segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo a todos!:)


Feliz 2013 a todos cheio de saúde, paz e alegria!!!

PS: Amanhã farei o balanço de 2012 e o meu top leituras!

O Rei que foi e Um Dia Será de T.H. White

Esta é a obra-prima da literatura que reconta o mito arturiano e que foi adaptada ao cinema por Walt Disney.
A história decorre no país encantado de Gramary, a Inglaterra feudal de domínio normando, e segue a lenda do rei Artur, dos cavaleiros da Távola Redonda, da demanda do Santo Graal e da mística espada Excalibur.
É considerada pelos especialistas a obra que veio modernizar o mito do rei Artur e renovar o interesse do público por este tema.

A MINHA OPINIÃO:

O rei Artur e a sua Távola Redonda sempre me fascinaram. Fazem parte do meu imaginário de criança: adorava ver desenhos animados, documentários e ler pequenas histórias arturianas. Estranhamente, nunca me aventurei por grandes volumes sobre mito, fiquei sempre à porta. Até que este ano surgiu a oportunidade  de ler este livro. Quando folheio um clássico com este calibre e celebridade sou acometida por um sentido de responsabilidade indescritível. É, provavelmente um reflexo das grandes expectativas que crio sempre que opto por livros que têm uma legião inteira de admiradores.  No entanto, removendo a auréola de "classicidade" não deixam de ser leituras passíveis de serem criticadas e, apesar de doer a alguns vou dar-vos a minha mais sincera opinião: não achei O Rei que foi e Um Dia Será fenomenal e ficou aquém daquilo que esperava.
O livro alberga a vida inteira de Artur desde a sua infância ingenuamente sonhadora até à velhice angustiante buscando soluções para males demasiados grandes. Tenho de reconhecer a mestria de T.H. White que  opta por realçar os ideais arturianos através de um olhar mais moderno, fazendo referências a épocas mais contemporâneas. O perpetuador de tais anomalias nesta é, frequentemente, Merlin. É uma personagem curiosa pois, vive de "trás para frente", ou seja, conhece o futuro. É o meu preferido com os seus diálogos mirabolantes, ensinamentos sábios e genialidade desastrada e  hilariante. Contudo, é com o protagonista, Artur que a escrita cresce. Na primeira parte, " A espada na pedra" é muito infantil o que me preocupou e frustrou imenso. Compreendo a intenção do autor ao promover a maturação do seu discurso ao longo das páginas igualando-o ao crescimento do rei, de menino a homem, mas foi essa mesma escrita que me nauseou e que me impediu de querer voltar a Gramary. Reconheço que me senti defraudada em alguns momentos. Na segunda parte, "A Rainha do ar e das Trevas", surge Morgause, a meia-irmã de Artur e o futuro rei já não é uma criança e consequentemente, a escrita amadurece. Comecei a gostar mais da leitura. É aqui que se começa a desenhar a Távola e onde também se cometem erros que influenciarão o destino. Na terceira parte, " O Cavaleiro Feio", Lancelot ganha relevo. É das personagens que menos me impressionou. Não me pareceu nada carismático e a sua paixão (adulação) pelo rei e pela rainha era pouco emotiva e cativante. Assim não apreciei muito esta parte. Finalmente, chega a minha parte favorita, a quarta e última, " A Candeia ao Vento". Culmina numa reflexão de um Rei velho sobre as suas vitórias e falhanços. Brilhantemente, é um espelho de o mundo em que vivemos. No fim, T.H. White justifica aquilo que me desconcertou mais em todo o livro: a localização histórica. O autor situa o rei Artur no século XIV enquanto que este a existir, viveu no século VI. Esta deslocação desiludiu-me porque jamais esperaria encontraria personagens tipicamente medievais "misturadas" com o mito arturiano. Concluindo, não me arrependo de ter lido este livro pois, adorei as peripécias e aventuras de Artur. Porém, devido às razões enumeradas não me fascinou por completo. Esperava mais...

4/7- BOM

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Pássaro de Caxemira de Linda Holeman



"Inglaterra vitoriana, século XIX, Liverpool.

Linny é a filha ilegítima de uma criada que se deixou enganar pelo senhor da casa. Contra o olhar dos outros e as más-línguas, a mãe ensinou-lhe a dignidade, a força de carácter. Força a que ela sempre recorrerá nos momentos mais difíceis da sua vida. E duro será o seu destino...
Com morte da mãe o padrasto força-a à prostituição até que ela consegue escapar às sombrias e húmidas ruas de Liverpool. Com a ajuda de um jovem estudante consegue partir para a Índia onde sonha encontrar a felicidade. Mas também ali o destino lhe será adverso. O oficial inglês com acaba por se casar, Somers Ingram, sabe do seu passado embora também ele esconde um terrível segredo. O seu casamento é pois um encontro de conveniências que cedo a tornam prisioneira de uma vida de mentiras. Num empolgante e sensível romance histórico, rico em ambientes, fascinante no traço de contrastes entre os nebulosos tons da Inglaterra e o fulgor de cores e vida da Índia, a autora, Linda Holeman, convida-nos a uma inesquecível viagem. Seguindo o percurso de Linny Gow, apaixonamo-nos pela sua força. Sempre ela lutará por uma vida melhor, pela perdida dignidade. «O Pássaro de Caxemira» começa com as palavras da protagonista: A ti tudo direi – parte verdade, parte memória, parte pesadelo... Dirige-se ao seu filho, é a ele que quer deixar, por escrito, a história da sua vida. Uma vida que começou longe, bem longe das terras da Índia."

A MINHA OPINIÃO:

O Pássaro de Caxemira é segundo livro que leio de Linda Holeman. O primeiro, A Rosa do Deserto, marcou-me imenso pela sua protagonista lutadora que nasce numa época opressora e no seio de uma cultura opressiva e martirizante. O Pássaro de Caxemira  é muito similar... A personagem principal, Linny é uma sobrevivente que enfrenta tragédia atrás de tragédia com uma resiliência extraordinária. Se isto aproxima o leitor porque sofre com ela e espera desesperadamente por uma solução, também o afasta. No meu caso, foi uma relação amor-ódio! Houve momentos em que pareceu que eu estava a reler o anterior que li da autora. Não havia nada de grande inovador na sua história. A heroína é repetidamente maltratada pelo destino e quando surge uma réstia de esperança, esta é esmagada!  Cai numa monotonia e apesar de, apreciar os aromas, o conflito de tradições e costumes entre a Índia e a Inglaterra e a capacidade quase única da escritora de transmitir as emoções e sentimentos não fiquei particularmente entusiasmada com a leitura. Linda Holeman surpreende porque não é nada típica a contar a história porém, ao mesmo tempo a similitude entre os dois livros dela é demasiado notória para a ignorar. Poderá parecer que estou a ser contraditória já que é aceitável que a mesma escritora mantenha as mesmas características em todos os seus trabalhos todavia, este soube-me a pouco.  Aprecio o modo como ela escreve pois, nunca sabemos muito bem o que esperar na página seguinte e se O Pássaro de Caxemira fosse a minha estreia teria adorado. Mas, como este foi o segundo, após alguns capítulos a sensação de dejá vu invadiu-me. Ele não é uma má leitura mas também não é excepcional. É quase uma sombra de A Rosa do Deserto... Se tivesse lido O Pássaro primeiro teria afirmado o contrário? Provavelmente, sim. É um livro que, claramente não correspondeu as minhas expectativas não obstante é um bom romance histórico que entretém durante algumas horas.

3**/7 RAZOÁVEL**

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal a todos!!!:)

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal!!! Que o vosso sapatinho se encha de saúde, paz e amor!!! 


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sem Ti de Diana Silva (Divulgação)



“Sem ti”...um conjunto de emoções e sentimentos em trinta poemas!

Amor, desejo, sonhos, o desconhecido...sensações intensas, profundas e eternas! Sem amor, sem desejo, sem sonhos, sem metas ou aquilo que nos faz avançar na procura de algo mais, muitas vezes, aquilo que ainda não conhecemos, mas que provoca em nós uma vontade imparável de procurar mais, de conhecer mais, de sermos mais, de viver mais intensamente...

“Sem ti”...um sentir imparável na busca incessante de sentir tudo aquilo que nos rodeia, com uma intensidade que ultrapassa o nosso próprio controle...uma busca pelo conhecimento na sua grandiosidade, na sua profundidade mais eterna.


Biografia da autora, Diana Andrade Silva:


Nasceu na maternidade de Cascais, viveu com os pais e a irmã até terminar a sua formação em Psicologia, posteriormente foi viver sozinha também na zona de Cascais onde trabalhou.

Durante a adolescência participou em vários clubes escolares (Clube Europeu, Clube de Jardinagem, Jornal de Inglês, entre outros). Realizou um intercâmbio no 10º ano com uma escola Belga de Bruges. Praticou Ballet Clássico (ainda pratica), Dança Jazz e Dança Oriental, entre outros estilos.

Realizou formação em Psicologia Clínica e Psicoterapia, exerceu a sua actividade no Hospital Júlio de Matos (estágio curricular), no Gabinete Médico da Câmara de Cascais e foi Psicóloga e Coordenadora do Centro de Actividades Ocupacionais da Associação Portuguesa de Deficientes (delegação de Cascais) e Psicóloga no CRID (Centro de Integração e Reabilitação de Deficientes).

No ano de 2008 ingressou na Masaryk University (República Checa), onde completou os 3 primeiros anos de Medicina. Atualmente frequenta o 5 º ano do Mestrado Integrado de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Em 2011/ 2012 em paralelo à frequência do curso de Medicina voltou a exercer como Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta em consultório privado.

“Sempre escrevi algo para mim, mas nunca publiquei ou partilhei com os outros.”


O Diplomata de Vasco Ricardo (Divulgação)

Gabriel é um político norte-americano de topo que possui uma família perfeita e uma reputação imaculada. Contudo, por detrás da sua figura exemplar, um outro homem emerge. Violento, frio e calculista, Gabriel parte em busca de algo e não parará enquanto não for bem-sucedido.

"...E quando já ninguém chorava, dei por mim a verter lágrimas que cheiravam e sabiam a sangue..."

Depois do sucesso de "A Trama da Estrela", Vasco Ricardo apresenta-nos mais um thriller, com todos os ingredientes que um bom thriller deve ter!
O tão esperado: "O Diplomata"


domingo, 25 de novembro de 2012

O Hobbit de J.R.R. Tolkien

"O Hobbit" é a história das aventuras de um grupo de anões que vão à procura de um tesouro guardado por um terrível dragão.
São relutantemente acompanhados por Bilbo Baggins, um hobbit apreciador do conforto e vida calma. Encontros com elfos, gnomos e aranhas gigantes, conversas com o dragão, Smaug, o Magnífico, e a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos são algumas das experiências por que Bilbo passará. "O Hobbit" é não só uma história maravilhosa como o prelúdio a "O Senhor dos Anéis".

A MINHA OPINIÃO:

Para mim, os livros de J.R.R.Tolkien são uma preciosidade de valor quase inexplicável! A verdade é que jamais conseguirei fugir da sua magia ou ser completamente imparcial quando os leio ( ou releio).  São livros que me salvaram, literalmente, de uma cama de hospital. Quando estamos doentes procuramos desesperadamente uma escapatória nem que seja, uma simples viagem literária por mundos tão brilhantemente construídos que nos perdemos neles e por um momento, esquecemos o que nos transtorna. Anos volvidos após este pequeno contratempo e perante a iminente adaptação cinematográfica de Peter Jackson resolvi mergulhar de novo nas páginas de O Hobbit. Correndo o risco de ser demasiado sentimentalista afirmo com toda a convicção que estava cheia de saudades da Terra Média: da simplicidade do Shire, da magnificência de Rivendell e da sensação de aventura que nos invade sempre que surgem  Anões, Feiticeiros, Elfos e Hobbits. Tolkien é comparável a um avô a narrar histórias aos netos. É um dom raríssimo e poucos escritores o têm! O Hobbit não é tão majestoso e tão grandioso como a famosa trilogia que precede porém, é igualmente cativante e um belo começo para uma relação que se prevê longa com o mundo do Senhor dos Anéis. Há claramente uma Terra Média em construção e muito menos abrangente de que nos livros seguintes no entanto, o equilíbrio que o autor consegue entre a infantilidade e a força da metáfora é algo de extraordinário. Apesar de existirem seres saídos da profícua imaginação de Tolkien também há os valores, os sentimentos e as emoções que são tão comuns e mundanas que é impossível não nos apegarmos a este pequeno livro. Tudo isto dá uma nova dimensão à obra! Se a lermos sem nos imergirmos totalmente nela corremos o risco de não alcançarmos a plenitude da sua mensagem. Bilbo Baggins encarna o relutante herói que, finalmente compreende que não importa a nossa imagem ou aquilo que erroneamente pensam de nós, o que conta é aquilo que vivemos, sem estarmos presos a falsos julgamentos, tradições ou costumes ridículos. O humor ingénuo de Bilbo é delicioso particularmente, no jogo de adivinhas com Gollum ou a interrogar Smaug, o dragão. O hobbit é o protagonista mas, mesmo gostando dele, não é  o meu favorito. Esse prémio pertence a Gandalf! O feiticeiro é provavelmente, das mentes mais astutas e previdentes do livro pois, é ele que maquina o despoletar de um novo e mais arrojado Bilbo. Claro que os Anões também são uma mais valia a multiplicar por treze! São tantos, tão iguais e tão diferentes e ao mesmo tempo, hilariantes. Thorin é aquele que se destaca porque é o que tem uma jornada maior. Ele tem de percorrer o caminho que o levará a encontrar-se consigo próprio. O Hobbit é indispensável para os admiradores de Tolkien e um belo começo para os que têm medo de iniciar a trilogia. Aqui encontrarão um livro de acção, sem grandes descrições que enamora o leitor e fá-lo piscar o olho aos volumes seguintes!

6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME:

O filme está a chegar e tal como a trilogia do Senhor dos Anéis é realizado por Peter Jackson.



sábado, 10 de novembro de 2012

Os Homens que Odeiam as Mulheres ( Milenium I) de Stieg Larsson


“O jornalista de economia MIKAEL BLOMKVIST precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro HANS-ERIK WENNERSTÖM e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. HENRIK VANGER, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem LISBETH SALANDER. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.”

A MINHA OPINIÃO:

O género policial sempre foi um pouco renegado para segundo plano nas minhas leituras actuais. Quando era adolescente adorava e devorei os livros de Agatha Christie porém, ao longo dos anos e após algumas desilusões, o meu interesse por este tipo de livros foi esmorecendo. Quando parto para uma viagem literária espero que me surpreenda e não há nada mais decepcionante do que solucionar o mistério nas primeiras páginas. Felizmente, Os Homens que Odeiam as Mulheres não cai neste marasmo. É trepidante, chocante e incrivelmente acirrante! A culpada é Lisbeth Salander. É uma personagem bizarra devido à sua aparência física, ao seu figurino e algumas das suas acções inesperadas porém, no seu âmago está uma mulher inteligente, resiliente e uma história brilhante de superação. Mikael Blomkvist é quem abre o livro contudo, falta-lhe o brilho atractivo de Lisbeth. É um início moroso mas, a introdução da protagonista é comparável a um furacão que transforma a leitura num verdadeiro vendaval de emoções e de acontecimentos sucessivos e intrigantes! E a corrida à resolução de um mistério com quase quarenta anos é lançada... Harriet Vanger desapareceu sem deixar rasto de uma pequena localidade onde todos se conhecem num dia fatídico que Mikael é contratado para esmiuçar. Tudo faria prever que Lisbeth e Mikael jamais teriam química juntos e, confesso que cheguei a temer que o prazer de ler esta obra se desvanecesse todavia, esta suposição revelou-se totalmente falsa. A rapariga desconfiada e socialmente inadequada e o jornalista caído em desgraça são uma dupla irresistível não no sentido romântico mas, na sua excentricidade. Não podiam ser mais diferentes um do outro não obstante, complementam-se como duas faces da mesma moeda. Os dois são claramente o foco principal de Stieg Larsson além da grande interrogação que paira sobre todo o livro: " O que aconteceu a Harriet?". O escritor não aprecia eufemismos! É cru e de uma realidade gráfica impactante! O leitor não é poupado a descrições violentas ou a momentos de verdadeiro terror. À medida que a investigação avançou fui avassalada pela mesma sensação de perseguição que Mikael experimentou e cada célula do corpo protestou perante as injustiças e atrocidades que acometeram Lisbeth. No entanto, as personagens secundárias também são, no mínimo fascinantes. O adjectivo fascinante pode ser aqui conotado positivamente ou negativamente quanto o fundimos com o carácter de cada membro da família Vanger. Resumindo, é uma família disfuncionalmente e oficialmente estrambólica! Porém, bons, maus ou simplesmente malucos, eles com a sua dinâmica familiar peculiar agarram-nos ainda mais às páginas do livro. Stieg Larsson é mestre em fazer-nos suspeitar de tudo, de todos e até das nossas próprias sombras! Ele abre um círculo no primeiro capítulo e fecha-o em beleza no último. Não há nada que fique sem resposta relativamente ao desaparecimento de Harriet. Obviamente, alguns aspectos ficam em aberto para o segundo volume mas, são sobretudo relacionados com Lisbeth e Mikael e eu estou desejosa de os ler. Este é um livro que me fez entrar numa cultura nórdica completamente distinta da minha. Os nomes,os lugares e os costumes difíceis de memorizar foram inicialmente desconcertantes todavia, este obstáculo foi rapidamente debelado assim que o mistério me acenou. Os Homens que Odeiam as Mulheres ( continuo a preferir o título em inglês, The Girl with a Dragon Tattoo) é perturbante, compulsivo e uma tentação para quem prefere embrenhar-se num thriller recheado de acção e adrenalina!

6/7-EXCELENTE

PS: Obrigada N. pela prendinha!

TRAILER DO FILME:

Existem duas adaptações ao cinema, uma sueca e uma americana. Coloco aqui a americana por ser a mais recente datando de 2011. Realizada por David Fincher foi nomeada ao Óscar de Melhor Actriz graças à interpretação de Lisbeth por Rooney Mara.


domingo, 21 de outubro de 2012

O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Amor, traição, vingança. O novo livro da romancista histórica mais vendida em Inglaterra. 

A coragem e lealdade de William Marshall como cavaleiro ao serviço da casa real inglesa foram recompensadas com a sua união a Isabelle de Clare, uma rica herdeira de propriedades na Inglaterra, Normandia e Irlanda. Mas a segurança e felicidade do casal são destruídas quando o rei Ricardo morre e é sucedido pelo irmão João, que toma os filhos de Marshal como reféns e apropria-se das suas terras. O conflito entre os que permanecem leais e os que se irão revoltar contra as injustiças ameaça destruir o casamento de William e Isabelle e arruinar as suas vidas. William terá que optar por um caminho desesperado que o poderá levar à governação do reino. E Isabelle, receando pelo homem que é a luz da sua vida, terá que se preparar para enfrentar o que o futuro lhes reserva.

A MINHA OPINIÃO:

O Leão Escarlate é o segundo volume de Elizabeth Chadwick sobre William Marshall, figura histórica de vulto do fim do século XII e início do século XIII. O primeiro volume não está publicado em Portugal com muita pena minha porque a julgar pela grande qualidade de O Leão Escarlate merece ser lido. Marshall conviveu com Ricardo I de Inglaterra, o célebre Coração de Leão e o seu não menos famoso irmão, João sem terra. A escritora é hábil em romancear a vida daquele que foi considerado um dos melhores cavaleiros na história de Inglaterra. A maioria dos grandes acontecimentos são verídicos como o desaparecimento misterioso do príncipe Artur ou a divisão dos barões no apoio à coroação de João porém, Elizabeth Chadwick não é uma historiadora aborrecida. Pelo contrário, tem uma escrita entusiasta apesar das longas descrições que usa para contextualizar o leitor. Estas essenciais para nos orientar! São um mapa de genealogia e uma visão minuciosa da corte e do quotidiano daqueles tempos tão distintos dos nossos. O papel da mulher também é escrutinado e são estabelecidas comparações lisonjeadoras ou pejorativas consoante o casal em questão. Isabelle de Clare, mulher de Marshall é uma mulher forte, determinada e é ouvida pelo marido que não a rebaixa ou a menoriza. A relação dos protagonistas é de grande cumplicidade e de grande compreensão o que não impede que ela discorde dele e vice-versa. Contudo, eles contrastam com a maioria dos casamentos de conveniência da corte em que a mulher era uma mera moeda de troca. A história expande-se por várias décadas e William Marshall é uma personagem apaixonante. É homem de honra, dedicado à família e à nação e um brilhante estratega militar e sagaz conhecedor da corte. Porém, também é marido, pai e responsável pelos inúmeros habitantes das suas terras. A maneira como ele joga politicamente sem macular a sua dignidade é algo de extraordinário! Claro que Isabelle também é uma grande mulher e de grande carácter  o que dá um tom de harmonia à relação mas também ao livro. Se Marshall impressiona pela sua determinação e lealdade aos seus princípios, o que dizer de João, irmão de Ricardo? Sempre foi uma figura controversa e mal-amada na literatura e no imaginário popular como podemos a atestar nas histórias de Robin dos Bosques ou de Ivanhoe todavia, Elizabeth Chadwick dá-lhe uma nova roupagem. Não encaixa na categoria de "bom da fita" contudo, não é tão irracionalmente cruel como o pintam. Sim, é impiedoso e muitas vezes, terrível mas, os seus actos são justificáveis ou pelo menos compreensíveis porque a escritora dá-nos a documentação suficiente para os entender. A sua insanidade e paranóia não têm moral porém, têm causa. Elizabeth Chadwich constrói um livro de ficção histórica verdadeiramente delicioso de se ler e em certa medida, enriquecedor para quem não conhece esta época conturbada.

5/7-MUITO BOM

domingo, 14 de outubro de 2012

Devaneios à Solta... O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Hoje o protagonista desta rubrica é O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick:

 Jardim Júlio Castillo, Miradouro de Santa Luzia, Lisboa 
(foto da minha autoria)

" William enfiou a mão nas pegas do seu escudo.(...)Algo tinha de ser feito e depressa. Se não conquistassem o topo daquelas muralhas, iriam ter de escolher entre sentar-se e esperar que aqueles desgraçados morressem à fome e entreterem-se a curar a sua dignidade ferida... e o Rei Ricardo não tinha paciência nem feitio para nenhuma das duas hipóteses. Não podia dar-se ao luxo de esperar nem podia dar-se ao luxo de perder."  pág. 12

in O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Terminei a leitura deste livro esta semana. A crítica sai em breve.

sábado, 6 de outubro de 2012

A Dama das Camélias de Alexandre Dumas, Filho

Marguerite Gautier, cortesã, é uma amante sustentada por alguns dos homens mais ricos de Paris. O seu hábito de levar sempre uma camélia branca quando vai à ópera ou ao teatro vale-lhe a alcunha de «Dama das Camélias». Vive uma vida de luxo e dissipação, mas no seu coração escondem-se as sombras de uma melancolia discreta e persistente. Até que conhece o jovem idealista Armand Duval, cuja paixão intensa lhe devolve a fé no amor... Mas será possível amar contra todos os preconceitos e convenções? Acima de tudo, será possível amar quando o amor pode custar a própria vida de quem ama? Marguerite Gautier, que Verdi transformou na Violetta Valery de La Traviata, e a quem deram rosto actrizes como Greta Garbo e Sarah Bernhardt, é um dos ícones da feminilidade no século XIX.A Dama das Camélias é, ainda hoje, uma das mais comoventes e originais histórias de amor da literatura universal.

A MINHA OPINIÃO:

A Dama das Camélias é um livro pequeno contudo, tem uma intensidade tão duradoura quanto o amor que é perpetuado para eternidade nas suas páginas. É um amor desmesurado quase obsessivo que inevitavelmente levará a tragédia. Logo, de início somos confrontados com essa realidade pois, o narrador é confidente de Armand Duval, a paixão de Marguerite Guantier, a dama das camélias. Não diminuiu em nada a minha vontade de o ler pelo contrário, adorei esta maneira de contar a história. O narrador é uma miscelânea de personagem com o próprio escritor. Encontra-se uma certa mágoa na sua narrativa e quicá, um senso de justiça social e ironia velados. Como apraz ao período do romantismo, esta obra carrega um exagero de emoções, sentimentos e situações. O amor imensurável de Armand, a doença obscura de Marguerite  e o luxo e a depravação do ambiente circundante compõem A Dama das Camélias. É um retrato satírico da hipocrisia de aparência da sociedade parisiense que apregoava mas, não praticava o lema Igualdade,  Liberdade e Fraternidade. Uma cortesã pode amar por dinheiro e ser amante mas nunca pode ser mulher mesmo que se arrependa dos seus pecados. Dumas é incrível a contar esta história. É tão dilacerador e tão ardente que parece que foi ele que a viveu e a sentiu! Pelo caminho, pinta o quadro de decadência de uma cidade em contradição onde  os ricos vivem de rendas extorquidas aos pobres e as gastam na luxúria e na opulência sendo no entanto, teoricamente fiéis à fé e generosidade cristã. Assim, esta obra é muito mais que um amor trágico! É um testemunho histórico que é surpreendentemente fluido o que contradiz a ideia disseminada por aí de que todos os clássicos são difíceis de ler. Também posso assegurar que as últimas cartas de Marguerite são fortes e chocantes e emocionam muitíssimo porque nos apercebemos contundentemente  da fragilidade humana e do pouco tempo que temos para usufruir da vida. Uma obra que merece ser lida e relida...

7/7-OBRA PRIMA

TRAILER DO FILME:

A Dama das Camélias tem inúmeras adaptações ao cinema, umas mais recentes que outras. A que optei por colocar é das mais antigas, Camille de 1936. Tem como director, o lendário George Cukor e como protagonistas Greta Garbo e Robert Taylor:


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tim de Colleen McCullough

Mary Horton, solteira na casa dos quarenta, rica, solitária, simples, acredita que não precisa de amor nem de amizade, satisfazendo-se com a sua confortável casa, o seu jardim, com o seu Bentley e a casa de praia que comprou com o fruto do seu trabalho e dos investimentos realizados, com os livros que lê e a música que ouve sozinha.
Tim Melville, vinte e cinco anos, operário, é filho de Ron e Esme Melville, que o receberam como uma dádiva para o seu tardio casamento. Tim tem a beleza e a graça de um deus grego, mas é um simples de espírito, uma criança grande.
No entanto, Ron e Esme, modestos operários australianos, pessoas sensatas e sem ambições, gostam dele pelo que é e preparam-no para trabalhar segundo as suas possibilidades. Tim é um trabalhador insignificante de uma empresa de construção civil, infatigável e esforçado. Dias de trabalho pesado e fins-de-semana passados com o pai num pub e noites tranquilas junto da família, a ver televisão, representavam para Tim toda a sua perspectiva de vida.
Quando Mary encontra Tim e o contrata como jardineiro durante os fins-de-semana, uma ligação muito forte vai nascer entre eles. Mary sente por Tim o mesmo tipo de amor que sentiria pelo filho que nunca teve; Tim, em contrapartida, ensina-lhe a ver o mundo de uma maneira mais simples e optimista, trazendo à sua vida solitária o calor e o afecto que lhe faltavam.

A MINHA OPINIÃO:

Tim foi o primeiro livro publicado por Colleen McCullough. Ela é das minhas autoras predilectas e não havia como fugir à sua leitura. A verdade é que Tim me encantou desde o primeiro instante. A simplicidade a ingenuidade ternurenta do protagonista são refrescantes. Com ele aprendemos a ver o mundo com outros olhos. Às vezes,  estamos tão obnubilados pela confusão e pela inutilidade que a beleza do que nos envolve escapa-nos. Que desperdício! Tim ensina-nos a ser diferentes ou pelo menos a acreditar no que de mais singelo existe no mundo. Apesar de ter sido escrito na década de 70, o livro é muito vanguardista abordando a vida de um homem de aparência deslumbrante mas que, aparentemente ficou para sempre com uma mentalidade de criança. Tim é denominado de "mal-acabado" no livro mas, é em torno dele que todos se aglomeram. É uma personagem completa e complexa e agarra-nos com a sua inocência, com a sua forma peculiar de amar e com seus silêncios que guardam as dúvidas e temores. É ele que invoca os sentimentos mais ternos e mais genuínos em todos. À volta de Tim, Colleen McCullough constrói uma história intensa manuseando com delicadeza os contrastes, as dificuldades e o preconceito de ser diferente. Tim é, apesar das suas limitações mentais, verdadeiramente arrebatador! Mary Horton é, pelo contrário, uma mulher capaz e inteligente porém, está emocionalmente debilitada. Esconde os seus sentimentos atrás de barreiras de pragmatismo e rotina. Os dois aprendem um com o outro. Cada vitória é regozijada e cada fracasso é lamentado pelo leitor. Colleen McCullough é extraordinária porque não escolhe um caminho idílico e perfeito mas sim, um trilho de recuos e avanços como seria na vida real. Esta proximidade que se estabelece entre protagonistas e quem os lê é de tal forma afectuosa que compreendemos cada decisão e a apoiamos incondicionalmente. Tim  é maravilhosamente distinto do que tudo o que já tenha lido. Nada se equipara à doçura da escritora ao tocar nas feridas e à delicadeza com que quebra tabus e ideias pré-concebidas socialmente. É um livro que pode não alcançar o auge da escrita de A Canção de Tróia ou de O Toque de Midas todavia, é absolutamente encantador!

6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME: 

Tim foi adaptado ao cinema em 1979. Piper Laurie encarnou Mary e um muito jovem Mel Gibson deu vida a Tim Mellville. Como não encontrei uma trailer decente deixo um vídeo da relação de ambos. Contém spoilers!!!


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Devaneios de Séries... The Pillars of the Earth (Os Pilares da Terra) (2010)


A MINHA OPINIÃO:

The Pillars of the Earth é uma mini-série de oito episódios produzida por Ridley e Tony Scott, exibida pelo canal STARZ nos Estados Unidos da América e baseado na obra homónima de Ken Follet. 
Quando se adapta um livro sobejamente conhecido e amado por tantos leitores há um risco compreensível de não se conseguir agradar a todos. A série também poderá granjear novos fãs literários pelo que tem de ser abordada com cuidado e como uma espécie de auto-promoção. 
The Pillars of the Earth não é completamente fiel à obra de Ken Follet e afirmo isto com a toda convicção de quem viu a aposta televisiva ao mesmo tempo que lia os livros. Todavia, não tive menos prazer a vê-la pelo contrário, surpreendeu-me pela qualidade da produção e pelas narrativas alteradas mas, contagiantes.


O elenco  é perfeito, compondo personagens tão amadas com primor. Tal como a obra literária, é ambientada à crueldade da Idade Média onde os pobres tentam sobreviver à fome e os ricos tentam sobreviver às intrigas e aos assassínios pelo poder. As histórias quotidianas de um pai, de um filho, dum frade e de um amor mesclam-se com a Guerra Civil Inglesa e a luta pela Coroa Inglesa. E a uni-los a todos, directa ou indirectamente, está a construção de uma Catedral. Majestosa e imponente, ela é o sonho de Tom The Builder que é brilhantemente interpretado por Rufus Sewell. Ele empresta à personagem firmeza, bravura e paixão. Outro actor que se destaca é Ian McShane, Waleran Bigod, clérigo de moral e acções dúbias. McShane incorpora o lado da fé corrompida e corrobora a sua missão deturpada com o lema de que os fins justificam os meios. O frade que se lhe opõe é Philip. É impossível não simpatizar com ele! Seja pela fé inabalável, pela destreza política ou pela competência do actor Mathew McFadyen, Philip é dos que mais captaram a minha atenção. Outro desviador de atenções é Eddie Redmayne, Jack The Builder. A sua interpretação cresce ao longo de toda a minisérie assim como a sua personagem. O duo de irmãos fictícios Richard (Sam Caflin) e Aliena (Hayley Atwell) é detentor de cenas poderosas na aflição ou na luta. Richard é das personagens que mais difere do livro. Entendo a opção dos argumentistas de armá-lo de mais coragem e sentido de responsabilidade porque assim se tornou mais agradavelmente heróico. Houve momentos no livro em que me apeteceu sacudi-lo para acordá-lo do marasmo e apatia em que se encontrava. William Hamleigh de David Oakes é desprezível, atormentado e o actor também merece uma palavra de apreço pelo seu trabalho.


No entanto, quem me fascinou irremediavelmente não foram os actores foi Trevor Morris, o compositor da banda sonora. A melodia é épica e vibrante aquele final é simplesmente fenomenal com a imagem portentosa da catedral em perfeita simbiose com o trecho musical. The Pillars of the Earth é uma excelente série mas desengane-se quem espera uma cópia fidelíssima à obra que lhe deu origem pois, não o vai encontrar. As directrizes principais estão lá porém, há pormenores que são distintos. Vale a pena ler o livro e vale a pena ver série! São os dois excelentes!

TRAILER DA MINISÉRIE:




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Selinho Versatile Blogger


Tenho de agradecer todos os que me enviaram selinhos nos últimos meses e que infelizmente, não publiquei devido à falta de tempo. Mas aprecio imenso todos os miminhos que me dão. Quanto a este selo aqui estão as regras:

Regras:
- Postar o selo e dizer quem me presenteou;
- Dizer 7 coisas sobre mim;
- Presentear 15 blogs com o mesmo;

Este selinho foi-me oferecido pelo Vítor das Crónicas Obscuras, pela Rita de A Magia dos Livros, pela Filipa de O Labirinto dos livros,  pela Leitora  da Atmosfera dos livros, pela Sandra de Mil Estrelas ao Colo, pela Sofia do blogue Morrighan, e pelo Luís de Ler y Criticar. Sim me esqueci-me de alguém lembrem-me por favor! Obrigada a todos:)

7 coisas sobre mim:
1- Estou no penúltimo ano de faculdade.
2- Tenho um mini-zoo em casa na ilha e insisto em dar nome a todos os animais o que põe a minha mãe doida.:p
3- O meu quarto está tão cheio de livros que costumo dizer que qualquer dia afogo-me em livros.
4- Adoraria conhecer o Tibete numa viagem que privilegiasse as caminhadas a pé pelas montanhas.  
5- Gosto de ouvir música (bandas sonoras) enquanto escrevo.
6- Sou viciada em séries.

Os 15 blogs que presenteio com este selo são:



Faltam alguns para perfazer os 15 blogues mas esses lugares serão ocupados por aqueles que me deram este selinho a quem retribuo com muito carinho.

As Horas Distantes de Kate Morton



Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.
Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.
No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

A MINHA OPINIÃO:

Kate Morton é das minhas escritoras favoritas! Não escondo que os seus dois primeiros livros me fascinaram tanto que os li até madrugada, freneticamente. Ela tem a habilidade extraordinária de contar uma história entre o passado e o presente que não é confusa ou fatigante. As suas páginas estão carregadas de mil segredos e de mil descobertas. As Horas Distantes não é excepção. Contém  mesmo toque de magia e é abençoado pelos incríveis cenários nomeadamente, o Castelo de Middlehurst em que nos perdemos e nos reencontramos. Porém,  para mim este livro não é tão cintilante como os restantes. Apesar de ser uma leitura deliciosa, não me envolveu tanto. As irmãs Blythe são personagens peculiares e relativamente cativantes especialmente, a enigmática e etérea Juniper contudo, o ritmo desta leitura não atingiu o que eu esperava. A história rica e lindíssima mas, o inicio é marcado pela descrição em detrimento da acção. Não há harmonia ao contrário de nos outros livros de Kate Morton. Sendo uma das minhas autoras predilectas, não poderia deixar referenciar este detalhe. O Jardim dos Segredos e A Casa de Riverton maravilharam-me precisamente por serem equilibrados. Além de apresentarem personagens e lugares fascinantes, a acção e descrição complementavam-se não havendo supremacia de nenhuma. É tão raro encontrar livros assim! As Horas Distantes peca por não imitar os seus predecessores a este nível. Ainda assim, possui os seus encantos e os últimos capítulos não são lidos, são devorados tal é a ansiedade do leitor em deslindar o mistério das irmãs Blythe. E como todo livro desta autora está recheado de surpresas que nos atordoam com as suas revelações! Viajamos no tempo e descortinamos almas apaixonadas, corações atormentados, sorrisos esquecidos, sonhos despedaçados que só encontram paz no futuro. As Horas Distantes pode não ser tão esplendoroso como as outras obras de Morton não obstante, não deixa de arrebatar o leitor.

5/7-MUITO BOM