sexta-feira, 22 de março de 2013

Novo Selo... Blog de Outro Mundo


Recebi mais selinho lindíssimo e claro, fiquei felicíssima. Este foi-me oferecido pela Sofia d' A Minha Vida por um Livro. O seu cantinho é novinho mas muito promissor. Obrigada Sofia!


As regras são:1-Colocá-lo no teu blog.
2- Referir o link www.aminhavidaporumlivro.blogspot.pt ( quem te enviou)
3- Dizer quais são as três coisas que mais gostas num livro e as três que mais odeias.
4- Passar o selo a 5 (ou mais blogs) que consideres «de outro mundo

Ora, três coisas que mais gosto num livro: que seja surpreendente, que me arrebate de tal maneira que não o consiga largar e claro, que contenha personagens tão marcantes que fiquem comigo mesmo depois de fechar o livro. Quanto às três coisas que mais odeiam num livro: personagens aborrecidas do género, donzela em apuros, que não fazem nada da vidinha; histórias sem nexo cheias de acções despropositadas e não gosto mesmo nada de livros que prometem maravilhas e no fim, são absolutamente banais. 

Vou enviar este selinho a:
A Thousand Lives da Mónica

Decidi-me por estes cinco blogues porque, a Sandra e a Catarina são cá da terra ( suborno!:P) e os outros cantinhos são descobertas recentes e achei que mereciam um incentivo.

domingo, 17 de março de 2013

Devaneios Cinematográficos...Oz the Great and Powerful (2013) de Sam Raimi


A MINHA OPINIÃO:


Oz the Great and Powerful ( Oz, O Grande e Poderoso) é uma película baseada nos livros de L. Frank Baum e,é indirectamente uma prequela ao clássico The Wizard of Oz de 1939 (O Feiticeiro de Oz).  
O filme despertou logo o meu interesse, quando vi as primeiras imagens. A cor que transborda da tela é inebriante e irresistível! Assim,  fiquei radiante quando obtive um convite para a ante-estreia. A tecnologia do 3D evidencia ainda mais esta qualidade quase mágica de um mundo tão fantasioso quanto belo. É de uma espectacularidade imensa que nos catapulta para Oz como se ainda fossemos crianças fáceis de iludir com o mais simples truque de magia.Porém, o 3D peca quando o filme aumenta de velocidade porque surgem áreas  nebulosas e os pequenos pormenores do cenário são absorvidos pela indistinção! Mas, nada consegue apagar a realidade quase assustadora da Menina de Porcelana (Joey King)! Uma pequena maravilha técnica que conjuntamente, com o Macaco Voador ( Zach Braff) que se fundem na perfeição com os actores de carne e osso. Visualmente, o filme não desaponta... O genérico de introdução é muito original e a transição do mundo do Kansas a preto e branco para Oz a cores é subtil mas, inesquecível. No longínquo 1939, os cineastas não possuíam estas benesses do desenvolvimento.  No entanto, os que eles tinham a menos na imagem tinham no argumento e na prestação dos actores ( sem contar com as cantorias de Judy Garland).


A história propriamente dita de Oz the Great and Powerful não é nada de extraordinário. Pelo contrário, já foi contada vezes sem conta com outras roupagens. Oscar, o protagonista é, muitas vezes, irritante e só depois de muita labuta evolui minimamente. James Franco que lhe dá vida é competente o suficiente para que não deixemos de gostar dele e é apenas nas cenas de mais emoção (poucas!) que vislumbramos o que ele teria feito com uma personagem mais bem escrita. Quanto às bruxas, a única que me convenceu e atemorizou foi Evanora de Rachel Weisz. Ela sobrepõe-se às outras duas actrizes de maneira contundente! Mila Kunis, a Theodora, não está má mas, mais uma vez sofre com uma evolução algo atabalhoada e curta em fundamentos. Sinceramente, tinha mais medo da personagem na filme de 1939 na versão de Margaret Hamilton. Glinda de Michelle Williams é demasiado doce, querida e boazinha o que perante uma malvadez que é pouco persuasiva, soa a falso.


Oz the Great and Powerful é dono de uma imagem gigantesca, cheia de cor e que entretém sem deslumbrar a nível de argumento. Falta-lhe solidez e inovação no que concerne ao enredo para que ele possa entrar na galeria dos memoráveis...

TRAILER:



quarta-feira, 13 de março de 2013

Devaneios de Séries... The Thorn Birds (1983)- Os Pássaros Feridos


A MINHA OPINIÃO:

The Thorn Birds (Os Pássaros Feridos) é uma mini-série de oito episódios da cadeia televisiva ABC  baseada no livro homónimo de Colleen McCullough. Venceu 6 Emmys ( Academy of Televison of Art & Science) e 4 Globos de Ouro ( Hollywood Foreign Press Association). É considerada uma das pioneiras do género no meio televisivo sendo que, é das que detém um dos maiores recordes de audiência de sempre. Tal como a obra literária que lhe deu origem, The Thorn Birds é vastamente dominado por Drogheda, herdade australiana produtora de lã criada por McCullough. É uma produção da década de 80 pelo que, poderá causar alguma impressão a quem espera cenários refinados e brilhantes.Obviamente que a qualidade do fotografia não é igual às das películas actuais mas, existe algo de sensacional na aridez que a série exibe, remetendo o telespectador para o calor abrasador da Austrália.


Assim como a história que lhe deu origem, a série é intensamente dramática e se não fossem as interpretações fantásticas do elenco cairia  certamente num tom novelesco insuportável pois, perante um livro com tão grandes emoções pode incorrer-se nesse erro. Meggie Cleary é uma criação virtuosa de Rachel Ward. Sente-se a paixão, o desespero e a teimosia da personagem como se ela tivesse saltado do livro para o ecrã. Ralph de Bricassart, o outro protagonista, é sem dúvida,  ainda mais marcante ( se possível!) devido a Richard Chamberlain. É impressionante como o actor traz para o ecrã, o conflito interior de Bricassart. É um homem que ama Deus, que tem vocação e muita ambição mas, ama igualmente uma mulher. Poderia se tornar confuso e deprimente porém, não o é.

No elenco secundário brilham Jean Simmons como Fee, a mãe de Meggie, dando-lhe uma estoicidade louvável, a incontornável Barbara Stanwyck como a amargurada Mary Carson que rouba qualquer cena em que esteja e Christopher Plummer como o Arcebispo Vittorio que como sempre tem uma presença imponente.  Os sotaques é que são raramente ou nulamente trabalhados e por isso, a ascendência neo-zeolandesa  e irlandesa de alguns personagens não é logo identificável.


Há um sentimento de inevitabilidade que cresce a cada episódio. Sabemos que não há espaços para grandes felicidades todavia, não conseguimos parar de ver. É saga familiar que lida com o amor, a traição, o escândalo, a morte, o luto e o perdão redentor. A banda sonora é assombrosamente paralela a toda história com um tema principal lindíssimo de Henry Mancini.
Eis uma preciosidade televisiva há muito esquecida que todos os apreciadores deste género deviam ver!

TRAILER:

domingo, 10 de março de 2013

As Esquinas do Tempo de Rosa Lobato de Faria


“"Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali."
Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão.
Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família.
Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. 

Romance simultaneamente poético e fantástico, As Esquinas do Tempo é mais uma prova do indesmentível talento literário de Rosa Lobato de Faria.

A MINHA OPINIÃO:


As Esquinas do Tempo é um livro pequeno que, suavemente, nos seduz com a sua escrita poética e viagens temporais que se expandem pelos séculos. Ler Rosa Lobato de Faria é ser invadida pela sensação de leveza e pela borbulhante paixão das personagens e, este livro não é a excepção à regra. A temática da viagem no tempo não é nova no mundo literário nem nos próprios escritos da autora porém, ela é capaz de nos arrebatar com a sua fluidez de sentimentos e palavras. Apesar de o início ser potencialmente confuso, por haver tantas Margaridas, Marianas e Madalenas, é miraculoso o modo como a história nos cativa e como a ansiedade de ler mais surge indomável após fechar o livro. O mundano e o simples torna-se atraente e é salpicado pela doçura característica da escritora! Lobato de Faria não se fixa sobre o como ocorrem as viagens no tempo de Margarida mas, o que ela ganha com o tempo que passou e o que passa. Abençoada com o toque prodigioso da imaginação, As Esquinas do Tempo é daquelas obras que não resistem muito tempo a uma leitora voraz como eu. No entanto, não é supérfluo e mordazmente compara o papel da mulher de época para época, salientando que a emancipação alcançada foi uma dádiva e uma vitória! Timidamente e silenciosamente, critica e foca o matrimónio como uma moeda de troca e que nem sempre significa felicidade.É um volume ternurento e a exemplo de outros livros da autora, uma leitura refrescante com um final ambíguo que motiva a reflexão. Todavia, não tem o mesmo brilho que A Trança de Inês que me agarrou logo no primeiro parágrafo. O primeiro capítulo é periclitante pois, a introdução às personagens não é tão contagiante e poética, o que pode demover os iniciantes em Rosa Lobato de Faria. É mais discursivo e directo o que me causou alguma perplexidade que esperava o típico tom surreal dela. A verdade é que após as primeiras páginas, o livro ressurge como um filho pródigo com todas as qualidades que o transformam numa bela leitura!

4**/5 BOM**

sexta-feira, 8 de março de 2013

Devaneios Cinematográficos... Lincoln (2012) de Steven Spielberg


A MINHA OPINIÃO:


Lincoln é um filme biográfico que abarca os últimos quatro meses da vida do afamado Presidente dos Estados da América e foca-se sobretudo, na sua luta pela 13ª Emenda da Constituição Americana que revolucionaria um país dilacerado pela Guerra Civil, abolindo a escravatura. É claramente nacionalista e lisonjeador da figura histórica que retrata. Porém, isso não belisca em nada o seu mérito de ser um grande filme! Daniel Day-Lewis é a alma, a coluna vertebral, a cabeça e o coração da metragem preenchendo o ecrã com a sua interpretação portentosa, soberba e verdadeiramente inacreditável de Abraham Lincoln!  Quando está em cena,  é inevitável que o nosso olhar se fixe nos maneirismos, na voz e nas palavras contagiantes, no humor e na quase surreal beleza que é o trabalho genial de composição de Day-Lewis. Ele desaparece completamente na personagem! Sem a sua aparição majestosa, o filme não teria, definitivamente  tanta qualidade. O argumento também é muito inteligente e requer a máximo atenção do espectador para que não se perca nas contendas políticas. Ao contrário do que seria de esperar, é bastante lesto e inclui saraivadas hilariantes brincando com as situações do quotidiano e com a figura do político. Tommy Lee Jones como Thaddeus Stevens, partidário mais radical das hostes de Lincoln, é dos que mais se evidencia nesse campo quer seja a insultar calmamente o inimigo na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos ou a meter "medo" aos jovens e ingénuos políticos. A história não é puramente estadista sendo que, há um lado humano que é bastante enternecedor.  A relação de Lincoln com a mulher e os filhos é colocada a nu. Será que é possível conjugar o presidente com o pai e o marido? Este conflito é patente em alguns momentos emocionantes particularmente, nos diálogos apaixonantes entre o protagonista e Mary Todd Lincoln ( Sally Field). A actriz consegue balançar a complexidade e a fragilidade da personagem com mestria e ela impõe-se ao magnífico Day-Lewis em cenas de grande poder emocional e sentimental.


O filme conta ainda com uma banda-sonora delicada e empolgante de John Williams que atinge o seu auge durante o clímax da história durante votação da emenda e durante os suspiros finais da metragem. Lincoln não é o melhor de Spielberg ( para mim, é A Lista de Schindler) todavia, vale a pena visualizá-lo nem que seja para testemunhar a memorável transformação de Daniel Day-Lewis!

TRAILER:


quarta-feira, 6 de março de 2013

O Historiador de Elizabeth Kostova


Nas tuas mãos, leitor, entrego a minha história…

Uma noite, ao explorar a biblioteca do pai, uma jovem mulher encontra um livro antigo e um maço de cartas amareladas. As cartas começam todas por «Meu caro e desventurado sucessor…» e fazem-na mergulhar num mundo com que ela nunca tinha sonhado - um labirinto onde os segredos do passado do pai e do misterioso destino da mãe se ligam a um mal inconcebível escondido nas profundezas da história.As cartas abrem caminho para um dos poderes mais perversos que a humanidade já conheceu - e para uma busca que dura há séculos para encontrar a origem dessa perversidade e extingui-la. É uma busca da verdade sobre Vlad o Empalador, o governante medieval cujo bárbaro reinado esteve na base da lenda do Drácula. Gerações de historiadores arriscaram a reputação, a saúde mental e mesmo a vida para saber a verdade sobre Vlad o Empalador e Drácula. Agora, a jovem decide empreender por sua vez essa busca para seguir o pai numa perseguição que quase o destruiu quando ainda era um novo e entusiasta académico e a mãe ainda estava viva.
O livro de Elizabeth Kostova é uma aventura de proporções monumentais, uma história implacável que mistura factos e fantasia, passado e presente, amor e aventura, absolutamente inesquecível. Publicado em 40 países, O Historiador é um dos mais importantes fenómenos literários dos últimos tempos.

A MINHA OPINIÃO:

O Historiador de Elizabeth Kostova é uma leitura brutalmente trepidante!Apesar ser enorme, com cerca de 600 páginas e de abrandar o ritmo por inúmeras vezes devido a novas descobertas e consequentes explicações, é apaixonante porque conjuga uma história muito bem construída com uma escrita bela e compulsiva. A beleza provém das suas descrições vívidas de locais remotos ou próximos que são fenomenais e que me tornaram numa personagem itinerante que seguia avidamente cada viagem, cada momento e cada frustração dos verdadeiros protagonistas. São pinturas detalhadas recheadas de cores que nos dão aquela sensação de estarmos mesmo lá! Percorremos milhares e milhares de léguas desde dos Pirenéus até à longínqua Roménia e sempre no mesmo livro. Ele é cosmopolita transcendendo barreiras linguísticas, religiosas, temporais e até a cortina de ferro pós-Segunda Guerra Mundial. É narrado a duas vozes, a da filha e a do pai porém, elas não são únicas. Um conjunto de vozes secundárias mas, essenciais dão outra dimensão e grandiosidade à obra. É uma calma, relativa e silenciosa grandiosidade porque só nos apercebemos do quão fundamentais elas são, ao longo do livro. Não são narrativas épicas cheias de batalhas. São muito pessoais através de cartas que mascaram lutas de cariz próprio entre a razão e a crença.São as palavras que guiam a aventura pois, é nas pequenas, grandes, novas e vetustas bibliotecas que os acontecimentos se precipitam levando ao evento seguinte. Na verdade, são os livros que movem a busca pelo fugidio Vlad Tepes. Será realidade ou ficção? Kostova funde os dois mundos de tal modo que é impossível distinguir a veracidade histórica do seu imaginário de escritora, criando uma história verossímil que até seduz os estudiosos presentes n' O Historiador. Se eles, apregoadores da lógica e do pensamento racional se submeteram ao sobrenatural, nós, leitores, não teremos outro remédio se não acreditar nas evidências que surgem ao longo das páginas. Claro que é ficção contudo, quando abrimos o livro perdemos a noção da realidade! A ameaça de Drácula é constante mesmo quando ele não está presente. A sua aura de assassino implacável é alimentada pela escritora fazendo-nos temer pelo destino dos personagens.No entanto, Drácula, vampiro célebre é um objectivo a atingir relegando-se para segundo plano a origem do vampirismo reservando-se as descobertas e as palestras para o paradeiro do infame Empalador. Por um lado, foi refrescante conhecê-lo neste formato mas, por outro, soube-me a pouco. 
O Historiador é um livro de conspirações, de indómitas paisagens e com muita história que imediatamente cativa a amante ( como eu!) de aventura e do passado!

6/7-EXCELENTE

PS: Obrigada Ana pela recomendação!:)

domingo, 3 de março de 2013

Devaneios do Convidado... Huis Clos ( Entre quatro paredes) de Jean Paul Sartre


Hoje é dia de uma opinião que não a minha... Desta vez, o devaneio é francês.



Garcin, révolutionnaire lâche et mari cruel : douze balles dans la peau ; Inès, femme démoniaque qui rendra folle de douleur sa jeune amante : asphyxie par le gaz ; Estelle, coquette sans coeur qui noie son enfant adultérin : pneumonie fulgurante. Morts, tous les trois. Mais le plus dur reste à faire. Ils ne se connaissent pas, et pourtant, ils se retrouvent dans un hideux salon dont on ne part jamais. Ils ont l'éternité pour faire connaissance : quelques heures leur suffiront pour comprendre qu'ils sont leurs bourreaux respectifs. "L'enfer, c'est les autres".
Tous les thèmes sartriens sont là, orchestrés avec brio : la valeur de l'engagement, le poids des actes, les limites de la responsabilité. AvecHuis clos, le grand prêtre de l'existentialisme signait l'une des ses pièces les plus fortes : la scène se prêtait bien à ces réquisitoires concis et percutants, que l'on retrouvera dans Les Mouches et surtout Les Mains sales.
Une oeuvre phare du répertoire français. --Karla Manuele
A OPINIÃO DO CONVIDADO:
O criado abre a porta. Entram Garcin, Inês e Estelle. A divisão ao estilo do Segundo Império contém apenas duas poltronas, um bronze, um corta-papel, uma lâmpada permanentemente acesa e uma campainha avariada para chamar o criado. Nem um único espelho, apenas os olhos das personagens, olhos obrigados a não encerrar. Encontram-se presos, não tendo escolhido os companheiros de cela. 
Sente-se um calor intenso. Garcin, Inês e Estelle vociferam os seus pecados, discutem entre si, gritam entre surdos. Vomitam os seus terrores, expelem a sua imperiosa necessidade por demonstrar aos outros a sua valentia, a sua beleza e a sua paixão… como se fossem jóias brilhantes. Na realidade, estas figuras revelam apenas a opacidade fecal da cobardia, da vaidade assassina e da luxúria estéril. 
Garcin, o jornalista vindo de Rien, o pacifista, o cobarde, que necessita de mostrar a coragem, a masculinidade que nunca terá tido. 
Inês, a empregada dos correios, alimenta-se da luxúria e das paixões doentias que espera que as outras pessoas lhe manifestem. Ao mesmo tempo, Inês é a mais louca e a mais consciente. 
Estelle, a rica senhora que habita um châteaux, era uma pobre rapariga que faz um matrimónio de conveniência com um senhor velho e abastado. Estelle necessita de atenção permanente, precisa de público. Quer por todas as formas convencer Garcin a olhá-la, a tocá-la, a sentir-se viva e desejada. 
Ouvem à distância o mal que os seus companheiros terrenos dizem e pensam sobre eles. E como eles os esquecem, e como tudo isso os corrói e os corrompe. Impedidos de se reconhecerem a um espelho, só os olhos dos outros os vislumbram e os informam de quem são. Esperam que as restantes personagens os vejam pelo seu lado mais luminoso, porém são sempre notados pela sua sombria negritude. 
São almas surdas e solitárias que procuram a satisfação do ego, com palavras, com ações, com sangue… Garcin, Ines e Estelle procuram o seu reflexo nos espelhos, porém, há muito tempo que mergulharam neles como Narciso mergulhou no lago. Mais que retirar os espelhos da sala, o autor retira a compreensão dos outros, gerando um isolamento glacial, uma profunda solidão acompanhada. Este livro é uma profunda reflexão filosófica. Será a incompreensão a forma mais cruel de inferno? Será que “o inferno… o inferno são os outros”?

Nataniel Rosa (28 anos)- Médico Veterinário
PS: Obrigada Nat por cederes a este capricho da tua irmã mais nova:)!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Devaneios Cinematográficos... Silver Linings Playbook (2012) de David O. Russell


A MINHA OPINIÃO:


Silver Linings Playbook é um filme baseado no livro homónimo de Mathew Quick e está nomeado para oito Óscares da Academia. Em português foi denominado de Um Guia para um Final Feliz.É dos mais originais e estranhos que já vi. Aborda cuidadosamente a doença psiquiátrica sem cair no dramatismo excessivo mas também não é totalmente supérfluo.  Toca-nos porque nos lembra daquelas pequenas e ridículas obsessões e superstições que todos  temos, ao mesmo tempo que, nos distancia o suficiente para que nos apercebamos o quão evidente é o sofrimento que os distúrbios do humor trazem aos que deles padecem. O realizador David.O Russell tem um sentido de oportunidade fantástico conjugando os diálogos e o argumento impecáveis com sequências verdadeiramente singulares sem grandes artefactos. A maneira como o filma dá-nos aquela sensação de omnipresença como se nós, por um momento, fôssemos  as personagens.É tremendamente demolidor assistir aos efeitos da doença mental. Não são apenas discutidos, são atrozmente sentidos contudo, a metragem que não carece de humor. É genuinamente e absurdamente engraçado porque os protagonistas Pat e Tiffany não têm inibições ou filtros como os meros mortais ou seja, as suas conversas e acções são  tão honestas que, às vezes, atingem o hilariante sem cair na vulgaridade. Bradley Cooper (Pat) e Jennifer Lawrence ( Tiffany) beneficiam ainda de uma química orgânica e estonteante. Cooper é perturbador na sua interpretação de um doente bipolar com as suas alterações de humor repentinas que afectam profundamente o seu mundo. As mudanças subtis que ele incute ao personagem são belíssimas. Por exemplo, Pat  é comprometido fervorosamente a um lema positivo e repete-o constantemente como se o ajudasse a encontrar o seu amor  pelo seu ser com todas as suas particularidades e Bradley Cooper é tão expressivo que sentimos a sua luta interior e lhe desejamos o melhor. Jennifer Lawrence não é de todo inferior. Ela dá a vida a Tiffany dotando-a de imprevisibilidade, teimosia e de uma firmeza inabalável. É uma presença marcante daquelas que jamais passariam despercebidas! A interacção entre ambos é notável... Outro actor que não poderia ficar sem ser mencionado é Robert de Niro. Que ele é um intérprete fenomenal, já eu sabia todavia, neste filme sobressai-se do elenco secundário. Os seus últimos trabalhos foram algo banais o que não esconde o actor supremo que ele é. Neste filme, ele, pai de Pat,  é comovente e arrebatador! Para mim, De Niro tem das melhores cenas do filme especialmente, quando se dirige ao filho e transparece também ele, uma vulnerabilidade ao lidar com a sua compulsão obsessiva e com as suas consequências.


Eis um filme que nos recorda de que há sempre esperança, que somos todos diferentes mas, todos sem excepção temos uma chance em sermos felizes. E mesmo no meio das ruínas deixadas pela doença há amor, ternura e risos. Quando não temos nada a perder, somos mais autênticos e emergimos dessa situação difícil mais sábios e combativos. 

TRAILER:



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A Viagem de Morgan de Colleen McCullough


A sinopse contém spoilers!!! Se não os quiser avance para a opinião!!!


Richard Morgan é filho de um taberneiro de Bristol, sensível e instruído, com um dom especial para fabricar mosquetes de pederneira, que a Inglaterra tenciona utilizar contra as suas revoltadas colónias americanas.Quando Richard arranja trabalho numa destilaria de rum, a sua eficiência e perspicácia levam-no a encontrar vários canos escondidos, que tem de denunciar, já que desviam ilegalmente 800 galões desta bebida por semana, de modo a fugir aos impostos. É assim que se encontra envolvido numa teia de corrupção que o vai levar a ser aprisionado num dos vários navios de deportados ancorados em Inglaterra e depois noutro, com destino à nova colónia penal que é a Austrália.Enquanto Morgan tenta resistir a desastres naturais e às falsidades e subterfúgios dos outros sobreviventes, vemos formar-se diante dos nossos olhos um microcosmos da audaciosa sociedade em que a Austrália se haveria de transformar.A investigação brilhante e exaustivamente realizada a todos os pormenores da época que serve de cenário à obra, torna-a memorável e verosímil com a reprodução de mapas, quadros, plantas de navios e outros materiais. A Viagem de Morgan, é pois, um excelente romance de aventuras, com a indomável energia e o ritmo imparável de um filme de acção.


A MINHA OPINIÃO:



A Viagem de Morgan é outra obra extraordinária de Colleen McCullough! O início é marcado pelo pormenor exímio da escritora que pode desconcertar os estreantes porém, para os veteranos como eu ( veterana, neste caso), é só primeiro passo para uma grande história. É um livro que me emociona e me ensina... McCullough escolhe um protagonista que não é rico ou nobre. Richard Morgan é um humilde e pacífico homem que é obrigado a reagir quando a Inglaterra começa a sofrer as consequências da Guerra de Independência dos Estados Unidos da América. É através dos seus olhos que a escritora nos apresenta uma realidade crua e despojada de eufemismos. A mestria dela está na beleza e no detalhe das suas descrições bem como no enquadramento histórico brilhante que lhe serve de alicerce para construir a épica saga de um homem que face às adversidades e a um novo destino cresce e nos apaixona. É claro que as primeiras páginas podem fazer desistir quem não aprecia um estilo tão descritivo porém, a mim não demoveu. Aliás, foi de uma utilidade preciosa pois, gosto de raciocinar e criar cenários no meu imaginário. Lá materializou-se uma Bristol, um Rio de Janeiro e uma Austrália do século XVIII. O contraste entre o Rio e a Cidade do Cabo é particularmente delicioso! Há um choque silencioso de culturas com as suas cores e aromas que invadem o leitor de um modo inebriante. Nunca caí no aborrecimento e revelou-se uma leitura extremamente viciante! Colleen McCullough possui uma capacidade notável: transforma o mais entediante dos acontecimentos num momento de verdadeira emoção. Pode haver uma grande história a servir de bandeja mas, o que conta é o que está a ser servido! Aí reside o segredo de mais este livro: a pequena história que se alimenta da grande história é devido à sua genialidade, na realidade, o foco inequívoco  da nossa atenção! É o que torna os seus livros tão humanos e tão absorventes... No entanto, A Viagem de Morgan não tem o mesmo brilho de outros volumes da autora. Para mim, não foi soberbo contrariamente a outros trabalhos dela. Coloco a culpa em Richard Morgan. Apesar de ser uma personagem credível e capaz de transportar o fardo tremendo de ser principal numa obra como esta é pálido quando comparado com Alexander Kinross (O Toque de Midas), Ralph de Bricassart ( Pássaros Feridos) ou mesmo Aquiles ( A Canção de Tróia). Falta-lhe aquelas imperfeições gritantes que nos fazem amar como a mesma violência com que odiamos! Morgan é demasiado merecedor da nossa paixão e, literáriamente eu aprecio o tumulto de uma acção moralmente dúbia. Mas, não quero com as estas palavras denegrir a imagem deste excelente livro... Não é dos melhores de Colleen McCullough todavia, tomara a muitos escreverem obras assim!

6/7- EXCELENTE

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Devaneios Cinematográficos... The Impossible (2012) de Juan Antonio Bayona


A MINHA OPINIÃO:


Os filmes de grandes tragédias naturais com vulcões prestes a explodir e grandes tornados ao virar da esquina nunca me atraíram muito. Normalmente, o argumento é paupérrimo e é sempre a mesma história com um amor meloso encaixado algures. Nunca mais direi nunca! The Impossible mudou completamente a minha percepção negativa. Baseado numa história verídica, é muito acirrante e incrivelmente comovente. Apesar de ser potencialmente previsível pois, alguém tinha de sobreviver para contar a história, não consegui tirar os olhos do ecrã.  O realizador e os produtores apostaram nas personagens ao invés do espectáculo de efeitos visuais que circunda este género de metragens. Eles estão lá e são brutalíssimos ( a onda do tsunami parece uma imagem documental) porém, são relegados para segundo plano. Ao focar a família que busca a sobrevivência e os seus entes queridos pelo meio dos destroços, o filme ganha humanidade. É emocionalmente visceral e a dor da separação dói-nos tanto quanto as feridas sangrentas e expostas. Os actores adultos são exímios porém, quem me surpreende muito são as crianças. A Naomi Watts e o Ewan McGregor são decentes intérpretes comprovado pelos inúmeros filmes premiados no seus currículos no entanto, Tom Holland, o Lucas, o filho mais velho é formidável! É tão desesperante e tão tocante na composição da sua personagem que me arrepia e arrebata ao ponto de me levar às lágrimas ( e isso não é fácil! ).


O filme peca por não ser mais abrangente. Se por um lado, a atenção centrada nos protagonistas é boa porque permite criar uma grande empatia com eles, não temos muito a noção de como os tailandeses e os habitantes locais sofreram e encararam o desastre natural. Quase não aparecem no ecrã e fez-me alguma confusão. Ainda assim, vale a pena ver este filme e aviso desde de já que o remoinho de mar, árvores, pessoas e restantes destroços é memorável e fez-me pensar seriamente no que faria se estivesse naquela situação horrenda.

TRAILER DO FILME:


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Devaneios de Séries... Sense & Sensibility (2008)- Sensibilidade e Bom Senso


A MINHA OPINIÃO:

Sense & Sensibility (2008) é uma mini-série de três episódios produzida pela BBC baseada no livro homónimo de Jane Austen. Andrew Davies, o argumentista, é audacioso marcando o início do primeiro episódio com uma cena de sedução. Choca porque não é definitivamente algo que Jane Austen escreveria. Cria animosidade contra uma personagem que aparecerá de novo mais tarde. Admito que tira o factor surpresa a essa história particular para quem nunca tenha lido o livro. Porém, esta adaptação não deve ser julgada  tão severamente por este acontecimento. Aliás, após este incidente retorna ao bom temperamento "austiano" e cada momento é pautado pela sobriedade mas também pela genuína emoção. Três episódios permitem aprofundar personagens secundárias que num filme não teriam tanto tempo para brilhar como a emproada Mrs Ferrars ( Jean Marsh). Ela e a filha, Fanny (Claire Skinner) são insuportáveis com a sua tendência para o mexerico e para a aparência. O ódio que lhes ganhei rapidamente se transformou em comiseração ou mesmo riso porquanto da sua ridícula figura. As irmãs Steele que tem um papel pequeno mas, vital nesta história também são mais elaboradas e Anne proporciona humor com as suas maneiras desajeitadas. O Coronel Brandon é outra personagem que é bem mais desenvolvida que nas adaptações posteriores o que muito agradou visto ser das minhas favoritas no livro. David Morrisey não corresponde inteiramente a descrição física de Austen mas, encarna Brandon com primor dotando-o daquele sentido de honra inabalável. Por outro lado, Willoughby (Dominic Cooper) é retratado obscuramente e com uma aura quase maquiavélica. Não gostava muito dele no livro e aqui ainda gostei menos. 


Quanto as protagonistas, Marianne e Elinor, elas trocaram-me às voltas. No livro, preferi Marianne (Charity Wakefield), a mais emotiva e romântica todavia, nesta mini-série adorei Elinor. Hattie Morahan criou uma mulher estóica, sensata tal como no livro e acrescentou-lhe um toque de vulnerabilidade que muito apreciei. É impossível não gostar dela e não torcer pela sua felicidade. A Marianne de Wakefield não me apaixonou tanto não obstante é uma interpretação impecável e a química entre as duas irmãs é fabulosa!

Edward Ferrars de Dan Stevens é um total gentleman. A acreditar em reencarnações, diria que Stevens deveria ter sido um lorde na época vitoriana. Quem conhece Downton Abbey, perceberá o que eu quero dizer. Os papéis de época assentam-lhe perfeitamente. É muito expressivo e a ternura e o calor humano que emana destaca-o da restante família e tal como as Dashwood(s) adorei-o.No geral, o elenco é muito competente e aprazível e a mini-série vive muito dele. Sofri, ri, regozijei e vi os episódios todos numa noite de tão viciantes que eram. Os cenários também são magníficos: as grandes mansões, o verde quase irreal do campo e a beleza da casa das Dashwood (s) beira à mar são de tirar o folêgo! 
Uma adaptação de um clássico como esta nunca poderá agradar a todos os espectadores. Haverá sempre alguém que não concordará com certos pormenores porque criou uma imagem completamente oposta quando leu o livro. Eu incluo-me no grupo dos que a apreciaram bastante e atrevo-me a afirmar que a achei mais emotiva e arrebatadora que o livro.

TRAILER:


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sensibilidade e Bom Senso de Jane Austen


"Sensibilidade e Bom Senso", o primeiro livro de Jane Austen, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.
Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.
"Sensibilidade e Bom Senso" - um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

A MINHA OPINIÃO:

Sensibilidade e Bom Senso foi uma leitura que me deixou repartida. Apesar de a apreciar bastante não me apaixonei profundamente como eu esperava. A história não me era estranha.Vi a adaptação cinematográfica de Ang Lee de 1995 há alguns anos pelo que me lembrava dos destinos de algumas personagens. Talvez essa foi uma da razões de eu não amar este clássico como milhares e milhares de leitores. Contudo, há que reconhecer o mérito de Jane Austen. Ela faz um retrato perfeito da sociedade inglesa absorvida pela futilidade e vaidade. Uma sociedade que se alimenta de aparências, se intromete na vida alheia como se fosse natural e julga com base no exterior e não no sentimento. Fanny e Mrs Ferrars são o cúmulo deste síndrome. Elas quase que adquirem contornos de caricatura nas mãos da escritora e, às vezes, não sabia se me exasperava ou se ria da sua figura. A obsessão pela estabilidade económica através do matrimónio é um dos objectos favoritos para a sátira de Jane Austen. Frequentemente, o homem é "medido" pelo rendimento que tem. Um dos meus entraves à minha leitura também foi isso, a  enumeração constante de quantas libras vale um homem. São tantas as menções que chega ao ponto da exaustão. Percebo que faz parte da crítica áspera da autora porém, a análise de Austen é tão severa que não há muita margem para o sarcasmo ou humor que certamente, infundiriam a história de mais vida. Quem brilha no livro e me agarrou às páginas foram as irmãs Elinor e Marianne Dashwood. Foi a originalidade das suas vidas que me surpreendeu. Fazendo jus ao título do livro, a mais velha, Elinor é mais sensata e prudente  e Marianne é a mais emotiva e volátil. O seu crescimento ao longo do livro é tão revelador porque nos apercebemos com elas que face ao amor e aos obstáculos da vida, há que existir um compromisso entre os dois mundos, o da sensibilidade e o do bom senso. As irmãs destoam por completo da sociedade por não valorizarem a superficialidade. A história de Elinor e de Edward é encantadora todavia, a que mais marcou foi a de Marianne. Não é tão linear e senti, genuinamente, cada passo da sua tortuosa caminhada.
Assim, Sensibilidade e Bom Senso foi um livro que ficou aquém das minhas expectativas. Não é definitivamente um mau livro, longe disso mas, é parco em divertimento, restringindo-se quase sempre a pintar o quadro da pequena burguesia. No entanto, há que ressalvar que esse quadro é notável e só por isso, é um livro que merece ser lido (quem se atrever!).

4.5/7- BOM**

TRAILER DO FILME:


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Rosas de Leila Meacham



“Mary nunca, por nunca desistiria da plantação. Isso significaria trair o seu pai e o pai dele e todos os Toliver antes deles que haviam lutado para arrancar a terra à floresta, que haviam suado e labutado, sacrificado e morrido pelos milhares de hectares que viviam para ver crescer com orgulho do seu trabalho. Jamais seria capaz de sacrificar Somerset por causa do orgulho masculino! Mas... amava Percy. Ele era um tormento constante que ela não conseguia esquecer, por muito que tentasse.”


A MINHA OPINIÃO:

Rosas de Leila Meacham é uma leitura muito emocionante e daquelas que faz virar páginas atrás páginas até ao fim. Porém, quando se o atinge fica aquela sensação de vazio pois, não queríamos que acabasse. O meu espírito de leitora fraqueja quando encontro uma história de várias gerações da mesma família. Não o consigo evitar. E quando é cheio de personagens deliciosas é impossível resistir! No entanto, é inevitável a comparação com outros clássicos da literatura. Faz-me lembrar um pouco E Tudo o Vento Levou pelo amor da protagonista pela terra e Os Pássaros Feridos pela paixão assolapada mas, proibida. Obviamente, Rosas não alcança o patamar de tais obras. É uma afirmação que faço sem qualquer tipo de malícia. É um livro fabuloso por seu próprio mérito... Tem uma escrita fluída, é riquíssimo de belas imagens que guardarei para sempre no meu coração e a importância das rosas e do seu significado dá-lhe um toque de ternura e de classe. Todavia, Leila Meacham comete ligeiros erros na parte final da história. Para mim, não foi tão apaixonante como o início avassalador. Tornou-se previsível nas suas acções e consequentemente,  um pouco longo de mais. É o que o distingue dos restantes. Não obstante, é um livro que arrebata e que nos leva a ler madrugada adentro sem qualquer remorso (e com uma bela ressaca no dia seguinte!). Somerset que Mary tanto ama, materializa-se em frente aos nossos olhos e quase vemos a brancura do algodão e sentimos o cheiro a terra molhada. As agruras e alegrias da vida são moldadas consoante a antiquíssima plantação. Mas será que vale a pena? Percy, Ollie e Mary são a prova viva de como o passado influencia irremediavelmente o futuro e o que resta é um depois complexo e intrigante. Nenhuma personagem é intragável. São todas encantadoras, cada uma a sua maneira e mesmo quando elas nos aborrecem por optarem pelo caminho mais tortuoso e aparentemente mais estúpido, não as deixamos de amar. Todas têm um papel a cumprir num livro que vive muito de desencontros e amores de todos os tipos e feitios. É genuíno e com uma narrativa poderosa que não deixará ninguém indiferente!

6/7-EXCELENTE

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Selinho Literário 2013


Obrigada Sandra, José, Catarina, Maria, Kel, Rita, Chaiselonge, Ana e Fiacha (Cliquem nos nomes para aceder aos blogues). Se me esqueci de alguém avisem-me, por favor. Obrigada amores pelo miminho!


As regras são:

1.Indicar um mínimo de dois livros que gostei de ler em 2012 (sem limite máximo);
2. Indicar pelo menos três livros que desejo ler em 2013 (sem limite máximo);
3. Indicar o nome e o link de quem ofereceu o selo;

Oferecer o selo a mais 10 pessoas para dar sequência a este projecto de incentivo à leitura. 

Dois livros que gostei de ler em 2012:

A Canção de Tróia de Colleen McCullough
E Tudo o Vento Levou de Margaret Mitchell

Mas 2012 foi ano excelente para as leituras... Os melhores estão aqui: http://devaneiosdajojo.blogspot.pt/2013/01/balanco-e-top-leituras-2012.html

Três livros que desejo ler em 2013:

Ai são tantos e sou de manias! Às vezes apetece-me ler um e outras vezes outro mas, este ano queria ler o Dr. Zhivago de Boris Paternak ( estou a ganhar coragem), o segundo volume da trilogia de Paullina Simons e As Brumas de Avalon de Marion Zimmer Bradley ( tenho de os ter primeiro).

Vou retribuir o selo a todos os que me amavelmente me deram e vou enviá-lo aos seguintes blogues:


Tentei dar o selinho a quem ainda não tem.:)

O Último Cabalista de Lisboa de Richard Zimler

Em Abril de 1506, durante as celebrações da Páscoa, cerca de dois mil cristãos-novos foram mortos num progrom em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio, O Último Cabalista de Lisboa, best-seller em onze países, incluindo os Estados Unidos da América, Inglaterra, Itália, Brasil e Portugal, é um extraordinário romance histórico tendo como pano de fundo os eventos verídicos desse mês de Abril de 1506.

A MINHA OPINIÃO:

O Último Cabalista de Lisboa é um livro tremendamente chocante! O seu contexto histórico é de uma brutalidade e inumanidade que apavora quem tem o mínimo de consciência e quem reconhece o livre arbítrio como parte incontestável do ser humano. É impressionante o quão grande é a História de Portugal! Há conquistas, vitórias e belas memórias que ainda hoje inspiram os que se predispõem a descobri-las. Porém, também há acontecimentos negros e de uma pobreza de alma verdadeiramente trucidantes. Zimler é de uma precisão fenomenal  ao descrever sem eufemismos a perseguição aos judeus no fatídico mês de Abril de 1506. A amargura, a revolta e a indignação são palpáveis na sua escrita. Uma autêntica viagem no tempo! A religião judaica é esmiuçada e encarada como o cerne da história. E é assim que deve ser! Há autores que tem medo de se imergir numa cultura ou numa religião quando escrevem, o que nos dá aquela sensação de falsidade ou de não realidade, se preferirem. Pelo contrário, Zimler é meticuloso, historicamente e religiosamente perfeito. Usa vocabulário próprio e expressões características que no início me confundiram por serem tão distintas do meio em que vivo. Todavia, não foi nada que me impedisse de apreciar o livro. Foi um privilégio conhecer e aprender sobre o judaísmo. É na ignorância que reside a maioria dos mal-entendidos e a estupidez da guerra. Richard Zimler tece de Lisboa um retrato sombrio e asfixiante. O seu mérito está em conseguir que nos sintamos sufocados ou perseguidos independentemente da religião que professamos. É triste encontrarmos uma mancha tão negra no nosso passado. Berequias Zarco é o protagonista que nos conduz pelas ruas da cidade e pelo meio da destruição de corpos e de almas. A sua amizade com Farid, um muçulmano, é provavelmente o que de mais belo há no livro. É a esperança de que é possível conviver e respeitar outro ser humano com crenças diferentes. Na verdade, eles é que são os seres humanos apesar de serem caçados como animais. O escritor serve-se de Berequias para incutir emoção mas também mistério à história o que aumenta ainda mais a velocidade de leitura. No fim, a sua busca tornou-se um bocadinho cansativa para mim e esse é o único reparo que faço ao livro. Estava a suplicar por uma solução num misto de curiosidade com cansaço porque já não suportava ler mais uma página que fosse sem uma revelação( é preciso dizer que estava em época de exames na faculdade!). No entanto, O Último Cabalista de Lisboa é uma leitura excelente, audaz e crua sobre um período conturbado e ominoso da história da Humanidade e cuja sinceridade aplaudo de pé!

5/7-MUITO BOM