segunda-feira, 26 de julho de 2010

Planície de Espelhos de Gabriel Magalhães



Este livro é mágico. O leitor deverá pegar nele com todo o cuidado. Nunca se sabe bem o que pode acontecer quando alguém folheia as páginas deste romance. A protagonista, Marta, uma professora universitária, parte para uma viagem que a levará a encontrar-se com um fantasma que lhe pede boleia, à noite, numa estrada alentejana. O espectro voltará a aparecer no dia seguinte, assombrando a sua vida. Mas a maior surpresa acontece quando o fantasma surge na vida do autor – e também na existência de cada leitor deste romance. Porque Planície de Espelhos leva às últimas consequências a magia da literatura.

A MINHA OPINIÃO:

Planície de Espelhos é o livro mais exótico, original e estranho que já li até hoje. Perdoem-me as redundâncias mas é difícil definir este livro. Esta afirmação não é, de modo nenhum, perjorativa, pelo contrário, os adjectivos que usei foram um elogio à criatividade de Gabriel Magalhães. Através estas páginas surpreendentes podem surgir várias interpretações. A história é insólita, apesar de ter uma premissa aparentemente simples. Marta Valadares, uma professora universitária, após um jantar, conduz pelo Alentejo, quando se depara com um jovem a pedir boleia. Uns metros à frente, encontra-o de novo na mesma posição. Tem um livro na mão. No dia seguinte, por intermédio de um jornal percebe que o jovem tinha falecido há pouco tempo. O espectro volta a atormentá-la porém, desta vez deixa o misterioso livro à sua disposição. Isto é tudo o que posso dizer acerca de Planície de Espelhos. Quanto menos se souber antes de iniciar a leitura, melhor é. Assim, a surpresa é maior. Reconheço que estas linhas distintas que compõe a história possam ser demasiado incomuns para alguns leitores. Eu gostei imenso do livro. Obrigou-me a reflectir sobre o significado da palavra viver. Viver em pleno...e mudar quando vivemos sem viver! Confusos?!

4.5/7-MUITO BOM

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Espada de Zagan de Clark Ashton Smith



Em pleno ambiente das Mil e Uma Noites, dois jovens arriscam a morte e enfrentam o perigo em peripécias e batalhas para conquistar o amor de uma jovem de beleza singular: Fatima, a sobrinha do poderoso Sultão. Num ambiente mágico e apaixonante, "A Espada de Zagan" faz-nos sonhar com palácios e a vida exótica nas cidades atribuladas do Médio Oriente. Um livro repleto de ação e aventura, com descrições de tirar o fôlego. "A Espada de Zagan" é um dos grandes clássicos da literatura e foi escrito por Clark Ashton Smith nos seus anos de juventude. Mais tarde, Ashton Smith veio a tornar-se um dos escritores mais importantes dos inícios do séc. XX.

A MINHA OPINIÃO:

A Espada de Zagan é uma obra sedutora, mas com uma dinâmica um pouco atabalhoada. Este é um livro da coleccção TEEN da Saída de Emergência que visa o público jovem. Uma iniciativa louvável desta editora! Relativamente a este livro de Clark Ashton Smith, os cenários são fascinantes, eis o Médio Oriente! Confesso que sou uma apaixonada por culturas distintas da minha por isso, sempre que posso viajo através dos livros. O escritor presenteia-nos com Ali Zagan, Abdul e a sua história. Ali conhece Abdul e, logo, se estabelece entre eles uma amizade. Abdul sonha com Fatima, a bela sobrinha do sultão, com quem teve um encontro fugaz. No entanto, esta mulher mudará para sempre a vida dos dois amigos. Ali sucumbe aos seus encantos e este amor traçará o destino dos três. Batalhas heroícas, amores proibidos forjam uma lenda. Apesar de a história ser cativante, a obra peca pela imaturidade. A carência de pormenores e a fraca ligação entre alguns capítulos tornam esta leitura adequada para jovens mais audazes. Todavia, Clark Ashton Smith era ele próprio muito jovem quando escreveu este livro. Assim, consegui perdoar estas lacunas. Mesmo com estas irregularidades é perceptível o génio do autor na elaboração das personagens. Tomarem a todos os jovens escritores possuírem uma centelha deste talento.

4/7-BOM

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sete Dias para a Eternidade de Marc Levy


Deus e Lúcifer num braço-de-ferro final.
O mais angélico dos anjos e o mais demoníaco dos demónios são postos em cena para o derradeiro desafio.
Em apenas sete dias, joga-se o destino da humanidade.
Mas nem Deus nem Lúcifer poderiam prever o que resultaria de um encontro entre o anjo e o demónio...

A MINHA OPINÃO:

Sete Dias para Eternidade é um livro insólito. A sinopse é claramente original. Zofia é enviada pelo Senhor, Deus para combater o enviado do Presidente, Lúcifer. Lucas diverte-te com a desgraça, com terror e com o caos. Zofia é o seu oposto. Altruísta, bondosa e fiel à sua causa. Zofia e Lucas cruzam-se e o inexplicável acontece. Apaixonam-se! Será Lucas mudará Zofia ou será Zofia a alterar a essência de Lucas? Marc Levy transforma o Céu e o Inferno em corporações multinacionais em que a vontade dos comandantes é régia contudo, nem eles contavam com tamanha reviravolta. É divertido e descontraído ou melhor, tem um sentido de humor muito peculiar. No início tive problemas na leitura. A acção era rápida e mudava constantemente de cenário assim, ficava com aquela sensação de vazio, sentia pouca ligação às personagens. Porém, a adaptação ao ritmo de Marc Levy chegou e acabei por gostar imenso do livro. Zofia e Lucas tornam-se viciantes propocionam momentos ternurentos e alguns bizarros. Um demónio a tentar fazer o Bem? Um anjo a tentar fazer o Mal? Muito estranho mas estes conflitos alimentam o livro e o tornam agradável e envolvente.

4/7- BOM

terça-feira, 13 de julho de 2010

Devaneios Cinematográficos- The Twilight Saga Eclipse


A MINHA OPINIÃO:

Sobre este franchising muita tinta já correu... permitam-me acrescentar mais alguma.:P Eclipse é para mim, o melhor filme da saga até agora. Quem vai ao cinema em busca de obra-prima acabará por sair decepcionado, não obstante é um filme satisfatório. David Slade, o realizador, conferiu uma atmosfera de maior tenebrosidade às personagens principalmente, aos recém-nascidos vampiros. A própria tonalidade da fita é mais escura reflectindo as duras decisões que serão tomadas. Embora o foco da acção continue a ser o triângulo Edward-Bella-Jacob, o campo cinematográfico alarga-se com a introdução das histórias das vidas humanas de Rosalie e Jasper, com presença dos Volturi e com a aliança inesperada entre o clã Cullen e os lobos Quileute. Bella, a protagonista, continua a ser o alvo de Victoria e Edward fará tudo para a proteger. Jacob insiste com Bella, afirmando que ela o ama só que não quer admitir. Jacob ou Edward, um deles será um futuro de Bella. A adaptação é muito fiel ao livro pelo que, a personagem Bella concentra as atenções. Continuo a não perceber o porquê disso... Acho-a pouco carismática e um pouco egocêntrica mas enfim... A actriz não tem culpa desta minha aversão, é a personagem. Se bem que não contribuiu muito para eu gostar mais dela. Podia ser muito mais expressiva! Quanto ao elenco em geral perfazem bem os papéis. O melhor trunfo deste filme chama-se Howard Shore. Para quem não sabe é o senhor que compõe a banda sonora. Subtil e melodiosa! Em suma, não é uma obra prima, é bom para desanuviar e assistir sem grandes pretensões. Está contra-indicado para pessoas que não gostam dos livros de Stephenie Meyer (obviamente!) E vocês já o viram? O que acharam?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Senhores da Noite de Carla Ribeiro



Possuem o dom da imortalidade. Controlam as forças da magia com o poder da sua vontade e, com base na imunidade à morte, subjugaram a humanidade. Têm, contudo, uma fraqueza: vivem em guerra constante.
Moranius Sinister é o mais antigo dos imortais, único sobrevivente de um tempo em que a sua raça vivia sob as leis de um império. No presente, contudo, são já escassos os imortais e todos eles desejam o poder dos seus semelhantes. Para conquistar as suas ambições, Moranius vê-se obrigado a, juntamente com a sua amante, Deletress Aventra, conceber um plano que lhe permita eliminar do seu caminho os restantes imortais, apesar de todas as revelações ainda ocultas no tempo.
Nenhum trilho ficará por percorrer. Nenhum segredo será deixado por revelar. Nenhum ser vivo ficará seguro. Num mundo governado pela lenda do Senhor da Noite, a supremacia não admite um plural.

A MINHA OPINIÃO:

Senhores da Noite é um livro sensualmente negro! Há uma centelha de maldade em todas personagens. Malvadeza que as poderia tornar detestáveis e assim a obra perderia a sua capacidade de agradabilidade. Curiosamente, acontece exactamente o contrário. Por ser diferente e porque a autora interrompe a história actual e viaja ao passado através de flashbacks criando uma relação de intimidade com o leitor. Conhecendo o passado, os temores, as traições que muitos imortais sofreram transforma-os mais acessíveis. Os seus actos são mais compreensíveis, diria eu. Claro que existiram momentos na leitura que pasmei com tanta atrocidade cometida por Moranius Sinister. Ele é o mais antigo dos imortais e para se tornar o Senhor da Noite precisa de absorver o poder de todos restantes. É ambicioso, ardiloso, terrível, cruel, frio e calculista. E como é que se absorve o poder dos outros imortais? Através do sangue ou seja, matando-os. Ao seu lado, está Deletress, uma imortal que como ele deseja o poder. Os dois formam um casal mortífero e já têm um novo alvo, Arcania. Porém, será que a união de Deletress e Moranius invencível? E será que esta sociedade é isenta de desconfiança ou mesmo de traição? É livro pequeno se lê em pouco tempo e o virar de página é constante. Há qualquer coisa no tenebroso Moranius que atrai e embora algumas das suas acções sejam absolutamente horrendas, ele lança a sua teia de sedução e enreda o leitor. Esqueçam vampiros bonzinhos, este imortal é mais negro que a escuridão. Dark as dark can be! Quanto ao seu final... bem... não estava nada à espera! A sede de poder cega... É um livro original que só peca por ser tão curto. Queria mais! Queria que este mundo fosse mais explorado. Notei algumas repetições de palavras sobretudo, no início do livro mas confesso que já estava alertada para este facto depois ler uma outra crítica. Contudo, estas falhas não são suficientemente importantes para impedir uma leitura muito agradável e refrescante. No meio de tanto ser sobrenatural bonzinho, misericordioso... é óptimo encontrar um que se mantém fiel à sua natureza de bad bad guy! ( Perdoem-me o(s) estrangeirismo(s)!):P

5/7- MUITO BOM

PS: Carla Ribeiro tem um blog onde expõe as suas opiniões literárias: As Leituras do Corvo.

Divulgação-Presença Editora- Convite

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Virgem das Amêndoas de Marina Fiorato



Na Itália do século XVI, o jovem pintor Bernardino Luini, discípulo favorito do mestre Leonardo da Vinci, é encarregado de pintar um fresco religioso na igreja de Saronno, uma pequena localidade nas colinas da Lombardia. Ao entrar na igreja, a sua atenção é captada pela beleza e pela melancolia da jovem Simonetta, viúva de um poderoso senhor feudal morto em combate.

Sozinha e a ver a sua fortuna desaparecer até não restar nada mais a não ser as amendoeiras da sua villa, Simonetta acede a posar como modelo para Luini, que a imortalizará para sempre nos frescos da igreja como a Virgem di Saronno. À medida que o trabalho progride, artista e modelo apaixonam-se, selando o sentimento com um beijo que escandalizará a Igreja.

À genialidade com que Bernardino imortalizará a sua musa, Simonetta retribui com a criação da sua própria obra de arte: um licor especial fabricado com o fruto das suas amendoeiras. O licor ficará conhecido, até aos dias de hoje, como o famoso Amaretto di Saronno.

Contudo, antes de ambos completarem as suas obras, a relação é fortemente abalada por um acontecimento que porá em perigo aquele amor. E as suas vidas.

Uma inesquecível história de paixão e arte que se desenrola tendo como pano de fundo uma Itália Renascentista, onde a intriga, os escândalos, a guerra e a intolerância religiosa imperavam no dia-a-dia.

A MINHA OPINIÃO:

A Virgem das Amêndoas é um livro belíssimo! Dotado de uma história encantadora, descrições vívidas e uma escrita doce quase poética. Mergulhei na Itália Renascentista, inspirei o suave aroma das amendoeiras em flor, maravilhei-me com a beleza e com a cor dos pigmentos da paleta de Luini e deliciei-me com o Amaretto, o doce e amargo licor de amêndoas. Há livros que nos fazem esquecer a realidade e que nos enredam tão eficazmente que ficamos perdidos e ao mesmo tempo, vigilantes pois não queremos perder pitada. Eis um desses livros! A história central baseia-se numa lenda. A criação do famoso licor Amaretto em homenagem a Bernardino Luini. Luini, pintor da Renascença, pupilo de Leonardo da Vinci era um homem devasso, libertino e mulherengo até receber uma encomenda que o levará a Saronno. Aí encontra Simonetta, mulher aristocrata de beleza inigualável, recentemente viúva e cuja sobrevivência está risco. Ela a troco de dinheiro aceita posar como modelo para Luini que usará a sua imagem para pintar a Virgem Maria num dos muitos frescos que irão preencher a Igreja do simpático padre Anselmo. Bernardino, muito mais velho que Simonetta apaixona-se pela singela e corajosa dama. Porém, ela carrega o luto e os remorsos por estar a trair a memória do seu falecido marido. Na ruína, Simonetta também tem lidar com a possibilidade de ficar sem a sua casa e sem as suas amendoeiras. Recorre a Manodoratta. Homem que muitos olham com desconfiança por professar o Judaísmo. No fundo, é um ser bondoso que se compadece da jovem viúva e lhe dá o seu apoio, investindo nas suas propriedades. Paralelamente a esta história, encontramos não muito longe dali, Amaria e Nonna. Nonna é uma mulher idosa, de boa índole, pobre que criou sozinha Amaria, a sua neta. Amaria, é uma rapariga de espírito livre e uma beleza italiana selvagem. Ambas encontrarão Selvaggio, rapaz perdido e sem memória e o ajudarão. A jovem donzela descobre o seu destino nos olhos verdes límpidos de Selvaggio. Ele a corresponde mas, poderá um homem sem passado amar? O amor seja, o dos amantes, o filial, o fraternal é um tema recorrente do livro contudo, o ódio e o fanatismo também estão presentes. A perseguição aos Judeus pela Inquisição, pela população cega pela ignorância e pela superstição é retratada como aquilo que foi, uma mancha negra, horrível e impagável da História da Humanidade. Um livro encantador que incentiva à tolerância religiosa, que valoriza o poder da amizade e que glorifica o amor adornado pelas belas pinturas da Renascença e pelas paisagens fantásticas da Itália.

EXCERTO:

Leonardo para Bernardino:

" Ouve-me bem Bernardino, não te deixes dominar pelo peso do teu próprio génio porque não o tens. És um bom pintor e podes vir a ser um grande pintor mas, só quando começares a sentir. Se fores roído pela mágoa da separação desta senhora, se o teu coração sangrar, tanto melhor. Pois o teu trabalho reflectirá paixões que experimentas e só então transmitirás essas emoções à tela."

5/7- MUITO BOM

CURIOSIDADE:

Bernardino Luini existiu na realidade e as suas pinturas podem ser admiradas através deste pequeno vídeo que encontrei na net. Reparem que uma mulher predomina em todos os seus quadros. ( MonaLisa, o famoso quadro de Leonardo da Vinci também aparece... há quem afirme que Luini sendo aprendiz do génio tenha participado na sua elaboração.)

sábado, 3 de julho de 2010

O Braço Esquerdo de Deus de Paul Hoffman


A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça...
"Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção."
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado - um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo - servir a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro - agora chamam-lhe Cale.
É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço, não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.
A MINHA OPINIÃO:
O Braço Esquerdo de Deus é um livro rude e cru. É um reflexo da personagem principal, Thomas Cale. Cale é um acólito no Santuário dos Redentores. É treinado na violência para servir fielmente e até à morte a sua religião. Anos e anos de terror, dor e sofrimento criaram um jovem que sem saber abrirá uma porta e deparar-se-á com um espectáculo inominável. Cale, frio e calculista, deixa-se toldar pela emoção e comete um acto de bondade desrespeitando todas as leis do Santuário. A fuga é a única saída. Partem com ele, Henri Vago e Kleist, dois outros acólitos. Em Memphis, cidade rainha do Império Materazzi, eles conhecem um mundo novo, novos aliados e novos inimigos. Todavia, o Redentor Bosco inicia uma perseguição frenética. Cale possui um segredo que ele próprio desconhece. É um livro que prima pela acção que o torna bastante envolvente.Foi classificado como fantasia mas, é visivelmente distinto. Esqueçam as criaturas sobrenaturais e os seres mágicos não os encontrarão nesta primeira obra de Hoffman. Difere do nosso mundo é certo, porém, contém referências facilmente reconhecíveis a momentos, a religiões, nomes que nos soam familiares. Cale é claramente, um herói ( ou será anti-herói?) em ascensão. Sendo que no final, muitas questões ficam sem resposta aguardando pelas páginas esclarecedoras do segundo volume. É viciante e a adrenalina é constante! A escrita de Hoffman é sincera e há pouco espaço para os eufemismos. Sangrenta, cruel e perturbadora. Como falhas aponto apenas alguma falta de vivacidade e de o facto da história de Cale me lembrar de outras histórias lidas. Contudo, não deixa de ser um bom livro e boa alternativa para quem procura uma leitura do género fantástico diferente desprovida de vampiros, anjos, elfos, feiticeiros etc.
EXCERTO:
"A vida é uma viagem para pessoas como tu e eu, uma viagem em que nunca sabemos se vamos pelo nosso caminho. Vemos um novo destino enquanto viajamos, e outro melhor, e outro, e assim por diante até que o lugar para onde nos dirigíamos no início fica completamente esquecido. Somos como alquimistas: começam à procura de ouro, e pelo caminho descobrem remédios utéis, e uma maneira sensata de ordenar as coisas e o fogo de artíficio... a única coisa que não descobrem é o ouro!"
4/5- BOM

TRAILER DO LIVRO:

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A Cidade das Cinzas de Cassandra Clare

ATENÇÃO!!! A sinopse contém spoilers (enormes!) para quem não leu o primeiro livro da trilogia... Avancem logo para a opinião!


Clary Fray só queria que a sua vida voltasse ao normal. Mas o que é normal quando se é um Caçador de Sombras? A mãe em estado de coma induzido por artes mágicas, e de repente começa a ver lobisomens, vampiros, e fadas?
A única hipótese que Clary tem de ajudar a mãe é pedir ajuda ao diabólico Valentine que, além de
louco, simboliza o Mal e, para piorar o cenário, também é o seu pai. Quando o segundo dos Instrumentos Mortais é roubado, o principal suspeito é Jace, que a jovem descobriu recentemente ser seu irmão. Ela não acredita que Jace de facto possa estar disposto a abandonar tudo o que acredita e aliar-se ao diabólico pai Valentine… mas as aparências podem iludir.

A MINHA OPINIÃO:

A Cidade das Cinzas é absolutamente irresistível... É impossível respirar, parar e custa virar cada página porque assim perdemos tempo e corre-se o risco de perder o comboio de alta velocidade que é a história. Os acontecimentos sucedem-se e a acção bate freneticamente impelindo o leitor a continuar. A trama adensa-se... Jace e Clary lidam com seus demónios interiores e com as revelações chocantes da primeiro volume. Neste livro, Clary emerge como uma luz que orienta Jace que se encontra perdido e atordoado. Jace continua fiel a si mesmo... convencido, sarcástico mas viciante e converge atenções. É uma personagem fantástica e os segredos do passado que o envolvem é uma das forças motrizes da história. Os personagens secundários como Simon, Alec, Isabelle, Magnus e Luke ganham espaço e surgem novos intervenientes que prometem para o terceiro volume como Maia, a jovem lobisomem. Nesta Cidade de Cinzas conhecemos um novo povo sábio, as Fadas. Aquelas que nunca mentem mas podem distorcer a verdade. Valentine continua a ser um vilão pérfido e engenhoso todavia, ele guarda a chave que poderá abrir o passado de Clary. Demónios ( alguns nada simpáticos!), feiticeiros ( Magnus Bane é simplesmente enfeitiçante), lobisomens e nossos Caçadores das Sombras, descendentes do Anjo Raziel, criam um Mundo para onde eu quero voltar. Quero saber o que acontece... e é este o grande trunfo de Cassandra Clare, deixa os leitores a ansiar por mais. Eu já estou preparar uma nova viagem a este mundo, Cidade de Vidro aí vou eu!:p

MAJOR SPOILERS !!! ( Para visualizar melhor seleccione com o rato) Desculpem não consegui colocar as letras totalmente invisíveis... por isso quem não quiser spoilers fuja desta parte!!!

Será que a Clary e o Jace são mesmo irmãos? Humm... seria uma tragédia se assim fosse... Beijos daqueles não se dá a uma irmã?! E depois há pequenos indícios no livro que me levam a suspeitar que Valentine esconde mais um segredo-bomba que revolucionará as vidas de Jace e Clary. Os que leram este segundo volume o que acham?

5/7- MUITO BOM

domingo, 27 de junho de 2010

A Cidade dos Ossos de Cassandra Clare



No Pan­de­mo­nium, a dis­co­teca da moda de Nova Ior­que, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cober­tos de estra­nhas tatu­a­gens. Desde essa noite, o seu des­tino une-​se ao dos três Caça­do­res de Som­bras e, sobre­tudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com ten­dên­cia a agir como um idiota…

A MINHA OPINIÃO:

A Cidade dos Ossos é um livro dirigido maioritariamente para o público adolescente e jovem adulto mas, não deixa de ser uma obra muito muito interessante. Desenrola-se a uma velocidade cinéfila alucinante que me acorrentou ao Mundo dos Caçadores das Sombras. É um mundo de miscigenação paranormal... Anjos, demónios, vampiros, feiticeiros, lobisomens e fadas estão presentes. O que podia se tornar confuso é incrivelmente simples... mérito da escritora que me teleportou para uma Nova Iorque paralela e imensa! A nossa protagonista é Clarissa Fray ou Clary. Não é uma rapariga que se esqueça facilmente. Não espera pela protecção de um príncipe encantado. É audaz e não faz o típico papel de donzela em apuros. Clary tem em Simon, o seu melhor amigo. Um dia, à porta de uma discoteca ela vê um rapaz de cabelo azul, segue-o e a sua vida muda radicalmente. Encontra os Caçadores das Sombras, Isabelle, Alec e Jace que ela consegue ver mas Simon, não. Após este intrigante encontro, a vida de Clary precipita-se. A sua mãe desaparece e o seu rapto parece estar ligado a um único nome, Valentine. Um nome que é conhecido no Mundo das Sombras de Alec, Isabelle e Jace. Tornam-se aliados inesperados numa demanda para salvar o mundo de uma grande ameaça personificada pelo misterioso Valentine. Pelo caminho surgem outras personagens igualmente deliciosas, Magnus Bane, o auto-intitulado feiticeiro maior de Brooklyn, Luke e claro, Valentine. Jace e Clary assumem o leme da história. Ele é um dos melhores Caçadores das Sombras, descendentes do Anjo Raziel que os criou para lutar contra os demónios e um protagonista com um passado tenebroso. Jace e Clary transformam-se nos heróis improváveis e, entre eles, emerge uma paixão de desfecho inacreditável. Garanto-vos que por essa eu não estava à espera. Adiantar mais da história seria contra-producente, o melhor é mesmo pegar no livro e ler. Eu adorei-o! Apesar de reconhecer algumas influências de movimentos em voga, o livro é muito cativante e é impossível pousá-lo. Foi um prazer lê-lo!

5/7- MUITO BOM

PS: Li este livro à noite depois de estudar e resultou nos tais sonhos estranhos. Primeiro, sonhei que estava a fazer a minha oral e de repente, entra o Jace a herói de cinema! Com os cabelos a ondular ao vento, armas preparadas, olhos dourados brilhantes...Ei-lo a salvar aqui a Jojo de modelos anatómicos aterrorizadores ou seja, cérebros de plástico!!! Como se diz por aí... LOOL!!!

sábado, 26 de junho de 2010

Exames exames e uma nova cara para os Devaneios...

Olá meus queridos! Tenho andado muito desaparecida mas, época de exames é assim! Peço desculpa a todos os que me enviaram selinhos porém, o tempo é muito escasso e não os consigo recolher e postar.
Hoje, fiz uma pausa nos estudos e renovei a face do blog. Espero que gostem... Afinal mi casa es tu casa! Este novo template representa as viagens que os livros proporcionam. Um bom livro é capaz de nos transportar para uma época distante, fictícia, faz com que percamos a noção do espaço e do tempo e tudo o que vivemos (por umas horas) está naquele mundo de páginas. Não concordam?
Quanto a leituras acabei de ler os dois primeiros livros da trilogia Caçadores de Sombras. Li-os nesta semana à noite depois de estudar o que resultou nuns sonhos muito muito estranhos. Nem queiram saber!:p
Bjokas a todos! E boa sorte a todos que estão em exames!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dança com o Diabo de Sherrilyn Kenyon




Zarek é o mais perigoso de todos os Predadores da Noite. Exilado no Alasca durante séculos, desprezado pela deusa que o criou e temido pela sua própria espécie, foi condenado à morte por Ártemis na sua última missão. A sua única hipótese de salvação vem do líder dos Predadores da Noite, Acheron, que convoca a justiça da ninfa Astrid; mas, em toda a história do mundo, Astrid nunca considerou ninguém inocente… Dizem que mesmo o homem mais amaldiçoado pode ser perdoado, mas conseguirá Zarek convencer Astrid de que, por trás de uma besta feroz, se esconde um ser humano que deseja amar e ser amado?

A MINHA OPINIÃO:

Dança com o Diabo obriga o leitor a uma dança vertiginosa cujos pares são a mitologia, o amor visceral, a redenção e o erotismo. Este é o quarto livro da série Predadores da Noite de Sherrilyn Kenyon. Eu li o primeiro e agora o quarto. Estranho mas, por circunstâncias que me ultrapassam assim aconteceu. Mas asseguro-vos que os outros não me escaparão durante muito tempo. Esta obra é mais uma brisa refrescante. A sua leitura é fluida e viciante. E é impossível deixar de ler... Capaz de oferecer emoção, humor, momentos de paixão ardente e suspense é indescritivelmente compulsivo. Sim,existe um amor à primeira vista recheado de previsibilidade porém, os contornos desta história são muito interessantes. Ela, Astrid, é uma ninfa da Justiça, irmã das Parcas ( as mulheres que controlam o Destino na mitologia helénica) e ele, Zarek, é um predador da noite, imortal que viveu isolado novecentos anos no Alasca. Ele é, aparentemente, frio, cruel e implacável e ela é doce e meiga. Zarek está sob o jugo da deusa Artémis que tem uma relação conturbada e misteriosa com Acheron, o primeiro dos Predadores da Noite. É um livro leve, perfeito para desanuviar e em que as divindades e os demónios convivem com os meros mortais dando-lhe um colorido que é a marca distintiva de Sherrilyn Kenyon. As personagens secundárias são deveras intrigantes. Acheron é uma delas. É uma jogada inteligente da autora, rodeá-las numa aura de mistério. Aguça a curiosidade para os volumes seguintes.Simi, a jovem demónio, é também uma das personagens que mais gostei. Cativou-me por ser extrovertida, franca e por possuir momentos muito cómicos.

4.5/7- BOM

quarta-feira, 16 de junho de 2010

História dos Papas de Juan María Laboa Gallego


Uma narrativa de grandeza, de religiosidade e de pecado. Em História dos Papas, Juan María Laboa Gallego, traça o retrato de 267 papas que ocuparam a cadeira de São Pedro, discípulos directos que herdaram os poderes de Jesus Cristo e mantêm, há vinte séculos, a autoridade sobre a Igreja Católica. Pela cidade de Roma passaram homens santos como Leão I, o Grande, que enfrentou Átila, e reformadores como Gregório VII, grande defensor da Igreja face ao poder laico, guerreiros como Urbano II, que convocou a primeira cruzada, mecenas de arte como Júlio II, a quem se deve a decoração da Capela Sistina. Mas também se sentaram na cadeira do poder papas considerados hereges como João XXII, Alexandre VI, que favorecia de forma escandalosa a sua família, Pio VII, prisioneiro de Napoleão, ou João Paulo I, que apareceu morto na sua cama depois de trinta e três dias de pontificado. Uma crónica completa que conta a história de João XXI, o único papa português que morreu esmagado por um tecto, para uns castigo divino pela sua falta de apreço pelos religiosos dominicanos.

A MINHA OPINIÃO:

História dos Papas é um livro extremamente degastante! Lê-lo de uma assentada seria suicídio literário por isso, optei por o ir lendo aos poucos.Uma época de cada vez. Este livro narra e descreve factos logo, não apelará a uma grande maioria dos leitores. É completíssimo abarcando todos os Papas desde Pedro até Bento XVI. Através da viagem que o livro proporciona, vi como os sucessores do Apóstolo cimentar o seu poder. Alguns sem escrúpulos que buscavam o poder e aproveitaram-se da sua posição, outros devotos da sua missão de evangelizar, alguns foram mártires e outros vítimas da sua ambição ou da sua santidade. É um livro complexo, denso mas rigoroso e muito elucidativo. Dentro do seu género, é um dos melhores livros que já encontrei. Detalhado, coerente e muito bem organizado.

6/7-EXCELENTE

terça-feira, 15 de junho de 2010

Flashman- A Odisseia de um Cobarde de George McDonald Fraser



Ele é um mentiroso, ele é um cobarde, ele seduziu a amante do próprio pai. Ele é Harry Flashman e esta é a sua deliciosa odisseia. Dos salões vitorianos de Londres às fronteiras exóticas do Império, prepare-se para conhecer o maior herói do Império Britânico. Pode um homem que foi expulso da escola por andar sempre bêbado, que seduziu a amante do próprio pai, que mente com quantos dentes tem e é um cobarde desavergonhado no campo de batalha, protagonizar uma série de triunfantes aventuras na era vitoriana? A escandalosa saga de Flashman, herói e soldado, mulherengo e agente secreto relutante, emerge numa série de memórias campeãs de vendas em que o herói gingão revê, na segurança da velhice, as suas proezas na cama e no campo de batalha.
A MINHA OPINIÃO:

Flashman- A Odisseia de um Cobarde é um livro de sentimentos contraditórios. O protagonista é o responsável por este torvelinho de emoções. Harry Flashman é mulherengo, cobarde,mentiroso, interesseiro, e safa-se quase sempre miraculosamente das alhadas em que mete. Muitas vezes, ilude os outros personagens com a sua grande lábia e muitas vezes, é bafejado pela sorte, pura, que o livra de males maiores. Harry é um personagem muito diferente, um anti-herói, que tem momentos detestáveis, a meu ver, mas também situações hilariantes.É ele que nos conta a história e com a sua grande lata (muita mesmo!) conseguiu envolver-me na sua teia. A história começa com a expulsão do colégio que frequentava por embriaguez. Harry comunica ao pai, outra figura peculiar, que pretende ingressar no Exército. Aqui, passa por algumas situações bizarras que incluem um duelo que Flashman vence, aldrabando-o. A causa desta rixa?... Harry não consegue segurar as calças e atira-se à mulher de outro. Apesar de ser culpado, serve-se da sua fanfarronice e batota e torna-se aos olhos de todos, um homem honesto e compassivo. Demais! Mas a sua sorte não dura muito e Harry Flashman vê-se a caminho da Índia e do Afeganistão num altura em que eclode a Primeira Guerra Anglo-Afegã e o homem que apenas quer viver um boa vida vê-se como mensageiro entre os britânicos e os afegãos. Confusões,rixas, duelos... tudo é possível! E de todas, ele escapa caricatamente e graças ao acaso que lhe é extraordinariamente favorável.
Enfim, Harry Flashman é deveras intrigante... Detesto-o e no entanto, não consigo evitar de ler as suas palavras. Porque ele é desonesto, mentiroso com outros intervinientes da história mas, nunca nunca mente ao leitor, admite a sua cobardia e ainda por cima, vangloria-se seus feitos nada heroícos. Gostei de ler este livro e espero pela continuação...

4/7-BOM

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Em Nome da Fé de Enrico-Maria Parodi



Henrique Soda, comandante da TAP, vê-se envolvido, duma forma puramente acidental, no perturbador rescaldo dos atentados às Torres Gémeas e, logo depois, em não menos perturbadoras descobertas do foro religioso. Sem se dar conta, pertencerá a uma expedição investigadora aos Himalaias, onde cristãos, muçulmanos, judeus, ortodoxos e agnósticos, numa aventura apaixonante, demandam a Índia em busca de verdades caladas durante séculos, à procura do desconhecido Issa, o Jesus Cristo quase desconhecido.
Página a página, o leitor irá descobrir que o nosso pequeno mundo é feito de minúsculas coincidências, e as nossas vidas estão continuamente à mercê das convicções e da ganância de homens de todos os tempos e lugares. “Em Nome da Fé” praticam-se os crimes mais atrozes, quase sempre sob o manto da justiça suprema. Trata-se dum novelo que se vem emaranhando há séculos e parece não haver forma de algum dia se desenvencilhar.
Este autor luso-italiano, que logo na estreia esgotou o seu primeiro livro apenas numa semana, com o romance histórico «Onde Mora o Destino» (Papiro, 2006), volta a deliciar-nos com esta narrativa contemporânea através duma extraordinária carga emotiva, realística e virtual ao mesmo tempo.

A MINHA OPINIÃO:

Em Nome da Fé é religiosamente viciante! Percorre o Islão, o Judaísmo, o Cristianismo, o Budismo e o Hinduísmo com facilidade interligando as diferentes religiões. Nota-se a intenção do autor em documentar o livro.Transparece a pesquisa e o empenho que Parodi empreendeu para fortalecer a sua obra. Sendo um livro contemporrâneo em comunhão com o passado era natural que assim acontecesse. Sem este trabalho prévio do escritor, o livro seria indubitavelmente, um fracasso.Em nome da fé se cometem atrocidades e a fé guiará os personagens. Fés distintas que os conduzirá aos caminhos do misterioso Issa. Seguindo as suas pegadas, descobriram-se-ão e encontraram a verdade. Crua e fria e talvez aquela que não esperavam mas, a verdade. Porque a Humanidade é pensante e complexa que se rege em por valores e necessidades semelhantes porém, nem todos os homens os interpretam da mesma maneira resultando por vezes, em guerras estúpidas (todas o são!). Guerras em nome de uma fé que no seu íntimo só apregoa a paz. Este é um livro que nos leva a pensar e a perceber como de um momento para outro uma acção bélica pode mudar a vida de milhões de pessoas inocentes. Começa com um prólogo intrigante que é apenas o começo de uma grande aventura. Apesar de ter gostado bastante do livro vou apontar algumas debilidades. Em algumas passagens, fiquei com a sensação de que as personagens debitavam matéria, factos, datas, conceitos. Sim, são importantes para contextualizar o leitor e para o orientar todavia, houve momentos em que os achei um pouco excessivos. Momentos que podem ser explicados que pelo meu cansaço após um dia intensivo de estudos.

Em Nome da Fé é um livro trepidante que aconselho a ler... até porque espero ler as vossas opiniões!

4,5/5-BOM