terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Cavalo de Fogo- Paris de Florencia Bonneli


Uma poderosa história de amor tendo como pano de fundo o conflito israelo-palestiniano

Matilda Martínez, uma jovem pediatra argentina, viaja até Paris para aprender o idioma antes de partir para o Congo, ao serviço de uma ONG, para ajudar os mais carenciados. Apesar das suas inseguranças, traumas e dramas, a determinação de Matilde é tão forte que nada nem ninguém conseguirá demovê-la de cumprir o seu sonho.
Eliah Al-Saud é um homem poderoso e sem piedade, descendente da família real saudita. Dono de uma empresa de segurança privada, o negócio serve de fachada a um outro tipo de serviços: de espionagem, segurança e formação de mercenários.
Desde o seu primeiro encontro que o destino os unirá numa paixão tão intensa e irrefreável que nada poderão fazer para evitar a conspiração crescente que ameaça não apenas o seu amor, mas também as suas vidas.
No cenário ameaçador e bélico do conflito israelo-palestiniano, Matilde e Eliah viverão uma aventura que os levará a percorrer o mundo e a enfrentar os perigos que cercam todos aqueles que ousam desafiar os impérios dominantes.

A MINHA OPINIÃO:

Cavalo de Fogo-Paris é o meu ansioso regresso a Florencia Bonneli, autora de um dos meus romances históricos favoritos, O Quarto Arcano. Com as expectativas tão elevadas era quase inevitável, uma desilusão momentânea. A memória atraiçoa-nos e a certeza de que vamos reencontrar personagens tão marcantes é obviamente defraudada. Cavalo de Fogo- Paris não é um O Quarto Arcano porém, é mais uma leitura excelente! É mais contemporâneo. Expande-se geograficamente por uma vastidão de países e respectivas culturas e religiões. França é o cenário mais visitado contudo, a Argentina, a Inglaterra, o Iraque e a Arábia Saudita também estão presentes. 
Bonneli tem a capacidade rara de tornar todas as suas personagens dignas do nosso amor. Matilde conquista-o de imediato pela sua postura perante a vida e pela sua presença angelical. No entanto, Eliah não é de todo o mais sedutor enquanto personagem. É detentor de uma empresa que prolifera com a guerra, um mercenário que, à primeira vista, repudiaria o leitor. Mas, a escritora é hábil a construir a história de ambos. Por entre mistérios e segredos do passado, ela faz cair as máscaras e as charadas e tornam-os empáticos e merecedores da nossa atenção. Não destoando do seu registo habitual, Florencia Bonneli condimenta o livro com um amor de dimensão estonteante e muito sensualidade. As personagens secundárias são também muito bem delineadas. O círculo em que Eliah se movimenta tem de tudo desde os seus sócios, os seus amigos Moses ( em pé de guerra um com outro!), até à sua família de sangue que é enorme abarcando religiões e nacionalidades completamente distintas. Entre os seus colaboradores encontramos os três irmãos: Sandór, Diana e Leila que sobreviveram às atrocidades da guerra. Apesar dos paralelismos, cada um tem a sua história de resiliência não obstante, todas são incrivelmente tocantes. Se o círculo de Eliah já era de tudo menos monótono acrescente-se Juana, a hilariante e a entusiasta amiga de Matilde, o pai misterioso da protagonista e o ex-marido Roy e logo, há faíscas pelo ar! Não é uma obra melosa e, embora o foco seja o casal protagonista, ambos são capazes de existir por si sós com personalidades distintas que evoluem mas, não definham e não caiem no disparate.  
Cavalo de Fogo- Paris é um romance completo com laivos de policial, intriga política, roubo e plágio científico, tráfico de armas e claro, um amor extraordinário permeio. Contudo, a autora podia ter explorado um pouco mais a profissão de Matilde, cirurgiã pediátrica, e através disso mostrar um pouco mais da sua força e determinação. Aqui conhecemos uma mulher mais frágil que sim, tem momentos de perseverança mas, fica na sombra de Eliah Al-Saud. Perto do fim, começa a surgir essa faceta mais poderosa de Matilde que espero continuar a ver no segundo volume. 
Este livro é mais uma extraordinária criação de Florencia Bonneli e que segue na tradição dos anteriores que li dela. Acaba de forma inesperada o que predispõe a uma corrida ao seguinte da trilogia.

6/7-EXCELENTE 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Irmãs de Sangue - Trilogia de Langani I de Barbara & Stephanie Keating


Das autoras do bestseller À Minha Filha em França

Quénia, 1957. Durante a infância, três meninas de meios sociais muito diferentes tornam-se irmãs de sangue: a irlandesa Sarah Mackay, a africânder Hannah van der Beer e a britânica Camilla Broughton Smith juram que nada nem ninguém quebrará o laço que as une. Mas o que o futuro lhes reserva vai pôr à prova os seus sonhos e certezas.
Separadas pela distância e pelas obrigações familiares, as três jovens são atiradas para um mundo de interesses em conflito. Camilla alcança o sucesso como modelo na animada Londres da década de 1960; Sarah Mackay é enviada para a universidade na sua Irlanda natal, uma experiência penosa que apenas fortalece a sua determinação de voltar para África; e a família de Hannah Van der Beer esforça-se para manter a fazenda que os seus antepassados africânderes erigiram na viragem do século. Os seus laços serão constantemente postos à prova e, a par do exotismo de África, a sua amizade será pano de fundo para interesses amorosos cruzados e promessas quebradas.

A MINHA OPINIÃO:

Irmãs de Sangue é uma leitura sensacional! O que a torna tão especial são os sentimentos... A história está pejada deles! São tão humanos e tão orgânicos que rapidamente, nos ligamos às personagens. Não há nada de forçado em Sarah, Hanna e Camilla. Cada uma tem personalidade e passado distintos porém, a amizade que as une é facilmente reconhecível. Os seus caminhos tão diferentes mas, com África como ponto de partida transformam este livro numa leitura apaixonante e absolutamente viciante! O Quénia e todo o continente africano são, por si sós, personagens. As descrições vívidas e sublimes do calor, da cor daquela terra ancestral e da beleza natural são tão reais que as sentimos como nossas.  O amor que as três amigas de sangue, Piet e Anthony nutrem por aquela imensidão de terra é o do leitor. Tudo se funde. Ele deixa de ser um mero espectador e vive com paixão cada minuto e cada sensação que os protagonistas lhe trazem. É uma saga familiar cuja miscelânea de alegria e tragédia é intoxicante ( no bom sentido!). Jamais esperamos as reviravoltas que se adivinham não obstante, choramos e rimos com elas.
É provável que este livro passe muitas vezes, despercebido nas livrarias porque é capaz de ser colocado na categoria " romance de cordel". No entanto, isso é uma total injustiça. É tão mais que isso. Revolve em torno da política e da turbulência social entre o estatuto de colónias, pós-independência, conflito tribal e a descriminação racial. É verdadeiramente arrepiante testemunhar a luta e a sobrevivência dos seus intervenientes. Dentro deste panorama geral, ainda há as pequenas grandes histórias tão genuínas como o amor familiar, o segredo de família perigoso, o primeiro amor, o luto e a superação perante a adversidade. O número de páginas não é relevante pois, é impossível parar ler! A escrita não é rebuscada, é até muito simples, mas no seu âmago encontra-se mais uma vez, o sentimento. É o que conduz o livro... Seja a paixão de Sarah por Piet, a tristeza de Camilla em relação à situação dos pais ou a insegurança de Hannah, esta é uma obra de grandes emoções que já é uma das preferidas de sempre!
Irmãs de Sangue marcou-me profundamente e como há ainda mistérios por desvendar aventuro-me em breve no segundo volume desta trilogia.
6.5/7- EXCELENTE**

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Novas aquisições... Prendinhas de Natal!:D

 
A pedido de muitas famílias, coloco aqui as minhas prendinhas de Natal. Foram tão boaaaas!... Adoro receber livrinhos. Os tempos não estão fáceis e tenho evitado comprá-los mas, houve algumas alminhas que se lembraram de mim. :D
 
E vocês, como foi o vosso Natal? Receberam livros?
Eu virei a patroa de arranjos florais como o que está na fotografia e inventei umas receitas deliciosas de broas e bolinhos. Qualquer dia partilho...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Filha do Conspirador de Philippa Gregory

"Perdi o meu pai numa batalha, a minha irmã às mãos de uma espia de Isabel Woodville, o meu cunhado às mãos do seu carrasco e o meu sobrinho às mãos de um seu envenenador, e agora o meu filho foi vítima da sua maldição…"

A apaixonante e trágica história de Ana Neville e da sua irmã Isabel, filhas do Conde de Warwick, o nobre mais poderoso da Inglaterra durante a Guerra dos Primos. Na falta de um filho e herdeiro, Warwick usa cruelmente as duas jovens como peões, mas elas desempenham os seus papéis de forma previdente e poderosa.

No cenário da corte de Eduardo IV e da sua bela rainha Isabel Woodville, Ana é uma criança encantadora que cresce no seio da família de Ricardo, Duque de Iorque, transformando-se numa jovem cada vez mais corajosa e desesperada quando é atacada pelos inimigos do seu pai, quando o cerco em seu redor se aperta e quando não tem ninguém a quem possa recorrer, a quem possa confiar a sua vida.
 
A MINHA OPINIÃO:
 
A Filha do Conspirador foi uma excelente surpresa! Após o pequeno revés que tive com A Rainha Vermelha que tinha uma protagonista intolerável, foi agradabilíssimo conhecer Ana Neville, filha do Fazedor de Reis. A evolução da rapariga que era um mero peão nas mãos do pai para a mulher de Ricardo, Duque de Iorque é irresistível. O próprio Ricardo, figura controversa da História e célebre devido a Shakespeare, é aqui retratado com inteligência pela escritora. É uma personagem dúbia pois, é o leitor que constrói a sua imagem através do que nos apresenta Philippa Gregory. Não é o eterno romântico porém, também não é o monstro sanguinário que, muitos pintam. Ana trilha o mesmo caminho. Fascina-nos com a sua inocência típica de criança, com sua paixão de adolescente por Ricardo e pela mulher e mãe em que se torna. A evolução gradual de todos os intervenientes desta grande história é, sem dúvida, a sua maior atracção. Ficamos divididos por algumas das suas atitudes, no entanto, não as deixamos de compreender por mais inescrupulosas que sejam. Aos olhos de Ana, os Woodville  ganham outra cor. É uma outra perspectiva da Guerra das Rosas que, ao contrário da de Margarida Beaufort não é afunilada pelo fanatismo religioso. 
Há superstição e o medo que embora, possam parecer infundados, são preponderantes no desenvolvimento de Ana e Isabel Neville. São muito bem fundamentados pela narrativa pois, é típico culparmos o que desconhecemos. particularmente, nestes tempos mais remotos. Confrontada com a acusação de bruxaria a Jacquetta Woodville, Ana  teve uma reacção plausível e defendeu-se, fechando-se sobre si mesma. O receio marcará a sua vida para sempre! Seguem-se reviravoltas intrigantes e alucinantes que prendem o leitor às páginas desta obra. A realidade nunca foi tão saborosa de se ler! Este é um mérito de Gregory que não se limita a enumerar factos e datas. Ela dá-lhe o seu toque muito suis generis que nos leva a rever uma história contada vezes sem conta mas, de outra forma. É ficcionalizada todavia, não perde a sua capacidade de cativar. Esta é até exponencial e permite uma leitura fugaz com um piscar de olhos ao seguinte, The White Princess ( ainda sem tradução em Portugal). Contudo, há algo incómodo neste livro. São as evitáveis traduções literais de nomes próprios. George não é Jorge  e por mais, que o queiramos aportuguesar, isto, na minha opinião, não é o mais correcto.
A Filha do Conspirador é um dos melhores desta saga de Philippa Gregory! É aliciante e verdadeiramente educativo ainda que romanceado.

6/7- EXCELENTE

domingo, 5 de janeiro de 2014

Adeus Eusébio, Pantera Negra...


Esta é uma publicação invulgar para este cantinho. Contudo, Eusébio não era só um jogador do Benfica ou da Selecção de Portugal. Era um símbolo e embaixador do país que tanto amava.
Em 1966, Eusébio chorou por Portugal. Hoje, são os portugueses que o choram...
 
Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão 
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo-
só palavra
Abstracção
ponto no espaço
teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo –
era poema.
 
Manuel Alegre, sobre Eusébio

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Rainha Vermelha de Philippa Gregory


Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York.
Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior
.

A MINHA OPINIÃO:

A Rainha Vermelha é o terceiro livro que leio da saga sobre a Guerra dos Primos ou Guerra das Rosas de Philippa Gregory.
Margarida é a primeira protagonista desta série que não suporto! É ignóbil, mesquinha e cega pela ambição. A sua fé adquire contornos de fanatismo e ela repete-o, constantemente, como um lema como se não o soubéssemos. Torna-se monótono "ouvir" o discurso de Margarida Beaufort. Não sei se é propositado ou não. Apesar deste ininterrupto elogio falseado de humildade a si própria, Margarida é competente como personagem. Gregory retrata-a através dos seus pensamentos, acções e alianças e, por mais, que não inspire confiança ou simpatia , não podemos negar que ela tem coragem. Pode não ser aquela que é contada como a mais bela das virtudes e pode até ser motivada pela loucura contudo, é coragem! Luta pelo direito ( verdadeiro ou não!) do filho ao trono e transforma-se numa hábil política e estratega. Não há como fugir à arrogante e prepotente Beaufort. A autora não é comedida em adjectivar a personagem principal e isso até causa admiração. Ao invés de a descrever como a pobre coitada que teria remorsos e arrependimentos, ela opta pelo oposto, o que provavelmente se assemelhará muito mais à realidade da época. Correndo o enorme risco de a leitura se tornar repulsiva, Philippa Gregory é honesta. Com outro autor, este livro poderia tornar-se num falhanço tremendo todavia, a escritora tem o dom da narração. Não há nada como um mistério ou uma conspiração para agarrar o leitor. É isso que ela faz! Dá ao espectador o outro lado da história de A Rainha Branca para que tire as suas próprias conclusões. No entanto, este "quase" complemento ao primeiro livro, é deficitário em imprevisibilidade. Como o desfecho já é sabiamente conhecido, o efeito surpresa é inexistente. Não obstante, a minha curiosidade por Henrique Tudor e Isabel de Iorque inicia-se aqui. Como fugirão às "garras" das respectivas mães?
A Rainha Vermelha é o que menos aprecio da saga até agora pelas razões acima enunciadas da qual a mais preponderante é a minha antipatia por Margarida. Além disso, ainda me fazem confusão a tradução literal de todos os nomes próprios anglo-saxónicos ( Henry=Henrique). Porquê?...
 
3.5/7- BOM

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Devaneios do dia...Boas festas!

                                                           (imagem daqui)
Ho! Ho! Ho! Boas festas a todos!!! Que haja muita saúde, paz, alegria e claro, muitos livrinhos! Eu não me posso queixar... A minha meia de Natal está carregadinha deles:)!
 
Como já devem ter reparado, o blogue tem estado um pouco abandonado. ("Shame on me!")Estive  doente, comecei o meu estágio de 6º ano ( "help me!") e a minha tese de Mestrado. Aqui está a explicação pelas publicações serem poucas nos últimos tempos.
 
Espero que perdoem esta desnaturada...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Scarlett de Alexandra Ripley

"Amanhã é um novo dia" - assim acabava o grande clássico de Margaret Mitchell E Tudo o Vento Levou.
Agora, pela mão de Alexandra Ripley, a saga continua, e o romance entre Scarlett O'Hara e Rhett Butler atinge o seu ponto culminante.
Com Scarlett regressamos a Tara e às personagens que nos são tão familiares. Rhett, Ashley, Suellen, a tia Pittypat e tantas outras.
Que novas alegrias, frustrações e aventuras lhes reserva o futuro? Que acontecerá a Ashley agora que Melanie morreu? Conseguirá Scarlett reconquistar o amor de Rhettt?
Scarlett é um romance colorido e irresistível, digno sucessor de E Tudo o Vento Levou, um livro para apreciar enquanto Scarlett e Rhett tiverem lugar nos nossos corações...
SCARLETT - A EMOCIONANTE CONTINUAÇÃO DE E TUDO O VENTO LEVOU DE MARGARET MITCHELL.

A MINHA OPINIÃO:

E Tudo o Vento levou é dos meus livros favoritos de sempre! Assim que chegou ao meu conhecimento que existia uma sequela soube que tinha de a ler. Scarlett não é uma obra da autora do original que, faleceu num acidente antes de projectar uma sequela. Até existem rumores de que ela não a queria. Porém, após algumas disputas legais foi escolhida Alexandra Ripley como a escritora para este Scarlett. É quase impossível não comparar as duas autoras. As grandes criações de Margaret Mitchell são, indubitavelmente, Scarlett e Rhett Buttler e Ripley tentou abarcar a sua inequívoca grandiosidade. A sua história é eternamente apaixonante porque conjuga a guerra, a revolução de ideais, a sobrevivência e claro, um amor épico entre dois egos gigantescos que se encontram em constante batalha. Contudo, em Scarlett, a vida dos protagonistas torna-se algo monótona. Alexandra Ripley ainda mantém alguma chama no início do livro porém, esta esmorece com a mudança de cenário para a Irlanda. A obra não é péssima, pelo contrário, lê-se muito bem e se não estivesse sob a sombra permanente do anterior até me marcaria mais. Todavia, a evolução de Scarlett de rapariga obstinada e caprichosa a mulher responsável e madura não é suficientemente convincente. A Scarlett de E Tudo o Vento Levou era uma personagem que despoletava paixões e ódios com a mesma facilidade. Não era a típica heroína, boazinha e sofredora. Era uma lutadora com arestas por limar, cheia de defeitos que nos prendiam à acção. Esta Scarlett de Ripley é, a partir de certo momento, monocórdica e sem o seu brilho característico. Compreende-se que autora queria instigá-la de um pouco de maturidade no entanto, ao longo do livro, ela vai perdendo a sua identidade. O mesmo acontece com Rhett Buttler. Apesar de não ser tão denunciado como na protagonista já que, este aparece menos vezes, também ele perde um pouco do seu carisma ao longo das páginas. Quanto a personagens secundários, Ashley é o que me causa mais tédio. A sua personalidade fraca e descrente é irritante ( oh homem, mexe-te!!!). É alguém que continua cativo no passado e se recusa a inovar.
Scarlett é um livro de nível mediano que vive atormentado pelos fantasmas do seu antecessor. Ainda assim, é uma narrativa que proporciona momentos aprazíveis e um fim mais " cor-de rosa" que julgava querer... Mas, nem sempre o que desejamos é o melhor que pode acontecer!

4/7- BOM

sábado, 19 de outubro de 2013

Promessas de Amor de Sherry Thomas

Elissande Edgerton é uma mulher desesperada,uma prisioneira na casa do tio tirano. Apenas através do casamento pode ela reivindicar aliberdade por que anseia. Mas como encontrar o homem perfeito? Lorde Vere está habituado a armadilhas irresistíveis. Como agente secreto do governo, localizou alguns dos criminosos mais tortuosos em Londres, enquanto mantém a sua fachada de solteirão idiota e inofensivo. Mas nada pode prepará-lo para o escândalo de ser apanhado por Elissande. Forçados a um casamento de conveniência,Elissande e Vere estão prestes a descobrir que não são os únicos com planos secretos. Com a sedução como única arma – e um segredo obscuro do passado a pôr em risco as vidas de ambos –poderão eles aprender a confiar um no outro, mesmo enquanto se entregam a uma paixão que não pode ser negada?

A MINHA OPINIÃO:

Promessas de Amor é puro entreternimento! Sherry Thomas é das poucas escritoras que ainda me consegue surpreender dentro deste género de livros. Este é particularmente hilariante porque a fachada que é Vere, o protagonista, é de arrancar gargalhadas. Como esconder uma inteligência sublime e um espião sob a identidade de um idiota? Com muita sabedoria mas também com um pouco de ironia mordaz, a autora carva um romance histórico delicioso que põe em rota de colisão duas pessoas que se adoram mas, que não o sabem. Aquele brilhozinho nos olhos, aquela dança entre os protagonistas e as conversas cheias de humor velado são o que mais atrai o leitor. É claro que estes livros têm sempre o mesmo fim porém, isso não significa que o enredo tenha de ser aborrecido. O que mais impressiona nas personagens é a sua genuidade e sinceridade de carácter. Têm dúvidas e receios como nós e a situação em que Elissande se encontra é perfeitamente compreensível, passível de compaixão e a sua determinação é assaz inspiradora. O facto de Vere, o personagem masculino se comportar como uma idiota perante a sociedade ainda torna o livro mais interessante e diferente do habitual. Fisicamente, ele é, indubitavelmente, atraente à nossa heroína porém, assim que ele abre a boca e surgem chorrilhos e chorrilhos de estupidezes, ela rapidamente se desinteressa. Vere, têm de tentar consquistá-la mesmo parecendo um autêntico idiota. Isto é incredivelmente divertido! No entanto, Sherry Thomas não se contenta com casalzinho principal e as páginas também são apimentadas pelas outras personagens secundárias que, têm destinos igualmente criativos. Freddie, o irmão de Vere é um desses exemplos. A autora consegue ainda introduzir temas mais complexos como a violência doméstica, vício do ópio e mesmo, assassínio. Tornam o livro mais real, não tão fantasioso e contrabalaçam na perfeição o seu lado mais hilariante. Eis uma leitura fantástica que proporciona descontracção e uma fuga para o passado ( muito feliz!) e sorrisos muitos sorrisos!...

5/7- MUITO BOM

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A Rainha Branca de Philippa Gregory

A história do primeiro volume de uma nova trilogia notável desenrola-se em plena Guerra das Rosas, agitada por tumultos e intrigas. A Rainha Branca é a história de uma plebeia que ascende à realeza servindo-se da sua beleza, uma mulher que revela estar à altura das exigências da sua posição social e que luta tenazmente pelo sucesso da sua família, uma mulher cujos dois filhos estarão no centro de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o desaparecimento dos dois príncipes, filhos de Eduardo IV, na Torre.

A MINHA OPINIÃO:

A Rainha Branca é, cronologicamente, o segundo livro desta saga de Philippa Gregory. Inicialmente, publicitada como uma trilogia já se transformou numa saga. Este volume é de Elizabeth (Isabel), filha de Jacquetta de A Senhora dos Rios. Ao influir o dom da previdência e a capacidade de lançar maldições na história, Gregory dá algo de imprevisível ao previsível. A escritora é fluída mesmo ao relatar as guerras, as trocas de alianças políticas e a cobrir anos e anos da vida de Isabel. É verdadeiramente notável a forma como ela alia a caracterização histórica à componente ficcional! Sem nunca perder o fio à meada, descreve a instabilidade da monarquia inglesa durante a Guerra das Rosas onde nem os laços de sangue significam paz. Nesta obra, a família nem sempre simboliza segurança e conforto.
Eduardo IV, o amado de Isabel, é uma personagem muito curiosa: é muito frontal, corajoso e dinâmico porém, tem uma certa ingenuidade um tanto juvenil de acreditar sempre na bondade e na boa vontade dos demais, o que lhe trará alguns dissabores. Os seus dois irmãos, Jorge e Ricardo, também filhos da casa de Iorque outrora indissociáveis da sua corte já não são tão fiéis quanto ele esperaria. Gregory não faz uma transição abrupta de alianças, é bastante elucidativa ao especificar os porquês das mudanças de alianças. Todavia, existe uma pequena barreira de confusão na sua escrita: os nomes iguais das inúmeras personagens. A culpa não propriamente dela, é da pouca originalidade que existia nas casas reais inglesas. Por exemplo, Isabel, a protagonista tem dois filhos que se chamam Ricardo e um deles tem como tio, Ricardo, o irmão mais novo de Eduardo IV. No início, aborreci-me com este facto mas, não a leitura não deixou de ser incrivelmente acirrante! Isabel tem uma história tremenda e cruza-se com outras vidas que partilham o mesmo adjectivo. A mulher, a mãe, a esposa são as facetas que a autora explora sem pudor expondo sentimentos tão humanos como o perdão e a traição. Não obstante, não se descura ao narrar as histórias paralelas e mais uma vez, instiga a nossa curiosidade para o volume seguinte. O mistério dos princípes da Torre é das jogadas mais brilhantes da escritora pois, ela coloca todas as pistas na mesa mas, somos nós que teremos de chegar a uma conclusão.  
A Rainha Branca é uma leitura deslumbrante que proporciona prazer e aprendizagem...

6/7-EXCELENTE

TRAILER DA SÉRIE:

 

domingo, 1 de setembro de 2013

Férias...

(imagem tirada da net)

Olá amores! Vou de férias uma semana para Porto Santo e claro, vou levar muitos livrinhos comigo. Ainda tenho muito críticas em atraso mas, isto de estar doente não tem ajudado. Espero voltar melhor! 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

(TAG) Alfabeto Literário


Hellooo amoras!!! 
Como devem ter reparado os Devaneios têm andado um pouco abandonados... Tenho estado adoentada e embora, tenha lido bastante tenho pouca inspiração para escrever (resultado=5 críticas em atraso!). Porém, hoje tinha responder a este TAG da querídíssima Catarina do Páginas Encadernadas.  

O objectivo é encontrar na estante cinco livros que comecem pelas 5 letras escolhidas pela pessoa que te indicou. (Os artigos não contam; por exemplo, Os Jogos da Fome contam como J.). Desta forma, as letras escolhidas pela Catarina para mim foram:

J I O R S

As minhas escolhas são:


Jogo de Mãos de Nora Roberts

Jogo de Mãos foi o primeiro livro que li de Roberts e fiquei tão viciada nele que o devorei em pouco tempo. Luke e Roxanne apaixonaram-me com a sua relação intempestiva e pela sua capacidade de superar obstáculos. O ilusionismo foi um bónus delicioso.

Inkheart-Coração de Tinta de Cornelia Funke


Eis um livrinho que me surpreendeu  muito. Parecia uma história juvenil sem muitos atractivos porém, revelou-se uma aventura brilhante. E é perfeita para amantes de livros! Imaginam as personagens a saltar para fora das páginas?


(O) Observatório de Emily Grayson

Este faz parte de um volume com quatro livro das Selecções. Li-o há quase 10 anos todavia, ainda me recordo muito bem das duas gémeas protagonistas.  Era uma relação quase inexistente até o destino as juntar mais uma vez. É uma história doce sobre família, luto e amor.


(A) Rainha Crucificada de Gilbert Sinoué

Inês de Castro e Pedro de Portugal é um amor trágico sobejamente conhecido mas, Sinoué deu-lhe um toque de originalidade e o seu tom quase poético é belíssimo!

(A) Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón


Não há muitas palavras que consigam descrever este livro... Fenomenal, brilhante, absolutamente magnetizante, incrível... já chega! Acho que já perceberam a ideia! Leiam-no!

Vou passar esta TAG a:

Bookeater/Booklover- com as letras F O P I T

Chaise Longue- com as letras G C A R M

As Leituras do Fiacha- com as letras P E A J B

O Labirinto dos Livros- com as letras D L N U Q

A Magia dos Livros- com as letras V S H I E

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo (Millennium II) de Stieg Larsson


Neste segundo volume da trilogia Millennium, Lisbeth Salander é assumidamente a personagem central da história ao tornar-se a principal suspeita de dois homicídios. A saga desenvolve-se em dois planos que se complementam e só a solução do primeiro mistério trará luz ao segundo: Há que encontrar os responsáveis pelo tráfico de mulheres para exploração sexual para se descobrir por que razão Lisbeth Salander é perseguida não só pela polícia, mas por um gigante loiro de quem pouco se sabe.

A MINHA OPINIÃO:

Alucinante!!! É a palavra que melhor descreve o segundo volume da trilogia Millennium. No entanto, o primeiro terço do livro é uma verdadeira luta de adaptação. As descrições longas e os nomes completamente distintos dos que, habitualmente, encontro aliados ao facto de ter lido o primeiro há alguns meses dificultaram-me a leitura. Após este período conturbado, o vício surgiu e as páginas voaram. Ao contrário do anterior, este livro debruça-se mais sobre o passado misterioso de um dos protagonistas, Lisbeth. E que passado! Uma verdadeira teia de segredos que enreda o leitor e que não oferece nenhuma escapatória. Os acontecimentos sucedem-se vertiginosamente e, como sempre a história é impactante não poupando o leitor a verdades cruéis ou a momentos aterrorizadores. Sente-se o medo em cada página recheada de revelações marcantes que, mesmo inesperadas não são estapafúrdias. Indubitavelmente, Lisbeth é quem granjeia todos os meus elogios. É uma personagem soberba criada Larsson! Nunca li nada que se lhe assemelhasse... É daquelas que são constituídas por imensas camadas, cada uma mais intrincada que a outra. Quando julgamos que a conhecemos, ela reinventa-se e surpreende-nos mais uma vez. Não é fácil de compreender algumas das suas acções e isso também nos leva a continuar a ler fervorosamente na esperança de encontrar uma causa ou um significado. Mikael Blomqvist também me agarrou muito mais aqui do que no primeiro livro. A sua determinação, curiosidade insaciável de jornalista e claro, a sua relação estranha com Lisbeth são provavelmente, das coisas que mais aprecio nele. Mikael é  o perfeito "parceiro" mesmo com as suas imensas falhas nomeadamente, o de não reconhecer sentimentos mesmo em frente as seus olhos. O livro ainda contém inúmeras personagens secundárias expostas detalhadamente pelo autor.  Há muitas de carácter duvidoso e uma é particularmente, horripilante. Stieg Larsson não é apologista de subtileza ou de eufemismo logo, quando apresenta esta personagem fá-lo sem medos e inibições. Cria assim um antagonista credível, repugnante e que inspira pavor tanto no leitor como nos outros interveniente da história. 
A Rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo é uma leitura excelente porém, não é para todos os palatos devido ao seu conteúdo chocante.

6/7- EXCELENTE

TRAILER DO FILME:



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dias de Ouro de Jude Deveraux


Escócia, 1766. Angus McTern tem tudo o que pode desejar na vida. Embora o avô tivesse perdido as terras e o castelo da família num jogo de cartas quando Angus era pequeno, ele continua a encarar seriamente os seus deveres na qualidade de laird. Por conseguinte, quando a herdeira legítima do castelo — a bonita Edilean Talbot — aparece, a calma existência de Angus fica abalada para sempre… 
No início, Angus trata Edilean com frieza. Ressente-se da educação privilegiada da jovem e sente-se enraivecido pela forma como todo o seu clã parece adorá-la. Contudo, quando a herança de Edilean é roubada e ela precisa desesperadamente da sua ajuda, Angus põe o orgulho de lado. Porém, nem tudo é o que parece, e devido a uma terrível confusão Angus é acusado de se apoderar da herança da jovem. A partir desse momento, a única forma de escapar à perseguição consiste em subir a bordo de um navio na companhia de Edilean. Durante a travessia, o amor começa a nascer entre eles. Contudo, a felicidade é de curta duração pois não é a liberdade aquilo que os espera na América, mas o ganancioso noivo de Edilean, que faz tudo para obrigar Edilean a regressar à Escócia com ele. Porém, o destino volta a reunir Angus e Edilean...

A MINHA OPINIÃO:

Dias de Ouro é o segundo livro que leio de Jude Deveraux mas, este distingue-se do anterior pela sua acção se desenrolar no século XVIII muito antes dos acontecimentos retratados em Jardim de Alfazema. O início do livro é deveras cativante porque coloca em primeiro plano os contrastes existentes entre Angus e Edilean. O escocês teimoso e a herdeira inglesa mimada! É como um "romance de época" mas, não cai em sentimentalismos desnecessários e não é tão erótico. Contudo, abunda sensualidade e também opta por trilhar um caminho diferente. Não é amor à primeira-vista exceptuando, para um deles (Angus) que é demasiado teimoso para ceder. Edilean é ingénua no sentido em que quer tanto uma coisa que não mede as consequências ou vê os perigos que corre porém, não é uma tola que perde toda a sua identidade quando conhece o amor da sua vida. Pelo contrário, ela é das personagens que mais cresce ao longo do livro. Ao juntar uma relação cheia de química à aventura e à descoberta de um mundo novo, Deveraux consegue fazer com o ritmo de páginas iniciais se torne quase ininterrupto. A história também não carece de humor, o que é, particularmente, refrescante! Coincidência ou não, um dos momentos mais hilariante surge quando o livro mais precisa dele. Revitaliza os capítulos finais cuja vivacidade tinha esmorecido. Isto deve-se ao facto de a autora introduzir e reintroduzir novos personagens que, sinceramente tornaram as páginas demasiado populosas. Se algumas fizeram sentido e acrescentaram profundidade à obra, outras não me comoveram minimamente. No entanto, estes percalços não mascaram a delícia desta leitura. É perfeito para uma tarde de Verão em que só queremos diversão sem ser estúpida ou ridícula! Apesar de o ritmo não se manter constante ao longo  de  Dias de Ouro, a escritora mostra que também sabe mergulhar no passado e trazer à tona, um conto há muito tempo perdido sobre uma cidadezinha chamada Edilean...

4/5- BOM

sábado, 10 de agosto de 2013

Sputnik, meu Amor de Haruki Murakami


Um jovem professor primário, identificado apenas pela inicial “K”, apaixona-se por Sumire, uma jovem aspirante a escritora. Quando esta entabula uma relação com Miu, uma enigmática mulher de meia idade que a emprega como secretária, K é relegado para o ingrato papel de confidente. Sumire, porém, estando de férias numa ilha grega em companhia de Miu, desaparece misteriosamente, e K é chamado para ajudar nas buscas. Um estranho triângulo que oferece uma profunda reflexão sobre solidão, sobre os sonhos, sobre as aspirações do indivíduo e a necessidade de os adaptar à realidade.

A MINHA OPINIÃO:

Há algo de muito especial nas obras deste autor! Sputnik, meu amor é um exemplo perfeito da mestria do escritor. É um livro estranho e que quase flutua de tão etéreo que é, no entanto, não deixa de nos tocar profundamente. A base surrealista de Murakami que sustenta toda a sua obra é, mais uma vez, poética e transformista. Uma história aparentemente vulgar e banal é metamorfoseada em personagens diferentes do comum mas, ainda assim são atingíveis ao simples leitor. O escritor apela ao lado emotivo do espectador destas vidas através de um sentimento ou de um pressentimento que facilmente os une. Neste caso, é a solidão. Sumire, Miu e K, o narrador, vivem numa espécie de triângulo de relações. Apesar de estarem sempre em contacto uns com os outros, não conseguem ultrapassar a barreira que os impede de ser mais íntimos e de matar a solidão que os consome. É um livro que se tornaria aborrecido e até estúpido se não tivesse um toque de fascínio que nos prendesse as suas páginas. Esse apego provém da prosa fluida e melodiosa de Murakami que parece espelhar a nostalgia das personagens. Há descrições simplesmente maravilhosas das ilhas gregas, fisicamente visíveis, porém, as mais marcantes são sobre a alma e o coração, invisíveis ao mais distraído e ao menos curioso.  Claro que a história está pejada de acontecimentos inusitados ou não fosse este um livro de Haruki Murakami. Estas "pontas soltas" são o que mais atrai nas suas obras porque me deixam na expectativa, obrigam-me a pensar num futuro incerto ou no porquê de ali estarem. É daquelas situações que podem frustrar alguns leitores mas, também permitem reflectir no além das palavras, naquilo que está escondido por metáforas, símbolos ou sinais. O início da história marca pela confusão que suscita em admiradores do escritor pelo défice de estranheza. A reviravolta surreal surge pouco tempo depois e o que se assemelhava a uma leitura linear é completamente reinventado num original e viciante conto de três pessoas anormais na sua normalidade. Sputnik, meu Amor não se equipara  à grandeza de Kafka à Beira Mar ( que ainda hoje povoa os meus pensamentos!) contudo, é belíssimo na sua tragédia ou na sua felicidade dependendo de como o interpretemos.

6/7-EXCELENTE