos Primos. Abrange a história narrada em A Rainha Branca, A Rainha Vermelha e A Filha do Conspirador. A STARZ está a estudar uma sequela que irá narrar os acontecimentos de The White Princess, o próximo livro da saga ainda sem edição portuguesa.
À semelhança dos livros, centra-se nas personagens femininas das casas de Lancaster e York. que influenciaram o rumo da guerra pelo trono. As protagonistas são Elizabeth Woodville, Margaret Beaufort e Anne Neville.
Esta adaptação televisiva é bastante fiel às obras que lhe deram origem por isso, há algumas incongruências históricas. Afinal, não se trata de um retrato de uma época mas, de uma adaptação de um retrato romanceado do período da guerra civil inglesa.


As actrizes que dão vida às personagens principais são competentes porém, Rebecca Ferguson que interpreta Elizabeth só me conquistou após alguns episódios. Culpo em parte o argumento porque ela demonstra uma frieza e uma altivez que não me lembro de ser tão marcada nos livros. A Elizabeth da série é das personagens cujo passado nublado pode causar confusão nos não-leitores. Quem leu os livros sabe que Jacquetta, a sua mãe tem poderes que não são comuns e que instruiu a filha nesses mistérios. Na adaptação televisiva, estes momentos surgem quase sem explicação. Só ao fim de algum tempo é que se começa a perceber o porquê das mulheres da sua casa terem uma ligação tão forte ao rio e à água.
Amanda Hale que dá vida a Margaret Beaufort é que é verdadeiramente surpreendente! Nos livros, Margaret é insuportável com o seu fanatismo religioso e a sua crença de que é enviada por Deus mas, aqui, Amanda sabe torná-la mais empática, enfatizando o seu amor pelo filho e a sua capacidade quase maluca de sacrifício por ele. Mesmo assim, há momentos em que me apetece lhe dar uns estalos por conta da sua homónima literária.
Faye Marsay, a Anne Neville é a minha predilecta das três. A sua transformação de menina a mulher é muito tocante. O seu caminho não é fácil e o modo como a actriz a molda consoante as circunstâncias é notável.


No elenco secundário, os destaques são, sem dúvida, David Oakes com o seu maníaco George, Aneurin Barnard como Richard,  James Frain como Lord Warwick e Janet McTeer como Jacquetta. Todos trazem às personagens carisma e personalidade e concordando ou não com as suas acções, quando estão em cena, são memoráveis. Max Irons,o Edward IV parece, por vezes, deslocado do seu lugar. Primeiro ele devia ser mais velho que George, o que não aparenta e depois à medida que envelhece deixa de ser credível. Mas isto também é culpa da produção. A maquilhagem e as próteses existem para isso. Alguns personagens parecem eternos e nem uma ruga têm com o passar dos anos. Então, o Edward gordo chega a ser hilariante. A barriga falsa parece uma gravidez.
No entanto, a narrativa é atractiva e os episódios consistentes e equilibrados que impelem o espectador a seguir a mini-série até ao fim.
Em suma, esta adaptação televisiva tem algumas falhas todavia, não deixa de ser um bom entretenimento.

TRAILER:



segunda-feira, 31 de março de 2014

TAG/Selinho Viajando pela leitura


Obrigada Catarina por este selinho!




REGRAS:

- Indicar o nome do blog que indicou esse selo (no vídeo)
- Utilizar o banner original (check)
- Indicar mais de cinco blogues e avisá-los ( no vídeo)
- Responder à pergunta “Qual foi a melhor viagem que você já fez através da leitura e qual foi o livro?” (no vídeo)

domingo, 30 de março de 2014

A Ironia e a Sabedoria de Tyrion Lannister de George R.R. Martin

Venha conhecer Tyrion Lannister, uma das personagens mais memoráveis de As Crónicas de Gelo e Fogo…

Os Sete Reinos podem chamar-lhe depreciativamente de Duende, mas não passaria pela cabeça de ninguém acusar Tyrion Lannister de ser um tolo. A sua língua melíflua já lhe salvou a vida inúmeras vezes e a sua inteligência refinada deu-lhe muitas vitórias e ainda mais dissabores.
Tyrion é odiado e temido pela corte, mas os seus amigos conhecem-no pela lealdade e compaixão que demonstra pelos mais fracos. No palco das intrigas, a sua família é o seu maior inimigo, mas combate-os com uma fina ironia e perspicácia sem rival. A sua irmã que o diga!
Divertido e irreverente, por vezes profundo e sensato, A Ironia e Sabedoria de Tyrion Lannister pode ser um livrinho pequeno como Tyrion, mas as pérolas que contém mostram a grandeza desta personagem, uma das mais memoráveis da literatura fantástica. 
A MINHA OPINIÃO:

Tyrion Lannister é das personagens mais emblemáticas de George R.R Martin. Sempre leio um livro das Crónicas aguardo ansiosamente pelos seus capítulos porque ele é simplesmente irresistível!  A sua complexidade é deveras profunda. O Lannister que, usa da sua inteligência, da sua lábia e humor mordaz para escapar e montar as mais diferentes artimanhas é também um homem com sentimentos e cicatrizes emocionais grandes. Tyrion é, indubitavelmente, das minhas personagens favoritas de George R.R. Martin. Contudo, A Ironia e a Sabedoria de Tyrion Lannister soube-me como leitura a muito pouco. Limita-se a fazer um compêndio de citações do mesmo. A partir de algumas, até podemos inferir algumas características da sua personalidade porém, não é de modo nenhum algo que não haja nas Crónicas de Gelo e Fogo. Há ainda repetições que se tornam redundantes. O que salva o livro são as ilustrações magníficas que têm um ar ligeiramente infantil mas, irónico. É um livrinho para aquele coleccionador que se regala com tudo o que tenha a ver os Westeros até porque a relação preço/conteúdo é chocante neste caso.

2.5/7- RAZOÁVEL

PS: Obrigada Cata pelo empréstimo!

PS nº 2: Eis uma das melhores cenas do Tyrion na série:


terça-feira, 25 de março de 2014

TAG- O Livrofone

Olá a todos! Hoje apresento uma semi-novidade: um vídeo!
Depois de a Catarina me ter passado o bichinho, resolvi responder a esta TAG que o José me passou deste modo. Obrigada! Aceitam-se sugestões e reclamações ( desde que não seja a me atazanar pelo meu sotaque, livrem-se!)... ;)



sábado, 22 de março de 2014

Bons sonhos, meu amor de Dorothy Koomson


Arriscaria tudo por amor?
Nova Kumalisi faria qualquer coisa pelo seu melhor amigo. Ela deve-lhe a vida.
Por isso, quando ele lhe pede que seja mãe de substituição do seu filho e, apesar de saber que corre o risco de perder a amizade, Nova aceita.
Oito anos mais tarde, Nova está a criar o filho de Mal sozinha, porque a mulher dele mudou de ideias, escassos meses antes de a criança nascer, assim destruindo a relação entre os dois amigos.
Agora, Leo, o filho de ambos está gravemente doente. Nova quer que Mal conheça o filho antes que seja demasiado tarde.
Na tragédia descobrirão o quanto significam um para o outro.

 A MINHA OPINIÃO:

Bons Sonhos, meu Amor é o primeiro livro que leio de Dorothy Koomson.
É uma verdadeira viagem ao âmago do ser humano que transborda emoções por todos os poros! A complexidade dos sentimentos humanos é o pilar fundamental da história cuja força e similaridade com a realidade é apaixonante. Nova, Mal, Stephanie, Leo, Keith são personagens imaginadas por Koomson porém, poderiam ser de carne e osso. São incrivelmente verossímeis e entrar nas suas vidas não é um esforço muito pelo contrário, é muito fácil.Contudo, esta facilidade não ofusca o quão poderosa é a história! Alternando o passado com o presente, a autora enreda o leitor em cada uma das trajectórias dos protagonistas. A sua escrita é subtilmente eficaz a explicar o quanto estas personagens se amam, cada uma à sua maneira e a entender o porquê das suas decisões. Não é crítica apenas, expõe os argumentos e os factos. É sentimentalista e íntima sem, no entanto, adquirir proporções novelescas. 
No centro da história está Leo, uma criança de oito anos que proporcionará um encontro há muito desejado mas, temido entre Nova e Mal. Os pequenos interlúdios de Leo que abençoam a entrada dos novos capítulos são absolutamente enternecedores. Dão a conhecer a inocência e a sapiência admirável deste miúdo que conquista o leitor de imediato.
O início da leitura é marcado pela enormidade de perspectivas de cada um dos intervenientes mas, à medida que as páginas avançam, deixa de ser confuso para se tornar um hábito. É um livro tocante com uma história grandiosa! Pode não ter dragões, guerras e cavaleiros de armadura reluzente porém, é grande! Porque faz repensar na nossa própria vida e nas nossas escolhas, nas decisões que tomámos e nos silêncios que insistimos manter com medo do futuro.
O final de Bons Sonhos meu Amor é revoltante e de certa maneira, atroz ( como diria uma amiga minha, é preciso uma vacina contra a raiva!). É inesperado mas, agora olhando para trás não o consigo imaginar de outro modo. Sem ele, o livro não teria sido tão marcante e se perderia algures na estante. Ao invés, é das leituras mais fascinantes que lá se encontram!

6.5/7- EXCELENTE

PS: Obrigada Sandra por esta prendinha maravilhosa! Ah e obrigada por tu e a Cata serem umas "chatas" e me obrigarem a ler esta autora.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak



Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado. Ao longo dos anos, Liesel continuará a dedicar-se à prática de roubar livros e a encontrar-se com a morte, que irá sempre utilizar um registo pouco sentimental embora humano e poético, atraindo a atenção de quem a lê para cada frase, cada sentido, cada palavra. Um livro soberbo que prima pela originalidade e que nos devolve um outro olhar sobre os dias da guerra no coração da Alemanha e acima de tudo pelo amor à literatura.
A MINHA OPINIÃO:

A Rapariga que roubava livros é inesquecível! É a melhor palavra que existe no dicionário para o definir. O início é altamente impactante e original porque apresenta a Morte como narradora. O que podia ser algo impensável e mórbido não o é, pois, o seu relato apesar de ser fatalista ( convenhamos ela é a Morte!)  não deixa de ser esperançoso. A sua honestidade consegue até roçar o hilariante!
As primeiras páginas são marcadas pela adaptação do leitor à escrita peculiar de Markus Zusak. Esta maneira distinta de contar é como íman que nos atrai para dentro do livro. No entanto, após os primeiros capítulos cheguei a temer o pior porque o senti esmorecer. Só que,  pouco tempo depois, a relação entre Liesel e Hans Huberman, o seu pai adoptivo, começou a evoluir vertiginosamente e assim a  atracção da Morte pela história de Liesel tornou-se minha. O amor da protagonista pelos livros é algo que ressoa em mim. As palavras são poder, imaginação e esperança em tempos atribulados.
Esta obra é de uma riqueza incalculável porque a cada momento descobrimos um sentimento que nos remete para a história, ou seja, nunca deixamos verdadeiramente o livro. Mesmo quando o fechamos Max, Hans, Rosa, Rudy e Liesel ficam connosco. Ele mostra um outro lado do Holocausto. Normalmente, os livros sobre o tema focam-se sobre o lado judeu todavia, este visa o lado alemão. Foca-se naqueles que foram forçados a combater pela causa nazi que abominavam e que sofreram as consequências de uma guerra que não provocaram. A fome e o desespero são constantes na rua Himmel contudo, Liesel constrói grandes relações, tem grandes gestos e muitos são através de pequenos e, supostamente, insignificantes objectos, os livros. A leitura também pode ser conforto. Juntamente com o fiel amigo Rudy cuja lealdade é invulgar, ela busca um modo de sobreviver à fome fisiológica mas também à fome psicológica. O alimento que a sacia não é exclusivamente, material. Aí entram os livros, o amor por Rosa, Hans, Rudy e a tocante amizade com Max, um pugilista judeu. Aliás, este último é a personagem principal de alguns momentos fenomenais. Um simples céu estrelado que tomamos como garantido é algo de extraordinário para Max que vive numa clausura necessária. A maneira como Liesel lhe traz um pouco do mundo de lá fora ao seu amigo é belíssima e enternecedora.
A Rapariga que Roubava Livros é um hino ao espírito humano e uma crítica à podridão humana. Mostra a força das palavras que podem salvar vidas ou serem o seu fim. É um livro de descrições precisas mas onde a imaginação é fértil! É ímpar e marcou-me para sempre...

7/7-OBRA-PRIMA

TRAILER DO FILME:



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Devaneios à Solta... Dr.Zhivago de Boris Pasternak

Fajã da Areia, São Vicente, Ilha da Madeira (foto da minha autoria)

 " Mas a questão não está apenas no arcaismo das formas, no seu anacronismo. A questão não está em que estes espíritos do fogo e da água voltam a confundir e a obscurecer aquilo que foi claramente desenredado pela ciência. A questão é que esse género contradiz todo o espírito da arte contemporrânea, a sua essência e os seus motivos." 

in página 48 de Dr. Zhivago de Boris Pasternak

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

TAG- TOP 10 de livros marcantes



No facebook, está circular uma TAG referente ao TOP 10 de livros que nos tenham marcado. Decidi respondê-la através do blogue. A ideia é criar uma lista com 10 livros (ficção ou não-ficção), mas que tenham ou ainda sejam importantes para nós e deverão ser escolhidos sem se ponderar muito.
.
Fui nomeada para esta "TAG" pela Maria Rita do blogue O Imaginário dos Livros. Muito obrigada!!!
Ia responder em vídeo mas, infelizmente, ainda não tenho condições técnicas para os fazer. Quem o quiser responder dessa forma esteja à vontade.
.
1 - O Monte dos Vendavais de Emily Brontë ( * opinião*)
2 - As Crónicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin  (* opiniões*)
3 - A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross (*opinião*)
4 - E Tudo Vento Levou de Margaret Mitchell (* opinião*)
5 - A Canção de Tróia de Colleen McCullough (*opinião*)
6 - Trilogia O Senhor dos Anéis de J. R.R. Tolkien
7 - Kafka à Beira Mar de Haruki Murakami (*opinião*)
8 - As Crónicas de Bridei de Juliet Marillier (*opiniões*)
9 - A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon (*opinião*)
10 - Lisboa Triunfante de David Soares (* opinião*)
.
A segunda parte desta TAG consiste em nomear mais 10 pessoas. Aqui vão elas:
.
Patrícia de Chaise Longue
Catarina de Páginas Encadernadas ( quando voltares!)