“Mary nunca, por nunca desistiria da plantação. Isso significaria trair o seu pai e o pai dele e todos os Toliver antes deles que haviam lutado para arrancar a terra à floresta, que haviam suado e labutado, sacrificado e morrido pelos milhares de hectares que viviam para ver crescer com orgulho do seu trabalho. Jamais seria capaz de sacrificar Somerset por causa do orgulho masculino! Mas... amava Percy. Ele era um tormento constante que ela não conseguia esquecer, por muito que tentasse.”
A MINHA OPINIÃO:
Rosas de Leila Meacham é uma leitura muito emocionante e daquelas que faz virar páginas atrás páginas até ao fim. Porém, quando se o atinge fica aquela sensação de vazio pois, não queríamos que acabasse. O meu espírito de leitora fraqueja quando encontro uma história de várias gerações da mesma família. Não o consigo evitar. E quando é cheio de personagens deliciosas é impossível resistir! No entanto, é inevitável a comparação com outros clássicos da literatura. Faz-me lembrar um pouco E Tudo o Vento Levou pelo amor da protagonista pela terra e Os Pássaros Feridos pela paixão assolapada mas, proibida. Obviamente, Rosas não alcança o patamar de tais obras. É uma afirmação que faço sem qualquer tipo de malícia. É um livro fabuloso por seu próprio mérito... Tem uma escrita fluída, é riquíssimo de belas imagens que guardarei para sempre no meu coração e a importância das rosas e do seu significado dá-lhe um toque de ternura e de classe. Todavia, Leila Meacham comete ligeiros erros na parte final da história. Para mim, não foi tão apaixonante como o início avassalador. Tornou-se previsível nas suas acções e consequentemente, um pouco longo de mais. É o que o distingue dos restantes. Não obstante, é um livro que arrebata e que nos leva a ler madrugada adentro sem qualquer remorso (e com uma bela ressaca no dia seguinte!). Somerset que Mary tanto ama, materializa-se em frente aos nossos olhos e quase vemos a brancura do algodão e sentimos o cheiro a terra molhada. As agruras e alegrias da vida são moldadas consoante a antiquíssima plantação. Mas será que vale a pena? Percy, Ollie e Mary são a prova viva de como o passado influencia irremediavelmente o futuro e o que resta é um depois complexo e intrigante. Nenhuma personagem é intragável. São todas encantadoras, cada uma a sua maneira e mesmo quando elas nos aborrecem por optarem pelo caminho mais tortuoso e aparentemente mais estúpido, não as deixamos de amar. Todas têm um papel a cumprir num livro que vive muito de desencontros e amores de todos os tipos e feitios. É genuíno e com uma narrativa poderosa que não deixará ninguém indiferente!
6/7-EXCELENTE
