domingo, 14 de outubro de 2012

Devaneios à Solta... O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Hoje o protagonista desta rubrica é O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick:

 Jardim Júlio Castillo, Miradouro de Santa Luzia, Lisboa 
(foto da minha autoria)

" William enfiou a mão nas pegas do seu escudo.(...)Algo tinha de ser feito e depressa. Se não conquistassem o topo daquelas muralhas, iriam ter de escolher entre sentar-se e esperar que aqueles desgraçados morressem à fome e entreterem-se a curar a sua dignidade ferida... e o Rei Ricardo não tinha paciência nem feitio para nenhuma das duas hipóteses. Não podia dar-se ao luxo de esperar nem podia dar-se ao luxo de perder."  pág. 12

in O Leão Escarlate de Elizabeth Chadwick

Terminei a leitura deste livro esta semana. A crítica sai em breve.

sábado, 6 de outubro de 2012

A Dama das Camélias de Alexandre Dumas, Filho

Marguerite Gautier, cortesã, é uma amante sustentada por alguns dos homens mais ricos de Paris. O seu hábito de levar sempre uma camélia branca quando vai à ópera ou ao teatro vale-lhe a alcunha de «Dama das Camélias». Vive uma vida de luxo e dissipação, mas no seu coração escondem-se as sombras de uma melancolia discreta e persistente. Até que conhece o jovem idealista Armand Duval, cuja paixão intensa lhe devolve a fé no amor... Mas será possível amar contra todos os preconceitos e convenções? Acima de tudo, será possível amar quando o amor pode custar a própria vida de quem ama? Marguerite Gautier, que Verdi transformou na Violetta Valery de La Traviata, e a quem deram rosto actrizes como Greta Garbo e Sarah Bernhardt, é um dos ícones da feminilidade no século XIX.A Dama das Camélias é, ainda hoje, uma das mais comoventes e originais histórias de amor da literatura universal.

A MINHA OPINIÃO:

A Dama das Camélias é um livro pequeno contudo, tem uma intensidade tão duradoura quanto o amor que é perpetuado para eternidade nas suas páginas. É um amor desmesurado quase obsessivo que inevitavelmente levará a tragédia. Logo, de início somos confrontados com essa realidade pois, o narrador é confidente de Armand Duval, a paixão de Marguerite Guantier, a dama das camélias. Não diminuiu em nada a minha vontade de o ler pelo contrário, adorei esta maneira de contar a história. O narrador é uma miscelânea de personagem com o próprio escritor. Encontra-se uma certa mágoa na sua narrativa e quicá, um senso de justiça social e ironia velados. Como apraz ao período do romantismo, esta obra carrega um exagero de emoções, sentimentos e situações. O amor imensurável de Armand, a doença obscura de Marguerite  e o luxo e a depravação do ambiente circundante compõem A Dama das Camélias. É um retrato satírico da hipocrisia de aparência da sociedade parisiense que apregoava mas, não praticava o lema Igualdade,  Liberdade e Fraternidade. Uma cortesã pode amar por dinheiro e ser amante mas nunca pode ser mulher mesmo que se arrependa dos seus pecados. Dumas é incrível a contar esta história. É tão dilacerador e tão ardente que parece que foi ele que a viveu e a sentiu! Pelo caminho, pinta o quadro de decadência de uma cidade em contradição onde  os ricos vivem de rendas extorquidas aos pobres e as gastam na luxúria e na opulência sendo no entanto, teoricamente fiéis à fé e generosidade cristã. Assim, esta obra é muito mais que um amor trágico! É um testemunho histórico que é surpreendentemente fluido o que contradiz a ideia disseminada por aí de que todos os clássicos são difíceis de ler. Também posso assegurar que as últimas cartas de Marguerite são fortes e chocantes e emocionam muitíssimo porque nos apercebemos contundentemente  da fragilidade humana e do pouco tempo que temos para usufruir da vida. Uma obra que merece ser lida e relida...

7/7-OBRA PRIMA

TRAILER DO FILME:

A Dama das Camélias tem inúmeras adaptações ao cinema, umas mais recentes que outras. A que optei por colocar é das mais antigas, Camille de 1936. Tem como director, o lendário George Cukor e como protagonistas Greta Garbo e Robert Taylor:


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tim de Colleen McCullough

Mary Horton, solteira na casa dos quarenta, rica, solitária, simples, acredita que não precisa de amor nem de amizade, satisfazendo-se com a sua confortável casa, o seu jardim, com o seu Bentley e a casa de praia que comprou com o fruto do seu trabalho e dos investimentos realizados, com os livros que lê e a música que ouve sozinha.
Tim Melville, vinte e cinco anos, operário, é filho de Ron e Esme Melville, que o receberam como uma dádiva para o seu tardio casamento. Tim tem a beleza e a graça de um deus grego, mas é um simples de espírito, uma criança grande.
No entanto, Ron e Esme, modestos operários australianos, pessoas sensatas e sem ambições, gostam dele pelo que é e preparam-no para trabalhar segundo as suas possibilidades. Tim é um trabalhador insignificante de uma empresa de construção civil, infatigável e esforçado. Dias de trabalho pesado e fins-de-semana passados com o pai num pub e noites tranquilas junto da família, a ver televisão, representavam para Tim toda a sua perspectiva de vida.
Quando Mary encontra Tim e o contrata como jardineiro durante os fins-de-semana, uma ligação muito forte vai nascer entre eles. Mary sente por Tim o mesmo tipo de amor que sentiria pelo filho que nunca teve; Tim, em contrapartida, ensina-lhe a ver o mundo de uma maneira mais simples e optimista, trazendo à sua vida solitária o calor e o afecto que lhe faltavam.

A MINHA OPINIÃO:

Tim foi o primeiro livro publicado por Colleen McCullough. Ela é das minhas autoras predilectas e não havia como fugir à sua leitura. A verdade é que Tim me encantou desde o primeiro instante. A simplicidade a ingenuidade ternurenta do protagonista são refrescantes. Com ele aprendemos a ver o mundo com outros olhos. Às vezes,  estamos tão obnubilados pela confusão e pela inutilidade que a beleza do que nos envolve escapa-nos. Que desperdício! Tim ensina-nos a ser diferentes ou pelo menos a acreditar no que de mais singelo existe no mundo. Apesar de ter sido escrito na década de 70, o livro é muito vanguardista abordando a vida de um homem de aparência deslumbrante mas que, aparentemente ficou para sempre com uma mentalidade de criança. Tim é denominado de "mal-acabado" no livro mas, é em torno dele que todos se aglomeram. É uma personagem completa e complexa e agarra-nos com a sua inocência, com a sua forma peculiar de amar e com seus silêncios que guardam as dúvidas e temores. É ele que invoca os sentimentos mais ternos e mais genuínos em todos. À volta de Tim, Colleen McCullough constrói uma história intensa manuseando com delicadeza os contrastes, as dificuldades e o preconceito de ser diferente. Tim é, apesar das suas limitações mentais, verdadeiramente arrebatador! Mary Horton é, pelo contrário, uma mulher capaz e inteligente porém, está emocionalmente debilitada. Esconde os seus sentimentos atrás de barreiras de pragmatismo e rotina. Os dois aprendem um com o outro. Cada vitória é regozijada e cada fracasso é lamentado pelo leitor. Colleen McCullough é extraordinária porque não escolhe um caminho idílico e perfeito mas sim, um trilho de recuos e avanços como seria na vida real. Esta proximidade que se estabelece entre protagonistas e quem os lê é de tal forma afectuosa que compreendemos cada decisão e a apoiamos incondicionalmente. Tim  é maravilhosamente distinto do que tudo o que já tenha lido. Nada se equipara à doçura da escritora ao tocar nas feridas e à delicadeza com que quebra tabus e ideias pré-concebidas socialmente. É um livro que pode não alcançar o auge da escrita de A Canção de Tróia ou de O Toque de Midas todavia, é absolutamente encantador!

6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME: 

Tim foi adaptado ao cinema em 1979. Piper Laurie encarnou Mary e um muito jovem Mel Gibson deu vida a Tim Mellville. Como não encontrei uma trailer decente deixo um vídeo da relação de ambos. Contém spoilers!!!


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Devaneios de Séries... The Pillars of the Earth (Os Pilares da Terra) (2010)


A MINHA OPINIÃO:

The Pillars of the Earth é uma mini-série de oito episódios produzida por Ridley e Tony Scott, exibida pelo canal STARZ nos Estados Unidos da América e baseado na obra homónima de Ken Follet. 
Quando se adapta um livro sobejamente conhecido e amado por tantos leitores há um risco compreensível de não se conseguir agradar a todos. A série também poderá granjear novos fãs literários pelo que tem de ser abordada com cuidado e como uma espécie de auto-promoção. 
The Pillars of the Earth não é completamente fiel à obra de Ken Follet e afirmo isto com a toda convicção de quem viu a aposta televisiva ao mesmo tempo que lia os livros. Todavia, não tive menos prazer a vê-la pelo contrário, surpreendeu-me pela qualidade da produção e pelas narrativas alteradas mas, contagiantes.


O elenco  é perfeito, compondo personagens tão amadas com primor. Tal como a obra literária, é ambientada à crueldade da Idade Média onde os pobres tentam sobreviver à fome e os ricos tentam sobreviver às intrigas e aos assassínios pelo poder. As histórias quotidianas de um pai, de um filho, dum frade e de um amor mesclam-se com a Guerra Civil Inglesa e a luta pela Coroa Inglesa. E a uni-los a todos, directa ou indirectamente, está a construção de uma Catedral. Majestosa e imponente, ela é o sonho de Tom The Builder que é brilhantemente interpretado por Rufus Sewell. Ele empresta à personagem firmeza, bravura e paixão. Outro actor que se destaca é Ian McShane, Waleran Bigod, clérigo de moral e acções dúbias. McShane incorpora o lado da fé corrompida e corrobora a sua missão deturpada com o lema de que os fins justificam os meios. O frade que se lhe opõe é Philip. É impossível não simpatizar com ele! Seja pela fé inabalável, pela destreza política ou pela competência do actor Mathew McFadyen, Philip é dos que mais captaram a minha atenção. Outro desviador de atenções é Eddie Redmayne, Jack The Builder. A sua interpretação cresce ao longo de toda a minisérie assim como a sua personagem. O duo de irmãos fictícios Richard (Sam Caflin) e Aliena (Hayley Atwell) é detentor de cenas poderosas na aflição ou na luta. Richard é das personagens que mais difere do livro. Entendo a opção dos argumentistas de armá-lo de mais coragem e sentido de responsabilidade porque assim se tornou mais agradavelmente heróico. Houve momentos no livro em que me apeteceu sacudi-lo para acordá-lo do marasmo e apatia em que se encontrava. William Hamleigh de David Oakes é desprezível, atormentado e o actor também merece uma palavra de apreço pelo seu trabalho.


No entanto, quem me fascinou irremediavelmente não foram os actores foi Trevor Morris, o compositor da banda sonora. A melodia é épica e vibrante aquele final é simplesmente fenomenal com a imagem portentosa da catedral em perfeita simbiose com o trecho musical. The Pillars of the Earth é uma excelente série mas desengane-se quem espera uma cópia fidelíssima à obra que lhe deu origem pois, não o vai encontrar. As directrizes principais estão lá porém, há pormenores que são distintos. Vale a pena ler o livro e vale a pena ver série! São os dois excelentes!

TRAILER DA MINISÉRIE:




quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Selinho Versatile Blogger


Tenho de agradecer todos os que me enviaram selinhos nos últimos meses e que infelizmente, não publiquei devido à falta de tempo. Mas aprecio imenso todos os miminhos que me dão. Quanto a este selo aqui estão as regras:

Regras:
- Postar o selo e dizer quem me presenteou;
- Dizer 7 coisas sobre mim;
- Presentear 15 blogs com o mesmo;

Este selinho foi-me oferecido pelo Vítor das Crónicas Obscuras, pela Rita de A Magia dos Livros, pela Filipa de O Labirinto dos livros,  pela Leitora  da Atmosfera dos livros, pela Sandra de Mil Estrelas ao Colo, pela Sofia do blogue Morrighan, e pelo Luís de Ler y Criticar. Sim me esqueci-me de alguém lembrem-me por favor! Obrigada a todos:)

7 coisas sobre mim:
1- Estou no penúltimo ano de faculdade.
2- Tenho um mini-zoo em casa na ilha e insisto em dar nome a todos os animais o que põe a minha mãe doida.:p
3- O meu quarto está tão cheio de livros que costumo dizer que qualquer dia afogo-me em livros.
4- Adoraria conhecer o Tibete numa viagem que privilegiasse as caminhadas a pé pelas montanhas.  
5- Gosto de ouvir música (bandas sonoras) enquanto escrevo.
6- Sou viciada em séries.

Os 15 blogs que presenteio com este selo são:



Faltam alguns para perfazer os 15 blogues mas esses lugares serão ocupados por aqueles que me deram este selinho a quem retribuo com muito carinho.

As Horas Distantes de Kate Morton



Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.
Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.
No interior do decadente castelo, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

A MINHA OPINIÃO:

Kate Morton é das minhas escritoras favoritas! Não escondo que os seus dois primeiros livros me fascinaram tanto que os li até madrugada, freneticamente. Ela tem a habilidade extraordinária de contar uma história entre o passado e o presente que não é confusa ou fatigante. As suas páginas estão carregadas de mil segredos e de mil descobertas. As Horas Distantes não é excepção. Contém  mesmo toque de magia e é abençoado pelos incríveis cenários nomeadamente, o Castelo de Middlehurst em que nos perdemos e nos reencontramos. Porém,  para mim este livro não é tão cintilante como os restantes. Apesar de ser uma leitura deliciosa, não me envolveu tanto. As irmãs Blythe são personagens peculiares e relativamente cativantes especialmente, a enigmática e etérea Juniper contudo, o ritmo desta leitura não atingiu o que eu esperava. A história rica e lindíssima mas, o inicio é marcado pela descrição em detrimento da acção. Não há harmonia ao contrário de nos outros livros de Kate Morton. Sendo uma das minhas autoras predilectas, não poderia deixar referenciar este detalhe. O Jardim dos Segredos e A Casa de Riverton maravilharam-me precisamente por serem equilibrados. Além de apresentarem personagens e lugares fascinantes, a acção e descrição complementavam-se não havendo supremacia de nenhuma. É tão raro encontrar livros assim! As Horas Distantes peca por não imitar os seus predecessores a este nível. Ainda assim, possui os seus encantos e os últimos capítulos não são lidos, são devorados tal é a ansiedade do leitor em deslindar o mistério das irmãs Blythe. E como todo livro desta autora está recheado de surpresas que nos atordoam com as suas revelações! Viajamos no tempo e descortinamos almas apaixonadas, corações atormentados, sorrisos esquecidos, sonhos despedaçados que só encontram paz no futuro. As Horas Distantes pode não ser tão esplendoroso como as outras obras de Morton não obstante, não deixa de arrebatar o leitor.

5/7-MUITO BOM

domingo, 16 de setembro de 2012

Devaneios à Solta... Kafka à Beira Mar de Haruki Murakami

Cais das Colunas, Lisboa (foto da minha autoria)

"-Tu estavas lá. E eu estava lá, a ver-te.À beira-mar, há muito, muito tempo.(...)
Fecho os olhos.É Verão e estou à beira-mar, sentado numa cadeira de praia. Sinto a lona áspera de encontro à minha pele. Aspiro profundamente o cheiro a maresia.Mesmo de olhos fechados a luz Sol penetra através das pálpebras. Oiço o som das ondas que batem na areia. O som afasta-se, depois aproxima-se, ao sabor do tempo." pág. 556 in Kafka à Beira Mar de Haruki Murakami

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

E Tudo o Vento Levou I e II de Margaret Mitchell


Ganhador do prêmio Pulitzer de 1937, traduzido para 51 línguas, nunca a obra de uma iniciante obteve tamanho sucesso . Em 1932 quando foi atropelada e obrigada a passar um longo período hospitalizada, Margareth Marsh não imaginava poder tornar-se uma das escritora mais famosas de seu tempo. O livro conta a história de sua cidade natal Atlanta, a guerra de secessão que dividiu os estados do norte e do sul dos Estados Unidos , numa luta sangrenta. Assim foi criada Tara , uma enorme fazenda que abrigava a família O´Hara. 


A MINHA OPINIÃO:

Há livros que transcendem qualquer elogio que lhes possa atribuir e que se infiltram de tal maneira no nosso pensamento que só encontramos paz nas suas páginas. E Tudo o Vento Levou é sinónimo desta magnificência! Absolutamente soberbo, este livro é revolução, sangue, guerra, fome e paixão. Ultrapassa claramente a classificação de "romance" pois, embora o seu par protagonista seja magnetizante e acirrante, ele nunca poderá ser reduzido a isso. É um relato apaixonante da guerra civil americana, vivenciada pela moribunda aristocracia sulista das grandes plantações que, tanto empenho tinha na Causa contra o Norte industrial. Margaret Mitchell consegue captar na perfeição o idílio antes guerra, a cruzada bélica entre facções do mesmo país com legados diferentes e o período conturbado de adaptação ao pós-guerra.Algumas personagens persistem nos seus ideais incapazes de aceitar a mudança, outras usam qualquer método à sua disposição para subsistir seja ele honrado ou não. Curvo-me perante a mestria da autora que soube doar complexidade e profundidade à história, ensinar-me e arrebatar-me com a dimensão e a grandiosidade da sua obra. No entanto, o aspecto mais peculiar deste livro é o facto de a sua protagonista Scarlett O'Hara não ser a convencional heroína o que não deixa de ser bizarro. Como é que uma mulher caprichosa, egoísta e fútil pode ser tão sedutora e passível de admiração? Ela é tudo isto mas, também é corajosa e disposta a tudo para sobreviver o que nos liga inevitavelmente a ela. Esta mulher poderosa de olhos esmeralda que carrega o fardo da herança de Tara, plantação sulista e em cujo sangue fervilha a fúria e impetuosidade irlandesa sofre uma transformação tremenda ao longo das quase mil páginas que compõe o livro original ( a minha edição está dividida em dois volumes). Ela não quer depender de ninguém para subsistir e sobre ela caem outras responsabilidades árduas e penosas porém, Scarlett combate com ferocidade o que o destino lhe traz.  Obcecada por Ashley Wilkes que não pode ter, por ser marido de Melanie, a protagonista é espicaçada pelo carismático Rhett Butler. Renegado, sem escrúpulos e de moral duvidosa, Rhett é igual a Scarlett. Pela primeira vez na vida, Scarlett tem um adversário à altura. Sarcástico, mordaz e irónico, este cavalheiro (ou não...) é irrevogavelmente uma das melhores personagens do livro! As quezílias entre os dois são flamejantes e incrivelmente deliciosas pois, nenhum está com a mínima inclinação para ceder. Os Wilkes deixaram-me dividida. Melanie com sua docilidade e generosidade cativou-me. Ela é daquelas pessoas que acreditam até ao fim na bondade e no valor de uma segunda oportunidade. Ashley já foi um caso distinto. A sua apatia perante um mundo em mudança deixou-me exasperada. É demasiado honrado e fiel aos seus princípios com receio de tomar decisões em áreas desconhecidas, Mr.Wilkes perde quando comparado com o inesquecível Rhett. Este quarteto de personagens domina as páginas do livro todavia, há outras pérolas a descobrir como a fantástica Babá, ama de Scarlett, a tia Pittypat e os seus fanicos, o previdente Will, a velha Fontaine, os Meade e todos aqueles rapazes que partiram para a guerra defendendo uma causa demasiado fantasiosa. Margaret Mitchell apresenta cada personagem com primor e antes mesmo dela entrar em cena, já a conhecemos devido aos pormenores e ao trabalho meticuloso de criação e construção da escritora. Sublime, E Tudo o Vento Levou é daquelas obras indescritíveis porque os adjectivos que existem são parcos perante tanta beleza! Só podemos abarcar a totalidade da sua glória quando entramos nas suas páginas... Mrs. Mitchell  faço-lhe uma vénia pela incomparável e memorável obra !

7/7- OBRA-PRIMA

TRAILER DO FILME:

Este não é o trailer do filme propriamente dito mas, aparentemente não há nenhum decente por isso, optei por colocar o trailer do blu-ray do filme. Gone with the Wind conquistou 10 Óscares da Academia e está na lista do AFI (American Film Institute) dos cinco melhores filmes de todos os tempos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Mar de Ferro (Crónicas de Gelo e de Fogo VIII) de George R.R Martin


ATENÇÃO A SINOPSE CONTÉM SPOILERS! SE NÃO OS DESEJAR AVANCE PARA OPINIÃO!
Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz?
Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo?
A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?

A MINHA OPINIÃO:

O Mar de Ferro é à semelhança do volume anterior na edição portuguesa, O Festim dos Corvos, um livro de rescaldo contudo, o seu final já sugere novas reviravoltas e surpresas que nos aguardarão no seguinte volume da saga. É mais um livro de grande qualidade e cada página é soberba em despertar a minha preocupação, o meu amor e o meu ódio. Quando parece que guerra está a chegar ao fim, começam a movimentar-se novas peças e a estilhaçar e a forjar novas alianças, algumas periclitantes pois, neste jogo de poder não há bons nem maus. Ao estender a sua enorme história a novas Casas, George R.R. Martin trouxe novas cartas ao baralho e não se pode confiar em nenhuma. Os gémeos Cersei e Jaime são mais uma vez  um dos uns focos. Jaime é aquele personagem que nos confunde com as suas acções inesperadas e nos deixa pasmos com algumas decisões. Cersei, é a rainha com quem eu não me metia e evitava conhecer  pessoalmente todavia, é tão bom lê-la à distância e testemunhar os imbróglios em que se mete. A herança de Tywin Lannister é pesada e estes leões estão senti-la em cada fibra do seu corpo. Mais uma vez, a saudade bateu-me à porta? Onde estás Tyrion? Parece que só te vou reencontrar no próximo volume. Se alguns intervenientes estão em parte incerta, outros estão a amadurecer e a perder a ingenuidade como Sansa Stark. No início da saga, achava-a insuportável com as suas frivolidades e futilidades porém, ela está surpreender-me pela positiva. A sua irmã Arya sempre será das minhas predilectas! Embarcou numa missão tortuosa e espinhosa e é impossível não sofrer ou regozijar-se com ela. Quem também está neste barco é Samwell Tarly. Os seus capítulos são dos meus favoritos e o seu encontro com a Gata dos Canais ( quem leu sabe a quem me refiro!) foi simplesmente delicioso! A qualidade das personagens de Martin é inquestionável: só um escritor brilhante consegue manter a mesma intensidade durante oito volumes, aniquilar e criar novos peões igualmente atractivos como Doran Martell e Euron Greyjoy. Os Martell, os Greyjoys e Brienne são dos responsáveis por mais momentos de "cair o queixo"! Martin por esta é que não esperava! Que acontecerá à Brienne? E porque raio tens de me matar ansiedade sempre que acabo um livro das Crónicas? Despeço-me, por agora, com muita pena minha desta fabulosa saga mas, há algo que me diz que se acabaram os livros "calmos". A próxima  dança é uma valsa de dragões!

6/7-EXCELENTE

Voltei:)


Depois uns dias maravilhosos na ilha de Porto Santo numa das mais belas praias do mundo, voltei. Estou muito mais morena e preparadíssima para o novo ano lectivo que se avizinha... O 5º ano na universidade está mesmo aí e nada melhor que uns dias a descansar para encarar o futuro com outros olhos. Fui de férias mas não deixei as minhas leituras de lado. Em breve sairão opiniões fresquinhas:)... Até já!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Os Devaneios estão encerrados para férias...


Meus amores, vou de férias e provavelmente não terei acesso à internet por isso, nas duas próximas semanas não haverá publicações. E como sempre não consigo decidir quais os livros a levar. Na mala estão: E Tudo o Vento Levou de Margaret Mitchell, As Horas Distantes de Kate Morton, Nas Asas do Tempo de Dianna Gabaldon e para uma releitura levo O Hobbit de J.R.R Tolkien. No entanto, posso mudar de ideias mesmo em cima da hora. Até breve xD!

O Festim dos Corvos (Crónicas de Gelo e de Fogo VI) de George R.R Martin


ESTA SINOPSE CONTÉM SPOILERS. QUEM NÃO OS DESEJAR AVANCE PARA A OPINIÃO:
«Continuando a saga mais ambiciosa e imaginativa desde O Senhor dos Anéis, As Crónicas de Gelo e Fogo prosseguem após o violento triunfo dos traidores.Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir como uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real. Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos.
Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado comandante da Muralha mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo...»

A MINHA OPINIÃO:

O Festim dos Corvos tem a tarefa quase impossível de ser o escolhido para seguir o fenomenal A Glória dos Traidores de As Crónicas de Gelo e Fogo. A Glória dos Traidores foi brutal, cruel e radical sendo que, muitos intervenientes mostraram aqui a sua verdadeira face. A escalada de eventos e acontecimentos chocantes marcaram o fim de uma era em Westeros e agora é tempo de reunir hostes e enveredar por novos caminhos. Assim, O Festim dos Corvos é o rescaldo, "o lamber das feridas"... Surgem novos personagens, novos cenários e aqueles que aprendemos a amar ao longo dos volumes anteriores são confrontados com novas decisões e novos desafios. Há capítulos dedicados a personagens que nunca tiveram a sua voz. Só os conhecia através dos outros jogadores. Cersei Lannister é das que mais se destaca. Os seus irmãos Jaime e Tyrion são dos meus favoritos por razões óbvias para quem leu os livros e ansiava que Cersei tivesse capítulos só dela. Será que ela consegue igualar os seus irmãos? Tyrion rouba qualquer cena em que se encontra devido ao seu carisma, inteligência e humor mordaz. Com o Jaime tenho uma relação intrigante de amor/ódio. Ainda não o perdoei por causa de algumas das suas acções nos primeiros volumes mas, a sua jornada inesperada para redenção e o seu sentido de honra muito peculiar cativaram-me. Cersei tem o talento de atrair atenção como os restantes Lannisters porém, é de uma forma distinta. A sua perfídia é lendária e ela até é astuta o suficiente para manobrar os peões e chegar ao poder contudo, falta-lhe o discernimento para o manter. Se eu achava que os Lannisters tinham uma dinâmica familiar que é no mínimo interessante, o que dizer das novas casas que o escritor desenvolve neste volume, os Martell e os Greyjoy? Uma palavra: fujam!!! Entre os homens de ferro das ilhas e as Serpentes de Areia de Dorne recuso-me a escolher qual é o mais letal! George R.R. Martin cria mais uma vez personagens fortes que mexem com os nossos sentimentos e alarga mais uma vez os seus horizontes. Neste livro, são realçadas as mulheres. Cersei, Arianne Martell e as suas primas, Arya Stark, Asha Greyjoy e Brienne de Tarth são um bom exemplo de como um homem consegue escrever mulheres destemidas e credíveis. O Festim dos Corvos pode não atingir a grandeza chocante do anterior todavia, é mais uma beleza de George R.R. Martin. Não tem tantas reviravoltas e acção mas, apresenta uma nova panóplia de personagens fascinantes que irão fincar o pé às restantes casas. Claro que senti saudades de Tyrion, Daenerys e Jon Snow e espero reencontrá-los nos próximos volumes porém, a imaginação do autor é impressionante e  continua a arrebatar-me mesmo sem os velhos protagonistas. Mais uma obra gigante de George R.R. Martin e imperdível para os fãs da saga!  E se me dão licença vou zarpar daqui, o barco para O Mar de Ferro parte daqui a momentos e não quero perdê-lo por nada...

6/7- EXCELENTE

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Cor do Céu de James Runcie


Um pequeno tesouro para se descobrir. 

Veneza no ano de 1295. Aquando das festividades do dia da Ascensão, Teresa Fiolaro, uma mulher que há muito tentava em vão ter um filho, encontra um bebé abandonado num estreito canal. Chama-lhe Paolo. Apesar da resistência do seu marido, a jovem cria a criança em casa, no meio dos vidreiros de Murano. Quando Paolo cresce, os seus novos pais apercebem-se que ele vê mal ao longe, mas que ao perto tem uma estranha e apurada capacidade de distinguir cores e tons. Esse dom é reconhecido por Simone Martini, um pintor de Siena, que envia Paolo numa viagem para encontrar o perfeito azul ultramarino, a cor do céu. Essa viagem vai levá-lo para lá do mundo conhecido, através da Pérsia, Afeganistão e China, onde terá oportunidade para aprender mais sobre as cores, a beleza e o amor, mas também sobre a derradeira diferença entre ver e olhar.

A MINHA OPINIÃO:

A Cor do Céu é uma pequena preciosidade! A busca incessante pelo azul perfeito torna-se numa jornada cheia de cor até ao âmago da alma humana! Paolo é um jovem italiano com quem empatizamos de imediato devido as suas origens misteriosas, a sua generosidade, o seu desejo pela visão e o seu gosto pela aventura e aprendizagem. Adorei conhecer cada povo, cada costume, cada religião com que ele se deparou. O seu grupo de viagem é igualmente heterogéneo: Jacopo, um judeu e Salek, um muçulmano. James Runcie aproveita esta diversidade para criar debate entre os personagens sobre as suas crenças e superstições. O livro também me chamou à atenção por outro motivo, a estranha "doença dos olhos" de Paolo e como ele lidou com essa enfermidade . É estranha porque no século XIII não havia tratamento ou resolução para a miopia. O escritor é sagaz ao delinear o percurso do italiano. Paolo não via bem fisiologicamente mas via perfeitamente a vida. Quando a realidade muda, como irá ele reagir? A adaptação é morosa porém, o encontro com o homem santo oriental é delicioso de se ler. As recomendações do velho homem parecem bizarras todavia, entre as suas palavras está uma filosofia de vida ímpar. A Cor do céu é uma leitura tocante que não atinge o patamar de obra-prima porque não é muito equilibrado. Por um lado, aborda temas complexos e é profundo nas suas conclusões. Por outro lado, é demasiado superficial deixando-nos ávidos por um mistério que nunca é respondido. No entanto, este livro é uma pérola! É uma jornada muito agradável cheia de lições e fascinantes descobertas.

4/7- BOM**

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Fruto Proibido de Sherry Thomas


Famosa em Paris, mal-afamada em Londres. Verity Durant é tão conhecida pelos seus dotes culinários quanto pela sua vida amorosa. Contudo, essa será a menor das surpresas que espera o seu novo empregador quando este chega a Fairleigh Park, a propriedade que acaba de herdar após a inesperada morte do seu irmão. 
Para Stuart Somerset, uma estrela política em ascensão, verity Durant é apenas um nome e a comida é apenas comida, até degistar o primeiro prato confeccionado por ela. Até então, a única vez que experimentara tamanho despertar dos sentidos fora numa perigosa noite de paixão com uma estranha que desaparecera com a madrugada. Dez anos de espera pelo prato principal é muito tempo, mas quando Verity Durant entra na sua vida, apenas uma coisa conseguirá satisfazer Stuart. O apetite dele pela luxúria será vingança ou o mais excepcional dos acepipes - o amor? O passado de Verity alberga um segredo que poderá devorá-los a ambos, ao mesmo tempo que tentam alcançar o mais delicioso dos frutos…


A MINHA OPINIÃO:

O Fruto Proibido de Sherry Thomas é pecaminoso! Este adjectivo assenta na perfeição a este livro porque há uma variedade infindável de sabores, cores e aromas. São luxuriantes, requintados e irresistíveis! Os dotes culinários da protagonista, Verity são um autêntico menu de degustação suculento e inesquecível! As descrições dos seus pratos por Sherry Thomas são tentações e as minhas papilas gustativas compreenderiam muito bem o encantamento dos convidados que se sentavam à mesa recheada com tais delícias. O meu corpo é que não ia gostar muito da ideia pois iria, com certeza, ter um aumento ponderal exponencial!  Sherry Thomas consegue com isto ser das poucas autoras de "romance de época" que ainda me surpreende. As suas personagens femininas tem personalidade, garra e história. Verity tem carisma e responde muito bem a Stuart. Adorei os seus desencontros e como saltavam faíscas mesmo sem se verem.  Bastava uma pequena lembrança ou umas simples palavras numa carta para incendiarem uma sala de raiva, frustração ou paixão intensa! Sempre ouvi dizer que a linha entre o ódio e o amor é ténue e parece que a escritora também  porque ela tirou partido disso. A utilização de duas épocas temporais diferentes também foi uma manobra inteligente da autora pois, ao desvendar os segredos do passado à medida que se conhece o presente é compulsivo. Torna a leitura mais voraz e asfixiante! O Fruto Proibido brindou-me ainda com uma história de amor secundária igualmente  consistente e cativante que, por vezes, não encontramos nestes livros. Thomas triunfa assim apostando no enriquecimento em detrimento de uma história única que, mesmo bela saberia a pouco! É uma iguaria de livro que merece ser apreciado como um manjar fabuloso... 

5/7-MUITO BOM

PS: Aviso à navegação: eu acho que só de imaginar os pratos e sobremesas de Verity engordei... :P

terça-feira, 21 de agosto de 2012

As Memórias de Cleópatra III- O Beijo da Serpente de Margaret George


A conclusão de uma saga maravilhosa: a visita ao Antigo Egipto e à vida de Cleópatra, a rainha do Nilo. 
Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão. Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma.Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando história, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.

A MINHA OPINIÃO:


O Beijo da Serpente é o culminar estupendo desta magnífica trilogia sobre Cleópatra! Este terceiro volume é épico e angustiante porque marca a derrota do Egipto, de Cleópatra e de Marco António que sucumbem ao poderio romano de Octávio. Margaret George retrata uma Cleópatra rainha que tenta proteger a todo custo o seu país, uma Cleópatra que é mãe extremosa que resguarda ferozmente os filhos e uma Cleópatra  que é esposa fiel e dedicada que vacila perante o desmoronar de um sonho idílico. Ela e Marco António sonharam com um Império que se estenderia por toda Ásia e Ocidente e que todos os povos seriam irmãos, cada um com a sua cultura, religião e tradição. Porém, Octávio é um oponente de intelecto formidável, frio e calculista. A beleza deste livro e de toda trilogia de Margaret George são as incríveis e detalhadas descrições. Não são entediantes pelo contrário, enchem a história de brilho, cor e aromas. São uma mais-valia para quem adora aquela sensação de desprendimento que nos faz esquecer o que nos rodeia e que nos faz imergir nas páginas de um livro! Neste volume, Cleópatra enfrenta o seu maior medo: o fracasso! Marco António, um dos meus personagens favoritos está em declínio. Outrora grande general romano, louvado e amado e homem de grandes paixões, António só demonstra que é, indelevelmente, humano e começa sofrer tanto quanto ama.  Para ele, é quase uma catástrofe porque vive tudo intensamente e no limite. Do lado oposto da barricada, Octávio é inexorável e, aparentemente, indiferente a outra emoção que não se mova em torno da sua ambição e poder. É um confronto trágico de titãs! Apesar de o final desta história ser mais que conhecido, Margaret George nunca perdeu a minha atenção. É um grande feito pois, se o fim é previsível devido à realidade histórica é necessário encantar os leitores de outra forma e ela consegue-o...O Beijo da Serpente é mais dramático de todos os volumes mas, mantém o mesmo requinte devido as inevitáveis e belíssimas descrições que nos são dadas pelos olhos de Cleópatra e à fabulosa recriação de personagens da escritora. Ela procurou ver além do mito e todos são capazes de nos arrancar algum tipo de sentimento mesmo que este seja o ódio. É uma enorme trilogia que merece todos elogios que lhe são tecidos! É impressionante, e memorável! 


6/7-EXCELENTE

TRAILER DO FILME:

Em 1999, foi produzido um filme para a televisão baseado na obra de Margaret George. Diria que foi livremente baseado porque, tive a o oportunidade de o ver e não chega nem aos calcanhares dos livros. E isto já é um eufemismo! É daqueles filmes que vê porém, não acrescenta nada. Aqui fica o trailer para os interessados: