quarta-feira, 3 de abril de 2013

Selo Words & Letters


Mais um selinho chegou ao meu cantinho! Yupi!!!:) Desta vez, foram as caríssimas Maria João e a Mónica. Muito obrigada minhas lindas!

Regras:

  • Responder às perguntas propostas pelo autor do selo.
  • Visitar o site onde o selo foi criado. Words & Letters
  • Passar o selo a, pelo menos, dois outros blogs e avisar os donos.
1. Gostas de ler? 
Hello, está aqui uma devoradora de livros!
2. Qual o teu livro preferido?
Muitos!!! Mas, vou nomear dois ( para não dizerem que eu sou mázinha): O Monte dos Vendavais de Emily Brönte e E Tudo o Vento Levou de Margaret Mitchell.
3. Tens algum(a) autor(a) favorito?Muitos... David Soares, Colleen McCullough, George R.R. Martin, Rosa Lobato de Faria, Carlos Ruiz Záfon, Florencia Bonneli, Haruki Murakami, Juliet Marillier, Emma Wildes, Margaret George, Neil Gaiman são só alguns.
4. Qual o género literário que preferes?Costumo variar bastante mas, ultimamente o  romance histórico anda a atormentar-me :p.
5. Gostas de escrever?Adoro!
6. Como descreves a leitura? Achas-a essencial ou dispensável?Fundamental!
7. Qual o teu sonho?Viver com saúde e poder trabalhar naquilo que gosto.
8. Se fosses para uma ilha deserta, levavas contigo um livro ou um caderno? Se for sim e se a resposta for «livro» qual seria?
Provavelmente, levaria um barco cheio de livros! Não podia levar só um...
9. Porque decidiste ser blogger?Foi uma decisão impulsiva e ainda hoje não sei bem porquê!
10. O que te fascina mais : o poder das palavras ou a arte de escrever?O poder das palavras quando bem usadas.

Vou mandar este selinho a:

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Um Mundo Sem Fim I e II de Ken Follet


Depois do enorme êxito de Os Pilares da Terra, Ken Follett regressa à cidade de Kingsbridge, mas desta vez cerca de dois séculos após os acontecimentos do primeiro livro. No dia 1 de Novembro de 1327, quatro crianças presenciam a morte de dois homens por um cavaleiro. O sucedido irá para sempre assombrar as suas vidas, mas Merthin, Ralph, Caris e Gwenda ficarão também marcados pelo próprio tempo em que vivem, e em particular pela maior tragédia que assolou a Europa no século XIV, a Peste Negra. Um Mundo sem Fim, que a Presença publica em dois volumes, é um épico medieval que está a conquistar os leitores de todo o mundo, tendo registado um total de 26 semanas de permanência entre os mais vendidos do The New York Times.

A MINHA OPINIÃO:

Após a leitura de Os Pilares da Terra, fiquei curiosíssima acerca das restantes obras de Ken Follet particularmente, com este Um Mundo sem Fim. É uma sequela que mantém Kingsbridge como o palco principal da acção. O escritor continua a apostar numa escrita simples sem grandes floreados mas, isto não é sinónimo de pouca pesquisa história. Pelo contrário, mais uma vez o trabalho do construtor é esmiuçado ao pormenor e conjuntamente com este, o autor alarga os seus horizontes ao enveredar pela arte de curar na idade medieval. Sou relativamente ignorante a estes temas logo, não posso atestar a sua veracidade porém, a sua presença sustenta e cria alicerces suficientemente fortes para acreditarmos em Merthin e Caris. Mais uma vez, é o enredo que nos arrebata! É uma narrativa empolgante, cheia de reviravoltas e pejada de personagens carismáticas que batalham muito para vencerem. Caris, é a minha favorita. Adoro o facto de ela personificar o lado corajoso da mulher sem nunca perder a feminilidade. Ela é um salmão que salta contra o curso do rio. Um rio néscio toldado pela inércia e pela ignorância! É uma mulher empreendedora destinada a revolucionar a arte da Medicina embora isso cause estranheza na maioria das mentes tacanhas da época. Ela não se deixa subjugar pelo poderio masculino e mesmo com Merthin, o amor da sua vida, ela é independente e inteligente ou seja, não se torna numa marioneta perante um homem como, frequentemente, acontece nos livros. Merthin é também um protagonista curioso na medida em que, não é o cavaleiro de armadura reluzente pronto a salvar a donzela, é ligeiramente franzino e o seu poder reside na sua mente arguta e inventiva. Paralelamente, surgem as histórias de Gwenda, que é um dos achados dos livros e Ralph, cuja ambição e escolhas levar-no-ão para um destino diferente do irmão, Merthin. Gwenda é verdadeiramente impressionante pois, é capaz de sacrificar tudo em prol daqueles que ama! Todavia, o enorme trunfo de Follet está no enquadramento histórico. Quando atingimos a segunda metade surge a Peste Negra e é aqui que ele brilha, trilhando o caminho com informação útil e sem embelezamentos de cenário criando obstáculos a todos personagens. As suas descrições são singelas mas, vívidas e é impossível não visualizar as feiras, os mercados, os hospitais assoberbados e não contestar interiormente as ideias dogmáticas sem fundamento nenhum. Graças a esta fantástica qualidade do escritor de interligar grandes eventos com as vidas dos seus "pequenos" intervenientes, a leitura é ávida porque ansiamos pelo desenlace e pelas respostas a todas as nossas perguntas. No entanto, há algo que me incomoda neste Um Mundo Sem Fim e é por isso, que prefiro Os Pilares da Terra. À semelhança dos anteriores, ele tem um prólogo misterioso cujo os segredos só são totalmente desvendados no fim. Mas, a revelação desta sequela é tosca e até deslavada. Faz sentido porém, é fraquita.... É caso para dizer: tanta coisa para nada!
Ainda assim, é uma leitura entusiasmante que proporciona emoção, romance, acção e aventura!

6/7-EXCELENTE

TRAILER DA MINI-SÉRIE:



domingo, 31 de março de 2013

Selo Arco-Íris


Chegou mais um selinho ao blogue graças à generosidade da Catarina, à Mónica, à Sandra e à Nexita. Obrigada minhas queridas!

As regras são simples:

1. Referir quem vos deu o selo
2. Postar uma foto de uma pilha de livros com as cores do arco-íris.
3. Passar o selo a 10 blogs super-hiper-mega coloridos!

A minha pilha de livros colorida


Porque te Amo de Guillaume Musso

O Filho de Thor de Juliet Marillier

A Papisa Joana de Donna Wookfolk Cross

Os Pilares da Terra II de Ken Follet

Cold Mountain de Charles Frazier

O Grande Amor da Minha Vida de Paullina Simons

As Memórias de Cléopatra III- O Beijo de Serpente de Margaret Mitchell

Envio este selinho divertíssimo para os seguintes blogues:












quarta-feira, 27 de março de 2013

Devaneios de Séries...The Bible (2013)- A Bíblia


A MINHA OPINIÃO:


The Bible é uma mini-série de 10 episódios produzida pelo canal americano History Channel e que pretende cobrir a maioria dos grandes acontecimentos bíblicos desde o livro do Génesis  até ao do Apocalipse. O texto que lhe deu origem será sempre alvo de discussão pelo que me debruçar sobre o mesmo e afirmar se ele é fiável ou não é absolutamente inútil e redundante e depende claramente da fé de cada um. Não sou propriamente uma leiga nestas histórias logo, o factor surpresa foi obnubilado pelo meu conhecimento anterior. Os 5 primeiros episódios são inteiramente dedicados ao Antigo Testamento e os restantes ao Novo Testamento. Condensar o Antigo Testamento em tão poucos episódios é uma tarefa dantesca pois, há muito para explorar e muito para explicar. Esta produção televisiva não consegue superar este desafio na totalidade.O primeiro episódio inicia-se com Noé que, estranhamente tem um sotaque escocês, aborda o dilema de Abraão e termina na juventude de Moisés. Muita história que é amontoada sem dó nem piedade! A presença de um narrador não é um bálsamo que cura todas as maleitas! Às vezes, a sequência de acontecimentos não é nada orgânica, perdendo-se a sua lógica e para um telespectador ignorante da Bíblia é potencialmente confuso. Nestes primeiros episódios, também se nota um certo melodramatismo de alguns actores nas suas interpretações, diálogos pobres e uma parca contextualização. No conto de Abraão é várias vezes batalhado o facto de a sua mulher, Sara ser estéril e é ela que o encoraja a ter um filho de outra mulher, Agar. Porém, e quase de momento para outro porque não há muito tempo para explicar, Sara, torna-se rancorosa e ciumenta de um filho que ela incitara a conceber. Ismael e Isaac, os dois filhos de Abraão são só brevemente mencionados o que é uma pena pois, segundo a crença: Isaac é a origem da nação hebraica e Ismael, o início da nação muçulmana.São pequenos pormenores que concederiam à mini-série alguma dualidade.
 

Estes primeiros episódios padecem todos dos mesmos males: os argumentos, às vezes com tiradas quase infantis, a pressa e  algum despropósito. No entanto, eles vão aumentando gradualmente de qualidade sendo que, a vida de David num dos últimos episódios é tratada com uma certa maturidade, dignidade e com um bom desenvolvimento embora o final seja ligeiramente precipitado.


Os últimos 5 episódios, a vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos, são o melhor de toda a produção. O argumento e os diálogos são incrivelmente melhores. Na verdade, parece que os episódios anteriores serviram só para empatar até os produtores atingirem o seu real objectivo: contar o nascimento do Cristianismo. Estes são dominados pela presença espectacular de Diogo Morgado. O Cristo do actor é magnetizante! A sua interpretação é brilhante dotando-o de uma ternura, de uma leveza e de uma sabedoria quase surreal que nos aproxima dele porque, ele tanto adopta um estilo paternal como filial. Ao mesmo tempo consegue incorporar uma certa celestialidade quase etérea que o distingue mas que não o afasta dos olhos do telespectador. 


Os apóstolos também granjeiam os meus elogios particularmente, Pedro de Darwin Shaw e Paulo de Con O'Neil. A sua irreverência  e o seu arrependimento foi tão bravamente e genuinamente interpretado que me tocou profundamente.Shaw consegue ainda fazer a transição de discípulo atormentado a líder inato sem qualquer dificuldade. Ele também se distingue entre a multidão. Também apreciei o protagonismo dado a Maria Madalena de Amber Rose Revah. Ela é quase retratada em pé de igualdade com os restantes apóstolos o que muito me agradou pois, normalmente o seu papel é negligenciado nestas produções.  Todavia, nesta fase a série ainda tem algumas incoerências como não explicação do nome de Paulo e a não referência ao parentesco entre João Baptista e Jesus. São pequenos detalhes que escaparão a quem desconhece a história.
Visualmente, a série também melhora ao longo de todo o seu percurso. Algumas cenas especialmente, no Antigo Testamento são pouco verossímeis como a separação do Mar Vermelho que me remeteu para os filmes antigos de Hollywood. Era de esperar que a tecnologia, hoje em dia fosse melhor, não? Contudo, quando alcançamos o Novo Testamento, o Templo de Jerusalém é uma visão perfeita ou seja, também existem incongruências neste campo. 
Relativamente à música, a banda sonora é fenomenal! Hans Zimmer é um génio musical e não há mais nada a dizer! Vibrante, épica ou de uma quietude inimaginável é, indubitavelmente das mais valias da série.  
Assim,The Bible é uma série que se propõe a muito mas, infelizmente não cumpre todos requisitos que pretendia.Não obstante a sua visualização é agradável e até viciante quando entra na segunda metade graças à graciosa e talentosa presença de Morgado. 

TRAILER:



sexta-feira, 22 de março de 2013

Novo Selo... Blog de Outro Mundo


Recebi mais selinho lindíssimo e claro, fiquei felicíssima. Este foi-me oferecido pela Sofia d' A Minha Vida por um Livro. O seu cantinho é novinho mas muito promissor. Obrigada Sofia!


As regras são:1-Colocá-lo no teu blog.
2- Referir o link www.aminhavidaporumlivro.blogspot.pt ( quem te enviou)
3- Dizer quais são as três coisas que mais gostas num livro e as três que mais odeias.
4- Passar o selo a 5 (ou mais blogs) que consideres «de outro mundo

Ora, três coisas que mais gosto num livro: que seja surpreendente, que me arrebate de tal maneira que não o consiga largar e claro, que contenha personagens tão marcantes que fiquem comigo mesmo depois de fechar o livro. Quanto às três coisas que mais odeiam num livro: personagens aborrecidas do género, donzela em apuros, que não fazem nada da vidinha; histórias sem nexo cheias de acções despropositadas e não gosto mesmo nada de livros que prometem maravilhas e no fim, são absolutamente banais. 

Vou enviar este selinho a:
A Thousand Lives da Mónica

Decidi-me por estes cinco blogues porque, a Sandra e a Catarina são cá da terra ( suborno!:P) e os outros cantinhos são descobertas recentes e achei que mereciam um incentivo.

domingo, 17 de março de 2013

Devaneios Cinematográficos...Oz the Great and Powerful (2013) de Sam Raimi


A MINHA OPINIÃO:


Oz the Great and Powerful ( Oz, O Grande e Poderoso) é uma película baseada nos livros de L. Frank Baum e,é indirectamente uma prequela ao clássico The Wizard of Oz de 1939 (O Feiticeiro de Oz).  
O filme despertou logo o meu interesse, quando vi as primeiras imagens. A cor que transborda da tela é inebriante e irresistível! Assim,  fiquei radiante quando obtive um convite para a ante-estreia. A tecnologia do 3D evidencia ainda mais esta qualidade quase mágica de um mundo tão fantasioso quanto belo. É de uma espectacularidade imensa que nos catapulta para Oz como se ainda fossemos crianças fáceis de iludir com o mais simples truque de magia.Porém, o 3D peca quando o filme aumenta de velocidade porque surgem áreas  nebulosas e os pequenos pormenores do cenário são absorvidos pela indistinção! Mas, nada consegue apagar a realidade quase assustadora da Menina de Porcelana (Joey King)! Uma pequena maravilha técnica que conjuntamente, com o Macaco Voador ( Zach Braff) que se fundem na perfeição com os actores de carne e osso. Visualmente, o filme não desaponta... O genérico de introdução é muito original e a transição do mundo do Kansas a preto e branco para Oz a cores é subtil mas, inesquecível. No longínquo 1939, os cineastas não possuíam estas benesses do desenvolvimento.  No entanto, os que eles tinham a menos na imagem tinham no argumento e na prestação dos actores ( sem contar com as cantorias de Judy Garland).


A história propriamente dita de Oz the Great and Powerful não é nada de extraordinário. Pelo contrário, já foi contada vezes sem conta com outras roupagens. Oscar, o protagonista é, muitas vezes, irritante e só depois de muita labuta evolui minimamente. James Franco que lhe dá vida é competente o suficiente para que não deixemos de gostar dele e é apenas nas cenas de mais emoção (poucas!) que vislumbramos o que ele teria feito com uma personagem mais bem escrita. Quanto às bruxas, a única que me convenceu e atemorizou foi Evanora de Rachel Weisz. Ela sobrepõe-se às outras duas actrizes de maneira contundente! Mila Kunis, a Theodora, não está má mas, mais uma vez sofre com uma evolução algo atabalhoada e curta em fundamentos. Sinceramente, tinha mais medo da personagem na filme de 1939 na versão de Margaret Hamilton. Glinda de Michelle Williams é demasiado doce, querida e boazinha o que perante uma malvadez que é pouco persuasiva, soa a falso.


Oz the Great and Powerful é dono de uma imagem gigantesca, cheia de cor e que entretém sem deslumbrar a nível de argumento. Falta-lhe solidez e inovação no que concerne ao enredo para que ele possa entrar na galeria dos memoráveis...

TRAILER:



quarta-feira, 13 de março de 2013

Devaneios de Séries... The Thorn Birds (1983)- Os Pássaros Feridos


A MINHA OPINIÃO:

The Thorn Birds (Os Pássaros Feridos) é uma mini-série de oito episódios da cadeia televisiva ABC  baseada no livro homónimo de Colleen McCullough. Venceu 6 Emmys ( Academy of Televison of Art & Science) e 4 Globos de Ouro ( Hollywood Foreign Press Association). É considerada uma das pioneiras do género no meio televisivo sendo que, é das que detém um dos maiores recordes de audiência de sempre. Tal como a obra literária que lhe deu origem, The Thorn Birds é vastamente dominado por Drogheda, herdade australiana produtora de lã criada por McCullough. É uma produção da década de 80 pelo que, poderá causar alguma impressão a quem espera cenários refinados e brilhantes.Obviamente que a qualidade do fotografia não é igual às das películas actuais mas, existe algo de sensacional na aridez que a série exibe, remetendo o telespectador para o calor abrasador da Austrália.


Assim como a história que lhe deu origem, a série é intensamente dramática e se não fossem as interpretações fantásticas do elenco cairia  certamente num tom novelesco insuportável pois, perante um livro com tão grandes emoções pode incorrer-se nesse erro. Meggie Cleary é uma criação virtuosa de Rachel Ward. Sente-se a paixão, o desespero e a teimosia da personagem como se ela tivesse saltado do livro para o ecrã. Ralph de Bricassart, o outro protagonista, é sem dúvida,  ainda mais marcante ( se possível!) devido a Richard Chamberlain. É impressionante como o actor traz para o ecrã, o conflito interior de Bricassart. É um homem que ama Deus, que tem vocação e muita ambição mas, ama igualmente uma mulher. Poderia se tornar confuso e deprimente porém, não o é.

No elenco secundário brilham Jean Simmons como Fee, a mãe de Meggie, dando-lhe uma estoicidade louvável, a incontornável Barbara Stanwyck como a amargurada Mary Carson que rouba qualquer cena em que esteja e Christopher Plummer como o Arcebispo Vittorio que como sempre tem uma presença imponente.  Os sotaques é que são raramente ou nulamente trabalhados e por isso, a ascendência neo-zeolandesa  e irlandesa de alguns personagens não é logo identificável.


Há um sentimento de inevitabilidade que cresce a cada episódio. Sabemos que não há espaços para grandes felicidades todavia, não conseguimos parar de ver. É saga familiar que lida com o amor, a traição, o escândalo, a morte, o luto e o perdão redentor. A banda sonora é assombrosamente paralela a toda história com um tema principal lindíssimo de Henry Mancini.
Eis uma preciosidade televisiva há muito esquecida que todos os apreciadores deste género deviam ver!

TRAILER:

domingo, 10 de março de 2013

As Esquinas do Tempo de Rosa Lobato de Faria


“"Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali."
Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão.
Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família.
Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. 

Romance simultaneamente poético e fantástico, As Esquinas do Tempo é mais uma prova do indesmentível talento literário de Rosa Lobato de Faria.

A MINHA OPINIÃO:


As Esquinas do Tempo é um livro pequeno que, suavemente, nos seduz com a sua escrita poética e viagens temporais que se expandem pelos séculos. Ler Rosa Lobato de Faria é ser invadida pela sensação de leveza e pela borbulhante paixão das personagens e, este livro não é a excepção à regra. A temática da viagem no tempo não é nova no mundo literário nem nos próprios escritos da autora porém, ela é capaz de nos arrebatar com a sua fluidez de sentimentos e palavras. Apesar de o início ser potencialmente confuso, por haver tantas Margaridas, Marianas e Madalenas, é miraculoso o modo como a história nos cativa e como a ansiedade de ler mais surge indomável após fechar o livro. O mundano e o simples torna-se atraente e é salpicado pela doçura característica da escritora! Lobato de Faria não se fixa sobre o como ocorrem as viagens no tempo de Margarida mas, o que ela ganha com o tempo que passou e o que passa. Abençoada com o toque prodigioso da imaginação, As Esquinas do Tempo é daquelas obras que não resistem muito tempo a uma leitora voraz como eu. No entanto, não é supérfluo e mordazmente compara o papel da mulher de época para época, salientando que a emancipação alcançada foi uma dádiva e uma vitória! Timidamente e silenciosamente, critica e foca o matrimónio como uma moeda de troca e que nem sempre significa felicidade.É um volume ternurento e a exemplo de outros livros da autora, uma leitura refrescante com um final ambíguo que motiva a reflexão. Todavia, não tem o mesmo brilho que A Trança de Inês que me agarrou logo no primeiro parágrafo. O primeiro capítulo é periclitante pois, a introdução às personagens não é tão contagiante e poética, o que pode demover os iniciantes em Rosa Lobato de Faria. É mais discursivo e directo o que me causou alguma perplexidade que esperava o típico tom surreal dela. A verdade é que após as primeiras páginas, o livro ressurge como um filho pródigo com todas as qualidades que o transformam numa bela leitura!

4**/5 BOM**

sexta-feira, 8 de março de 2013

Devaneios Cinematográficos... Lincoln (2012) de Steven Spielberg


A MINHA OPINIÃO:


Lincoln é um filme biográfico que abarca os últimos quatro meses da vida do afamado Presidente dos Estados da América e foca-se sobretudo, na sua luta pela 13ª Emenda da Constituição Americana que revolucionaria um país dilacerado pela Guerra Civil, abolindo a escravatura. É claramente nacionalista e lisonjeador da figura histórica que retrata. Porém, isso não belisca em nada o seu mérito de ser um grande filme! Daniel Day-Lewis é a alma, a coluna vertebral, a cabeça e o coração da metragem preenchendo o ecrã com a sua interpretação portentosa, soberba e verdadeiramente inacreditável de Abraham Lincoln!  Quando está em cena,  é inevitável que o nosso olhar se fixe nos maneirismos, na voz e nas palavras contagiantes, no humor e na quase surreal beleza que é o trabalho genial de composição de Day-Lewis. Ele desaparece completamente na personagem! Sem a sua aparição majestosa, o filme não teria, definitivamente  tanta qualidade. O argumento também é muito inteligente e requer a máximo atenção do espectador para que não se perca nas contendas políticas. Ao contrário do que seria de esperar, é bastante lesto e inclui saraivadas hilariantes brincando com as situações do quotidiano e com a figura do político. Tommy Lee Jones como Thaddeus Stevens, partidário mais radical das hostes de Lincoln, é dos que mais se evidencia nesse campo quer seja a insultar calmamente o inimigo na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos ou a meter "medo" aos jovens e ingénuos políticos. A história não é puramente estadista sendo que, há um lado humano que é bastante enternecedor.  A relação de Lincoln com a mulher e os filhos é colocada a nu. Será que é possível conjugar o presidente com o pai e o marido? Este conflito é patente em alguns momentos emocionantes particularmente, nos diálogos apaixonantes entre o protagonista e Mary Todd Lincoln ( Sally Field). A actriz consegue balançar a complexidade e a fragilidade da personagem com mestria e ela impõe-se ao magnífico Day-Lewis em cenas de grande poder emocional e sentimental.


O filme conta ainda com uma banda-sonora delicada e empolgante de John Williams que atinge o seu auge durante o clímax da história durante votação da emenda e durante os suspiros finais da metragem. Lincoln não é o melhor de Spielberg ( para mim, é A Lista de Schindler) todavia, vale a pena visualizá-lo nem que seja para testemunhar a memorável transformação de Daniel Day-Lewis!

TRAILER:


quarta-feira, 6 de março de 2013

O Historiador de Elizabeth Kostova


Nas tuas mãos, leitor, entrego a minha história…

Uma noite, ao explorar a biblioteca do pai, uma jovem mulher encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas começam todas por «Meu caro e desventurado sucessor…» e fazem-na mergulhar num mundo com que ela nunca tinha sonhado - um labirinto onde os segredos do passado do pai e do misterioso destino da mãe se ligam a um mal inconcebível escondido nas profundezas da história.As cartas abrem caminho para um dos poderes mais perversos que a humanidade já conheceu - e para uma busca que dura há séculos para encontrar a origem dessa perversidade e extingui-la. É uma busca da verdade sobre Vlad o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado esteve na base da lenda do Drácula. Gerações de historiadores arriscaram a reputação, a saúde mental e mesmo a vida para saber a verdade sobre Vlad o Empalador e Drácula. Agora, a jovem decide empreender por sua vez essa busca para seguir o pai numa perseguição que quase o destruiu quando ainda era um novo e entusiasta académico e a mãe ainda estava viva.
O livro de Elizabeth Kostova é uma aventura de proporções monumentais, uma história implacável que mistura factos e fantasia, passado e presente, amor e aventura, absolutamente inesquecível. Publicado em 40 países, O Historiador é um dos mais importantes fenómenos literários dos últimos tempos.

A MINHA OPINIÃO:

O Historiador de Elizabeth Kostova é uma leitura brutalmente trepidante!Apesar ser enorme, com cerca de 600 páginas e de abrandar o ritmo por inúmeras vezes devido a novas descobertas e consequentes explicações, é apaixonante porque conjuga uma história muito bem construída com uma escrita bela e compulsiva. A beleza provém das suas descrições vívidas de locais remotos ou próximos que são fenomenais e que me tornaram numa personagem itinerante que seguia avidamente cada viagem, cada momento e cada frustração dos verdadeiros protagonistas. São pinturas detalhadas recheadas de cores que nos dão aquela sensação de estarmos mesmo lá! Percorremos milhares e milhares de léguas desde dos Pirenéus até à longínqua Roménia e sempre no mesmo livro. Ele é cosmopolita transcendendo barreiras linguísticas, religiosas, temporais e até a cortina de ferro pós-Segunda Guerra Mundial. É narrado a duas vozes, a da filha e a do pai porém, elas não são únicas. Um conjunto de vozes secundárias mas, essenciais dão outra dimensão e grandiosidade à obra. É uma calma, relativa e silenciosa grandiosidade porque só nos apercebemos do quão fundamentais elas são, ao longo do livro. Não são narrativas épicas cheias de batalhas. São muito pessoais através de cartas que mascaram lutas de cariz próprio entre a razão e a crença.São as palavras que guiam a aventura pois, é nas pequenas, grandes, novas e vetustas bibliotecas que os acontecimentos se precipitam levando ao evento seguinte. Na verdade, são os livros que movem a busca pelo fugidio Vlad Tepes. Será realidade ou ficção? Kostova funde os dois mundos de tal modo que é impossível distinguir a veracidade histórica do seu imaginário de escritora, criando uma história verossímil que até seduz os estudiosos presentes n' O Historiador. Se eles, apregoadores da lógica e do pensamento racional se submeteram ao sobrenatural, nós, leitores, não teremos outro remédio se não acreditar nas evidências que surgem ao longo das páginas. Claro que é ficção contudo, quando abrimos o livro perdemos a noção da realidade! A ameaça de Drácula é constante mesmo quando ele não está presente. A sua aura de assassino implacável é alimentada pela escritora fazendo-nos temer pelo destino dos personagens.No entanto, Drácula, vampiro célebre é um objectivo a atingir relegando-se para segundo plano a origem do vampirismo reservando-se as descobertas e as palestras para o paradeiro do infame Empalador. Por um lado, foi refrescante conhecê-lo neste formato mas, por outro, soube-me a pouco. 
O Historiador é um livro de conspirações, de indómitas paisagens e com muita história que imediatamente cativa a amante ( como eu!) de aventura e do passado!

6/7-EXCELENTE

PS: Obrigada Ana pela recomendação!:)

domingo, 3 de março de 2013

Devaneios do Convidado... Huis Clos ( Entre quatro paredes) de Jean Paul Sartre


Hoje é dia de uma opinião que não a minha... Desta vez, o devaneio é francês.



Garcin, révolutionnaire lâche et mari cruel : douze balles dans la peau ; Inès, femme démoniaque qui rendra folle de douleur sa jeune amante : asphyxie par le gaz ; Estelle, coquette sans coeur qui noie son enfant adultérin : pneumonie fulgurante. Morts, tous les trois. Mais le plus dur reste à faire. Ils ne se connaissent pas, et pourtant, ils se retrouvent dans un hideux salon dont on ne part jamais. Ils ont l'éternité pour faire connaissance : quelques heures leur suffiront pour comprendre qu'ils sont leurs bourreaux respectifs. "L'enfer, c'est les autres".
Tous les thèmes sartriens sont là, orchestrés avec brio : la valeur de l'engagement, le poids des actes, les limites de la responsabilité. AvecHuis clos, le grand prêtre de l'existentialisme signait l'une des ses pièces les plus fortes : la scène se prêtait bien à ces réquisitoires concis et percutants, que l'on retrouvera dans Les Mouches et surtout Les Mains sales.
Une oeuvre phare du répertoire français. --Karla Manuele
A OPINIÃO DO CONVIDADO:
O criado abre a porta. Entram Garcin, Inês e Estelle. A divisão ao estilo do Segundo Império contém apenas duas poltronas, um bronze, um corta-papel, uma lâmpada permanentemente acesa e uma campainha avariada para chamar o criado. Nem um único espelho, apenas os olhos das personagens, olhos obrigados a não encerrar. Encontram-se presos, não tendo escolhido os companheiros de cela. 
Sente-se um calor intenso. Garcin, Inês e Estelle vociferam os seus pecados, discutem entre si, gritam entre surdos. Vomitam os seus terrores, expelem a sua imperiosa necessidade por demonstrar aos outros a sua valentia, a sua beleza e a sua paixão… como se fossem jóias brilhantes. Na realidade, estas figuras revelam apenas a opacidade fecal da cobardia, da vaidade assassina e da luxúria estéril. 
Garcin, o jornalista vindo de Rien, o pacifista, o cobarde, que necessita de mostrar a coragem, a masculinidade que nunca terá tido. 
Inês, a empregada dos correios, alimenta-se da luxúria e das paixões doentias que espera que as outras pessoas lhe manifestem. Ao mesmo tempo, Inês é a mais louca e a mais consciente. 
Estelle, a rica senhora que habita um châteaux, era uma pobre rapariga que faz um matrimónio de conveniência com um senhor velho e abastado. Estelle necessita de atenção permanente, precisa de público. Quer por todas as formas convencer Garcin a olhá-la, a tocá-la, a sentir-se viva e desejada. 
Ouvem à distância o mal que os seus companheiros terrenos dizem e pensam sobre eles. E como eles os esquecem, e como tudo isso os corrói e os corrompe. Impedidos de se reconhecerem a um espelho, só os olhos dos outros os vislumbram e os informam de quem são. Esperam que as restantes personagens os vejam pelo seu lado mais luminoso, porém são sempre notados pela sua sombria negritude. 
São almas surdas e solitárias que procuram a satisfação do ego, com palavras, com ações, com sangue… Garcin, Ines e Estelle procuram o seu reflexo nos espelhos, porém, há muito tempo que mergulharam neles como Narciso mergulhou no lago. Mais que retirar os espelhos da sala, o autor retira a compreensão dos outros, gerando um isolamento glacial, uma profunda solidão acompanhada. Este livro é uma profunda reflexão filosófica. Será a incompreensão a forma mais cruel de inferno? Será que “o inferno… o inferno são os outros”?

Nataniel Rosa (28 anos)- Médico Veterinário
PS: Obrigada Nat por cederes a este capricho da tua irmã mais nova:)!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Devaneios Cinematográficos... Silver Linings Playbook (2012) de David O. Russell


A MINHA OPINIÃO:


Silver Linings Playbook é um filme baseado no livro homónimo de Mathew Quick e está nomeado para oito Óscares da Academia. Em português foi denominado de Um Guia para um Final Feliz.É dos mais originais e estranhos que já vi. Aborda cuidadosamente a doença psiquiátrica sem cair no dramatismo excessivo mas também não é totalmente supérfluo.  Toca-nos porque nos lembra daquelas pequenas e ridículas obsessões e superstições que todos  temos, ao mesmo tempo que, nos distancia o suficiente para que nos apercebamos o quão evidente é o sofrimento que os distúrbios do humor trazem aos que deles padecem. O realizador David.O Russell tem um sentido de oportunidade fantástico conjugando os diálogos e o argumento impecáveis com sequências verdadeiramente singulares sem grandes artefactos. A maneira como o filma dá-nos aquela sensação de omnipresença como se nós, por um momento, fôssemos  as personagens.É tremendamente demolidor assistir aos efeitos da doença mental. Não são apenas discutidos, são atrozmente sentidos contudo, a metragem que não carece de humor. É genuinamente e absurdamente engraçado porque os protagonistas Pat e Tiffany não têm inibições ou filtros como os meros mortais ou seja, as suas conversas e acções são  tão honestas que, às vezes, atingem o hilariante sem cair na vulgaridade. Bradley Cooper (Pat) e Jennifer Lawrence ( Tiffany) beneficiam ainda de uma química orgânica e estonteante. Cooper é perturbador na sua interpretação de um doente bipolar com as suas alterações de humor repentinas que afectam profundamente o seu mundo. As mudanças subtis que ele incute ao personagem são belíssimas. Por exemplo, Pat  é comprometido fervorosamente a um lema positivo e repete-o constantemente como se o ajudasse a encontrar o seu amor  pelo seu ser com todas as suas particularidades e Bradley Cooper é tão expressivo que sentimos a sua luta interior e lhe desejamos o melhor. Jennifer Lawrence não é de todo inferior. Ela dá a vida a Tiffany dotando-a de imprevisibilidade, teimosia e de uma firmeza inabalável. É uma presença marcante daquelas que jamais passariam despercebidas! A interacção entre ambos é notável... Outro actor que não poderia ficar sem ser mencionado é Robert de Niro. Que ele é um intérprete fenomenal, já eu sabia todavia, neste filme sobressai-se do elenco secundário. Os seus últimos trabalhos foram algo banais o que não esconde o actor supremo que ele é. Neste filme, ele, pai de Pat,  é comovente e arrebatador! Para mim, De Niro tem das melhores cenas do filme especialmente, quando se dirige ao filho e transparece também ele, uma vulnerabilidade ao lidar com a sua compulsão obsessiva e com as suas consequências.


Eis um filme que nos recorda de que há sempre esperança, que somos todos diferentes mas, todos sem excepção temos uma chance em sermos felizes. E mesmo no meio das ruínas deixadas pela doença há amor, ternura e risos. Quando não temos nada a perder, somos mais autênticos e emergimos dessa situação difícil mais sábios e combativos. 

TRAILER:



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A Viagem de Morgan de Colleen McCullough


A sinopse contém spoilers!!! Se não os quiser avance para a opinião!!!


Richard Morgan é filho de um taberneiro de Bristol, sensível e instruído, com um dom especial para fabricar mosquetes de pederneira, que a Inglaterra tenciona utilizar contra as suas revoltadas colónias americanas.Quando Richard arranja trabalho numa destilaria de rum, a sua eficiência e perspicácia levam-no a encontrar vários canos escondidos, que tem de denunciar, já que desviam ilegalmente 800 galões desta bebida por semana, de modo a fugir aos impostos. É assim que se encontra envolvido numa teia de corrupção que o vai levar a ser aprisionado num dos vários navios de deportados ancorados em Inglaterra e depois noutro, com destino à nova colónia penal que é a Austrália.Enquanto Morgan tenta resistir a desastres naturais e às falsidades e subterfúgios dos outros sobreviventes, vemos formar-se diante dos nossos olhos um microcosmos da audaciosa sociedade em que a Austrália se haveria de transformar.A investigação brilhante e exaustivamente realizada a todos os pormenores da época que serve de cenário à obra, torna-a memorável e verosímil com a reprodução de mapas, quadros, plantas de navios e outros materiais. A Viagem de Morgan, é pois, um excelente romance de aventuras, com a indomável energia e o ritmo imparável de um filme de acção.


A MINHA OPINIÃO:



A Viagem de Morgan é outra obra extraordinária de Colleen McCullough! O início é marcado pelo pormenor exímio da escritora que pode desconcertar os estreantes porém, para os veteranos como eu ( veterana, neste caso), é só primeiro passo para uma grande história. É um livro que me emociona e me ensina... McCullough escolhe um protagonista que não é rico ou nobre. Richard Morgan é um humilde e pacífico homem que é obrigado a reagir quando a Inglaterra começa a sofrer as consequências da Guerra de Independência dos Estados Unidos da América. É através dos seus olhos que a escritora nos apresenta uma realidade crua e despojada de eufemismos. A mestria dela está na beleza e no detalhe das suas descrições bem como no enquadramento histórico brilhante que lhe serve de alicerce para construir a épica saga de um homem que face às adversidades e a um novo destino cresce e nos apaixona. É claro que as primeiras páginas podem fazer desistir quem não aprecia um estilo tão descritivo porém, a mim não demoveu. Aliás, foi de uma utilidade preciosa pois, gosto de raciocinar e criar cenários no meu imaginário. Lá materializou-se uma Bristol, um Rio de Janeiro e uma Austrália do século XVIII. O contraste entre o Rio e a Cidade do Cabo é particularmente delicioso! Há um choque silencioso de culturas com as suas cores e aromas que invadem o leitor de um modo inebriante. Nunca caí no aborrecimento e revelou-se uma leitura extremamente viciante! Colleen McCullough possui uma capacidade notável: transforma o mais entediante dos acontecimentos num momento de verdadeira emoção. Pode haver uma grande história a servir de bandeja mas, o que conta é o que está a ser servido! Aí reside o segredo de mais este livro: a pequena história que se alimenta da grande história é devido à sua genialidade, na realidade, o foco inequívoco  da nossa atenção! É o que torna os seus livros tão humanos e tão absorventes... No entanto, A Viagem de Morgan não tem o mesmo brilho de outros volumes da autora. Para mim, não foi soberbo contrariamente a outros trabalhos dela. Coloco a culpa em Richard Morgan. Apesar de ser uma personagem credível e capaz de transportar o fardo tremendo de ser principal numa obra como esta é pálido quando comparado com Alexander Kinross (O Toque de Midas), Ralph de Bricassart ( Pássaros Feridos) ou mesmo Aquiles ( A Canção de Tróia). Falta-lhe aquelas imperfeições gritantes que nos fazem amar como a mesma violência com que odiamos! Morgan é demasiado merecedor da nossa paixão e, literáriamente eu aprecio o tumulto de uma acção moralmente dúbia. Mas, não quero com as estas palavras denegrir a imagem deste excelente livro... Não é dos melhores de Colleen McCullough todavia, tomara a muitos escreverem obras assim!

6/7- EXCELENTE

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Devaneios Cinematográficos... The Impossible (2012) de Juan Antonio Bayona


A MINHA OPINIÃO:


Os filmes de grandes tragédias naturais com vulcões prestes a explodir e grandes tornados ao virar da esquina nunca me atraíram muito. Normalmente, o argumento é paupérrimo e é sempre a mesma história com um amor meloso encaixado algures. Nunca mais direi nunca! The Impossible mudou completamente a minha percepção negativa. Baseado numa história verídica, é muito acirrante e incrivelmente comovente. Apesar de ser potencialmente previsível pois, alguém tinha de sobreviver para contar a história, não consegui tirar os olhos do ecrã.  O realizador e os produtores apostaram nas personagens ao invés do espectáculo de efeitos visuais que circunda este género de metragens. Eles estão lá e são brutalíssimos ( a onda do tsunami parece uma imagem documental) porém, são relegados para segundo plano. Ao focar a família que busca a sobrevivência e os seus entes queridos pelo meio dos destroços, o filme ganha humanidade. É emocionalmente visceral e a dor da separação dói-nos tanto quanto as feridas sangrentas e expostas. Os actores adultos são exímios porém, quem me surpreende muito são as crianças. A Naomi Watts e o Ewan McGregor são decentes intérpretes comprovado pelos inúmeros filmes premiados no seus currículos no entanto, Tom Holland, o Lucas, o filho mais velho é formidável! É tão desesperante e tão tocante na composição da sua personagem que me arrepia e arrebata ao ponto de me levar às lágrimas ( e isso não é fácil! ).


O filme peca por não ser mais abrangente. Se por um lado, a atenção centrada nos protagonistas é boa porque permite criar uma grande empatia com eles, não temos muito a noção de como os tailandeses e os habitantes locais sofreram e encararam o desastre natural. Quase não aparecem no ecrã e fez-me alguma confusão. Ainda assim, vale a pena ver este filme e aviso desde de já que o remoinho de mar, árvores, pessoas e restantes destroços é memorável e fez-me pensar seriamente no que faria se estivesse naquela situação horrenda.

TRAILER DO FILME:


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Devaneios de Séries... Sense & Sensibility (2008)- Sensibilidade e Bom Senso


A MINHA OPINIÃO:

Sense & Sensibility (2008) é uma mini-série de três episódios produzida pela BBC baseada no livro homónimo de Jane Austen. Andrew Davies, o argumentista, é audacioso marcando o início do primeiro episódio com uma cena de sedução. Choca porque não é definitivamente algo que Jane Austen escreveria. Cria animosidade contra uma personagem que aparecerá de novo mais tarde. Admito que tira o factor surpresa a essa história particular para quem nunca tenha lido o livro. Porém, esta adaptação não deve ser julgada  tão severamente por este acontecimento. Aliás, após este incidente retorna ao bom temperamento "austiano" e cada momento é pautado pela sobriedade mas também pela genuína emoção. Três episódios permitem aprofundar personagens secundárias que num filme não teriam tanto tempo para brilhar como a emproada Mrs Ferrars ( Jean Marsh). Ela e a filha, Fanny (Claire Skinner) são insuportáveis com a sua tendência para o mexerico e para a aparência. O ódio que lhes ganhei rapidamente se transformou em comiseração ou mesmo riso porquanto da sua ridícula figura. As irmãs Steele que tem um papel pequeno mas, vital nesta história também são mais elaboradas e Anne proporciona humor com as suas maneiras desajeitadas. O Coronel Brandon é outra personagem que é bem mais desenvolvida que nas adaptações posteriores o que muito agradou visto ser das minhas favoritas no livro. David Morrisey não corresponde inteiramente a descrição física de Austen mas, encarna Brandon com primor dotando-o daquele sentido de honra inabalável. Por outro lado, Willoughby (Dominic Cooper) é retratado obscuramente e com uma aura quase maquiavélica. Não gostava muito dele no livro e aqui ainda gostei menos. 


Quanto as protagonistas, Marianne e Elinor, elas trocaram-me às voltas. No livro, preferi Marianne (Charity Wakefield), a mais emotiva e romântica todavia, nesta mini-série adorei Elinor. Hattie Morahan criou uma mulher estóica, sensata tal como no livro e acrescentou-lhe um toque de vulnerabilidade que muito apreciei. É impossível não gostar dela e não torcer pela sua felicidade. A Marianne de Wakefield não me apaixonou tanto não obstante é uma interpretação impecável e a química entre as duas irmãs é fabulosa!

Edward Ferrars de Dan Stevens é um total gentleman. A acreditar em reencarnações, diria que Stevens deveria ter sido um lorde na época vitoriana. Quem conhece Downton Abbey, perceberá o que eu quero dizer. Os papéis de época assentam-lhe perfeitamente. É muito expressivo e a ternura e o calor humano que emana destaca-o da restante família e tal como as Dashwood(s) adorei-o.No geral, o elenco é muito competente e aprazível e a mini-série vive muito dele. Sofri, ri, regozijei e vi os episódios todos numa noite de tão viciantes que eram. Os cenários também são magníficos: as grandes mansões, o verde quase irreal do campo e a beleza da casa das Dashwood (s) beira à mar são de tirar o folêgo! 
Uma adaptação de um clássico como esta nunca poderá agradar a todos os espectadores. Haverá sempre alguém que não concordará com certos pormenores porque criou uma imagem completamente oposta quando leu o livro. Eu incluo-me no grupo dos que a apreciaram bastante e atrevo-me a afirmar que a achei mais emotiva e arrebatadora que o livro.

TRAILER: