sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Vampiro Lestat ( Volume II) de Anne Rice

Na sequela de Entrevista com o Vampiro, Lestat é um excêntrico e sedutor vampiro que, ao longo de várias eras, procura as suas origens e quer desvendar o segredo da sua obscura imortalidade. Essa vertiginosa viagem leva-o da Inglaterra dos druidas aos lupanares de Paris do século XVIII e à Nova Orleães finissecular. Avesso ao código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.


A MINHA OPINIÃO:


O Vampiro Lestat II é mais um livro fantástico de Anne Rice! Depois de ter sido mordida por este famoso vampiro no primeiro volume, não resisti e devorei o segundo volume em pouco mais de dois dias. Se na primeira parte, Lestast lidava com a natureza vampírica, nesta parte, o imortal procura a origem da espécie vampírica. Viaja pelos continentes: europeu, africano e asiático entrando em contacto com mitologias tão antigas como a egípcia, a grega e a celta. A jornada de Lestat dá a conhecer a evolução dos vampiros, ao longo do tempo, e como estes são influenciados pelas sociedades em que vivem. A imortalidade será uma benção ou uma maldição? Este livro, à semelhança do anterior, revela um Lestast muito diferente daquele que é retratado na Entrevista com o Vampiro. É um imortal que se preocupa-se com a espécie humana! Louis também foi uma grande surpresa! Estava familiarizada com aquele Louis, retratado por Brad Pitt no grande ecrã e este personagem é bem distinto! O conflito entre o que é bom e o que é mau acompanha o nosso protagonista e, o leitor é transportado mais uma vez para o mundo complexo e delicioso de Anne Rice. Gostei mais deste volume do que outro! A acção é mais intensa e a viagem que Lestast empreende é deveras apaixonante! Adoro estes vampiros! Têm substância! Não são conchas vazias que se escondem por detrás da sua beleza e perfeição física. Simplesmente geniais!


6/7-EXCELENTE


PS: Obrigado Segredo dos Livros!


Ah, e agora que recomecei a ler vampiros, alguém tem uma sugestão? Estou inclinada para ler Charlainne Harris mas, os de L.J Smith também me piscam o olho sempre que vou à livraria!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross



A autora reuniu, numa perfeita combinação, aspectos lendários com factos históricos do qual resultou um romance sobre Joana de Ingelheim. Filha de um missionário inglês e de uma mãe saxónica, Joana, nascida a 814, sente-se frustrada pelas limitações impostas à sua vida pelo simples facto de ter nascido com o sexo errado. O seu irmão Mateus começou a ensiná-la a ler e escrever quando Joana contava apenas seis anos. Com a sua morte, Joana recorre a toda a sua astúcia e capacidade de ludibriar de modo a continuar a dar largas à sua paixão pelo saber. Mais tarde, Joana foge de casa para seguir os passos do seu irmão João, a caminho da escola religiosa na Catedral de Dorstadt, onde ela se torna a única presença e estudante feminina tolerada. É quando surge Geraldo, e a vida de Joana muda ao aperceber-se de que o ama. No entanto, o seu amor é-lhe interditado pelas maquiavélicas manobras de Ritschild. Usando as roupas e identidade do irmão, depois deste ter sido chacinado durante um ataque normando, Joana foge e entra para o mosteiro de Fulda, onde ela se passa a denominar, depois de feitos os votos primordiais, João Anglicus. Trilhando o caminho de monge a padre num instante, enquanto apurava o seu conhecimento e técnicas de cura, Joana começa a traçar a sua rota direita a Roma, onde os seus dons lhe abrem caminho para se tornar confidente e físico curador dos dois papas. É nos meandros de várias intrigas políticas no meio eclesiástico que Joana, ela própria, ascende ao posto de pontífice máximo da Igreja Católica. A Papisa Joana resulta numa fabulosa e vívida recriação do período por nós conhecido como a "Idade das Trevas".


A MINHA OPINIÃO:

A Papisa Joana é uma obra fenomenal!!! É difícil expressar por meras palavras, o quanto adorei este livro e o quanto rejubilei e sofri com a protagonista. Este é um daqueles livros extraordinários que é capaz de me levar as lágrimas! Raramente, choro numa leitura! Rir, sim. Mas, poucos são os livros que me emocionaram ao ponto de parecer uma carpideira! A culpa é de Joana! Desde o seu nascimento até à morte, ela cativou-me pela sua força e pelo seu desejo de triunfar num mundo dominado pela superstição e pelo fanatismo religioso. Joana queria aprender, ler e escrever porém, a sua sede de sabedoria na Idade Média era vista como uma maldição. A ideia de que, quanto mais as mulheres aprendiam, mais inférteis se tornavam era bastante disseminada e socialmente aceite. As mulheres eram um meio para a procriação e, eram consideradas símbolos do pecado original. O papel da mulher era em casa e estudar estava fora de questão. A mãe de Joana, Gudrun, uma saxónica pagã, foi convertida ao Cristianismo pelo marido, um cónego. O pai, cego pelos ensinamentos distorcidos e pela crença irracional sempre desprezou Joana. Para ele, ela era um castigo de Deus! Porém, a futura papisa não desiste de aprender e conta com o auxílio de Mateus, o seu irmão mais velho. O cónego, que visava ter um filho homem, instruído e missionário recebe, um dia, a visita de um grego, Asclépios. Este professor admira-se com a inteligência de Joana e, faz um acordo com pai dela. Daria lições semanais a ela e ao seu irmão mais novo, João. Relutante, o cónego conforma-se porque, ambiciona um lugar numa das melhores escolas, a da Catedral, para o seu filho. Todavia, João é rapidamente ofuscado pelo raciocínio arguto da irmã! Joana é a primeira rapariga a entrar na Escola da Catedral em Dorstadt! Aí conhece Geraldo, conde de Villaris, muito mais velho do que ela. Fascinado pela audacidade e tenacidade da rapariga, o conde enamora-se por ela. Um amor proibidíssimo! Ela também lhe entrega o seu coração pois, é um homem que respeita o seu espírito livre. Mas, a vida de Joana toma outro rumo. Mal-entendidos, coincidências e finalmente, o destino separam-na de Geraldo e de Dorstadt. Joana assume outra identidade, João Anglicus.E como homem, todas as suas extraordinárias qualidades são-lhe reconhecidas. No mosteiro de Fulda, o "noviço" é um estudante brilhante e aprende a dominar a arte da medicina. Arte, que "o" colocará ao serviço do próprio Papa, atormentado por uma doença aparentemente incurável. Em Roma, as lutas pelo poder do Trono de Pedro são constantes. Multiplicam-se as conspirações e as intrigas. A honestidade do suposto padre João granjea-lhe o lugar de confidente do papa. E é nesta cidade que Joana reencontra Geraldo, quinze anos depois. Um amor nunca esquecido que delineará o futuro de ambos! O livro é maravilhosamente escrito e muito absorvente! A Idade Média, o pensamento medieval e os seus rituais são muito bem descritos e, houve momentos na leitura em que me senti sufocada por tanta ignorância e fanatismo. Partilhei com Joana, o seu sonho, desejando com todo o meu coração, o seu sucesso. Claro que já esperava um final trágico mas, este foi demais para mim! Depois de uma jornada longa e cheia de sacríficio, não consegui reter as lágrimas! Um livro que mexeu muito com as minhas emoções que me deu a conhecer uma mulher inesquecível e controversa! Será que existiu? Donna Woolfolk Cross faz um excelente trabalho ao justificar o seu romance e o papado de Joana nas notas de autor. É também uma obra que marca... Quando acabei de ler a última página senti um profundo vazio e ao mesmo tempo, felicidade, por ter tido a oportunidade de ler um livro soberbo. Sublime e com uma valiosa lição! Se lutarmos com afinco pelo nosso sonho, podemos alcançá-lo!


7/7-OBRA-PRIMA





O FILME:



Die Päpstin, no original, é a adaptação do best-seller de Donna Woolfolk Cross ao cinema. É dirigido por Sönke Wortmann e conta Johanna Wokalek como Joana, David Wenham como Geraldo e John Goodman como Sérgio, o papa. O filme é relativamente fiel ao livro exceptuando, algumas cenas finais. Algumas alterações não me agradaram muito porque, na minha opinião, retiraram emoção a momentos cruciais do livro. Não obstante, é um bom filme com interpretações muito boas de Johanna Wokalek e de David Wenham.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

À Primeira Vista de Catherine Anderson

Poucos autores escrevem histórias tão comoventes e de inesgotável ternura como Catherine Anderson. As suas personagens partilham com o leitor a esperança de encontrar o amor perfeito de uma vida inteira. Todas as leitoras que acompanharam Rafe Kendrick e Maggie Stanley em Uma Luz na Escuridão podem agora revê-los numa nova e apaixonante aventura protagonizada por Ryan, irmão de Rafe a quem este terá de ajudar a ultrapassar um momento difícil. Um acidente sofrido há anos num rodeo deixou Bethany Coulter presa a uma cadeira de rodas. Desde então conheceu tanto as traições como os desgostos de amor, e por isso jurou nunca mais entregar o seu coração a um homem. Mas qualquer coisa em Ryan Kendrick a fez de súbito acreditar que talvez todos esses obstáculos pudessem ser ultrapassados. Ambos partilham a paixão pelos cavalos e têm um imenso sentido de humor. Mas a vida não é absolutamente perfeita.


A MINHA OPINIÃO:


À Primeira Vista é mais uma bonita história de Catherine Anderson! A autora presenteia-nos com um amor que nasce à primeira vista ( daí o título!) entre Ryan Kendrick e Bethany Coulter. E tudo seria perfeito, se ela não fosse paraplégica! É típico desta escritora apresentar um protagonista que fuja às " regras" do parzinho perfeito. E ainda bem que assim é! Esta limitação física e os problemas emocionais que dela advêm, tornam esta história de amor muito mais interessante. Pessoalmente, não acredito no amor à primeira vista. Quanto muito, há uma atracção:algo que sobressai e capta a atenção do outro. Por isso, foi com algum cepticismo que encarei este livro. Mesmo assim, Anderson conseguiu cativar-me através da sua escrita fluida e desinibida. Li-o em dois dias! Uma leitura capaz de arrancar gargalhadas e de deixar à lágrima no canto do olho! Eu incluo-me no grupo das gargalhadas!:P. Lembro-me perfeitamente de começar a rir em plena praia com uma cena entre Ryan, Keefe Kendrick e Jake Coulter, o irmão mais velho de Bethany e protagonista de outro livro: O Domador de Paixões. Como cowboys impulsivos que são, acabam numa esquadra após uns socos merecidos mas, naturalmente incompreendidos pelos esmurrados. Uma cena com um sentido de humor delicioso! O amor de Ryan e Bethany é belíssimo! Uma lição de vida! Os paraplégicos também amam e, apesar das suas limitações físicas, o seu coração não encolhe: sorri, sofre e apaixona-se! Ryan é um mulherengo inveterado, que ainda não encontrou alguém especial que alivie a solidão e o vazio da sua vida. No seu rancho, aqueles que lhe dão alguma alegria são: os seus pais, o seu irmão Rafe e sua família, um touro manso chamado de T-Bone e um cão, Tripper. Um dia, conhece os olhos azuis de amores-perfeitos de Bethany e fica seduzido. Não contava era com a cadeira de rodas. Mas, à medida que conhece esta mulher determinada e independente, começa a ver além da cadeira de rodas. Para ele, só existe Bethany. Ela é a tal! Ele vai mover montanhas e derrubar os muros erigidos por Bethany, após o acidente. Por outro lado, a protagonista lida com as suas próprias incapacidades e, com o receio de não satisfazer aquele homem, que deseja construir uma família. A autora é convincente ao relatar a vida complicada de Bethany e, apresenta mais uma vez, uma original e bonita história de amor. Achei o final um pouco apressado mas de resto, foi um livro que gostei bastante! Um livro perfeito para as românticas incuráveis!


5/7- MUITO BOM

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Morte da Branca de Neve de Brigitte Aubert



Não há nada de comum entre Léonard “Chib” Moreno – um bastardo filho de um qualquer marinheiro desconhecido – e Jean-Hugues e Blanche Andrieu, um casal da alta burguesia católica e financeira. Nada, a não ser o corpo da jovem Elilou, que ele tem de embalsamar.

O jovem Léonard – embalsamador de profissão – sofre o estigma de ser fruto da violação da mãe por um qualquer marinheiro desconhecido. Felizmente para a sua saúde mental, o seu melhor amigo, Gregory, sai frequentemente com ele para o distrair. Tudo corre bem até ao dia em que uma certa Blanche Andrieu lhe pede para embalsamar a filha, Elilou, cujo corpo tenciona expor na sua capela privada.

Ainda que reticente, Léonard acaba por aceitar a proposta, mas, ao proceder ao embalsamamento, apercebe-se de que a menina fora sem dúvida vítima de abusos. Intrigado, interroga-se e, seduzido por aquela mãe terrivelmente desequilibrada, inicia uma investigação onde o horror e a incompreensão de um meio que lhe é estranho são uma presença constante.

A MINHA OPINIÃO:
A Morte da Branca de Neve foi uma boa surpresa. Sabem aqueles livros que nos oferecem e, que ficam guardados na estante durante tanto tempo que quase nos esquecemos dele? Este foi um deles! É um thriller em que Brigitte Aubert brinca com o leitor. Segredos atrás segredos, mortes misteriosas, paixões obsessivas e um assassino aparentemente invisível são as armas de Aubert. Cada revelação é sinónimo de imprevisibilidade! Léonard "Chib" Moreno é um embalsamador que aceita um último trabalho. Trabalhar no corpo de Elilou, filha de Blanche. Blanche é uma mulher da alta sociedade que vive atormentada, porque se culpa pela morte de Léon, o seu bebé e, agora, pelo falecimento da sua filha. "Chib" Moreno fica fascinado por esta mulher de rara beleza, de olhos tão tristes e, no seu íntimo, deseja salvá-la. Quando recebe o corpo de Elilou apercebe-se de que a menina era vítima de abusos e, que a sua morte não tem nada de acidental. E o assassino ainda não foi apanhado! "Chib" inicia uma investigação frenética em busca de um psicopata fugidio e cuja identidade é muito muito surpreendente! Aliás, todo o livro é inesperado e o leitor é incapaz de adivinhar o que se passará seguir! De referir ainda que o morbidez de alguns momentos podem impressionar os leitores mais sensíveis! Uma obra incrivelmente viciante com tantas reviravoltas que deixa os que os folheam as suas páginas, estupefactos!
6/7- EXCELENTE

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Vampiro Lestat (Volume I) de Anne Rice


Lestat, personagem de Entrevista com o Vampiro, tem uma história para contar. O segundo volume da saga «Crónicas dos Vampiros» acompanha Lestat ao longo de várias eras, à medida que ele procura as suas origens e desvenda o segredo da sua obscura imortalidade. Extravagante e apaixonado, Lestat mergulha nos lascivos lupanares de Paris do século XVIII, na Inglaterra dos druidas e na Nova Orleães finissecular. Após um sono profundo de cinquenta e cinco anos, Lestat está fascinado pelo mundo moderno. Quando quebra o código de honra dos vampiros, que lhes impõe o silêncio sobre a sua condição, Lestat revela-se na esperança de que os imortais se ergam e se unam para descobrirem o mistério da sua existência. E é então que Lestat, o caçador, se transforma numa presa.


A MINHA OPINIÃO:


O Vampiro Lestat I é o primeiro de dois volumes que compõe a obra original editada em 1976. Há algum tempo que não me embrenhava num romance totalmente e inequivocamente vampírico, porque tinha medo da desilusão. De facto, com a recente explosão de dentes e sangue, nem tudo o que vinha à rede era peixe... perdão, era vampiro! Sendo uma fã incondicional do sobrenatural, sempre procurei este tema nos livros, na televisão ou no cinema. Porém, este mar vampírico que surgiu após o lançamento de Twilight começou a ondular muito para o meu lado, e a provocar enjoos literários. Optei por descansar dos vampiros e. apesar de algumas sagas como Sangue Fresco me tentarem, não soçobrei. Se ia expor o meu pescoço a um vampiro, ao menos, que fosse um com mérito! E quando surgiu a oportunidade de ler Anne Rice, não hesitei. Afinal, ela é considerada a "mãe dos vampiros"! Já tinha visto o filme de Neil Jordan que se baseava na obra homónima " Entrevista com o Vampiro", pelo o que achei que estava minimamente preparada para enfrentar o mundo de Rice! Pura ilusão! O Vampiro Lestat I é simplesmente fantástico! Lestat é um protagonista sólido e carismático! Lestat é agora uma celebridade que após estar em latência durante anos, emerge das profundezas de um cemitério para o século XX. Um século em ebulição e em constante mudança! Apaixona-se pela época em tudo é aceitável! Curiosamente, encontra um exemplar do livro Entrevista com o Vampiro narrado por Louis. Revoltado com algumas revelações do seu antigo protegido, revela a sua identidade ao mundo e torna-se inacreditavelmente numa estrela do rock! Também inicia as suas próprias Crónicas. A sua vida humana, a sua morte, a sua transformação e as suas lutas são o foco deste livro. Para quem gosta do género é uma leitura viciante e contagiante! Anne Rice cria personagens fabulosos, que ficam na memória pela sua complexidade e, por vezes, dualidade. O único senão é o final.Como é uma parte de dois, peca por concluir satisfatoriamente. Todavia, não deixa de aguçar a curiosidade para o volume seguinte! Está mais do que aconselhado e agora que quebrei o jejum vampírico ninguém me pára!:P


Só algumas palavras finais: alguns nomes aparecem traduzidos num lado e, noutro lado, na sua língua original, o que pode gerar alguma confusão!


5/7- MUITO BOM


PS: Obrigada Segredo dos Livros!

I'm Back...

Depois de uns dias longe de tudo e todos, voltei... Claro que tenho de actualizar os Devaneios porque nestes dias li cinco livros que requerem uma apreciação:

A Morte da Branca de Neve de Brigitte Aubert

O Vampiro Lestat I de Anne Rice

O Vampiro Lestast II de Anne Rice

À Primeira Vista de Catherine Anderson

A Papisa Joana de Donna Woolfolk Cross

Hoje quando entrei nos Devaneios verifiquei que o número de Amigos dos Devaneios tinham aumentado. Bem-vindos!!! E que recebi muitos comentários de grande interesse. Assim que puder vou actualizar o meu cantinho que também é vosso!

Bjokas*

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol de Haruki Murakami

Hajime vive numa província um pouco sonolenta, como normalmente todas as províncias o são. Nos seus tempos de rapazinho faz amizade com Shimamoto, também ela filha única, com quem reparte interesses pela leitura e pela música. Mas o destino separa-os, os anos passam, e Hajime segue a sua vida. A lembrança de Shimamoto, porém, permanece viva, tanto como aquilo que poderia ter sido como aquilo que não foi. De um dia para o outro, Shimamoto reaparece certa noite. Para além de ser uma mulher de grande beleza e rara intensidade, a sua simples presença encontra-se envolta em mistério. Da noite para o dia, Hajime vê-se catapultado para o passado, colocando tudo o que tem, todo o seu presente em risco.


A MINHA OPINIÃO:


A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol é o primeiro livro que leio de Haruki Murakami e não será o último. Este escritor nipónico maravilhou-me com a sua escrita! Tem o condão de transformar a mais simples cena quotidiana numa bela obra-prima! A leitura foi um verdadeiro deleite! Suave, refrescante e verdadeiramente impactante! Murakami descreve fabulosamente os sentimentos, as emoções... É poderoso e converte uma história banal num livro brilhante! Hajime, o narrador e protagonista, é um homem estranho. Apesar de ter tudo para ser feliz, fica-se pelo talvez. Talvez o seu amor do passado, Shimamoto, volte e preencha a lacuna do seu coração. Talvez um dia a reveja... Esta história tão simples é catapultada para outro nível pela beleza das palavras, das frases de Haruki Murakami. Acrescenta-se um pouco de mistério e a fascinante cultura japonesa e voilá... um livro formidável!!!


EXCERTO:


"O toque da sua mão permaneceu sempre vivo na minha memória. Era uma sensação diferente de tudo o que eu até então experimentara, e mesmo depois disso. Tratava-se, pura e simplesmente, da mão pequena de uma rapariguinha de doze anos.E, contudo, aqueles cinco dedos e a palma daquela mão continham, tal como uma caixinha de amostras, tudo o que eu queria saber acerca da vida-e tudo o que havia a saber. E ela, ao pegar na minha mão, teve o condão de me ensinar todos os segredos. Ajudou-me a compreender que no mundo real existia um lugar como aquele. Durante dez segundos, tive a sensação de me ter transformado num passarinho perfeito, capaz de voar no céu, ao sabor dos ventos. Lá do alto, alcançava as paisagens longínquas, tão distantes que não era capaz de distinguir com nitidez as coisas que havia para ver, apesar de saber que existiam. Ao mesmo tempo, sabia que um dia viajaria até essas paragens. Uma tal certeza, deixou-me sem folêgo e provocou um tremor no meu peito."


6/7- EXCELENTE

O Mensageiro de Andy Andrews



«Eu sou um mensageiro. Tenho um dom. Enquanto alguns nasceram para cantar e outros correm velozmente, eu reparo em coisas a que outros não prestam atenção e algumas delas estão mesmo à vista.»

O seu nome é Jones. Ninguém sabe muito bem que idade tem e parece que ninguém o consegue descrever muito precisamente; mas este misterioso e sábio desconhecido muda a vida de todos aqueles com quem se cruza.
Orange Beach, no Alabama, é uma pequena vila de gente simples. Mas, como todos os seres humanos no mundo, os habitantes de Orange Beach têm os seus problemas – casamentos à beira do divórcio, jovens desanimados e desmotivados com tudo, negócios em risco de falência, enfim, todos aqueles obstáculos que a vida nos serve em doses generosas.
Contudo, sempre que as coisas parecem estar mais negras e parece que não há solução à vista, um misterioso desconhecido chamado Jones aparece, como que por milagre. Este homem de aparência singela (de cabelo branco, vestido de jeans, t-shirt branca e sandálias, e sempre com a sua mala de cabedal) é uma alma invulgar.
Ele não oferece soluções mágicas, nem tem conselhos infalíveis para dar; o que ele traz a quem precisa é simplesmente… a capacidade de reparar. De reparar no amor, na beleza, na esperança e em todas as coisas que a vida tem para oferecer, mesmo nos momentos mais obscuros.
O Mensageiro é um livro inesquecível, comovente e inspirador que vai transformar a sua vida.

A MINHA OPINIÃO:

O Mensageiro é um livro pequeno porém, contém uma mensagem rica e valiosa. Os ensinamentos do misterioso Jones mudarão muitas vidas como por exemplo, o jovem que perdeu o rumo e o casal com problemas matrimoniais. Jones, um humilde velho que nunca larga a sua mala. É um livro que pretende realçar o que há de bom na sua vida. Por vezes, centramos a nossa atenção e valorizamos o que está mal e esquecemos o restante. Exige uma nova reflexão sobre a nossa vida. Foi uma leitura agradável e rápida contudo, é um alerta para o facto de perdermos tempo desnecessariamente. A vida é uma dádiva e devemos desfrutá-la ao máximo!

EXCERTO:

" O vosso tempo neste mundo é uma dádiva que tem ser usada de forma sensata. Não esbanjem as vossas palavras e os vossos pensamentos. Considerem que até as atitudes mais simples que tenham em relação à vida possuem uma importância excepcional... e contam para sempre."

4/7-BOM

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O Coração do Mar de Nora Roberts


Darcy Gallagher sempre acreditou na importância da fé, na força da tradição... e no poder do dinheiro. Sonha em encontrar um homem rico que a apresente a um mundo repleto de glamour e aventura, que acredita ser o seu destino. Trevor Magee, um homem de negócios com antepassados irlandeses, chega a Ardmore com a intenção de cons-truir um teatro... e descobrir os segredos dos seus antepassados. Há muito que não acredita no amor, mas Darcy Gallagher tenta-o como nenhuma mulher alguma vez fez. Ela é maravilhosa, inteligente, sabe o que quer... e ele está mais do que disposto a dar-lho. Mas quando a sua atracção mútua se transforma em paixão, olham para os seus corações e descobrem que numa terra antiga como a Irlanda, o amor tem raízes na própria magia.


A MINHA OPINIÃO:


O Coração do Mar é mais um livro perfeito para escapar ao quotidiano! Como quase todos os livros de Nora Roberts é direccionado às leitoras. Darcy é a irmã mais nova dos Gallagher. Eficiente, organizada, meticulosa, muito inteligente e dona de uma beleza estonteante, ela faz os homens cair aos seus pés. Trevor Magee é também metódico, muito racional, inteligentíssimo e pensa que pode controlar o destino. Eles iniciam uma relação sem compromissos onde cada um tenta subjugar ou impressionar o outro. Porém, a Irlanda sussurra magia e lenda que conspira para o amor e, por mais que Trevor e Darcy tentem fugir, é mais forte do que toda lógica. É mais um livro à Nora, bem construído com uma bonita história. Uma óptima leitura para desanuviar! Não me surpreendeu e isso é o que lamento mais! Nem uma pequena surpresa! Desde o princípio até ao fim, eu consegui adivinhar o futuro das personagens e os passos que elas iam tomar!Se calhar já me habituei em demasia ao estilo de Nora Roberts e mecanizei a sua dinâmica pelo que, os seus livros perderam um pouco do seu encanto ou então, este livro não é um dos melhores dela! Contudo, não posso afirmar que ela escreve mal, pelo contrário, posso sempre voltar à Nora em busca de um livro leve e que permita umas horas bem passadas!


4/7- BOM


PS:Obrigada à minha querida amiga C. que o emprestou!

sábado, 21 de agosto de 2010

Os meus Hábitos de Leitura...

(imagem tirada daqui)

Este post é inspirado num que li no Leitura nossa de cada dia da Débora. Todos temos as nossas manias quando se trata de livros. Aqui ficam alguns dos meus hábitos:

1-Tento ler o livro até ao fim mesmo quando não estou gostando... Fico sempre com a esperança de que ele me possa surpreender.

2- Tento ler o livro até fim excepto, quando me começa a irritar logo de princípio!

3- Porém, como sou casmurra, às vezes, dou-lhes outra oportunidade. Foi o que aconteceu com o Expiação de Ian MacEwan. A primeira vez que lhe peguei, detestei e pu-lo de lado. À segunda tentativa, adorei-o!

4-Quando leio um livro extremamente publicitado e cheio de boas críticas e não gosto, não tenho complexos nenhuns em dizer que não o apreciei. Paciência, eu sou assim! O contrário também acontece muito raramente, mas acontece!

5- Quando leio um livro e adoro, recomendo-o a toda a gente!

6- Não tenho problema nenhum em emprestar livros. Faço imensas recomendações a quem empresto ( normalmente não precisam porque são pessoas em que confio) e fico fula quando os devolvem em mau estado.

7- Já disse que fico fula (até até dizer chega!!!) quando me devolvem os livros estragados!!!

8- Também fico furiosa quando empresto e não me devolvem ( felizmente, já não acontece há muito tempo!)

9-Para mim, os livros são preciosidades e devem ser tratados com respeito por isso, evito dobrar páginas, a capa ou escrever nas suas páginas.

10- Quando era mais nova, decorava o número da página em que ia. Agora, utilizo um marcador. Se tiver o marcador próprio do livro, uso-o.

11-A minha estante está organizada por sagas e por autor. Coloco os livros do mesmo autor juntos sem regras específicas.

12- Não gosto muito de livros de bolso. Fazem-me confusão! Sei que são mais baratos contudo, prefiro livros em formato maior.

13- Se os livros de bolso fazem-me confusão, imaginem os e-books! Nada substitui o cheiro do livro e o virar as páginas, manualmente.

14-Leio mais do que um livro ao mesmo tempo e consigo ler em qualquer lugar a não ser que esteja muito barulho! O vício é tanto que consigo ler a andar! Como já me trouxe alguns dissabores quando era mais nova, deixei-me disso!

15- Levo um livro sempre comigo quando saio de casa. Imaginem que o autocarro se atrasa e que não tenho ninguém com quem conversar! Ah, e leio no autocarro!

16-Detesto quando me contam partes importantes de um livro que pretendo ler. Como por exemplo, qual a personagem que morre ou quem é o assassino enfim, se eu quiser spoilers, eu peço. Até lá fechem a boca!

17-Adoro ir à livraria e procurar livros. Lendo as sinopses, vendo capas... Sou mesmo uma livraólica!!!

18-Faz-me impressão aqueles pseudo-intelectuais que vão à livraria só para dizer que compram livros (só compram, não lêem!) e que ainda por cima põem-se a dar opiniões por cima do nosso ombro quando estamos a ver os livros! MELGAS!!!!

19- Não desgosto totalmente dos pseudo-intelectuais porque sempre posso apanhá-los em falso se tiver lido o livro! Confesso, às vezes, sou mazinha!:P.

20-Adoro aquela sensação de "mundo novo" quando abro um livro!

Excedi-me um pouco! Ups!!! E vocês quais são os vossos hábitos? Algum parecido ao meu?

Boas leituras!:D e muitas beijocas!

Jojo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Crónica do Rei Poeta Al-Mu'tamid de Ana Cristina Silva


Al-Mu’ Tamid nasceu em Beja, em 1040. Nessa época, a poesia e a cultura floresciam nas cortes árabes, mas após a queda de Córdova, o Sul de Espanha fragmentara-se em inúmeras taifas que se digladiavam entre si ao sabor das aspirações de poder e de prestígio. Herdeiro de uma das mais poderosas dinastias então reinantes que governava Sevilha, Al-Mu’ Tamid era um homem de índole benévola, amante de tertúlias, e um dos mais notáveis poetas do al-Andaluz. Nesta crónica ficcionada, escrita já no exílio pelo Rei-Poeta, Ana Cristina Silva, para além dos acontecimentos trágicos que marcaram o seu reinado, leva-nos a imaginar como terá sido, intimamente, o homem que teve de encarnar a personagem que ficou para a história.


A MINHA OPINIÃO:


Crónica do Rei Poeta Al-Mu'Tamid está belíssimamente escrito! Está dotado de um suave perfume a poesia que o torna fácil de ler. Conta a história do rei Al-Mu'Tamid, o poeta que aceita relutantemente o ceptro do poder. O livro percorre toda a sua vida desde a sua infância até morte:a grande amizade com Ibn Ammar, um poeta igualmente talentoso; a deterioração desta amizade e o golpe fatal desferido aquando da traição de Ibn; o amor do rei, a bela Itimad e a sua devoção incomensurável aos filhos. Al-Mu'tamid lida ainda com a eminente invasão castelhana liderada por D. Afonso VI. A história do protagonista não me cativou tanto como esperava, sentia-o um pouco distante e foi difícil estabelecer uma relação de empatia com ele. A causa deste distanciamento? Não faço ideia. Apesar deste percalço, terminei o livro porque apreciei a escrita de Ana Cristina Silva. Fluida, poética e lindíssima!


4/7-BOM


PS:Obrigada à Lígia pelos passatempos no Bibliomigalhas!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Coraline e a Porta Secreta de Neil Gaiman

Na nova casa de Coraline Jones existem vinte e uma janelas e catorze portas. Treze estão abertas mas há uma que está sempre fechada. E é precisamente essa porta misteriosa que desperta uma curiosidade inquietante em Coraline, levando-a a descobrir uma passagem secreta para uma casa aparentemente igual à sua. Mas depressa se apercebe de que algo de estranho se passa. Incrédula, Coraline assiste a um cenário invulgar: anjos que flutuam, livros com imagens que se contorcem, crânios de pequenos dinossauros que tiritam os dentes quando ela passa, cães e gatos que falam, brinquedos animados e os seus próprios pais que a acolhem neste novo mundo. Mas como podem os seus pais ter botões pretos no lugar de olhos? E por que motivo querem estes novos pais aprisionar os antigos num espelho existente no corredor? Será que ela está simplesmente a sonhar ou na verdade já não pertence ao mundo real? Um livro que alia qualidade estética à qualidade literária e que resulta numa poderosa e mágica ficção, sem limites entre a realidade e a fantasia


A MINHA OPINIÃO:


Coraline- A Porta Secreta é mais um livro mágico de Neil Gaiman! É mais um mundo fantástico e inesquecível criado pelo autor! Este é o segundo livro que leio dele e é mais uma leitura deliciosa. Lê-se de um folêgo. Li-o em pouco mais de hora e meia. Mas, durante essa hora e meia fui completamente absorvida pela outra casa atrás da porta. Coraline Jones é uma rapariga que busca fugir à monotonia quando se depara por uma misteriosa porta na sua casa. Ao abri-la, entra numa casa paralela a sua e, a aventura começa. É um livro leve, divertido e com um toque de curiosidade juvenil. A adrenalina da aventura, a descoberta e o desafio estão todos lá. Se acrescentarmos um gato falante, ratos que dançam,"cães-morcegos", olhos de botão, almas aprisionadas, bruxas e uma bonita mensagem temos uma obra viva, cheia de cor que apela ao nosso lado mais jovem. E deixa uma mensagem valiosa: ter tudo o que queremos nem sempre significa felicidade!

4/7- BOM

TRAILER DO FILME:


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Evangelho do Enforcado de David Soares

Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck quando perigosas obsessões tomam conta de si. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem outras intenções, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá mudar o futuro de Portugal. Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida em Lisboa no final da Idade Média. Pleno de descrições vívidas como pinturas, torna-se numa viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.


A MINHA OPINIÃO:


O Evangelho do Enforcado é a simbiose perfeita do romance histórico com o Fantástico! O início da leitura foi atribulado.Caí na Idade Média portuguesa e fui atingida pela sua brutalidade, pela ignorância das gentes, pela superstição reinante e pela vida paupérrima. As cores e os cheiros do século XV causam estranheza e até repulsa porém, houve algo que me impeliu a continuar. O estilo muito próprio de David Soares. Uma escrita fabulosa que narra a história do provável autor dos chamados Painéis de S. Vicente, Nuno Gonçalves. O pintor é retratado como um psicopata. Maravilha-se com a morte e com tudo o que a rodeia desde da infância. Todavia, um encontro com uma identidade "sobrenatural" enchê-lo-á de terror. Abandona Embraçadura, a aldeia onde nasceu e segue para Lisboa. Além de Nuno Gonçalves, outras figuras históricas da época são abordadas de maneira pouco convencional como por exemplo, a Ínclita Geração composta por Eduarte, Pedro, Henrique, Isabel e Fernando. David Soares destrói a imagem ideal e torna-os mais humanos, cruéis, ávidos, são desnudados de tudo o que é perfeito na realeza. A transformação do infante D. Henrique num homem preverso e manipulador pode chocar e revoltar alguns.Porém, esta dinâmica crua é estranhamente cativante. No centro, continua a estar o famoso painel que influenciará o rumo da História. A arte é a única coisa que é capaz de vencer de morte. Capaz de vencer a morte e de imortalizar o autor, Nuno Gonçalves. A par desta famosa obra, ele dedica-se a outro trabalho que acredita ser o seu melhor. É um livro duro que quebra as linhas outrora, certas da História. Dogmas, previamente estabelecidos, são estilhaçados e tudo o que julgávamos ser verdade, é mentira. Aquela repugnância inicial que senti, desapareceu à medida que avançava e acabei por adorar este registo diferente do Evangelho do Enforcado. Até na última página do romance, foi surpreendida com o surgir de um rapazinho chamado Diogo Boytac que Nuno Gonçalves aconselha.Um encontro entre dois personagens que ficaram imortalizados pela sua arte!


6/7-EXCELENTE

Devaneios Cinematográficos- A Origem (Inception)

A MINHA OPINIÃO:
Inception ( A Origem em português) é dos filmes mais discutidos e antecipados deste Verão. Da autoria de Christopher Nolan, o realizador de Dark Knight- O Cavaleiro das Trevas, Inception procura responder às elevadas expectativas que criou. E não é que consegue!!! Uma combinação assombrosa de efeitos visuais estonteantes e de um argumento imprevisível aliado a uma ideia verdadeiramente original. Num futuro não distante, Dom Cobb ( Leonardo Dicaprio) entra nos sonhos de indivíduos seleccionados e, consegue extrair segredos que de outra forma seriam impossíveis de obter. É o maior perito nesta área, extremamente lucrativa. Contudo, esta profissão custou-lhe a sua razão de viver no mundo real. Cobb precisa de realizar um último trabalho. Trabalho esse que lhe poderá garantir a sua vida real de volta. Retornar a casa e estar com os seus filhos. Este novo projecto não consiste em extrair mas, sim, em implantar uma ideia. Para isso, reúne uma equipa que irá invadir os sonhos do visado. É um filme cheio de acção que beneficia do elenco magnífico e dos cenários deslumbrantes. O melhor desta obra de Nolan é a sua imprevisibilidade... Deixa-nos expectantes... É apoteótico e pede a máxima concentração dos espectadores. Exige raciocínio rápido mas, não é confuso. Existem filmes difíceis de explicar e este é um deles. Apesar de ter percebido a história é, complicado para mim, explicá-la a outros. Hans Zimmer compõe uma banda sonora fabulosa e poderosíssima! Os actores são fantásticos: Dicaprio compõe na perfeição Dom Cobb, que constitui o lado mais emocional do filme; Marion Cottilard é a bela e misteriosa Mal que atormenta o protagonista; Ellen Page é Ariadne, a voz da razão; Tom Hardy é o sarcástico Eames e Joseph Gordon-Levitt é o eficaz Arthur. E ainda temos Cillian Murphy, Michael Caine e Tom Berenguer ( sim, ele voltou!). É um filme excelente, uma obra-prima de Christopher Nolan! E aleluia, dá um novo tom aos chamados blockbusters de Verão!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Quarto Arcano- O Porto das Tormentas( Livro II) de Florencia Bonelli

A sinopse contêm spoilers para quem não leu o primeiro volume!!! Quem não pretender spoilers avance para a opinião!


Depois de aban­do­nar Bue­nos Aires, Blac­kra­ven chega às cos­tas bra­si­lei­ras com os seus pri­mos Marie e Luís Car­los, filhos de Luís XVI e Maria Anto­ni­eta, cujas vidas estão em perigo. Aí irá encon­trar velhos com­pa­nhei­ros de aven­tu­ras: o padre jesuíta Mala­grida e Adri­ano Távora, sem­pre dis­po­ní­veis para o aju­dar nas situ­a­ções mais difí­ceis. O domí­nio de Napo­leão sobre a Europa é cada vez mais aper­tado e obriga os ingle­ses a pro­cu­rar na Amé­rica do Sul novos mer­ca­dos – coman­dada pelo gene­ral Beres­ford, a inva­são inglesa está iminente…

Novos per­so­na­gens e novos cená­rios acom­pa­nham as aven­tu­ras do Escor­pião Negro desde a costa ame­ri­cana até à velha Europa. O Porto das Tor­men­tas é um romance repleto de acção: cons­pi­ra­ções, assas­si­na­tos e abor­da­gens em alto mar fazem desta lei­tura uma expe­ri­ên­cia quase cinematográfica.

A MINHA OPINIÃO:

Quarto Arcano-O Porto das Tormentas é, à semelhança do anterior, uma leitura voraz e compulsiva. Quando pensava que mais nada me surpreenderia eis que, Florencia Bonelli me maravilha com mais uma história deliciosa. O poder de alheamento é tão forte que senti o calor de Buenos Aires e a maresia a bordo do Sonzogno, um dos navios de Roger Blackraven. Neste segundo volume, o leme da história continua a ser comandado pelo amor de Roger e Melody. Um amor escaldante mas que amadurece em relação ao primeiro volume. O fogo da paixão que existia dá lugar a momentos ternurentos. Claro que o fogo nunca se apaga e, por vezes, aviva-se aquando de um reencontro. Blackraven revela outra faceta, a de corsário. Aliada a ela, surgem novos personagens: o capitão Malagrida, Adriano Távora e Amy Bodrugan. Igualmente cativantes com histórias brilhantes que apimentam o livro. Segredos são desvendados e um, em particular, pode acabar com o amor dos protagonistas. Servando, o escravo que se apaixonou por Elisea, a mulher branca e rica, enfrenta o mundo por este amor proibido. Elisea também luta pela possibilidade de ficar com o homem que ama contudo, arrisca a ser desprezada pelas duas raças, a branca e a negra. Ainda existem: a doce Miora, o fiel Somar, o inocente Victor, a leal Trinaghanta, a cruel Enda e o próprio Napoleão Bonaparte. Uma imensa variedade de personalidades que só aumentam a qualidade e a densidade do livro. É mais um livro imperdível que reúne os mesmos ingredientes que o anterior: espionagem, escravatura, amor, racismo, traição, vingança, feitiçaria, poder... Apesar de ter os mesmos componentes continua a ter o mesmo encanto. Aguardarei com entusiasmo a publicação de outras obras da autora em Portugal!

6/7-EXCELENTE