quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Devaneios à Solta... Dr.Zhivago de Boris Pasternak

Fajã da Areia, São Vicente, Ilha da Madeira (foto da minha autoria)

 " Mas a questão não está apenas no arcaismo das formas, no seu anacronismo. A questão não está em que estes espíritos do fogo e da água voltam a confundir e a obscurecer aquilo que foi claramente desenredado pela ciência. A questão é que esse género contradiz todo o espírito da arte contemporrânea, a sua essência e os seus motivos." 

in página 48 de Dr. Zhivago de Boris Pasternak

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

TAG- TOP 10 de livros marcantes



No facebook, está circular uma TAG referente ao TOP 10 de livros que nos tenham marcado. Decidi respondê-la através do blogue. A ideia é criar uma lista com 10 livros (ficção ou não-ficção), mas que tenham ou ainda sejam importantes para nós e deverão ser escolhidos sem se ponderar muito.
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Fui nomeada para esta "TAG" pela Maria Rita do blogue O Imaginário dos Livros. Muito obrigada!!!
Ia responder em vídeo mas, infelizmente, ainda não tenho condições técnicas para os fazer. Quem o quiser responder dessa forma esteja à vontade.
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1 - O Monte dos Vendavais de Emily Brontë ( * opinião*)
2 - As Crónicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin  (* opiniões*)
3 - A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross (*opinião*)
4 - E Tudo Vento Levou de Margaret Mitchell (* opinião*)
5 - A Canção de Tróia de Colleen McCullough (*opinião*)
6 - Trilogia O Senhor dos Anéis de J. R.R. Tolkien
7 - Kafka à Beira Mar de Haruki Murakami (*opinião*)
8 - As Crónicas de Bridei de Juliet Marillier (*opiniões*)
9 - A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Záfon (*opinião*)
10 - Lisboa Triunfante de David Soares (* opinião*)
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A segunda parte desta TAG consiste em nomear mais 10 pessoas. Aqui vão elas:
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Patrícia de Chaise Longue
Catarina de Páginas Encadernadas ( quando voltares!)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Senhora da Magia- As Brumas de Avalon I de Marion Zimmer Bradley

O clássico As Brumas de Avalon regressa ao mercado português para dar a conhecer a uma nova geração esta história mágica e intemporal centrada nas mulheres que, por detrás do trono de Camelot, foram as verdadeiras detentoras do poder.
Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera… 

A MINHA OPINIÃO:

As Brumas de Avalon são uma saga incontornável para quem aprecia o mito arturiano. Logo, era-me imprescindível a sua leitura. A Senhora da Magia, o primeiro volume da tetralogia, é uma peça introdutória que nos apresenta Morgana e Arthur e tudo o que envolveu o seu nascimento e a sua ascensão a sacerdotisa de Avalon e rei de Camelot, respectivamente. As acções premeditadas e as atitudes irreflectidas que ditarão o seu destino são aqui narradas de forma excepcional. Zimmer Bradley consegue descreve a beleza e o misticismo da ilha de Avalon, a brutalidade da guerra e o confronto entre a antiga e a nova religião com a mesma seriedade e realismo conferindo-lhe aquela sensação única de veracidade. Imersos numa história belíssima, os personagens são tão lendários quanto inesquecíveis! Viviane e Merlin são, talvez, dos mais intrigantes. Aquela quase obsessão pelo dever, pela devoção à Deusa e a contradição com os seus sentimentos quanto os seus objectivos não coincidem são conflitos bastante humanos e compreensíveis.
O livro é narrado de uma perspectiva feminina mais, concretamente, pela própria Morgana. É visível o poderio feminino ao longo das páginas do livro. Em Avalon, a mulher é detentora de grande autoridade e possuidora de grande liberdade desde que respeite os ensinamentos da Deusa. O contraste com a cultura romana e mentalidade da idade média não podia ser maior. Ela resigna-se ao seu papel de esposa obediente ao marido e mãe. Porém, as linhas não são tão claras como aparentam. Viviane e Igraine são duas irmãs que espelham bem o que significa viver sob a régie de Avalon e sob as ordens de um marido romano. Será que a liberdade concedida a Viviane também não é um cárcere? Apesar de, indiscutivelmente, amar o seus filhos e Morgana, como sua própria filha,  tem de relegar as suas emoções em prol da Deusa. E Igraine? Cujo matrimónio com um não-crente a restringe como filha de Avalon que é? É esta complexidade que torna os intervenientes na história tão atraentes aos olhos do leitor. É mérito da autora, engrandece o enredo e nos abstrai, eventualmente, da facilidade com que algumas personagens se apaixonam ou se desapaixonam. É uma das falhas deste A Senhora da Magia, os diálogos que levam a relações amorosas soam algo artificiais pois, não se presencia o surgir em si do amor. Toma-se esse facto como adquirido. No entanto, holisticamente acaba por não ter grande importância perante a grandiosidade e a magnificência desta obra de Marion Zimmer Bradley.
É um livro que não me arrependo de o ter lido porém, esperava um pouco mais...

5/7- MUITO BOM

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O Anjo Mecânico- As Origens I de Cassandra Clare

A magia é perigosa, mas o amor é ainda mais perigoso.
Quando Tessa Gray, uma rapariga de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da rainha Vitória e aventuras aterrorizadoras aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa depressa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que juram encontrar-lhe o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente da sua vida à distância… ou seja, toda a gente menos Tessa. À medida que a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo… e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.

A MINHA OPINIÃO:

O Anjo Mecânico é arrebatador! Nunca entrará para os anais do Prémio Nobel nem nunca será o pináculo de uma escrita densa e complexa porém, é electrizante! Cassandra Clare sempre teve esta aptidão: a de tornar a história tão avassaladora que é um prazer virar as páginas atrás umas das outras! A Londres vitoriana, local de eleição para acção, é intensamente sombria e inacreditavelmente atraente. James, Tessa e Will, os protagonistas, vagueiam por esta cidade embarrando com criaturas do Mundo-à-Parte e humanos de carácter duvidoso. Formam um triângulo amoroso típico deste género de literatura porém, são muito atípicos na sua vulgaridade. Não há nada de previsível na relação dos três. James e Will são completamente o oposto de um do outro contudo, são irmãos de coração. Há claramente muito afecto fraternal entre ambos embora, Will tente esconder tudo o que seja sentimentos debaixo uma muralha que ele próprio ergueu. Tem um humor sarcástico delicioso e, é daqueles personagens que nos incitam a ler mais e mais porque atrás da sua sombra se escondem milhares de segredos prestes a ser desvendados. James é uma alma mais gentil, mais sereno e um contraste perfeito para impetuosidade de Will. Tessa é uma heroína acidental todavia, não é fraca ou insonsa. Ela também possui mistérios desconhecidos na sua árvore genealógica e vai crescendo ao longo das páginas tornando-se mais independente e determinada. Não obstante, a atenção dada a Will, Tessa e James não é sinónimo de personagens secundárias negligenciadas. Pelo contrário, Charlotte e o seu hilariante marido, inventor desastrado e génio incompreendido, Sophie e Thomas são exemplos fantásticos! Claro que Magnus é um bruxo sempre muito bem-vindo! E faz a ligação com a saga cronologicamente posterior.
A escritora recria mais uma vez a sua mitologia muito própria com vampiros, anjos, bruxos e humanos a viver sob regras muito frágeis. E ainda há tudo o que não é nem do Inferno nem do Céu...
O Anjo Mecânico peca só por algumas semelhanças a nível da construção das personagens relativamente a trilogia dos Instrumentos Mortais. Se lesse só livros de Clare sem outras leituras permeio era bem capaz de encontrar um padrão.
O maior trunfo da escritora continua a ser o mundo que criou cheio de revelações, reviravoltas bombásticas e acção quase ininterrupta que favorecem uma leitura rápida e muito absorvente!

5/7- MUITO BOM

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Novas aquisições e encontro com amigas bloggers:)...


Olá meus amores! 
2014 é, como tantos outros, um ano de poupança para mim. E isso implicar gastar menos em livros e dar prioridade aos que tenho ainda por ler. Normalmente, compro em alfarrabistas, em segunda-mão ou em promoções logo, já poupo imenso. Mas, é altura de entrar em abstinência livresca até pelo menos ao meu aniversário em Abril! (wish me luck!*)

Estes livrinhos da fotografia não são a excepção à regra, pelo contrário, são prendinhas!  
A Herança de Katherine Webb é uma oferta do meu mano mais velho. 
O Divergente e o Insurgente de Veronica Roth são uma compra pós-Natal devido a um cheque-oferta da FNAC que dois amigos fantásticos me deram. Adquiri estes dois porque a Sandra do Mil Estrelas no Colo estava comigo e aconselhou-me esta trilogia! Agora façam uma pausa e imaginem estas abençoadas criaturas à solta numa livraria!
O Livro Negro de Hilary Mantel e o dragãozinho foram presentes da extremamente fofinha Cata do Páginas Encadernadas
O Bons Sonhos Meu Amor da Dorothy Koomson e o marcador lindo são prendinhas da igualmente fofinha Sandra do Mil Estrelas no Colo.

E como tínhamos de recordar eternamente uma das nossas saídas decidimos gravar os momentos hilariantes das nossas conversas ( foi uma ideia da Cata!). Ah, se se meterem com nosso sotaque, estão feitos ao bife comigo!:p


Infelizmente, não consigo fazer com que o vídeo apareça aqui deixo-vos um link para o youtube. Cliquem na imagem e vão lá ter.

http://www.youtube.com/watch?v=4oYQ9rvF1Hk

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um Fogo Eterno- Trilogia Langani II de Barbara & Stephanie Keating

ATENÇÃO A SINOPSE CONTÉM SPOILERS!!!

Três mulheres em busca de amor e redenção, na apaixonante sequela de Irmãs de Sangue

Hannah, Sarah e Camilla partilharam uma infância mágica e feliz no Quénia. Anos depois, as três jovens mulheres regressam às terras altas da África Oriental e àquele que é agora um país independente.

Hannah luta para preservar a sua memória na fazenda Langani, alvo de uma série de ataques violentos que ameaçam a sua segurança e casamento. Sarah está a estudar o comportamento dos elefantes numa zona perigosa devido à acção de caçadores furtivos, refugiando-se no trabalho para superar a morte do seu amor de infância. Camilla, um ícone mundial da moda, abandona a sua carreira em Londres e regressa ao Quénia por amor a um carismático caçador e guia de safáris. Mas um segredo paira sobre elas. Com a ajuda de um ambicioso jornalista indiano, elas vão desvendar a verdade por detrás da morte do noivo de Sarah e dos constantes ataques à fazenda e às suas vidas. As paixões e provações por que passam estas inesquecíveis heroínas, unidas uma vez mais pela amizade e pelo amor ao país das suas infâncias, fazem de Um Fogo Eterno um romance épico e magnífico.
A MINHA OPINIÃO:

Um Fogo Eterno é o segundo volume da trilogia Langani. O primeiro deixou-me uma marca indelével e quase atingiu o adjectivo cimeiro de insuperável. Porém, esta continuação é digna de ser sua sucessora. Mais uma vez, transborda os aromas e as paixões irresístíveis de África. Sarah, Hannah e Camilla seguram as rédeas de mais uma história maravilhosa e digna de uma adaptação televisiva.Das três amigas, há sempre alguma que nos toca mais ao longo das páginas. Sarah sempre me cativou porque ultrapassou momentos horríficos e, mesmo assim consegue ser, ao mesmo tempo, uma personagem vulnerável e forte sem ser incoerente com ela mesma. Camilla é, aparentemente, a mais fútil porém, debaixo daquela beleza e maquilhagem esconde-se uma mulher com dúvidas, receios e um amor teimoso que insiste em ficar apesar de ela o tentar esquecer. A fase final de Camilla neste livro é a que promete mais reviravoltas no terceiro volume. Mal posso esperar!... Hannah é talvez a que mais me exaspera. Por vezes, tem atitudes quase infantis e impulsivas sem medir as consequências todavia, o seu crescimento nas últimas páginas é notório, tomando decisões altruístas e genuínas. As personagens secundárias são igualmente fascinantes. Lottie, a mãe de Hannah é uma das minhas predilectas. Admiro o seu percurso e o seu arco de redenção. Claro que Anthony, o carismático guia de sáfaris, é verdadeiramente irresistível! Tal como na obra anterior, encontra-se fiel a ele mesmo.A máscara de confiança e de ego inflamado que usa não é mais que uma protecção que oculta a sua incapacidade de compromisso e receio de demonstrar os seus próprios sentimentos. A vulnerabilidade que expõe nos últimos capítulos é absolutamente enternecedora! Uma grande adição a história é um certo jornalista de origens indianas que acrescenta ainda mais profundidade e conflito ao história.
O livro é ainda atravessado pelo grande enigma de Piet e Simon... À medida que os segredos são desvendados tudo se torna mais claro, no entanto, as verdades também magoam. As múltiplas culturas, religiões e ideias políticas de África são cenário de fundo para estas pequenas grandes vidas que, por mais que queiram não conseguem fugir aos erros do passado.
Um Fogo Eterno é uma leitura lindíssima cuja virtude máxima é fazer com que o leitor entre por completo na história e consequentemente, abdique até de algumas horas de sono.

6.5/7- EXCELENTE

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cavalo de Fogo- Paris de Florencia Bonneli


Uma poderosa história de amor tendo como pano de fundo o conflito israelo-palestiniano

Matilda Martínez, uma jovem pediatra argentina, viaja até Paris para aprender o idioma antes de partir para o Congo, ao serviço de uma ONG, para ajudar os mais carenciados. Apesar das suas inseguranças, traumas e dramas, a determinação de Matilde é tão forte que nada nem ninguém conseguirá demovê-la de cumprir o seu sonho.
Eliah Al-Saud é um homem poderoso e sem piedade, descendente da família real saudita. Dono de uma empresa de segurança privada, o negócio serve de fachada a um outro tipo de serviços: de espionagem, segurança e formação de mercenários.
Desde o seu primeiro encontro que o destino os unirá numa paixão tão intensa e irrefreável que nada poderão fazer para evitar a conspiração crescente que ameaça não apenas o seu amor, mas também as suas vidas.
No cenário ameaçador e bélico do conflito israelo-palestiniano, Matilde e Eliah viverão uma aventura que os levará a percorrer o mundo e a enfrentar os perigos que cercam todos aqueles que ousam desafiar os impérios dominantes.

A MINHA OPINIÃO:

Cavalo de Fogo-Paris é o meu ansioso regresso a Florencia Bonneli, autora de um dos meus romances históricos favoritos, O Quarto Arcano. Com as expectativas tão elevadas era quase inevitável, uma desilusão momentânea. A memória atraiçoa-nos e a certeza de que vamos reencontrar personagens tão marcantes é obviamente defraudada. Cavalo de Fogo- Paris não é um O Quarto Arcano porém, é mais uma leitura excelente! É mais contemporâneo. Expande-se geograficamente por uma vastidão de países e respectivas culturas e religiões. França é o cenário mais visitado contudo, a Argentina, a Inglaterra, o Iraque e a Arábia Saudita também estão presentes. 
Bonneli tem a capacidade rara de tornar todas as suas personagens dignas do nosso amor. Matilde conquista-o de imediato pela sua postura perante a vida e pela sua presença angelical. No entanto, Eliah não é de todo o mais sedutor enquanto personagem. É detentor de uma empresa que prolifera com a guerra, um mercenário que, à primeira vista, repudiaria o leitor. Mas, a escritora é hábil a construir a história de ambos. Por entre mistérios e segredos do passado, ela faz cair as máscaras e as charadas e tornam-os empáticos e merecedores da nossa atenção. Não destoando do seu registo habitual, Florencia Bonneli condimenta o livro com um amor de dimensão estonteante e muito sensualidade. As personagens secundárias são também muito bem delineadas. O círculo em que Eliah se movimenta tem de tudo desde os seus sócios, os seus amigos Moses ( em pé de guerra um com outro!), até à sua família de sangue que é enorme abarcando religiões e nacionalidades completamente distintas. Entre os seus colaboradores encontramos os três irmãos: Sandór, Diana e Leila que sobreviveram às atrocidades da guerra. Apesar dos paralelismos, cada um tem a sua história de resiliência não obstante, todas são incrivelmente tocantes. Se o círculo de Eliah já era de tudo menos monótono acrescente-se Juana, a hilariante e a entusiasta amiga de Matilde, o pai misterioso da protagonista e o ex-marido Roy e logo, há faíscas pelo ar! Não é uma obra melosa e, embora o foco seja o casal protagonista, ambos são capazes de existir por si sós com personalidades distintas que evoluem mas, não definham e não caiem no disparate.  
Cavalo de Fogo- Paris é um romance completo com laivos de policial, intriga política, roubo e plágio científico, tráfico de armas e claro, um amor extraordinário permeio. Contudo, a autora podia ter explorado um pouco mais a profissão de Matilde, cirurgiã pediátrica, e através disso mostrar um pouco mais da sua força e determinação. Aqui conhecemos uma mulher mais frágil que sim, tem momentos de perseverança mas, fica na sombra de Eliah Al-Saud. Perto do fim, começa a surgir essa faceta mais poderosa de Matilde que espero continuar a ver no segundo volume. 
Este livro é mais uma extraordinária criação de Florencia Bonneli e que segue na tradição dos anteriores que li dela. Acaba de forma inesperada o que predispõe a uma corrida ao seguinte da trilogia.

6/7-EXCELENTE 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Irmãs de Sangue - Trilogia de Langani I de Barbara & Stephanie Keating


Das autoras do bestseller À Minha Filha em França

Quénia, 1957. Durante a infância, três meninas de meios sociais muito diferentes tornam-se irmãs de sangue: a irlandesa Sarah Mackay, a africânder Hannah van der Beer e a britânica Camilla Broughton Smith juram que nada nem ninguém quebrará o laço que as une. Mas o que o futuro lhes reserva vai pôr à prova os seus sonhos e certezas.
Separadas pela distância e pelas obrigações familiares, as três jovens são atiradas para um mundo de interesses em conflito. Camilla alcança o sucesso como modelo na animada Londres da década de 1960; Sarah Mackay é enviada para a universidade na sua Irlanda natal, uma experiência penosa que apenas fortalece a sua determinação de voltar para África; e a família de Hannah Van der Beer esforça-se para manter a fazenda que os seus antepassados africânderes erigiram na viragem do século. Os seus laços serão constantemente postos à prova e, a par do exotismo de África, a sua amizade será pano de fundo para interesses amorosos cruzados e promessas quebradas.

A MINHA OPINIÃO:

Irmãs de Sangue é uma leitura sensacional! O que a torna tão especial são os sentimentos... A história está pejada deles! São tão humanos e tão orgânicos que rapidamente, nos ligamos às personagens. Não há nada de forçado em Sarah, Hanna e Camilla. Cada uma tem personalidade e passado distintos porém, a amizade que as une é facilmente reconhecível. Os seus caminhos tão diferentes mas, com África como ponto de partida transformam este livro numa leitura apaixonante e absolutamente viciante! O Quénia e todo o continente africano são, por si sós, personagens. As descrições vívidas e sublimes do calor, da cor daquela terra ancestral e da beleza natural são tão reais que as sentimos como nossas.  O amor que as três amigas de sangue, Piet e Anthony nutrem por aquela imensidão de terra é o do leitor. Tudo se funde. Ele deixa de ser um mero espectador e vive com paixão cada minuto e cada sensação que os protagonistas lhe trazem. É uma saga familiar cuja miscelânea de alegria e tragédia é intoxicante ( no bom sentido!). Jamais esperamos as reviravoltas que se adivinham não obstante, choramos e rimos com elas.
É provável que este livro passe muitas vezes, despercebido nas livrarias porque é capaz de ser colocado na categoria " romance de cordel". No entanto, isso é uma total injustiça. É tão mais que isso. Revolve em torno da política e da turbulência social entre o estatuto de colónias, pós-independência, conflito tribal e a descriminação racial. É verdadeiramente arrepiante testemunhar a luta e a sobrevivência dos seus intervenientes. Dentro deste panorama geral, ainda há as pequenas grandes histórias tão genuínas como o amor familiar, o segredo de família perigoso, o primeiro amor, o luto e a superação perante a adversidade. O número de páginas não é relevante pois, é impossível parar ler! A escrita não é rebuscada, é até muito simples, mas no seu âmago encontra-se mais uma vez, o sentimento. É o que conduz o livro... Seja a paixão de Sarah por Piet, a tristeza de Camilla em relação à situação dos pais ou a insegurança de Hannah, esta é uma obra de grandes emoções que já é uma das preferidas de sempre!
Irmãs de Sangue marcou-me profundamente e como há ainda mistérios por desvendar aventuro-me em breve no segundo volume desta trilogia.
6.5/7- EXCELENTE**

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Novas aquisições... Prendinhas de Natal!:D

 
A pedido de muitas famílias, coloco aqui as minhas prendinhas de Natal. Foram tão boaaaas!... Adoro receber livrinhos. Os tempos não estão fáceis e tenho evitado comprá-los mas, houve algumas alminhas que se lembraram de mim. :D
 
E vocês, como foi o vosso Natal? Receberam livros?
Eu virei a patroa de arranjos florais como o que está na fotografia e inventei umas receitas deliciosas de broas e bolinhos. Qualquer dia partilho...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Filha do Conspirador de Philippa Gregory

"Perdi o meu pai numa batalha, a minha irmã às mãos de uma espia de Isabel Woodville, o meu cunhado às mãos do seu carrasco e o meu sobrinho às mãos de um seu envenenador, e agora o meu filho foi vítima da sua maldição…"

A apaixonante e trágica história de Ana Neville e da sua irmã Isabel, filhas do Conde de Warwick, o nobre mais poderoso da Inglaterra durante a Guerra dos Primos. Na falta de um filho e herdeiro, Warwick usa cruelmente as duas jovens como peões, mas elas desempenham os seus papéis de forma previdente e poderosa.

No cenário da corte de Eduardo IV e da sua bela rainha Isabel Woodville, Ana é uma criança encantadora que cresce no seio da família de Ricardo, Duque de Iorque, transformando-se numa jovem cada vez mais corajosa e desesperada quando é atacada pelos inimigos do seu pai, quando o cerco em seu redor se aperta e quando não tem ninguém a quem possa recorrer, a quem possa confiar a sua vida.
 
A MINHA OPINIÃO:
 
A Filha do Conspirador foi uma excelente surpresa! Após o pequeno revés que tive com A Rainha Vermelha que tinha uma protagonista intolerável, foi agradabilíssimo conhecer Ana Neville, filha do Fazedor de Reis. A evolução da rapariga que era um mero peão nas mãos do pai para a mulher de Ricardo, Duque de Iorque é irresistível. O próprio Ricardo, figura controversa da História e célebre devido a Shakespeare, é aqui retratado com inteligência pela escritora. É uma personagem dúbia pois, é o leitor que constrói a sua imagem através do que nos apresenta Philippa Gregory. Não é o eterno romântico porém, também não é o monstro sanguinário que, muitos pintam. Ana trilha o mesmo caminho. Fascina-nos com a sua inocência típica de criança, com sua paixão de adolescente por Ricardo e pela mulher e mãe em que se torna. A evolução gradual de todos os intervenientes desta grande história é, sem dúvida, a sua maior atracção. Ficamos divididos por algumas das suas atitudes, no entanto, não as deixamos de compreender por mais inescrupulosas que sejam. Aos olhos de Ana, os Woodville  ganham outra cor. É uma outra perspectiva da Guerra das Rosas que, ao contrário da de Margarida Beaufort não é afunilada pelo fanatismo religioso. 
Há superstição e o medo que embora, possam parecer infundados, são preponderantes no desenvolvimento de Ana e Isabel Neville. São muito bem fundamentados pela narrativa pois, é típico culparmos o que desconhecemos. particularmente, nestes tempos mais remotos. Confrontada com a acusação de bruxaria a Jacquetta Woodville, Ana  teve uma reacção plausível e defendeu-se, fechando-se sobre si mesma. O receio marcará a sua vida para sempre! Seguem-se reviravoltas intrigantes e alucinantes que prendem o leitor às páginas desta obra. A realidade nunca foi tão saborosa de se ler! Este é um mérito de Gregory que não se limita a enumerar factos e datas. Ela dá-lhe o seu toque muito suis generis que nos leva a rever uma história contada vezes sem conta mas, de outra forma. É ficcionalizada todavia, não perde a sua capacidade de cativar. Esta é até exponencial e permite uma leitura fugaz com um piscar de olhos ao seguinte, The White Princess ( ainda sem tradução em Portugal). Contudo, há algo incómodo neste livro. São as evitáveis traduções literais de nomes próprios. George não é Jorge  e por mais, que o queiramos aportuguesar, isto, na minha opinião, não é o mais correcto.
A Filha do Conspirador é um dos melhores desta saga de Philippa Gregory! É aliciante e verdadeiramente educativo ainda que romanceado.

6/7- EXCELENTE

domingo, 5 de janeiro de 2014

Adeus Eusébio, Pantera Negra...


Esta é uma publicação invulgar para este cantinho. Contudo, Eusébio não era só um jogador do Benfica ou da Selecção de Portugal. Era um símbolo e embaixador do país que tanto amava.
Em 1966, Eusébio chorou por Portugal. Hoje, são os portugueses que o choram...
 
Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão 
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo-
só palavra
Abstracção
ponto no espaço
teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo –
era poema.
 
Manuel Alegre, sobre Eusébio

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Rainha Vermelha de Philippa Gregory


Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York.
Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior
.

A MINHA OPINIÃO:

A Rainha Vermelha é o terceiro livro que leio da saga sobre a Guerra dos Primos ou Guerra das Rosas de Philippa Gregory.
Margarida é a primeira protagonista desta série que não suporto! É ignóbil, mesquinha e cega pela ambição. A sua fé adquire contornos de fanatismo e ela repete-o, constantemente, como um lema como se não o soubéssemos. Torna-se monótono "ouvir" o discurso de Margarida Beaufort. Não sei se é propositado ou não. Apesar deste ininterrupto elogio falseado de humildade a si própria, Margarida é competente como personagem. Gregory retrata-a através dos seus pensamentos, acções e alianças e, por mais, que não inspire confiança ou simpatia , não podemos negar que ela tem coragem. Pode não ser aquela que é contada como a mais bela das virtudes e pode até ser motivada pela loucura contudo, é coragem! Luta pelo direito ( verdadeiro ou não!) do filho ao trono e transforma-se numa hábil política e estratega. Não há como fugir à arrogante e prepotente Beaufort. A autora não é comedida em adjectivar a personagem principal e isso até causa admiração. Ao invés de a descrever como a pobre coitada que teria remorsos e arrependimentos, ela opta pelo oposto, o que provavelmente se assemelhará muito mais à realidade da época. Correndo o enorme risco de a leitura se tornar repulsiva, Philippa Gregory é honesta. Com outro autor, este livro poderia tornar-se num falhanço tremendo todavia, a escritora tem o dom da narração. Não há nada como um mistério ou uma conspiração para agarrar o leitor. É isso que ela faz! Dá ao espectador o outro lado da história de A Rainha Branca para que tire as suas próprias conclusões. No entanto, este "quase" complemento ao primeiro livro, é deficitário em imprevisibilidade. Como o desfecho já é sabiamente conhecido, o efeito surpresa é inexistente. Não obstante, a minha curiosidade por Henrique Tudor e Isabel de Iorque inicia-se aqui. Como fugirão às "garras" das respectivas mães?
A Rainha Vermelha é o que menos aprecio da saga até agora pelas razões acima enunciadas da qual a mais preponderante é a minha antipatia por Margarida. Além disso, ainda me fazem confusão a tradução literal de todos os nomes próprios anglo-saxónicos ( Henry=Henrique). Porquê?...
 
3.5/7- BOM

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Devaneios do dia...Boas festas!

                                                           (imagem daqui)
Ho! Ho! Ho! Boas festas a todos!!! Que haja muita saúde, paz, alegria e claro, muitos livrinhos! Eu não me posso queixar... A minha meia de Natal está carregadinha deles:)!
 
Como já devem ter reparado, o blogue tem estado um pouco abandonado. ("Shame on me!")Estive  doente, comecei o meu estágio de 6º ano ( "help me!") e a minha tese de Mestrado. Aqui está a explicação pelas publicações serem poucas nos últimos tempos.
 
Espero que perdoem esta desnaturada...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Scarlett de Alexandra Ripley

"Amanhã é um novo dia" - assim acabava o grande clássico de Margaret Mitchell E Tudo o Vento Levou.
Agora, pela mão de Alexandra Ripley, a saga continua, e o romance entre Scarlett O'Hara e Rhett Butler atinge o seu ponto culminante.
Com Scarlett regressamos a Tara e às personagens que nos são tão familiares. Rhett, Ashley, Suellen, a tia Pittypat e tantas outras.
Que novas alegrias, frustrações e aventuras lhes reserva o futuro? Que acontecerá a Ashley agora que Melanie morreu? Conseguirá Scarlett reconquistar o amor de Rhettt?
Scarlett é um romance colorido e irresistível, digno sucessor de E Tudo o Vento Levou, um livro para apreciar enquanto Scarlett e Rhett tiverem lugar nos nossos corações...
SCARLETT - A EMOCIONANTE CONTINUAÇÃO DE E TUDO O VENTO LEVOU DE MARGARET MITCHELL.

A MINHA OPINIÃO:

E Tudo o Vento levou é dos meus livros favoritos de sempre! Assim que chegou ao meu conhecimento que existia uma sequela soube que tinha de a ler. Scarlett não é uma obra da autora do original que, faleceu num acidente antes de projectar uma sequela. Até existem rumores de que ela não a queria. Porém, após algumas disputas legais foi escolhida Alexandra Ripley como a escritora para este Scarlett. É quase impossível não comparar as duas autoras. As grandes criações de Margaret Mitchell são, indubitavelmente, Scarlett e Rhett Buttler e Ripley tentou abarcar a sua inequívoca grandiosidade. A sua história é eternamente apaixonante porque conjuga a guerra, a revolução de ideais, a sobrevivência e claro, um amor épico entre dois egos gigantescos que se encontram em constante batalha. Contudo, em Scarlett, a vida dos protagonistas torna-se algo monótona. Alexandra Ripley ainda mantém alguma chama no início do livro porém, esta esmorece com a mudança de cenário para a Irlanda. A obra não é péssima, pelo contrário, lê-se muito bem e se não estivesse sob a sombra permanente do anterior até me marcaria mais. Todavia, a evolução de Scarlett de rapariga obstinada e caprichosa a mulher responsável e madura não é suficientemente convincente. A Scarlett de E Tudo o Vento Levou era uma personagem que despoletava paixões e ódios com a mesma facilidade. Não era a típica heroína, boazinha e sofredora. Era uma lutadora com arestas por limar, cheia de defeitos que nos prendiam à acção. Esta Scarlett de Ripley é, a partir de certo momento, monocórdica e sem o seu brilho característico. Compreende-se que autora queria instigá-la de um pouco de maturidade no entanto, ao longo do livro, ela vai perdendo a sua identidade. O mesmo acontece com Rhett Buttler. Apesar de não ser tão denunciado como na protagonista já que, este aparece menos vezes, também ele perde um pouco do seu carisma ao longo das páginas. Quanto a personagens secundários, Ashley é o que me causa mais tédio. A sua personalidade fraca e descrente é irritante ( oh homem, mexe-te!!!). É alguém que continua cativo no passado e se recusa a inovar.
Scarlett é um livro de nível mediano que vive atormentado pelos fantasmas do seu antecessor. Ainda assim, é uma narrativa que proporciona momentos aprazíveis e um fim mais " cor-de rosa" que julgava querer... Mas, nem sempre o que desejamos é o melhor que pode acontecer!

4/7- BOM

sábado, 19 de outubro de 2013

Promessas de Amor de Sherry Thomas

Elissande Edgerton é uma mulher desesperada,uma prisioneira na casa do tio tirano. Apenas através do casamento pode ela reivindicar aliberdade por que anseia. Mas como encontrar o homem perfeito? Lorde Vere está habituado a armadilhas irresistíveis. Como agente secreto do governo, localizou alguns dos criminosos mais tortuosos em Londres, enquanto mantém a sua fachada de solteirão idiota e inofensivo. Mas nada pode prepará-lo para o escândalo de ser apanhado por Elissande. Forçados a um casamento de conveniência,Elissande e Vere estão prestes a descobrir que não são os únicos com planos secretos. Com a sedução como única arma – e um segredo obscuro do passado a pôr em risco as vidas de ambos –poderão eles aprender a confiar um no outro, mesmo enquanto se entregam a uma paixão que não pode ser negada?

A MINHA OPINIÃO:

Promessas de Amor é puro entreternimento! Sherry Thomas é das poucas escritoras que ainda me consegue surpreender dentro deste género de livros. Este é particularmente hilariante porque a fachada que é Vere, o protagonista, é de arrancar gargalhadas. Como esconder uma inteligência sublime e um espião sob a identidade de um idiota? Com muita sabedoria mas também com um pouco de ironia mordaz, a autora carva um romance histórico delicioso que põe em rota de colisão duas pessoas que se adoram mas, que não o sabem. Aquele brilhozinho nos olhos, aquela dança entre os protagonistas e as conversas cheias de humor velado são o que mais atrai o leitor. É claro que estes livros têm sempre o mesmo fim porém, isso não significa que o enredo tenha de ser aborrecido. O que mais impressiona nas personagens é a sua genuidade e sinceridade de carácter. Têm dúvidas e receios como nós e a situação em que Elissande se encontra é perfeitamente compreensível, passível de compaixão e a sua determinação é assaz inspiradora. O facto de Vere, o personagem masculino se comportar como uma idiota perante a sociedade ainda torna o livro mais interessante e diferente do habitual. Fisicamente, ele é, indubitavelmente, atraente à nossa heroína porém, assim que ele abre a boca e surgem chorrilhos e chorrilhos de estupidezes, ela rapidamente se desinteressa. Vere, têm de tentar consquistá-la mesmo parecendo um autêntico idiota. Isto é incredivelmente divertido! No entanto, Sherry Thomas não se contenta com casalzinho principal e as páginas também são apimentadas pelas outras personagens secundárias que, têm destinos igualmente criativos. Freddie, o irmão de Vere é um desses exemplos. A autora consegue ainda introduzir temas mais complexos como a violência doméstica, vício do ópio e mesmo, assassínio. Tornam o livro mais real, não tão fantasioso e contrabalaçam na perfeição o seu lado mais hilariante. Eis uma leitura fantástica que proporciona descontracção e uma fuga para o passado ( muito feliz!) e sorrisos muitos sorrisos!...

5/7- MUITO BOM