sábado, 29 de junho de 2013

Devaneios Cinematográficos... Man of Steel (2013)- Homem de Aço de Zack Snyder




A MINHA OPINIÃO:

Man of Steel (2013) é um filme realizado por Zack Snyder e produzido por Christopher Nolan e relata a história de Clark Kent/ Kal-El (Henry Cavill) ,ou seja, é baseado nos livros de banda-desenhada de Superman (Superhomem). Não é a primeira incursão deste tipo para Nolan que realizou, escreveu e produziu a trilogia: Batman Begins, The Dark Knight e The Dark Knight Rises. Ele tem a capacidade de dar realismo a estas personagens o que por vezes, é esquecido em filmes deste género. Assume-se que todos os heróis têm poderes e, que isso, não incomoda os demais mortais. Com Nolan é diferente... Resultou muitíssimo bem com o Batman que era um humano que se servia do seu intelecto e vasta fortuna para combater o crime. A parte científica da "coisa" era fácil de explicar! O busílis da questão surge quando se adapta para o cinema, a história de um extraterrestre que tem a capacidade irrealista de voar, força sobre-humana e é capaz de sobreviver a uma explosão nuclear. Para isso, Nolan juntou-se a Zack Snyder que é conhecido pela sua visão fantástica e desta colaboração improvável nasceu Man of Steel.


O filme beneficia do estilo de ambos e do argumento de David Goyer (que também trabalhou na trilogia de Batman) assentando a história do protagonista numa realidade plausívelmente acreditável de ele a ser a resposta às questões: Estamos sozinhos no Universo? Como nos sentiriamos se houvesse alguém assim entre nós? e Como se sentiria esse ser que foi educado na Terra mas, não é daqui?. São perguntas que facilmente faríamos como humanos logo, foi uma boa aposta da produção. Também contém cenas épicas e estrondosas que costumam ser a assinatura de Snyder. Porém, neste Man of Steel, ele supera-se e a acção é formidável e visualmente espectacular! Das melhores que tenho visto em filmes do género. Considerado por muitos, o mais "aborrecido" dos super-heróis,  o homem de aço ganha assim várias dimensões que muitas vezes, eram esquecidas em adaptações cinematográficas posteriores. Acho que em certos aspectos consegue ser muito fiel à essência da banda desenhada e obnubila tudo o que foi feito previamente no cinema.


Há, obviamente diferenças. Abençoadas!!! Lois Lane de Amy Adams é das melhores surpresas! Ela é inteligente, parte da solução e não o problema e comporta-se exactamente da mesma maneira face a Clark ou ao seu alter-ego. Fazia-me imensa confusão, o como de uma vencedora de um Pulitzer se comportar como uma adolescente néscia perante um homem de capa vermelha nos outros filmes. Se bem que acho que a história de ambos tem um "fim" demasiado rápido. Tem um ínicio prometedor com a construção de uma amizade e confiança todavia, vira amor muito rapidamente. Contudo, não a censuro. O mundo estava a acabar e o homem até nem é feio ou burro...Para mim, este é talvez um pontos fracos da metragem, a pouca troca de farpas hilariantes e o parco diálogo irónico e mordaz entre Lois e Clark que é tão característicao deste casal na banda-desenhada. Há insinuações do que podemos esperar no futuro que é como quem diz, na sequela. A última cena de ambos é perfeita! Amy Adams não é nada convencional e um deleite vê-la actuar. Donzela em perigo? Nem pensar! Se bem que há alturas (em que estamos a cair!) que é muito bom e conveniente ter um namorado que voa...




Quanto ao restante elenco, Russel Crowe e Kevin Costner são quase irrepreensíveis como Jor-el, o pai biológico e o pai adoptivo, respectivamente. Os flashbacks em que aparecem são muito tocantes e reveladores e uma maneira astuta de contar uma história sem ser linear mas também sem ser confusa. Zod de Michael Shannon é também muito bem construído e conseguimos compreender a sua obsessão apesar de não concordarmos com os seus meios para atingir os seus fins. Não é só um vilão uni-dimensional que, um dia acordou e lhe apeteceu destruir e matar a Terra. Quanto a Henry Cavill, o protagonista assenta-lhe perfeitamente. Gosto da profundidade que ele dá à personagem, ou seja, aquela sensação muito humana de não saber o que fazer ou de não saber se está a fazer o que é certo. E mesmo ao interpretar o jovem e adolescente Clark , esse turbilhão está presente e bem mais expansivo emocionalmente.


No entanto, o filme tem os seus perçalcos. Precisava de mais coesão e harmonia particularmente no terceiro acto em que tudo acontece muito rapidamente sem dar azo a intervalos para digerir cenas impactantes.  Espero que os corrijam nas possíveis sequelas e que elas aumentem de qualidade progressivamente. É um filme que reinventa um mito cinematográfico empoeirado e que precisava de um safanão que quebrasse todas as ideias pré-concebidas. O objectivo foi atingido e traz como bonús mais uma banda sonora genial (mais uma!) de Hans Zimmer!

TRAILER:

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Devaneio do dia... O impacto do Casamento Vermelho (Red Wedding)-cortesia da HBO e George R.R.Martin



Devaneio do dia é um novo espaço aqui do blogue. Já há algum tempo que pretendia criá-lo e basicamente, serve para colocar opiniões, ideias, pensamentos ou simplesmente, momentos de pura diversão que não se encaixam em nenhuma outra rubrica. 

Nada como inaugurá-lo com o Casamento Vermelho da Guerra dos Tronos! O choque e o horror que varreu os espectadores da série após a exibição do último episódio foi deveras impressionante! As redes sociais encheram-se de comentários atónitos e de incredibilidade... 


Game of Thrones é, indubitavelmente, das melhores séries televisivas do momento porém, grande parte do seu poder de atracção vem das personagens de George R.R Martin que as criou para a sua saga de livros: As Crónicas de Gelo e Fogo. Como sou uma leitora fervorosa deste senhor de barbas brancas sabia o que aí vinha. Contudo, é brutal ver o quão comovente pode ser uma cena bem escrita, bem representada e totalmente imprevisível. Provocou choro, indignação e revolta! No entanto, é inegável a transversalidade da história que a cada dia que passa, parece ganhar mais e mais adeptos. (Os vídeos contêm spoilers!)



The Red Wedding relembra-nos que ninguém está a salvo naquela série e, como tal quase que dá para estabelecer um paralelismo com a vida real. Nem sempre os bons ganham... Vejam a série, leiam os livros e preparem-se para agarrar do chão os pedacinhos do vosso coração partido! Ah, e aviso-vos desde de já que há mais um casamento a caminho, The Purple Wedding, o casamento Roxo. Vai acontecer a mesma coisa, perguntam vocês? Não, claro não... meus amores é George R.R Martin! A surpresa é a sua melhor arma.

Compilações das reacções ao Casamento Vermelho:  

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Novas aquisições... Prendinhas de aniversário e 1ª visita à Feira do Livro


Eis os últimos livrinhos a chegar à minha humilde casa! Já tenho muitos é certo mas, eles nunca são demais! Acho que qualquer dia, não consigo entrar no meu quarto... 

Os livros da primeira fotografia foram as minhas prendinhas de aniversário!Agora, tenho oficialmente um quarto de século... E os meus amigos, amigas e familiares presentearam-me e mimaram-me luxuosamente .Adoro receber livrinhos!

A segunda fotografia é testemunho das minhas primeiras visitas à Feira do Livro de Lisboa. Os meus locais preferidos continuam a ser as bancas dos alfarrabistas e a banca da Saída de Emergência. A banca anti-crise é uma perdição e quase que me desgraçava lá! De resto, prefiro ir sempre na Hora H e trouxe muitos dos que vêem na foto a metade do preço. A Princesa dos Gelos é um intruso porque comprei-o para oferecer à minha sobrinha que, qualquer dia é pior do que eu!

E vocês já passaram pela Feira? O que acharam?

Amor Ingénuo de Catarina Ferreira (Divulgação)

Amor Ingénuo é um livro de Catarina Ferreira. Apesar de o manuscrito ter sido aceite por duas editoras, o orçamento era demasiado elevado para autora e ela optou pela auto-publicação.

O livro está à venda apenas em lojas online, formato digital EPUB.Para o comprar basta ir a LeyaOnline, Wook, Fnac, IBA, Gato Sabido e Amazon. Custa 5,99€. Ao fazer o download do livro, também se pode fazer o download do e-reader “Adobe Digital Editions”. É gratuito!

Sinopse:

Eras capaz de perdoar e esquecer?

Samanta tem apenas 19 anos, mas já sentiu o sabor da traição.
Após a descoberta das mentiras do namorado e amigos, optou por fechar-se em casa e desistir de todos os seus sonhos.
Até que um dia, a sua melhor amiga Lídia, que nunca a abandonou, precisou da sua ajuda.
Samanta enfrentou os seus medos e mudou-se para o apartamento da amiga.
Enquanto a sua amiga vive o sonho de estudante de universidade, Samanta vive uma vida rotineira.
Lídia, decidida a ajudar a amiga, convida-a para uma festa em casa do vizinho do seu namorado Guilherme, e não aceita “não” como resposta.
Gabriel é um rapaz atlético e misterioso, mas está apaixonado pela rapariga errada.
Apesar dos receios de cada um, embarcam em encontros duplos.
Dúvidas e ciúmes são constantes, pondo à prova os sentimentos de Samanta pelo Gabriel e as suas novas amizades.
O que Samanta não sabe é que as intenções de Gabriel não são o que parecem.
E Samanta esconde algo que não quer revelar.
Nesta relação há mais segredos do que os olhos podem ver.
Será que existem descobertas que podem ser perdoadas?

Nota: As datas e certos lugares são reais. No entanto, as personagens e alguns estabelecimentos e casas não.



Para mais informações acerca de “Amor Ingénuo” visite cat-ferreira.blogspot.com

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Nova rubrica (conjunta!)- |E se...|


Olá amoras,

é com muita alegria que anuncio a primeira rubrica conjunta dos Devaneios. Chama-se |E se...| e é uma ideia prodigiosa da Catarina do Páginas Encadernadas. A esta iniciativa juntou-se também a Sandra do Mil Estrelas ao Colo. Nunca desejaram que uma personagem escolhesse outro caminho? Não gostaram do fim de um livro? Pois, bem eis a vossa oportunidade. Esta rubrica consiste na escolha de um livro que todos tenham lidos e fazer questão: E se?..., criando assim histórias alternativas. O debate será num grupo no facebook e depois de organizada a discussão será publicada aqui e no cantinho da Catarina.

Mais informações em Páginas Encadernadas. Se quiserem participar, avisem através do mail do blogue, através da página do facebook e/ou então, através da caixa dos comentários.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Crónicas & Caprichos de Julia Quinn



As mães casamenteiras da alta sociedade londrina, estão ao rubro. Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) Duque de Hastings, está de volta Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…

Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos.
Juntos, os jovens decidem fugir de um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada. Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal. 

A MINHA OPINIÃO:

Crónicas & Caprichos é simplesmente encantador!!! São poucos os "romances de época" que me surpreendem e que me conseguem cativar de modo a que os leia quase ininterruptamente até madrugada. Denomino este género de livros de "romances de época" porque o conceito "romance histórico" é, obviamente mais lato. Claro que delimitar a fronteira entre os dois torna-se confuso mas, para mim, este tipo de obras são aquelas que contêm uma história de amor com muita sensualidade que, invariavelmente terminará no "felizes para sempre". Porém, é raro encontrar escritoras inovadoras dentro desta temática! Muitas restringem-se a construir as personagens principais e muitas vezes, estas são umas cópias baratas e completamente acéfalas. Felizmente, Julia Quinn não pertence a esta categoria! Tem uma escrita simples, divertida e os seus protagonistas tem diálogos mordazes e estimulantes. E tem vários bónus! Todos os personagens secundários são igualmente fabulosos cheios de tiradas sarcásticas e hilariantes. Assim, Quinn obriga-nos a ler os seguintes volumes da série Bridgerton porque é quase impossível não ficar apaixonada pela obstinada mãe, Violet e pelos irmãos Anthony, Benedict e Colin. A irmã mais nova, Daphne, a heroína da história é tudo o que não esperaríamos encontrar num livro assim. É inteligente, pró-activa, cheia de vivacidade e não se coíbe de colocar o seu par romântico na ordem! Desde o primeiro encontro até ao final do livro, ela mantém-se fiel a si própria, um furacão que transforma a vida de Simon num turbilhão de emoções. Muito obrigada Julia Quinn por mostrares que uma mulher apaixonada não é sinónimo de submissão e perda de identidade! Finalmente, alguém teve coragem de romper com esses dogmas estúpidos! Todavia, há coisas que nunca mudam...  Sim, o fim é previsível. Mas, quem se importa com isso quando estamos tão vidradas no livro? Quando não conseguimos levantar os olhos das páginas? Ninguém! Quando me apercebi já ia na última página... É uma leitura leve, propícias a sorrisos "parvos" que surgem logo no início e a gargalhadas que são reflexos dos imbróglios em que se metem as personagens. Uma autêntica delícia!

5,5/7- MUITO BOM

PS: Obrigada querida Sandra e querida Catarina por me apresentarem a um novo vício!

sábado, 18 de maio de 2013

SobreViver de Miguel Almeida (Divulgação)


SobreViver é 4º livro de Miguel Almeida. Um poeta português que merece ser descoberto!

Crítica de Imprensa:
“Miguel Almeida é um escritor de interrogações, que se empenha na palavra para arriscar lucidamente a vida, e desse risco fazer poesia.”
Maria Alzira Seixo

“Miguel Almeida dá-nos a poesia a olhar o mundo, a olhar-se a si própria e a agir sobre o acto de pensar. SobreViver é um caminho para o deslumbramento. É um livro que merece ser lido.”
Maria Fernanda Navarro

No PREFÁCIO, assinado pelo Grande Poeta Joaquim Pessoa pode ler-se:

UMA POESIA CORAJOSA
"SobreViver é um livro que interroga, se interroga, nos interroga, e que confronta a vida e a morte, num mundo onde nada morre, tudo se transforma. Miguel Almeida começa por se interrogar: “Como explicar a morte / E a falta de sentido da vida?”. A vida como supremo bem, a morte como fim de tudo, parece ser esta a ideia fundamental do autor, nas dúvidas e nas incertezas. E parece-me que nas certezas também, sobretudo porque, neste homem, existe um outro, o escritor, o poeta que quer saber o sentido da vida, saber do seu percurso enquanto “água que corre”. Provavelmente, em busca da “perspectiva total do todo” pode o poeta ser enganado, ludibriado por uma dimensão humana que ele próprio quer ultrapassar para romper limites, iniciar ou reiniciar viagens onde possa atingir e percorrer territórios que estejam para lá da emaranhada selva das perguntas.

O que ser? O que preferir?, sendo nós impotentes na escolha, como se ela estivesse já determinada, essa “sentença que nos espera, uma pena que a vida tem para cumprir”. E como se a vida fosse um sonho, a solução é fugir-lhe talvez através do amor, de um sonho alheio, tendo consciência de que a única certeza é também a única dúvida: “ Hoje estou aqui, / Na Terra / Mas amanhã / Quem o saberá?”.

Esta é uma obra que obedece a uma perspectiva e a um sentimento existencialistas. Necessariamente uma obra onde todas as angústias existenciais existem ou, diria melhor, permanecem, e onde o poeta para além de se/nos interrogar, dialoga consigo próprio:

“O que vais ser?
Não sei, sei lá!
Não o sabes, sabes lá?!
Não, não sei.
Não sabes, é claro que sabes
Não sabes, como ninguém o pode saber.”

E fica sem resposta, uma resposta que a si mesma se interroga:
“Quantos são os que quiseram ser o que são, / E quantos, sendo aquilo que agora são / Nunca foram aquilo que algum dia desejariam ser?”
Todo o texto do livro é um desfiar do novelo intrincado de perguntas que o poeta a si mesmo formula em nome da nossa existência, da nossa vida quotidiana, da nossa vontade, do nosso futuro. É, de certa maneira, não o Livro do Desassossego, mas um livro de desassossego.E vives procurando / A dor dos outros, que sentida fazes tua / Num sonho alheio, por onde foges à vida”. Como um desengano, um enorme e doloroso desengano para o qual Miguel Almeida não se coíbe de fixar uma solução individualmente comprometida: “(…) por tal engano / Mais vale então morrer, / Que viver assim, / (N)a vida toda, (n)um (des)engano.”

Por outro lado, o autor, apesar da consciência de que numa vida passageira só quase há lugar para perguntas e mais perguntas inquietas e sem resposta (O Sentido da vida), encara essa mesma vida como uma luta permanente “para chegar a saber quem é”.

Sempre tive para mim que a grande poesia está inevitavelmente perto da filosofia, sendo por vezes muito difícil destrinçar a qual dos campos pertencem, exactamente, os versos. Eduardo Lourenço, perante a questão da existência de um pensamento filosófico português, sustenta que onde ele é mais evidente é no discurso dos poetas. 

Miguel Almeida é um poeta-filósofo que faz do ponto de interrogação a sua arma, o motor para avançar no seu tempo, no nosso tempo, sempre em busca de respostas que sabe não existirem cabalmente, mas que, ao formular as suas perguntas, ao levantar as suas questões (e as nossas, entenda-se) mesmo de forma retórica, são uma forma de abanar um certo conformismo genético de todos nós, de colocar o leitor em luta com o poema ou, melhor dizendo, com as ideias, as inquietações e as dúvidas que este levanta e suscita.

Mais do que um livro de sentimento, SobreViver é um livro de pensamento. Logo, um livro inquieto e incómodo, não acomodado à escrita branca, tão em moda na poesia portuguesa dos últimos anos, aquele tipo de escrita da qual Giovanni Papini disse não ser poesia, mas casca e serradura de poesia. Não é um livro em que predomine a imagética ou a construção metafórica, um livro de “inspiração”. É um livro de “respiração”, de quem constrói uma poesia agarrada à vida, ao ser, ao estar, ao permanecer. Não se procurem as “lindas imagens” nas páginas de SobreViver. Essas, cabe-nos a nós, os seus leitores, criá-las em função dos desafios que o poeta nos coloca. Esta é uma poesia que, mais que sugerir, diz. E também deixa claro que Miguel Almeida é um poeta que faz muita falta no panorama da literatura portuguesa, é uma voz carregada de individualidade colectiva e, por isso, não encontro significativos paralelos em relação ao seu discurso. Já tinha ficado impressionado com o autor, quando há algum tempo adquiri e li de um fôlego o seu excelente Templo da Glória Literária, excepcional sobre todos os pontos de vista, mas um livro diferente na sua construção, da obra que estamos a analisar. 

O autor revela-se, cada vez mais, um poeta de discurso sólido, criativo, empenhado perante a vida, com uma poesia que se pensa a si mesma e que pensa cada um de nós, entre os quais o poeta se encontra incluído. Poeta que não hesita em se (nos) perguntar, como uma criança grande: “E se fôssemos imortais e vivessemos para sempre?”. Para além de retórica, a pergunta é traquina. Miguel Almeida sabe bem que “para viver há uma séria exigência: continuar a ser criança”.

O lirismo do poeta é muito contido, mais suave que doce, de uma emoção racional e nele, também, a palavra “útero” tem o tamanho do mundo. Dele, nasce o homem, mas também a liberdade e o conhecimento, e a liberdade do conhecimento, a escolha e a dúvida e, inevitavelmente, a poesia. A vida é mais plena fora do corpo, esse “corpo limitado pelos anos e pelas maleitas que ele traz, / um corpo que nos obriga a pensar outra vez no nosso corpo / agora de uma maneira menos existencial, mas mais essencial”. Para o poeta, como para quase todos nós, a vida é uma luta em que também o corpo participa arduamente (“Para nascer, para viver e para evitar ter que morrer”).

Miguel Almeida sente mais com o pensamento do que pensa com o sentimento e, na sua racionalidade, está a génese da sua poesia. Vê e observa com os “olhos da mente”. 

Poeta assumidamente existencialista, através da sua poesia elaborou para a vida uma receita corajosa:

Se não fores ousado e arrojado,
Se não assumires o risco de querer ser,
Um derrotado exemplar, para que serve a vida?
Se não for mais que uma oportunidade desperdiçada”.
Para o poeta, “a vida é como é, / Não é como deveria ser”. E “Todos somos escravos / E senhores da vida”.

Correria o risco de poder escrever um texto demasiado longo para a função de analisar e apresentar esta obra, e sei que não o devo fazer por diversas razões, sobretudo porque, ao lê-la, o leitor fará igualmente o seu juízo que, ainda que diferente, poderá ser tão certo e tão legítimo quanto o meu. Quero apenas acrescentar o que poucas vezes se faz na abordagem introdutória a um texto literário: que vale a pena ler sem pressas este livro, mastigá-lo, degustá-lo, retirar dele o prazer de se confrontar com cada poema, dar-lhe luta, até. Porque a luta do leitor com o poema é uma luta consigo mesmo, que o obriga a soltar a coragem de se interrogar. E interrogar-se é criar “histórias de valentia ou cobardia”. Porque, como nos lembra o poeta, “Aqui, / Neste mundo, / As pessoas / Já não são / Aquilo / Que fingem ser”.

SobreViver é uma grata possibilidade de leitura de uma escrita adulta, séria, desafiante. “Que nisso”, o poeta “procura ser excepcional”.

Joaquim Pessoa

domingo, 12 de maio de 2013

Máscara de Raposa de Juliet Marillier



Neste livro, a sequela de O Filho de Thor, primeiro livro da Saga das Ilhas Brilhantes, Juliet Marillier prossegue a narrativa das aventuras de Eyvind. 
Ao atingir a maioridade, Thorvald descobre um segredo terrível e parte numa perigosa viagem em busca do pai que nunca conheceu à ilha do Povo dos Facas Longas. Acompanha-o a sua grande amiga Creidhe, filha de Eyvind, o Pele-de-Lobo. Este povo é governado por um tirano cruel, e com o nascimento de um bebé, Creidhe descobre a terrível verdade sobre a maldição dos Facas Longas. E quando descobrem como poderão acabar com ela, temem que seja demasiado tarde...

A MINHA OPINIÃO:

Máscara de Raposa lançou-me um feitiço poderosíssimo e inescapável! A verdade é que ele partiu com alguma vantagem relativamente ao anterior: Somerled. A ânsia de o reencontrar é gigantesca... É uma personagem carismática e completa com várias facetas que o tornam absolutamente irresistível. É um enigma que transforma o livro numa busca ao tesouro e pelo caminho, como brinde, há outras histórias tão belas que fazem suster a respiração. Thorvald é, à semelhança do pai, intrigante. É penoso vê-lo lutar contra uma sombra e um rejúbilo vê-lo alcançar vitórias. Não é uma personagem que cause empatia imediata, ele conquista-a à medida que, o conhecemos cada vez melhor. É quase ultrapassado pela predominante presença de Creidhe, É uma heroína muito típica de Juliet Marillier, a eterna sonhadora que sofre muito na adaptação à sua nova vida.  Tem um destino encantador que oferece aos mais utópicos e românticos, uma viagem deliciosa! A filha de Eyvind só peca por ser demasiado perfeita em tudo o que faz... No meio de tantos personagens com defeitos, arrependimentos e remorsos, ela destoa um bocadinho. A leitora dentro de mim prefere-os com falhas, comportamentos dúbios e desvios morais. São mais excitantes! Se bem que, encontrar uma Creidhe de vez em quando não é mau. Pelo contrário, é refrescante e de certo modo, ela foi uma brisa suave. Só que não é das minhas favoritas. Guardião já é outra cantiga! A sua atitude selvagem, disciplina auto-imposta e meiguice visível quando lemos cada vez mais é muito cativante! A sua abnegação fraternal ao pequeno Máscara de Raposa é louvável e enternecedora. E é em Máscara de Raposa que se conjuga quase toda genialidade de Marillier: mística, folclore e crença. É algo que não conseguimos compreender porém, é impossível desviarmos os olhos dele. A autora é perita em criar histórias que assumem contornos de lenda e que ocupam a mente de quem se embrenha nelas.  São cheias de segredos, maldições e terras misteriosas. Quem não gosta de caminhar em tais enredos? Em O Filho de Thor, a escritora era algo repetitiva no final, principalmente, em relação ao casal protagonista. Aqui não! Teve acções inesperadas e surpreendeu-me com a revelação da identidade de Somerled e com a sua escolha e com os tortuosos obstáculos que os protagonistas encontram. Esta é uma belíssima e mágica leitura. Quando a acabei desejei haver um terceiro livro para que pudesse mergulhar de novo no mundo das Ilhas de Luz!
6,5**- EXCELENTE(+)

domingo, 5 de maio de 2013

Outlander-Nas Asas do Tempo de Diana Gabaldon

«Claire leva uma vida dupla. Tem um marido num século e um amante noutro… Em 1945, Claire Randall, ex-enfermeira do Exército, regressa da guerra e está com o marido numa segunda lua-de-mel quando inocentemente toca num rochedo de um antigo círculo de pedras. De súbito, é transportada para o ano de 1743, para o centro de uma escaramuça entre ingleses e escoceses. Confundida com uma prostituta pelo capitão inglês Black Jack Randall, um antepassado e sósia do seu marido, é a seguir sequestrada pelo poderoso clã MacKenzie. Estes julgam-na espia ou feiticeira, mas com a sua experiência em enfermagem, Claire passa por curandeira e ganha o respeito dos guerreiros. No entanto, como corre perigo de vida a solução é tornar-se membro do clã, casando com o guerreiro Jamie Fraser, que lhe demonstra uma paixão tão avassaladora e um amor tão absoluto que Claire se sente dividida entre a fidelidade e o desejo… e entre dois homens completamente diferentes em duas vidas irreconciliáveis. Vive-se um período excepcionalmente conturbado nas Terras Altas da Escócia, que culminará com a quase extinção dos clãs na batalha de Culloden, entre ingleses e escoceses. Catapultada para um mundo de intrigas e espiões que pode pôr em risco a sua vida, uma pergunta insistente martela os pensamentos de Claire: o que fazer quando se conhece o futuro?»

A MINHA OPINIÃO:

Outlander-Nas Asas do Tempo é um livro que me persegue há algum tempo. Apesar de ter espicaçado a minha curiosidade durante meses após o seu lançamento, estive sempre relutante em lê-lo. É uma obra gigantesca com cerca de 800 páginas o que o torna quase impossível de transportar todos os dias. Porém, não era essa pequena contrariedade que me preocupava mais, era o facto de me desiludir e encontrar uma história banal e vulgaríssima mesmo com o grande tema que são as viagens no tempo.  De certo modo, fui ligeiramente defraudada. Gabaldon tem descrições fantásticas e sabe enquadrar o leitor historicamente brindando-o com jocosas intervenções de inúmeros personagens que tornam o livro mais vivo e menos denso. Porém, também consegue atingir um certo nível de seriedade e arrepiar com os factos sórdidos de uma crueldade tremenda em tempo de guerra. Adoro aprender enquanto leio e, este volume propiciou a que eu aumentasse consideravelmente os meus conhecimentos sobre a Escócia e a revolução jacobita. Nesta vertente, a autora encantou-me, é delicioso viajar até ao século XVIII e conhecer cada recanto, cada castelo e cada lei por mais estapafúrdia que seja. Como Claire, a protagonista é enfermeira ainda tive a oportunidade de constatar mais uma vez a diferença abismal da medicina actual para como a de épocas passadas. Mas, este comprovativo não são meras palavras, são descriminadas e enumeradas múltiplas plantas usadas para fins curativos o que dá uma certa credibilidade à história. Enfim, Diana Gabaldon soube  arquitectar o seu romance construindo pontes e edifícios de fundações mais ou menos seguras que nos permite uma leitura fluída e de grande potencial viciador. No entanto, o meu grande problema com este livro concerne ao casal principal, Claire e Jamie. Individualmente, são fortes e cativantes todavia, quando se juntam não abundam verosimilhança. Os momentos meigos que partilham são enternecedores para os mais românticos ou românticas e até na agonia e no desespero, tememos por eles. Contudo, o que não me encaixa é o facto de a Claire se apaixonar tão rapidamente e mesmo após uma surra, ainda gostar dele. Sim, até pode ser uma maneira de lavar a honra e de a salvar ( ainda estou para perceber como!) mas, pelo amor da santa! Nem que ele fosse o último homem à face da terra que eu voltaria para ele... Escusado será dizer, que soltei várias interjeições, algumas nada simpáticas, quando surgiram esses parágrafos. Basicamente, tive de apagar da minha memória essa cena para voltar a apreciar o livro. Ignorando essa fatalidade, Claire e Jamie até evoluem muito bem e é por isso, que quero ler o segundo volume e espero, sinceramente gostar tanto do casal quanto da parte histórica.

4.5/7-MUITO BOM (-)

sábado, 27 de abril de 2013

O Filho de Thor de Juliet Marillier

Eyvind sempre quis ser um dos maiores guerreiros viquingues - um Pele-de-Lobo - e lutar pelo seu chefe em nome do deus Pai da Guerra, Thor. Não concebe outro futuro mais glorioso. Mas o seu amigo Somerled, um rapaz estranho e solitário, tem outros planos para o futuro. Um juramento de sangue feito na infância força estes dois homens a uma vida de lealdade mútua.A um mundo de distância, Nessa, sobrinha do Rei dos Folk, começa a aprender os mistérios da sua fé. Nem a jovem sacerdotisa nem o seu povo imaginam o que lhes reserva o futuro. Eyvind e Somerled parecem destinados a seguir caminhos diferentes. Um torna-se um feroz servidor de Thor e outro um cortesão erudito. Uma viagem chefiada pelo respeitado irmão de Somerled, Ulf, junta de novo os dois amigos, que acompanham um grupo de colonos que se vai instalar numa das ilhas maravilhosas do outro lado do mar. Quando um facto trágico acontece a bordo de um dos navios, Eyvind começa a suspeitar de que talvez não tenha sido um acidente..

A MINHA OPINIÃO:

O Filho de Thor pertence aquela categoria  de livros onde coloco os esplêndidos de Juliet Marillier! A autora conquistou-me com a trilogia Sevenwaters e com As Crónicas de Bridei e, foi sempre das minhas preferidas apesar de o último lido dela não ter tido a mesma qualidade. Eis que surge esta magnífica leitura!!! É apaixonante, empolgante, provocadora de insónias e sinónima de vício.  A escritora tem o grande dom de exsudar magia e de me arrebatar com personagens memoráveis. Eyvind foi uma grande surpresa! Normalmente, a autora opta por privilegiar a protagonista dando-lhe a narração porém, é ele que desta vez, toma a dianteira e fá-lo muito bem. O relato inicial de Eyvind é o de um rapaz com um grande sonho e   cativa-nos pela bizarra amizade com Somerled, um rapaz introvertido com um sonho ainda mais ambicioso. Somerled intriga-me profundamente... Tem atitudes tão vis quanto generosas e é provavelmente, das personagens mais ambíguas de Marillier. Espero encontrá-lo no segundo volume porque há muitas questões que quero ver respondidas. Porém, a história progride quase vertiginosamente quando embarcamos para as Ilhas Brilhantes. É aí que a escritora brilha verdadeiramente com descrições maravilhosas, introduzindo novas mitologias e religiões, segredos, traições e amores. O confronto entre culturas é inevitável e é dilacerante assistir a indecisão de Eyvind e Nessa. Ela é uma princesa real dos Folk com uma forte ligação aos elementos da natureza. Tem um modo muito peculiar de viver que é tão estranho quanto atraente!  Marillier tem capacidade fenomenal de nos fazer apaixonar por algo tão distinto e tão exótico sem nunca perder um ínfimo da sua credibilidade.... Apesar de ser passado em terras distantes e as personagens terem crenças e superstições completamente diferentes  das nossas, eles possuem sempre alguma coisa com que nos possamos identificar: as suas emoções genuínas. É com ansiedade que viramos cada página na esperança que nada de mal suceda aos que aprendemos a gostar ao longo das páginas. O Filho de Thor só não pontua mais alto porque se repete um pouco no fim e embora Somerled seja um dos chamarizes da obra, a sua transformação é quase radical sem espaço para muitas reflexões ou conclusões. Ainda assim, fascina-me! Seria esse o propósito da autora? No entanto, é uma leitura sublime mesmo não atingindo a grandeza de outros da autora.

6/7-EXCELENTE

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Devaneios Cinematográficos...En kongelig affære (2012)- A Royal Affair de Nikolaj Arcel


A MINHA OPINIÃO:

A Royal Affair (2012) é uma co-produção dinamarquesa, sueca e checa. Recebeu dois Ursos de Berlim e uma nomeação da Academia de Hollywood para Melhor Filme Estrangeiro. Baseado numa história verídica, o filme gira em torno do Rei Christian VII da Dinamarca ( Mikkel Boe Folsgaard), sua mulher, a Rainha Caroline Mathilde (Alicia Vikander) e o médico  da corte, Strueense. É um período conturbado em que novas ideias e revoluções de mentalidades são classificadas como heresias e atentados à classe política reinante. Após os eventos históricos retratados nesta metragem, a Dinamarca transformou-se numa nação progressista rompendo com as tradições e os dogmas obsoletos. Tudo isto graças a uma estranha relação "tripartida" de um médico alemão revolucionário e idealista, de um rei chamado de louco e de uma rainha inglesa inteligentíssima.  Caroline é a  narradora e é através do seus olhos que nos regozijamos e nos comovemos. Alicia Vikander tem uma interpretação emocionante mas, confiante que é perfeitamente credível e segura. A jovem princesa,  ingénua e sonhadora, dá origem a uma rainha defensora do povo e que não tem medo de novos ideais e novos valores. É uma protagonista cativante e que encontra Strueense, o seu par perfeito.


O médico é apologista das ideias de Voltaire e Rosseau e incentiva Caroline e lê-los e a apreciar o seu conteúdo. Ambos se  apercebem que podem fazer muito pelo povo e inovar, libertando um país das mentes tacanhas e retrógradas. Influenciando o débil e mentalmente instável o rei Christian, eles manobram o poder em prol de uma nova identidade. Christian é mais do que aparenta... É uma personagem complexa com receio da solidão e de dar voz ao que sente. O actor é brilhante! Folsgaard é de um brio tal que nos leva de um extremo ao outro. No início, repudiamos Christian porém, no fim sentimos compaixão e até o conseguimos compreender. 


O terceiro vértice deste triângulo é Strueense ( Mads Mikkelsen). Não menos complexo que os restantes, o médico é o primeiro instigador de uma revolução censurada pela nobreza o que lhe aumentará consideravelmente o número de inimigos. Estabelece uma amizade bizarra e sincera com Christian porém, apaixona-se pela sua mulher. Mads Mikkelsen é dono de panóplia de expressões e de uma ferocidade característica que o tornam perfeito para o papel de o homem corajoso e muito à frente do seu tempo.


Ele e Alicia Vikander tem uma química brutal que incendeia o ecrã! Contudo, a beleza do filme está em não se centrar só neles e alargar horizontes ao lidar com intriga política, filosofia e o reverso da medalha, ou seja, o que acontece quando as nossas utopias se tornam verdadeiras mas, se tornam as armas que provocarão a nossa destruição...Apesar da elevada carga dramática, a produção tem um tom esperançoso e uma fotografia belíssima de tonalidades claras. A realização de Nikolaj Arcel é muito precisa e oportuna e beneficia da sumptuosidade dos cenários e do guarda-roupa. 
A Royal Affair, em português, O Amante da Rainha, é daqueles filmes raros, que ensina e entretém sem ser demasiado romântico ou político. Os dois lados co-existem em perfeita harmonia!

TRAILER:

domingo, 14 de abril de 2013

Mais um selo ( ou dois)...

Estes maravilhoso(s) selinho(s) chegaram já há algum tempo. Foram uma prenda da Catarina do Páginas Encadernadas. Oh Catarina, andas a querer saber muito da minha vida, não? Claro que estou a brincar contigo... Não quero perder a cabeça! (private joke!). Obrigada!!!

E as regras são:

- Dizer 11 coisas sobre mim
- Responder 11 perguntas
- 7 coisas que eu gosto
- Indicar 10 blogs

11 coisas sobre mim:

1. Sou estudante de Medicina
2. A minha melhor companhia em época de exames é... o frasco de NUTELLA!
3. Após comer Nutella às colheradas fico ligeiramente com remorsos e vou andar ou correr na esperança que dilua pelo menos 1/3 das calorias... ( não adianta muito!)
4. Não gosto de aranhas especialmente, aquelas enormes e peludas.
5. Adoro subir às árvores de fruto e apanhá-los bem fresquinhos e comê-los na hora.
6. À conta desta mania, já dei uns valentes trambolhões tendo como espectador o meu cão Toi, que também é viciado em Nutella, bolo de chocolate e tudo o mais que leve chocolate... Ah e também gosta de fruta... Daí eu levá-lo comigo! Perceberam?
7. Adoro a cor vermelha.
8. Herdei o dom da pastelaria da minha mãe. Modéstia à parte, até tenho jeito! Pelo menos, ainda não envenenei ninguém. 
9. Sou imensamente distraída.
10. Adoro ler na praia e apanhar aquele sol maravilhoso.
11. Gosto do cheiro dos livros antigos. Não, não é o cheiro a mofo...

11 Perguntas:

1. Um sonho?
Conhecer os Himalaias.

2. Uma coisa que não gostas?
Não gosto que me acordem por causa de alguma estupidez... Fico fula da vida!

3. Uma música? Estou viciadíssima em quatro:

I Want to Break Free dos Queen; 
I Won't Give up de Jason Mraz;
Hey Jude dos Beatles
Greatest Day dos Take That e basicamente, tudo o que Gary Barlow escreve ou ajuda a escrever... ( The man is freaking genius!)


4. Um filme? 
Um? Está bem eu digo só um: Voando sobre um Ninho de Cucos (1975) de Milos Forman.

5. Um livro?
A Mensagem de Fernando Pessoa

6. Um desafio?Fazer a desintoxicação do chocolate...

7. Um desejo?
Eu sei que já tenho muitos mas, .... mais livros!!!

8. Uma tortura?
Ter de ficar com rabo na cadeira, sentada a estudar quando está um dia lindo lá fora!

9. Alguém que admires?
Os meus pais, o mano e as madrinhas...

10. O que te irrita?
Gente mesquinha.

11. Tipo de pessoas que não gostas?
Pessoas com a mania da superioridade e pessoas hipócritas... 

7 coisas que gosto:

Ler
Séries
Liberdade
Dormir
Cerejas
Música
Namorar

Indicar 10 blogs:

A Magia dos Livros

Tentei dá-lo(s) a quem ainda não o(s) te(ê)m.

Abre o Teu Coração de James Patterson


Jennifer vivia imersa na ausência do marido Danny, que morrera há mais de um ano, quando um novo choque vem abalar a sua vida: Sam, a sua avó e melhor amiga, teve uma trombose e está internada, em coma. Mas os acontecimentos inesperados não se ficam por aqui. Sam deixara em sua casa no Lago Genebra, no Wisconsin, uma série de cartas dirigidas a Jennifer, repletas de revelações surpreendentes. E é a partir deste momento que duas histórias de amor se entrecruzam num cenário de dor e perda mas também de força e esperança. Com a beleza serena do Lago Genebra como pano de fundo, a história que Sam conta através das suas cartas mostra a Jennifer que é possível acolher um novo amor, mais intenso do que qualquer outro, mesmo que este esconda um terrível destino… Escrito num estilo despretensioso e estruturado em capítulos breves que já se tornaram na imagem de marca do autor, Abre o Teu Coração é uma obra que apela às emoções e que não se consegue pôr de lado até à última página.

 A MINHA OPINIÃO:

Abre o Teu Coração é um livro que se lê quase instantaneamente! As poucas páginas aliadas a uma história tocante e fluída fazem dele uma leitura rápida, emotiva e muito agradável. James Patterson é inteligente com no delinear de cada entrada de cada personagem e, logo de início, estabelece-se uma relação de simpatia entre a protagonista e o leitor porque não há nada mais admirável e mais empático do que um ser humano que se encontra a ultrapassar a fase do luto. Jennifer é assim uma boa âncora que predispõe o aparecimento de outras personagens que também possuem algo que nos atrai e nos agarra a sua evolução. Existe ainda um sabor a mistério pairando no ar e uma certa leveza na escrita que favorece aquela sede incontrolável de virar as páginas em busca do fim. No entanto, Abre o teu Coração jamais entrará para o meu pódio de favoritos. É daquelas leituras que se lêem bem mas, que não marcam a ponto de as recordar para sempre. Uma das razões para que isto não aconteça é a pouca originalidade que lhe é característica... É uma bonita história porém, não me trouxe nada de novo. Além disso, a sua credibilidade é questionável. É tanto drama atrás do outro que, em alguns momentos, fui tantalizada com o pensamento de: " ´só mesmo na ficção!". De facto, a personagem principal é alvo de toda a espécie de "azares" que nos aproximam dela mas também nos afastam pelo seu excesso. Acredito que aconteça no mundo real porém, é daquelas situações rebuscadíssimas. É uma obra que comove ( não digo que não!), que tem o condão do entretenimento fácil e que até nos permite tirar algumas lições como a de nunca desistir perante a adversidade. Todavia, nunca figurará no meu quadro de melhores leituras.

3**/4- RAZOÁVEL

domingo, 7 de abril de 2013

Novo selo..."Amanda, vivendo nas leituras de 2013"

"Amanda, vivendo nas leituras de 2013"

Este selinho foi uma graça da Carla das Crónicas de Mirimë. Muito muito obrigada! É uma criação da Amanda

Regras:

1. Listar 12 coisas sobre que gosta de fazer;
2. Responder ás 12 perguntas q lhe foram atribuídas;
3. Nomear 12 bloggers com 200 ou menos seguidores, colocar o link dos respectivos blogues neste post e avisá-la/os sobre o prémio; ( Carla, agradeço do fundo coração mas, o  meu cantinho não cumpre esta regra)
 4. Fazer 12 novas perguntas aos blogues que nomeei 

Listar 12 coisas sobre que gosta de fazer:

- escutar
- estar com a família e os amigos
- ler
- comer chocolate
- medicina
- dormir
- fazer surpresas
- cozinhar
- passear sem destino certo
- cantar no coro
- aprender
- brincar os meus cães e minha cadela

Perguntas:

1. Estás disposta/o a ler um livro de estilo literário diferente do habitual e estrangeiro? Qual escolherás?
Não sei se conta como livro mas, estou com saudades de ler banda desenhada. Apetecia-me experimentar algo japonês.
2. Escreves-me um pequeno conto feito por ti?
Sou preguiçosa por isso, vou deixar parte de um conto que fiz para um exercício de conto conjunto no grupo O Cantinho do Fiacha...
"Benjamin ficou estupefacto ao ver a mulher falar com o gato antes de lhe torcer o pescoço impiedosamente. Mulheres! Nunca as compreenderia. A tal Nym era tão estranha quanto bela. Como órfão favorito de Mr. Solomon, já tinha feito muito trabalho sujo mas nunca parara para ter uma conversa antes de assassinar alguém. Agarrou na bola de pêlo e atirou-o para dentro de um saco imundo serapilheira que trouxera. Alguém lhe dissera um dia que os gatos tinham sete vidas. Ou seriam nove? Crença popular estúpida! Este gato estava tão morto como o fulano do elevador! Riu-se baixinho… Quem é que inventava estas coisas?
- Qual é a graça?- inquiriu Nym
- Nada que te interesse mulher! Não tenho tempo para conversa fiada. Tenho trabalho para fazer!- replicou rudemente o gigante
- Sim já sei… És favorito de Mr.Solomon e tens de ser tu a quebrar o acordo com o Patrão no 115º andar. Sê lesto e eficiente que a recompensa será grandiosa! Não será difícil para alguém tão destemido e poderoso como tu!
Benjamin ficou confundido com tanta lisonja. Havia algo de muito perturbante na mulher dos gatos. A sua boca cantava elogios porém, os seus olhos eram indecifráveis. Era um olhar profundo e imperturbável sem uma réstia de emoção. Todavia, o que Nym ainda o surpreendeu mais:
- Foi um privilégio conhecer o campeão! Concedeis-me a graça de vos agraciar com uma viagem rápida até o elevador?
- Eu vim com um macaco irritante…- olhou em volta à procura de Waco porém, o chimpanzé tinha desaparecido.- Onde é que se meteu aquela criatura?
Nym não lhe respondeu, limitou-se a fitá-lo. O chão dissolveu-se sob os seus pés e o elevador materializou-se à sua frente. Benjamin estava atónito." 
3. Costumas repensar sobre aquilo que leste?
Há leituras que convidam mais à reflexão mas, costumo repensar, sim, naquilo que li.
4. O que guardas para ti com as personagens que conheces nas páginas amadas de um livro?
Geralmente, guardo grandes histórias e as emoções que eles me fizeram passar.
5. Gostas de finais felizes ou finais suspensos?
Aprecio muito os finais suspensos porque gosto de pensar nas possibilidades e conjurar o meu próprio final. Mas, às vezes, sabe tão bem um final feliz.
6. Que estilo literário menos aprecias?
O estilo biográfico quase documental
7. Qual a criatura fantástica que mais gostas de ver nas histórias que lês?
Podia dizer dragões porque convenhamos eles são um máximo, especialmente os da Dany do George R.R. Martin mas, há que ser original e os hipogrifos são umas criaturas fantásticas. Quem não se lembra do Buckbeak do Harry Potter?
8. Qual a mitologia que mais gostas (nórdica, romana, grega, celta (…))?
Adoro mitologia principalmente, a egípcia e a grega.
9. Se pudesses viver uma aventura num livro, que história escolherias viver?
Iria viver na Terra Média desde que tivesse o Gandalf a proteger-me a retaguarda em batalha...:p
10. Que farias nessa história sem mudar o rumo final?
Roubava o Aragorn da Arwen!!! ahahahahahaha
11. Que livro gostarias de ver em filme?
Numa série ou num filme, não haveria ninguém que me desgrudasse do ecrã se adaptassem os livros da Colleen McCullough ou da Juliet Marillier.
12. Qual a tua próxima aquisição literária?
Vão ser livros de Philippa Gregory e da Julia Quinn graças às sugestões de duas grandes amigas minhas.
Quanto a dá-lo a outros blogues vou dá-lo a todos os que sigo e que ainda não o tenham.

Ben-Hur de Lew Wallace


O romance épico Ben-Hur, publicado em 1880, é mais conhecido como filme do que como obra literária. Cinematográfica na concepção e na narrativa, a obra foi três vezes filmada, obtendo sempre retumbante sucesso. O seu autor é o general americano Lew Wallace, falecido em 1905. Além de escritor, com vários livros publicados, Wallace foi também um renomado pintor. O seu grande conhecimento da Bíblia e da Terra Santa, transparece em todo o romance. Com a intenção de ser uma narrativa moral e inspiracional, a vida de Judá Ben-Hur corre paralela com a vida do Cristo, seu contemporâneo. A história se passa num mundo fortemente romanizado. 'Ben-Hur' é um grande épico cujo núcleo central é a fé e a busca da vida espiritual.

A MINHA OPINIÃO:


Ben-Hur é um livro que exige paciência para o ler. Não é seguramente uma obra de consumo fácil devido ao seu elevado teor religioso e as suas descrições históricas quase exaustivas: os costumes, o vestuário e as especificidades de cada religião. Tudo é retratado com um detalhe preciso.  É  ainda percorrido por um  tom melodramático que se acentua nalguns momentos o que poderá dificultar a interacção com o leitor. A acção também está presente mas, não é o foco principal do autor. Ele pretende uma viagem em busca do significado do perdão e da redenção. Wallace opta por uma abordagem inédita.  Conta as histórias de Ben-Hur e Cristo, lado a lado, e embora eles se cruzem esporadicamente ao longo do livro, é só no final que conseguimos abarcar todos os objectivos do escritor. É nesta fase que as vidas de ambos se ligam irremediavelmente e está repleta de acontecimentos marcantes! Custou-me ler este Ben-Hur! Talvez por influência da indústria cinematográfica esperava um conto cheio de reviravoltas em que a acção era predominante. Porém, Lew Wallace é o oposto... Tem uma escrita calma, ponderada, que convida à reflexão e, consequentemente é uma leitura lenta. O que me impeliu a ler foi a sua grande história... Judah Ben-Hur tem uma vida digna de ser espelhada numas páginas. Aliás, foi a sua vontade férrea que me cativou. Judah personifica aquele que não quer perder a sua identidade perante um império opressor. O seu confronto com Messala e a sua relação terna com a mãe e a irmã também são verdadeiramente emocionantes. Portanto, foi um livro que apreciei mas que é para os audazes, sem medo de uma história que deve ser degustada até ao ínfimo  pormenor.

4/7-BOM

TRAILER DO FILME :